Saturday, December 31, 2011

dúvidas

Serei um dia capaz de amar?
Verdadeiramente amar?
E não ter mais de esperar, de procurar…
É que na verdade não sei bem o que procuro
Nem quando ao certo comecei essa incessante busca
Estarei em busca do criar? Do sentir?

A dúvida que me persegue: seremos ainda capazes de criar verdadeiramente?
Nesse turbilhão de um tudo que podemos comprar, de um tudo onde permitimos fingir acreditar viver e de tanto tudo tão desnecessário ainda por cima

Serei alguma vez capaz de amar ou terei amado realmente?
Se tudo o que permanece da minha mais forte lembrança de amor, é o querer possuí-lo num fogo sem fim.
Se tudo quero, tudo o que a minha sede desperta, estando constantemente sedenta de curioso saber.
Uma ânsia de conhecer que consome o meu ser, uma culpa por não saber tudo o que ainda não conheço.

Gastamos tanto tempo a dormir, gastamos tanto de nós com o mais vil prazer
Quando podíamos estar a saciar essa sede, do saber não sei bem o que, vindo apenas do que do momento ou de lembrança e sabores a passado perdido.

O lugar que escrevo vai sempre dar ao mesmo, estou entre pessoas que passam sem saber onde ir primeiro, ou tão certas de onde vão que se tornam indiferentes a vida que delas se despede.
Pessoas que se repugnam entre si, que se repugnam a si mesmas, pessoas que só de pessoas um enigma são de si.

A brisa do costume é tão calma, mas pouco calma é essa minha familiar sensação de angústia, de culpar.
Culpo negar, culpo não estar noutro lugar,
Sinto que escorre cada minuto onde perco pelo meu corpo, cada minuto onde podia estar a viver outra vida noutro lado qualquer, melhor ou pior sem importar muito tudo aceitando apenas o aprendizado acrescentado.

Viver apenas, poder ser mil vidas ao mesmo tempo, mil vidas de uma vez, ser tanto ao mesmo tempo e quem sabe poder gerar de mim, muito ou pouco de algum puro valor, tão raro por aqui.
Espero e procuro alguma esperança de acreditar que a pura criação ainda existe, mesmo onde somos confrontados com tanta mentira que se quer fazer verdade, com tanta distorção, escolhendo estar tão longes de alguma verdade puramente nossa.

No que desejamos todos somos iguais, quer-se paz, quer-se saciar o desconhecido interior, porém é no que sonhamos que admitimos a nós mesmos o que daria mais puro sentido a nossas vidas. Mas surge o medo se por ventura resolvemos contar isso a alguém.

Por cada saciedade encontro-me em censura e sem querer encerro-me em mais uma procura, encontrando mais um passo que dá encontro com ainda mais breu no caminho.

A vida obriga-nos ao despegar da dor e ao despegar do amor, um amor a que já nascemos apegados e mesmo quando percebemos tão ilusória que é toda a forma, acordamos como reles mortais obrigados a aceitar que existe o inevitável fim.
Mas até isso interrogo, existirá mesmo fim?

Monday, November 28, 2011

Se pudesse

Se pudesse, deixava todas as mágoas para trás como se deixa um objecto esquecido.
Se pudesse não rever o passado, vivia apenas a felicidade de um futuro promissor e apenas o presente da verdadeira essência de cada pessoa espalhada no infinito.
Se pudesse esconderia apenas num pequeno baú a imensidão de toda a essência e todo o carinho e amor que vivi durante cada passo de criança traquina que dei.
Mas surge e ressurge uma certa e dolorosa nostalgia.
Uma ânsia de recriar o que jamais foi de facto materializado.
Há sempre algo que fica por dizer, por sentir, por dar, algo que se vive sem poder ser contado.
E fica a inexistência de como transmitir esse sentimento engasgado no peito.
Surge o passado como um inimigo que luta contra o viver do nosso promissor futuro.
E assim,
O caminho vai se fazendo mais duro com o arrastar dessas lembranças de sentimentos, duras correntes do que se fica por sentir e de palavras que ficam por dizer.
Até quando carregaremos o mundo nas costas? E quando poderemos finalmente nos libertar?
É nessa esperança de transmutação que nasce uma flor de entre cinzas, cinzas que contam e recontam histórias de pura e vaidosa melancolia.
E é nessa flor que vive o nosso sorriso de criança, uma pureza que nunca cessa por mais carrasca que seja a vida ao dizer adeus a belos sonhos desacreditados.

