Wednesday, June 27, 2012

Realidade em saldos



O que se vive da vida que é real?

Acorda-se de manhã, com um pequeno almoço venenoso,
O café para despertar, quando ainda agora se estava a dormir.
E compra-se uma revista que vende quentes ilusões de última hora,
 ficando tudo a matutar na nossa mente inocente durante vários dias.

E por agora isso é tudo o que precisamos para estarmos informados.
Porque de seguida, corre-se para o trabalho e trabalha-se por uma ilusão que vende uma realidade não mais que superficial e inexistente.
Pois, me pergunto, quantos de nós realmente se vêem em seus trabalhos?
E quantos trabalhos são realmente úteis a comunidade?
Muito poucos.

E após no mínimo 8 horas diárias, que só servem ao bolso,
chega-se em casa, e para sarar e engolir em seco todas as nossas mágoas espirituais e crises emocionais não satisfeitas, vemos televisão, pois é a atitude mais banal e mais fácil,
e nos alimentamos ansiosamente dela, que repleta de ilusões e distorcidas visões enche  ainda mais a nossa mente de lixo.
Pois como todos sabemos a televisão serve os seus próprios interesses, não os interesses individuais de cada um. Afinal são insignificantes as nossas diferenças, somos números de factura.

Acabamos assim o dia, vitoriosos por evitar aprofundar os nossos verdadeiros laços emocionais e refletir sobre o dia que por nós mal passou, engolindo ansiosamente a vida.
E procuramos ainda assim, dessa forma, tentar ver com mais clareza.

Perguntamos baixinho, a nós próprios, o que foi feito do nosso tempo que voou por nós e não vimos sequer passar.
Esperamos ansiosamente guardados em nós, a que hora que teremos tempo para realmente viver, apenas pelo simples prazer de viver.
E quando haverá tempo para amar, apenas por simplesmente amar? Apenas porque é bom amar simplesmente?

Hoje vejo,
que até os lugares aparentemente destinados a amar, aparecem momentaneamente “minados”...

Como, numa praia onde passam aviões com publicidade no sagrado céu,
Num telefone que toca, nos interrompe e nos custa a desligar, tocando em momentos íntimos que atrapalham preciosos segundos.
Até em pessoas alucinadas que nos distraem com conversas vazias de verdadeiro sentido.
Como num belo parque deslocado numa cidade cheia de cartazes iguais que não nos deixam sossegados.
Quão difícil é limpar a mente, quando a tecnologia em si, parece que hoje em dia, se tornou um vício.
E como é óbvio ver que tantas pessoas ainda se vangloriam disso, quão cegas estão, e como é fácil ver que é mais fácil fingir do que mudar.
Como se pode realmente saber o que se quer, se vivemos cobertos, com uma manta de mentiras e ilusões insistentemente a venda? Que clamam que urgentemente necessitamos delas?

Nesse mar, que nos engole, quem somos nós realmente?
Viveremos o nosso propósito ou o propósito de todas essas coisas que levamos constantemente em nossos ombros e nos contam histórias que nos fazem dormir?
E que vida vivemos afinal?
A nossa? Ou a vida que interessa a alguém que vivamos?

Quanto tempo dá a vida a nós verdadeiramente?
E quanto desse tempo realmente aproveitamos?

É por isso que eu desligo a TV, e procuro fontes reais de inspiração...
e prefiro a realidade, pois mesmo que as vezes cruel, sei que pode me permitir viver realmente…

O jovem descobridor

Fonte: Caravaggio

Engraçada a vida como ela é

Com suas nuances de suave loucura
E com sua redundante certeza
Que aflora as vezes num dia especial

Engraçado como somos como o pequeno jovem
Que com ingenuidade inicia impulsivamente sua busca
Busca que pensa ser objectiva
Mas que tem um fundo obscuro e muito mais profundo
que desconhece por ainda não saber o que é sofrer