Tuesday, September 20, 2011

Minha literatura



Literatura,


Âncora,
que me segura face às flutuações dessa minha adolescência já tardia
Curiosidade,
que afoga e transcende minha noção de capacidade intelectual

Aventura,
que me surpreende face a um trilho que nunca antes sequer vislumbrei ou pensei visitar
Antídoto,
para uma receosa preocupação que conduz a uma passiva e dolorosa depressão


Muito vejo e sinto de um mundo que me custa a aceitar, talvez sendo isso o que me leve numa viagem rumo a uma persistente tristeza
Decepção com um mundo de pessoas que acabo por sem querer ter de observar



Acima de tudo, sinto-me solitária.
Solitária, mas não reprimida
Reprimida sim, sinto muita da minha geração entre outras tantas, maioriatiamente, assim


Tão cegas a toda essa boa literatura e cultura que nos presenteia sempre com tanto para dar
Como queria que amigos sentissem o que eu sinto por vezes ao ler um saboroso livro ou a ouvir uma multicolor canção jazz
Como queria simplemente não me importar de estar sempre sozinha na mais pura e mágica imaginação, perdida em todas essas imensas tonalidades de diferentes criações


No entanto, solitária sinto-me ao exprimir todos esses meus momentâneos e instantâneos contentamentos
Quase que sinto dificuldade em comunicar com outros jovens, não por falta do que dizer e sim por saber que pouco interesse teriam em me ouvir


Felizmente, raras excepções vou encontrando, e essas descobertas de pura magia sensorial acabam por propagar-se pouco a pouco ou sem querer
E assim, a mim própria, vejo.
Por outros, completo-me como se de mim fizesse um puzzle e o completasse peça a peça
Se pouco de mim posso dar, dou-me à escrita assim, periodicamente.


E da literatura,sempre que posso, faço refúgio,
um passo a passo que me leva rumo a mais pura libertação
um esquecimento de todo esse desamparo mal resolvido.

Tuesday, August 23, 2011

Melodia




Músicar, é flutuar em labirintos de doces sensações

É chegar ao inatingível com a força e bravura da luta que ainda não chegou ao fim

É amar como se nunca se tivesse imaginado o que seria o amor

É sonhar como se fosse possível sonhar com algo impossível de se ter imaginado ser possível existir
Música, é a beleza de todo o vazio que existe em todas as coisas celestiais ou apenas existente no mais profundo do ser

É cor que existe melodicamente encerrada a sete chaves que apenas os cegos de nascença e os loucos de própria vontate podem claramente observar

É história sem passado nem futuro, com apenas um eterno presente inspirado no além

É nascimento sem morte, e morte sem nascimento, uma cura profunda e as vezes um impulso para loucas desilusões
Fonte inesgotável de alma
Se alma existe que se possa ouvir

Fôlego de curta duração mas que enche numa eterna fascinação
Pinto e desenho formas geométricas em aquarelas de notas musicais

Sinto colcheias e pausas em ritmos e sabores naturais

Viajo na liberdade rítmica e alternada do som como num mais puro transe do qual não quero voltar

Anseio cada tom e cada distonia não premeditada como uma agradável surpresa inesperada
A música, ao todo, somos tu e eu







Desabafo solitário



Estar sozinha é nunca estar verdadeiramente só
É provar que o invisível existe
É dar asas a imaginação
À criação, à esperança do que ocorrerá de bom ou à esperança da repetição do maravilhoso que outrora foi criado.


Quando estou sozinha sei que apenas a minha condição influenciará toda a corrente de sensações e acontecimentos que vão acontecendo um por um
Posso claramente vivenciar o místico e fantasmagórico ser que é a minha centelha de natureza.
E cada pequeno choque da minha existência com o exterior acaba por consistir, as vezes, num sinal que pode causar uma pequena mas vital mudança de rumo no futuro.


Ver o quão milagrosos esses acontecimentos são faz tudo parecer incrivelmente mágico.
Até uma contigente frase de um livro ou a mais comum passagem de um eléctrico que desloca toda a memória de uma boa lembrança no passado podem influenciar um próximo passo a seguir.


Estar sozinha define as fronteiras de quem sou ao permitir comparar imparcialmente o comportamento de outros tão distintos do meu próprio ser, que apenas tem em comum comigo o facto de terem as mesmas necessidades vitais mas que pouco ou nada parecem influir com a minha vida actual.


Somos apenas centelhas de sensações mas saberemos apreciar em cada momento tal magnitude?
De facto, então, o que nos move?
Serão escolhas que fazemos ou apenas coincidentes encontros que nos levarão rumo a um futuro diferente de outro qualquer?
Até que ponto seremos influenciados por um pequeno detalhe que nos indignou?


Numa combinação de contingentes incidentes juntamente com uma aguda percepção que inconscientemente escolhe quais os incidentes serão mais importantes em detrimento de outros, existimos.