E torna a vida engraçada perceber
Que nessa busca ingrata por poder
Vemo-nos sempre impotentes eternamente nos mantendo sedentos
Vendo que essa busca o aguardado fim afinal não tem

E afinal a vida é assim mesmo
Pois quando descobrimos que não existe idade adulta
Vemos que esse alivio aguardado nunca chega
Pois ninguém agora pode dizer ao nosso ouvido o que fazer
Para sermos felizes no próximo instante

E nós senhores de nós nunca conseguimos ser
Nem senhores de nada nem de ninguém
E quem se diz senhor, afinal, só finge bem

E toda busca nossa pensamos ser só igual a nossa apenas
Mas ao olhar em volta vemos que afinal somos todos iguais
Pois a mesma busca calha a outros também
e mesmo assim custa sempre entender a dos outros
quando nem a nossa entendemos bem

E o jovem busca preencher um vazio que lhe penetra o peito
E corre atarefado sem tempo para ser sensato,
Corre sem tempo para preocupações triviais
Pensa no mundo com sua cabeça e não com a cabeça do mundo
E sonha e se fascina e esquece que isso tudo também dói

E sem querer escorrega, por negar as raízes salta alto demais
Mas nunca consegue ser mais que criança,
criança que sonha com uma ansiada paz
E ele pensa que ninguém o pode entender,
Que ninguém pode entender a sua tao profunda e carnal dor
E ele pensa estar sozinho, mesmo no seu íntimo sabendo que não é o único
Procurando, sem querer, outros que procuram também

Mas o jovem, ainda é menino, ainda é ingénuo, ainda conhece pouco do mundo
E quer ver, quer explorar, quer conhecer mais
E na sua busca, quer também a fruta mais doce, quer o objecto mais misterioso
Mas quer além disso tudo saciar o peito que continua a bater sem saber porquê

A vida é engraçada afinal, pois descobrimos
Que quando tudo se tem não se é feliz
E apenas quando nada é perfeito percebemos que antes tudo havíamos tido
E mesmo assim escolhemos cegamente sofrer

E se formos mais além ainda,
vemos que a partida rumo a busca sempre foi afinal a chegada
E que a resposta a essa busca sempre foi a própria busca em si
E que cada momento tinha em si a resposta a busca que nós lá fora fazíamos
E que fomos nos próprios que escolhemos não ver
Pois sempre nos custou realmente admitir

Talvez por gostarmos de sofrer
Talvez por alguma inconsciência
Talvez por querer experimentar as asas
Por querer voar com elas bem além de nós mesmos

É engraçado que ao observar a vida como ela é,
descobri que precisamos saber comparar para verdadeiramente apreciar
Mas que precisamos ir além de qualquer comparação para vivermos sabiamente o momento que guarda a felicidade.



Saturday, June 23, 2012

Choosing to Live a Life That Matters!




How Will The Value of Your Days Be Measured?
Choosing to Live a Life That Matters!

Whether we are ready or not, someday it will all come to an end.
There will be no more sunrises, no minutes, hours, or days.

All the things you collected, whether treasured or forgotten, will pass to someone else.
Your wealth, fame, and temporal power will shrivel to irrelevance.
It will not matter what you owned or owed.
Your grudges, resentments, frustrations, and jealousies will finally disappear.
So, too your hopes, ambitions, plans and to-do lists will expire.

The wins and losses that once seemed so important will fade away.
It won’t matter where you came from or on what side of the tracks you lived at the end.
It wont matter if you are beautiful or brilliant.
Even your gender and skin color will be irrelevant.

So what will matter?
How will the value of your days be measured?

What will matter is not what you bought, but what you built.
Not what you got, but what you gave.
What will matter is not your success, but your significance.
What will matter is not what you learned, but what you taught.

What will matter is not your competence, but your character.
What will matter is not how many people you knew, but how many will feel the lasting loss when you’re gone.