Nesta incrível confusão, aqui estamos, tão cegamente influenciados e tão imperceptivelmente poderosos por escolher pequenos detalhes aparentemente insignificantes.

Wednesday, August 17, 2011

Ao encontro do fascínio



Ao encontro do fascínio


Duro é estar em Lisboa
E ver-te em todo o lado


Em cada esquina te reencontro como te encontrei da primeira vez
Em cada passo te reconheço numa aparência familiar

Em cada rua te vejo passear com o mesmo olhar aéreo, intenso e profundo
Da mesma forma que me olhavas antes


Sinto-te na história da minha vida
Como um fascínio por um passado ancestral já escrito em antigos monumentos lisboetas


Agora, és história viva em mim
Poesia visual prazerosa e sensual

Música que eu escuto, num chorar de melancólicas notas de solidão


Estás na minha revolta pessoal por não te ter entregue mais um pedacinho de mim
Fizeste-me questionar até o brilho das estrelas do céu, pois viste o fisicamente incorrecto no que já parecia alquimicamente tão certo
Tal está a tua presença tatuada e cravada em mim que nem o milagre dos séculos apagarão o amor que um dia se desabrochou


És poesia, história, um romance sem fim
Parte mais secreta, inabitada que existe em mim
Profunda fraqueza que com força escondo
Disfaçada num ilusório véu, de fragilidade infantil

És o meu desejo secreto de morrer para ser tudo o que nunca fui mergulhando numa eterna entrega rumo ao desconhecido

A nossa criação não teve manifesto porque recusou-se a ser
Pois dolorasamente renegaste todo um destino que já traçado estava
Sem dares a conhecer nem um motivo de tal final precipitado
Marcaste com pura ausência, cada lágrima numa eterna espera

Tuesday, August 17, 2010

Justiceira do Sol



Segui minha direcção.
Escolhi ser justa, fiel a condição de justiceira da sociedade
Persegui os trilhos naturais, escolhi amantes matinais e durante a noite era celestial.

Os meus ídolos foram revolucionários, filósofos, religiosos e místicos
mas por fim descobri todos mortos por não estarem completos em mim.

Senti o chão cair dos meus pés.
Senti o céu agarrar-se aos meus ombros.
E por fim pensei por minha insegurança.

Era incompreendida e incompreendida ainda sou.

Agora pela minha nova orientação.
Por agora seguir o Sol para encontrar segurança
Sinto me contrariada e julgada por estar a aprender a utilizar armas.

Jurei pela pátria mas sinto ter injuriado o meu juramento mundial.

Não importa o juramento primeiramente sou do universo, do céu, da lua, do mundo.

E mais tarde acordarei a minha justiça adormecida
e serei, desse dia em diante mais forte, e ainda, justiceira pela paz do mundo.

Tuesday, December 22, 2009

Desencontro

Onde foi que te perdi?
Foi entre os homens que encontrei?
Foi entre os passos inseguros que dei?
Foi entre os lugares que passei?
Onde estás? De face virada para mim?
De costas voltadas para não te tocar?
Ou será que chegaste sem avisar?

Estava feliz quando pensei teres voltado
Quando pensei ter encontrado aquele pedaço que perdi
Mas se duvidas do que eu sinto fica sabendo que se te perdi foi porque nunca de encontrei de verdade
Onde estás tu, oh minha alma!
Sinto-me só sem ti
O mar levou-te e deixou-me aqui com outra alma engasgada a espera de mim
E quem se enganou afinal?
Fui eu por permitir a tua ausência
Ou foste tu que te perdeste de mim?
Desencontramo-nos no dia que desconfiamos.
E agora ainda dizes que há vida sem ti!

Mas eu sou apenas uma criança
Não tenho nada a confessar e nada para dizer.
Só temo que tenha chegado infelizmente o nosso fim
Pois se não encontrar-me não sei como fazer
Como vou viver contigo sem mim?

Friday, October 02, 2009

Estrelas do céu

Quem dera que aqueles momentos perdurassem
Momentos de paz, de alegria, de partilha, de comunhão natural

Quem dera que aqueles olhares perdurassem
Olhares de espíritos, de transcendência, de amizade

Quem dera eu fosse sempre alegre e feliz como sou
Ao aceitar que faço parte da Mãe

Sou viajante, viajante só
Troco o amor de um sítio só
Por uma nova descoberta de um lugar em que nunca se pensou estar

E as vezes correm lágrimas sem eu as poder parar
Por momentos de felicidade que vivi
Não sei bem onde nem com quem
São da lembrança que senti

Não sou de ninguém nem de lugar algum
Não sou esta insegurança que me afunda
Nem essa tristeza que me trai

Sou de mim
E só ao ver nascer o Sol
Renasço na esperança de poder escolher
um pedaço de momento em que possa ser
um pouco mais do que eu.

Mãe, não permitas que por me apegar a ti
Afaste-me de outros
Por que também alguns afastam-se de mim
Por não verem que estás aqui
Num olhar de criança
Nos pássaros
Nas árvores da rua
Ou numa brisa que arrepia

As estrelas do céu sei que são a minha família
Porque quando me sinto só olho-as e penso que numa dessas estrelas
está alguém como eu

E sem perder-me em etiquetas
Sem seguir espectros que consomem o vazio
Prefiro ver a beleza em tudo como vejo
Ao não confundir quem sou com o que tenho

Por ti, nunca deixarei de ser quem sou
Nem nesses momentos em que olho para as estrelas e deixo as lágrimas caírem
Por ti, nunca esquecerei quem o meu coração seguiu
Nem quando em cada passo me sentir desamparada

Enquanto as vozes do mar contam-me as histórias do seu nome
Eu pergunto as montanhas se o meu nome combina com o seu


Estás aqui, meu amor

Monday, September 14, 2009

Todos mais uma

A minha nova banda...
Os todos menos um passam agora a todos mais uma xD.
Adorei o ensaio...
Faltam as letras. :)

Som-C-voz



Som-G-oz

Thursday, September 10, 2009

Um dia

Um dia pensei em... comprar
Um dia pensei em... ter
Um dia pensei em... sobreviver
Um dia pensei em... crescer

E foi então que... adormeci

Isso é tudo muito chato!

Decidi que
Vou criar
Vou sonhar
Vou fazer
Vou SER

E o resto logo se vê!

Tuesday, September 08, 2009

Ecologia Humanista


Por Janos Biro
http://antizero.rg3.net/


Um dia os criminosos se reuniram numa conferência global e colocaram o seguinte em pauta: Estamos destruindo nosso mundo. A preocupação principal era que os criminosos estavam agindo de forma muito bruta, muito violenta, muito predatória. Sua fonte de renda estava simplesmente sendo destruída, literalmente entrando em extinção. Algo certamente precisava ser feito, urgentemente, ou então os criminosos não teriam mais a quem roubar, matar, estuprar, chantagear, extorquir e explorar de uma forma ou de outra. Isto quer dizer que não poderiam mais manter seu estilo de vida.

Então vieram com esta óptima idéia: “Vamos preservar! Não matemos alguém que não precisa ser morto, assim, por pura maldade. Não tiremos absolutamente tudo que a pessoa tem. Sejamos racionais e eficientes, poupemos nossos recursos”. Chamaram essa idéia de crime sustentável, por todo o mundo se falava em “assalto consciente”, por exemplo. Analistas chegaram à conclusão que se roubassem não mais do que uma pequena percentagem de alguém, essa pessoa poderia se recuperar mais rápido, e então ser assaltada mais vezes ao ano. Este tipo de discussão animou os criminosos mais intelectuais, que se empolgaram e escreveram muitos artigos sobre as excitantes novas perspectivas, novos paradigmas e novos rumos para o crime. Diziam coisas como: “Um crime mais humano é possível” e “Devemos ter respeito pelo que exploramos”.

Esta parábola, que pode parecer exagerada, é apenas uma amostra do erro que estamos cometendo em relação à ecologia. Enquanto animais morrem no zoológico de Goiânia, continuamos gastando milhões com os animais do zoológico de Brasília. Parece que suas exibições já se tornaram espetáculo. Há tanta mentira na política brasileira quanto no ambientalismo que promove o “desenvolvimento sustentável”, com um agravante: em questão de política, pelo menos temos a intuição de que há uma rede intricada de falsidades. Quanto ao ambientalismo, parece que ainda não percebemos quão enormemente ilusória é a história que estão nos contando.

As pessoas comuns tendem a achar que existe uma “crise de consciência”atingindo os “poluidores e destruidores do mundo”, e que agora, realmente, percebemos o mal que estamos fazendo e estamos nos encaminhando para uma mudança de modo de vida, que irá nos ajudar a deixar um mundo melhor para as gerações futuras.

O primeiro erro é achar que há alguma coisa de novo nessa preocupação. A idéia de que a preocupação ecológica é recente parece ter a intenção de encobrir o facto e a memória de que as medidas do passado, que visavam restabelecer o “equilíbrio entre o homem e a natureza”, falharam miseravelmente, e que estamos repetindo os mesmos erros há séculos. Não é preciso ser um especialista para ver que a longa história da relação entre o homem civilizado e a natureza está cheia de fracassos colossais em termos de alcançar uma “convivência harmoniosa”. Já na antiguidade havia pensadores preocupados com o desmatamento e com as barragens. Nada disto é novo, e é patente que as coisas pioraram, apesar de toda a preocupação. Tendemos a achar que somos mais “conscientes” hoje porque temos mais acesso à informação.