What will matter is not your memories, but the memories that live in those who loved you.
What will matter is how long you will be remembered, by whom, and for what.
What will matter is every act of integrity, compassion, courage, or sacrifice that enriched, empowered, or encouraged others to emulate your example.

Living a life that matters doesn't happen by accident.
It's not a matter of circumstance but of choice.
A choice to live a life that touched and cured a dying and suffering Humanity and Earth.

This is the biggest blessing you can have and share.
When you choose to transform yourself and transform the world.
When you choose to live a life that matters.

- Author unknown
(Modified version)





Friday, June 01, 2012

Razão

Há uma razão espiritual que a vida em nós criou. Razão para estarmos juntos no agora.

Há uma razão profunda no mais pequeno detalhe que por nós passa, e nós ingratos, não ligamos aos sinais tão claros, do que chamam mero acaso.

É tão fácil verificar, ver que atraímos o que queremos ver.
É tão fácil sentir que o que realmente sentimos é o que procuramos dos outros sentir.

Verificamos facilmente que a razão acaba por desistir do existir, quando percebemos que no além tudo tem seu próprio motivo.

Não quer dizer que não tenhamos que cumprir nossa missão. Mas que apenas em nós por dentro podemos verificar o que em nós falta purificar ou corrigir sem nunca julgar integrando, discernindo sem culpados, sem negar o que sabemos ainda lá estar.

Nos outros vemos um reflexo do que ainda existe em nós, pois se não houvesse em nós, como notaríamos com tanto realce tal característica nos outros?

A mente só amplia aquilo que nela já existe, e quando uma etapa ultrapassamos, mais um véu por nós cai e vemos ainda quantos mais nos faltam cair.

Nos outros não justifiques o que podias fazer mas não fazes, pois se os outros não o fazem é por que tu poderias ser um exemplo para eles o poderem também fazer.

Mas não te vanglories se aos outros servires de exemplo pois se assim o fazes de nada vale o que de bom fazes pois não o fazes de coração.

No entanto, que nos sintamos orgulhosos com cada meta que alcançamos com esforço e cujo íntimo é a bondade e a perseverança.

Que amemos, mesmo começando por uma grande paixão e que essa paixão se liberte de nosso indomado leão, que deixemos sair nossos obscuros sentimentos, para que podemos dar luz a velhas emoções guardadas do passado, transmutando-as em novos sentimentos, sentimentos melhores agora, mais profundos e mais abençoados à superfície de uma crescente bondade.

Só mergulhando uma e outra vez em nosso íntimo, transmutando nossas já “estragadas” emoções poderemos crescer.

Mas tal tarefa não realizemos sozinhos, pois as pessoas e as situações que atrairmos nos mostrarão o que nos falta integrar a seguir e o que de bom já integramos.

E a cada camada que me cai, verei quão tola havia sido, mas terei de perdoar-me de seguida, de morrer então para esses sentimentos perdoados, para só assim estar pronta para renascer nova e jovial, pronta para por em prática ensinamentos mais próximos de uma nova e feliz consciência de felicidade.

Ao contrário

Quanto mais me cresce a consciência mais vejo o quão ignorante está ainda a humanidade.
Vejo como todos tem seu íntimo desorganizado, tudo fora do sítio, ao qual deveria estar.
E vejo como utilizamos a razão quando não usamos acção.
E vejo quando utilizamos a emoção quando deveríamos usar sensatez.
E vejo que como temos os sentidos trocados, tudo o que devíamos fazer dificilmente fazemos, escolhendo fazer tudo o que não devíamos fazer.

E vivemos dia a dia, nessa terrível confusão,
Quando precisamos acreditar, duvidamos, e quando duvidamos, só bastava acreditar
E procuramos ser felizes, fazendo o que nos deixará tristes e procuramos fazer os outros felizes com aquilo que os deixa tristes.

Tudo a minha a volta vejo agora ao contrário, pessoas com os pés para o céu, com o coração na cabeça, com o cérebro sobre o peito.