Nós hoje culpamos o petróleo e falamos de aquecimento global, mas houve um momento no passado em que o petróleo era a promessa de energia mais limpa e eficaz. O petróleo já foi o que hoje é o biodiesel: uma alternativa ecológica, só não tinha esse nome. A falha obviamente está em achar que basta que consigamos fontes de energia alternativa para mover nossa tecnologia actual. Dizer que vamos conseguir mover nossos carros sem poluir seria como, há 200 anos, dizer que conseguiríamos mover nossas carroças sem cavalos. Sim, é verdade, e daí? A ingenuidade está em ignorar que se nós continuarmos com a mesma mentalidade que substituiu as carroças por carros, então iremos inventar algo muito pior que os carros. É claro que, este julgamento valorativo será impossível até que o problema seja “irreversível”. Até quando vamos seguir este “padrão”? Quantos efeitos retroactivos nós poderemos acumular num mesmo sistema?

O segundo erro é localizar os “culpados” erroneamente. O ambientalismo actualmente está focado no consumo. Mas ele não critica a relação entre produção e consumo na modernidade, ele não tem legitimidade para criticar isso. O ambientalismo tenta falar de “responsabilidade dos indivíduos” porque é exactamente este o discurso que a sociedade do consumo quer ouvir. Como bons modernos, qualquer coisa que não esteja centralizada no indivíduo não nos parece muito agradável. Eles dizem que o foco é o ser humano, mas querem dizer que o foco são os consumidores.

Tentamos fazer uma ponte entre o ambiental, o social e o político. Isso avança muito lentamente, mas a questão não é simplesmente acelerar o processo, é compreender que simplesmente intercomunicar essas “áreas de actuação humana” pode nem sequer se aproximar de algo significativo. O problema pode estar em algo mais básico do que aquilo que apenas permeia estas áreas. Pode estar na nossa visão de mundo, nos pressupostos de nossa cultura. Pode estar além do alcance de qualquer questão “transdisciplinar”.

Tem havido algum debate sobre o fim do ambientalismo, e sobre a mudança dos “verdes” para os “azuis”. Segundo o propositor do movimento azul, Adam Werbach, nós devemos deixar de ser ambientalistas para nos tornarmos “progressistas”. Ele poderia ter sido mais directo, poderia ter dito logo “humanistas”. Sim, para a sociedade do consumo, a derrocada do ambientalismo parece ter se dado porque ela não foi humanista o suficiente. Adam diz que “O verde coloca o planeta no centro do diálogo. O azul coloca as pessoas no centro”.

A questão agora é como a preservação do meio pode ser boa para a economia, pois não há diálogo em outros termos. Agora há um nome oficial para a estratégia de “focar acções individuais” como se isto fosse realmente ecológico, é Projecto Pessoal de Sustentabilidade(PPS). Uma pequena amostra do grau de loucura a que chegamos. Com o ambientalismo se afastando velozmente da crítica à civilização, ficamos cada vez mais sozinhos.

Link para uma notícia sobre o movimento azul:
http://www.pagina22.com.br/index.cfm?fuseaction=artigoEnsaio&id=408

Saturday, September 05, 2009

Carta




Musicando as estrelas
Como quem utiliza pautas
Eu vejo esferas no céu

E eu, pensando em ti,
Começo a acreditar em contos de fadas
E sinto-me fada da tua esperança
Sinto-me fada da tua persistência em vencer

Amor, a nossa distância transmutar-se-á em magia
No dia em que os meus olhos reconhecerem os teus outra vez

Na sintonia com tudo
Perco a direcção de uma vida só
Porque a ligação que existe em nós
Faz-me ver que não somos os únicos

As asas da imaginação mergulham-me num turbilhão de emoções
que nada pode reprimir

Amor, a tua ausência me constrói e desconstrói ao saber
que mesmo assim sou parte de ti

Sinto-me razão de um sonho não concretizado
Emoção de uma lágrima escondida
Asas de um voo sem fim
em direcção a um fim que não se quer atingir

Hoje, chorei ao dar-me conta que
o mundo pára perante um sorriso de criança
Hoje, chorei ao dar-me conta que
sinto-me frágil por estar longe de ti

Vivendo na simplicidade juvenil
Vejo a crueldade do mundo que nos rodeia
E descubro que mais porquês ficarão por responder

Mas como só o amor responde tudo
Ignorante da sociedade
Preservo alguma identidade
Ignorante do espaço
Sinto a minha liberdade

Faço-me ignorante do tempo
E sinto-te aqui bem perto
Em lembranças intemporais de amor
Tão lindo, doce, natural, selvagem

Amor, quando voltares
Espero que seja ainda bem cedo
Porque o nosso amor é luz
Luz que guia de noite e de dia
Atracção que une por meio de dádivas na eternidade

Amo-te Â*****
És o meu anjo de luz

Thursday, September 03, 2009

Amor

Rui:

Por amor
Dou-me todo
Sofro,
Choro
Peço Perdão,
Perdoo,
E esqueço todo o mal.

(Em resposta ao Rui...)
Eu:

Amar é dar vida na vida que dá e ser vida sem tirar mas na troca de sonhar e transmutar a realidade em sonho.

Amar é deixar crescer a harmonia que se faz da partilha do ser que não perdeu em ceder.

Amar é acreditar que sonho é realidade e que o tempo pode parar ou passar despercebido.

Amar é realizar a vida como um Deus que realizou a criação porque precisou imaginar que a beleza exitia.

**********
Se és chama acende-te
Se és luz ilumina-te
Se és vida dá-te
Se és querer faz acontecer
Se és viver faz nascer
Se és amigo cria laços
Se és poeta emociona-te
Se és pintor colore-te
Se és amor partilha-te
Se és tu faz-te único

Sente a unidade que jaz na relação entre tudo

Respira a beleza que jaz escondida entre um nevoeiro de multidão

Deixa-te crescer e renascer entre toda essa fumaça que tenta poluir toda fonte de paz

Wednesday, September 02, 2009

Ser no ser que sonha sonhar que sonha voar no voo profundo nas profundezas do mundo que manda o mal na maldade de fazer e ferir quem ama o amor de ver a beleza criar-se a fazer-se assim instantanea natural como um poema meu.

Amo a vida
Amo amar
Obrigada

Tuesday, August 04, 2009

Oceano




Como quem escuta as vozes do mar
Como quem sente os seus tons profundos
Como quem observa as estrelas do céu
Como quem descobre a melodia numa concha

Chamaste-me, ó mar,
e eu escutei a tua voz

O meu sorriso infantil
Escondia o meu medo febril
Mas enfrentei-te ó mar
Como enfrento a minha pequena vida

Ouviste-me, ó mar,
Será que puseste-me no lugar certo?
Sentiste-me, ó mar,
Será que percebeste o meu desasossego?

Dá-me a tua melodia, ó mar,
Ensina-me os teus tons enquanto os espalhas pelo mundo
Segura-me forte, ó mar,
Segura-me a mão e não me deixes cair

Falaste-me e mostraste-me como é fácil perder a direcção
Mas perdoa-me se eu esquecer a nossa visão

Sou tua, toda tua
A ti entreguei o coração

Que ele seja eterno
Caminhando nas tuas ondas

Que seja vida,
Renascendo na eterna vida de uma bela canção

Saturday, May 30, 2009

Haja- Cultura de paz



A noção de Cultura da Paz, provavelmente, tem sido formulada de modo mais compreensível a partir da Resolução da Assembléia Geral da ONU 53/243 de setembro de 1999, que teve o título: Declaração e Programa de Ação sobre uma Cultura de Paz.

O ano de 2000 foi proclamado o Ano Internacional da Cultura da Paz, pela Secretaria Geral das Nações Unidas, com o objetivo de celebrar e encorajar a Cultura da Paz.
A expressão ganhou impacto a partir disso, mas a essência da idéia é bem mais antiga. Ativistas pela paz trabalham por um mundo melhor desde os tempos mais remotos.

De acordo com a ONU, a organização mais universal e mais representativa de todo o mundo,

Cultura da Paz é um conjunto de valores, atitudes, tradições, comportamentos e estilos de vida baseados:

- No respeito à vida, no fim da violência e na promoção e prática da não-violência por meio da educação, do diálogo e da cooperação;
- No pleno respeito aos princípios de soberania, integridade territorial e independência política dos Estados e de não ingerência nos assuntos que são, essencialmente, de jurisdição interna dos Estados, em conformidade com a Carta das Nações Unidas e o direito internacional;
- No pleno respeito e na promoção de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais;
- No compromisso com a solução pacífica dos conflitos;
- Nos esforços para satisfazer as necessidades de desenvolvimento e proteção do meio-ambiente para as gerações presente e futuras;
- No respeito e promoção do direito ao desenvolvimento;
- No respeito e fomento à igualdade de direitos e oportunidades de mulheres e homens;
- No respeito e fomento ao direito de todas as pessoas à liberdade de expressão, opinião e informação;
- Na adesão aos princípios de liberdade, justiça, democracia, tolerância, solidariedade, cooperação, pluralismo, diversidade cultural, diálogo e entendimento em todos os níveis da sociedade e entre as nações.