 Quando alguém faz algo de errado é logo aplaudido, e soltam-se risos a volta, mas tantos que fazem coisas boas ninguém repara.
As invejas conscientes recaem sobre aqueles que pouco tem mas que pensam ter alguma coisa.
A minha própria mente procura detalhes para julgar quando devia amar simplesmente.
E quando da verdade devíamos viver, achamos mais fácil viver da mentira porque temos dúvidas da verdade, acreditando cegamente na segurança que a mentira nos traz.

 E vivemos com pressa, correndo, nos cansando a toa, para não parar e realmente pensar.
Para não permitirmos que a nossa consciência nos venham embaraçar e para não permitirmos que em nosso coração ela tenha oportunidade de se cumprir.
Tememos a solidão que nos traria liberdade escolhendo ser ainda escravos de uma sociedade.
E abraçamos as ilusões que nos prendem as mãos e não permitimos que a vida nos flua livremente.

 Porquê não fazer o que sabemos que é certo?
Porquê tememos o que escutamos no silêncio?
E porque não reflectimos sobre o essencial e sim nos focamos em situações triviais que não nos deviam importar?

O que importa: amor
O que nos inspira: o divino
O que nos liberta: ouvir o nosso coração, a acção da verdade
O que nos divide: a desconfiança
O que nos oprime: o medo
Quem nos oprime: Media, modismos, dogmatismo, falsas escolhas.

E quando pensamos algo ter é porque não o temos
E o que pensamos não ter é o que realmente temos.
Pois o que possuímos nosso nunca será
O que de nós se encontra livre, na verdade, em nós escreve sua morada.

 E quando verdadeiramente somos, vemos que o nada é tudo e nosso nome possui.
E nesse tudo que é nada, é que se cumpre nossa felicidade.


Aos guerreiros de luz



Não chores, pois Deus tudo vê
E teus esforços nunca serão em vão
Pois eu vejo teus esforços, teus lamentos, tuas dores
Vejo como dói
E vejo tua dor
Não chores, agora, apenas crê
Mas se para acreditares, precisares chorar, então chora
Lembrando-te de mim sempre.
Teu anjo, teu guardador, teu amor

 Pois tu, fazes parte de um rio maior,
oh pequeno guerreiro
E não andas tão nu quando pensas estar só
E nem mesmo andas vestido quando pensas que te cobres vestindo
És livre oh guerreiro, quando vês esse rio que te flui
Por ti

 Não chores, meu amor
Não penses ser teu lamento, mas usa essa tua força de guerreiro.
Que Deus por minha palavra te ofereceu quando nasceste.
É a palavra que te salva, a consciência de nossa essência divina
Pura luz, puro amor, que esteja em nós, que te salve e te ilumine
 Lembra-te que és pura dádiva, criança,
És puro reflexo do teu Pai
Mas nunca andes para trás

Respeita essa fina aliança que uma família terrena te ofereceu
Observa quão divina é a aliança da família celeste da qual parte sempre foste
Vê o quão grande ela é, e quantos seres de luz dela fazem parte
E vê como nunca estarás só.

 Mas unemos nossas mãos num círculo de infinito amor, cobrindo o mundo
Sejamos irmãos aos que precisam secar também as lágrimas de dor
E nos alegremos pela luz que jaz em cada pequeno guerreiro,
Que a semelhança de Deus, é criador de amor.