Diversas pessoas e instituições em todo o mundo aderiram à declaração da ONU sobre Cultura da Paz e se empenham na concretização de seus ideais.

O conceito de paz também vem mudando no decorrer das últimas décadas, partindo da definição tradicional da paz como ausência de guerra e chegando a uma visão holística que integra a busca da paz interior com a busca da paz entre os homens e com a natureza.

De acordo com a Carta da Terra (2002), “a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte”.

Assim, adotando um conceito holístico, podemos dizer que a construção da paz abrange três eixos: paz interior (capacidade de cuidar bem de si mesmo), paz social (capacidade de cuidar bem dos outros) e paz ambiental (capacidade de cuidar bem do ambiente em que se vive).
Há tempos, vivemos em meio a uma cultura da violência e muitos não se apercebem disso. A violência é tratada na sociedade como entretenimento e espetáculo. As crianças crescem assistindo a desenhos animados onde a violência é o foco. A venda de material violento (filmes, videogames, armas de brinquedo) é sempre bem-sucedida. O noticiário vende a violência como espetáculo. A história que estudamos na escola é baseada nos heróis de guerra e não nos heróis da paz. A paz, dessa forma, é o lado oculto da história. Os heróis fictícios que as crianças e jovens aprendem a admirar combatem a violência com a violência. As canções infantis mais populares possuem letras terroristas. Nas artes, em geral, predominam formas e conteúdos violentos. O esporte, via de regra, é utilizado como veículo para degladiação. Fazemos guerras de competição desde as brincadeiras da infância, onde participantes vão sendo eliminados até que haja vencedores e vencidos. No campo religioso, muitos pregam o amor, mas poucos o praticam, utilizando suas idéias religiosas para ferir, condenar e promover guerras “santas”.

Todos nós nascemos com potencial de amor e agressividade, sendo necessário expandir o primeiro e canalizar o segundo para fins construtivos. E todos nós, religiosos, ateus, cientistas, artistas, professores, garis, comerciantes, empresários, crianças, jovens e adultos, seja qual for o ambiente e as circunstâncias em que estejamos situados, deveríamos trabalhar pela construção dessa Cultura da Paz. Não simplesmente em razão de crenças, filosofias e ideais, pois trata-se de algo que vai além da mera crença particular. Trata-se de uma questão de necessidade (individual, social e ambiental) que deve ultrapassar o campo do partidarismo filosófico, político ou religioso.

Trabalhar pela construção de uma Cultura da Paz, entretanto, não se trata de negar a violência. Ela está aí! É uma das facetas da realidade e está presente sob um infinidade de formas: física, psicológica, social, econômica, ambiental, institucional, legal, explícita, travestida, religiosa, artística, esportiva, comissiva, omissiva etc. Entretanto, sedimentar a crença de que o mundo está irremediavelmente violento e que para ele não existe solução é fechar os olhos, tapar os ouvidos e cruzar os braços para o esforço cotidiano de milhões de pessoas que estão trabalhando pela construção da paz e por um mundo melhor. Não devemos olhar a paz como um ideal inatingível, mas como uma realidade.

O nosso grande desafio é encontrar meios de globalizar o amor, o perdão e a tolerância com a mesma eficiência dedicada à globalização da violência.
Precisamos, independentemente de nossas profissões ou crenças, atuar como ativistas sociais, ambientalistas e construtores da paz. E, certamente, conseguiremos transformar este planeta num mundo melhor.

Clésio Tapety

Saturday, May 23, 2009

Sino



Noite escura

Vento forte

Escorre o cansaço

Treme o medo


Escorrega o pé(tictictictictictac)

Cai o corpo

Mata a dor

Fere a culpa


tictictictic tac

tictictictic tac

tictictictic tac


Chora a chuva

Canta a alma

Brinca a mente

Cansa a gente


E toca o sino(tictictictictictac)

E arrepia(tictictictictictac)


tictictictictic tac

tictictictictic tac

tictictictictic tac


Perde o tempo

Gasta a energia

Dói a cabeça

Desgasta a fome(tictictictictictac)


E fala a hora...

E faz acontecer...


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Dizem que o meu olhar é triste

Dizem que sou inteligente

Não me importando com tudo isso

Digo que não me sinto triste

e muito menos inteligente


Só vejo coisas pouco como são

E sinto coisas como pouco se vê

Troco o amor que me resta

E chego ao mais profundo ser

Que me toca por dentro


Vivo o tempo do não tempo

Ouço o balançar dos sinos

Como quem ouve um trilimtimtim

de cada vez, pela primeira vez que ouviu


Quando chove sinto toques, sinto calafrios

E chateio-me por ver nas cores, cores que nelas não têem


Mas cada dia é um dia

Nunca igual ao que passou

Cada dia é um reflexo

da minha alma que se me descolou


Tudo em mim se mexe

E mexo eu com tudo também

Escondendo minha sincera timidez

Numa profunda e ágil estupidez


O medo, faz de mim amiga

A coragem, faz de mim rebelde

E não me perco por entre brumas de folhas de árvores caídas


Encontrando-me no desencontro de encontrar

Amo o desapego da ilusão de amar

Resta-me duvidar e resta-me brincar


Pois, que amor haverá?

E por onde irá passar?

Saturday, May 16, 2009

Ritmo --- Virtualidade



Viva a terra

Viva a terra, pelas coisas vivas que tem

Viva a terra, pelo prazer que as coisas dão

Viva a terra, pelo prazer de viver a revivê-la

Viva a terra, pela energia que manifesta

Viva a terra, simplesmente por ser


Simples assim


Viva o mar

Por ondular, e tocar onde não se toca

Viva o mar

Por viver constantemente sem parar

Viva o mar

Simples assim, por seguir em frente

Viva o mar

Viva tudo o que sente


Viva o céu, por existir apenas

Viva as cores do céu, por serem tantas que não se sabe distinguir

Viva o céu

Viva as estrelas que nos iluminam e nos guiam

Viva o céu, o nosso olhar para o futuro


E viva tudo

Por viver tudo o que é

Viva o todo, que nada é, mas que transpira

Viva a vida que é vida assim, bem ritmada

E viva o ritmo que ritmo dá vida a nossa vida.


*****


Nunca vi muita utilidade na tecnologia…
Mas por alguma razão ela existe. Por que será?
Já reflecti sobre esse assunto algumas vezes.

A lei do 0101010100000111
O sistema binário através do qual é baseado a tecnologia parece-me um bocado absurdo.
Um sistema binário é um sistema incompleto, uma linguagem, não uma realidade. Apenas como outra língua qualquer, nada mais do que isso. Embora muito boa gente o assuma como realidade de forma inconsciente.

Mas e se a tecnologia se baseasse no 010?
Um bocado como uma molécula de água (H2O), seria totalmente diferente. Então a linguagem tecnológica passaria a uma realidade virtual. Talvez já exista… não sei.
Ou talvez tudo o que existe se baseie nisso, mas talvez isso também seria simplificar demais as coisas.

Imaginando,
No caso do sistema 010

O zero é um número completo
O 1 um número simples
O 1 ficaria no meio e o 0 seria repelido, se imaginarmos esse sistema muitas vezes formaria uma cadeia quase como milhões de átomos que definem a matéria.
Os 1 ficariam agarrados aos 0 que são completos e os 0 iriam querer se afastar dos 1 por já serem completos.

No caso do sistema 01 que vemos,
O 0111100001100 forma uma espécie de parede imaginada, nunca chega a formar mais do que isso.

Uma conversa estranha.

Mas de facto, o metal tem inúmeros efeitos estranhíssimos.
Entre os quais, a sua extrema leveza sutil.
Por qualquer motivo o som das gotas de chuva no metal produz um som sinistro. Que me chama atenção para o meu lado mais celestial.
Engraçado visto que o metal de facto tem pouca densidade.

Talvez no fundo a tecnologia nos ajude a nos elevarmos de alguma forma.
Em quantidades razoáveis claro.
Acho que uma pequena dose de tecnologia, de vez em quando, não faz mal a ninguém… J

Viva o número 3.

,

Monday, May 11, 2009

Astrologia e Chuva





Ontem, no Jardim da Vársea

Um dia fascinante por todas as manifestações da natureza


A chuva,


O vento,


O Sol,


A Lua cheia por entre as neblinas de fumaça


O magnetismo do Metal tocado pelas gotas de chuva


O sacrifício de amor


Os sons da água


**********************************


Como é bom aprender:


Com a vontade de um Carneiro

Com a sensibilidade de um Touro

E com a comunicação de um Gémeos


Com a ternura de um Caranguejo

Com a segurança de um Leão

E com a beleza de um Virgem


Com o equilíbrio de um Balança

Com a intensidade de um Escorpião

E com a alegria de um Sagitário


Com a responsabilidade de um Capricórnio

Com a espontaneadade de um Aquário

E com a profundidade de um Peixes


Como é bom aprender

E senti-lo, sentir tudo de todas as formas

Reaprender e recriar

Refazer o que se desfez


Como correr atrás de folhas em branco

Como escrever um história

Como construir personagens

Como ser e não ser


Por detrás dos meus restos de alma

O que restará?