Tuesday, May 22, 2012

Anjo Serafim



És mártir da minha inocência
E de hoje em diante te transformarei no meu mito
O irmão mais velho da jornada espiritual,
O leal camarada de batalha

Tu que és Santo cristíco pessoal,
Hás-de ser minha redenção ao nada
E a tudo que escolho por querer não viver

Anjo sem nexo e sem sexo
Que com chama acesa meu corpo purifica
Serás registo de sangue que nas minhas veias corre
E sagrado alimento para um espírito  nutrido

Tu que crias Santuário em meu peito
Meu ventre teu é de entre tantos
Onde fazes tuas rezas baixinho e cantas
Contando tuas histórias ao vento

Sei que de tua natureza brotou
Esse meu carnal e espiritual amor
E um jovem anjinho apareceu
Dizendo que meu peito sempre teria

Mas foste tu, oh doce anjo do céu,
Nessa tua benção sensual
Colhida das asas da infinita fonte
Que meu ventre a ele entregaste

E tal é a nossa paixão...
insaciável, sendo da intensa nascente
que não seca, mas que transcende
Herdando do teu fogo, sua forma quente

E por te reconhecer
oh querido anjo serafim
Peço que a nós transmutes também
Fazendo-nos parte de tua chama sem fim

E fá-la espada de prazeroso amor
Fazendo mais forte nosso escudo feroz
Une-nos contra moderna e tola turbulência
Fazendo míseros meus atrozes receios de mulher

Faz me fruta que sacia eternamente...

Friday, May 18, 2012

Revolução da colher

Depois de 7 anos sendo vegetariana, sinto que todos os animais fazem parte da minha família.
E cada dia que passa sinto-me mais feliz por ter tomado essa decisão.

Wednesday, May 16, 2012

Nós e o Universo


«Os mistérios do amor na alma crescem, porém o corpo é o seu livro.» John Donne



O melhor dos livros serve para materializar as mais profundas sombras do que são boas ideias
Assim como o teu corpo é o livro aberto que recebe todo o belo amor, de meu ser carinhoso
E do teu peito faço manta suave onde descanço sobre minhas angustias e meus receios de criança
E são afinal meus teus cabelos, fazendo agora parte da minha sensualidade
que gritando em ti, mostra toda a nossa vivacidade.
Na tua ingenuidade, vou escondendo docemente a minha maturidade disfarçada
e nós feito, os mais antigos índios, assim mostramos, por ela, toda a nossa coragem.
No meu orgulho, vais mostrando sem querer, toda a tua insegurança,
que persegue ainda mascarada por entre as brumas da nossa momentânea inspiração apaixonada.
E é por isso amor, que eu digo e repito com o minha alma, voz e coração,
que eu me vejo em ti em cada passo que damos
a cada desabrochar de mais um dia
a cada reza secreta que recitamos
a  cada sagrado por do Sol que contemplamos
e a beira-mar de cada dia ensolarado e abençoado pelo amor em nós

É porque vivemos sendo suaves ventos de momentos que passam desapercebidos pela multidão.
É porque poucos são os que capazes são de perceber a verdade com apenas a sua visão.
E os nossos corpos prosseguem como ondas, e nos revestem com a mesma importância que tem um pequeno sinal existente numa flor.
Porque a verdade é que é de nosso espírito que buscamos todo o refúgio
e é por nossa alma  que procuramos o novo caminho a seguir.
Surgindo dela repentinamente nós por vezes, sem querer, desabrochados.
E prosseguimos alegres, andando e cantando
sempre de mãos dadas subtilmente disfarçados, 
assim como  que por galhos e lama encobertos,
tu disfarçado de ti e eu disfarçada de mim

Mas quando o disfarce sem querer nos cai,
nós damos gargalhadas de criança,
e tímidos sorrimos
vendo que nem de tempo e nem de espaço é feito o Infinito, que com amor, sobre a nossa, sua mão, se sobrepõe. 

Monday, May 14, 2012

Cultivar a alma


Já cultivaste a ausência?
Pois rega-a como se fosse flor e não esperes com ela como quem sofre por amor
Já aceitaste o silêncio?
Pois reúne-te em teu interior mas nunca repreendas teu espírito por ter suas asas dobradas
 Por onde anda a tua essência?
Andará perdida na rua, embriagada, sozinha sem te encontrar?

Por onde andará a tua pobre alma se andas alucinado com o que vês lá fora a gritar?
E quem viverá por ti se não tens alma que sobreviva em ti?
Se não dás de ti para que tua alma cresça?
Por isso reflecte por cada passo que dês sem perder a fluidez desse momento que feroz quer-te agora responder.
E vive cada segundo do teu fundo, do mais íntimo que possa existir, sem nunca excluir mas incluindo em tua vida os enigmas das peças que se juntam uma a uma em sua relação amorosa.
Mas comunica com os pés, com as mãos, com a mente, com o coração, com os olhos, e com todas as intuições que tiveres. Sendo fera, e sendo herói, sendo gentil e sendo feroz.

 Não permitamos que nos faça a vida mais uma máquina sem imaginação, pois de que vale uma vida de mental prostituição?
Se de barreiras tiver a vida que ser, que sejam barreiras que ponham apenas nosso ser em nós e nunca o exterior em nós.
É por isso é que a vida deve ser de dentro para fora, para que o de dentro possa ser o que deve ser e manifestar sua missão, o que nasceu para ser sem qualquer obrigação.
 Quem vive de fora para dentro há-de-ser sempre protótipo do que poderia ter sido. Pois o exterior ditará as regras e ele escravo as terá que respeitar. Mas quem apenas de regras interiores se impõe na verdade não vive de regra nenhuma senão as regras que o seu íntimo conhece, as regras do seu coração.


Thursday, May 10, 2012

MAN AND WOMAN

by VITOR HUGO
«Man is the most elevated of creatures,
Woman the most sublime ideals.
God made for man a throne; for woman an altar
The throne exalts, the altar sanct

Man is the brain,
Woman, the heart.
The brain creates light, the heart, love.
Light engenders, love resurrects.

Because of reason Man is strong.
Because of tears Woman is invincible.
Reason is convincing, tears moving.
Man is capable of all heroism.
Woman of all martyrdom.
Heroism ennobles, martyrdom sublimates.

Man has supremacy,
Woman, preference.
Supremacy is strenth, preference is the right.
Man is a genius,
Woman, an angel.
Genius is immeasurable, the angel indefinable.

The aspiration of man is supreme glory,
The aspiration of woman is extreme virtue.
Glory creates all that is great; virtue, all that is divine.
Man is a code,
Woman a gospel.
A code corrects; the gospel perfects.

Man thinks, Woman dreams.
To think is to have a worm in the brain, to dream is to have a halo on the brow.
Man is ocean, Woman a lake.
The ocean has the adorning pearl, the lake, dazzling poetry.
Man is the flying eagle, Woman, the singing nightingale.
To fly is to conguer space. To sing is to conquer the soul.

Man is a temple, Woman a shrine.
Before the temple we discover ourselves, before the shrine we kneel.
In short, man is found where earth finishes, woman where heaven begins.»



Monday, May 07, 2012

Sereia do mar


Quero viver abraçada de ti e de braços abertos ao mar
Viver contagiada, abraçada, amada

Quero sentir teu corpo no mais íntimo de mim
Viver anestesiada, apaixonada, contagiada

Quero viver acordada, sonhar a viver e viver todos os sonhos
Viver mais além, viver aqui, viver no mais profundo interior de nós

Porque assimilei o aroma da tua essência e ela em si fundiu na minha
E vi que quero contigo render-me de braços abertos ao maravilhoso infinito

Numa tal vontade que não se sacia e que vive em cada pequeno espaço de momento
Como fogo que consome até a parte mais ínfima da alma que não se deixa calar

Quero viver de aleluias, de canções e de rezas divinas
E viver abençoada, desposada, acariciada

Quero viver independente, sem posses, sem apegos
Viver livre, viver como flor mas viver inteiramente de amor

Despertou meu instinto de ser esse puro destino
Despertou em meu peito anseios por paixões que não acabam mais

E hoje chove,
e como chove
é a chuva que trouxe água para eu ser mar e poder estar em todo lugar

E eu estou abraçada de ti e de braços abertos ao mar

E vejo-nos no brilho do horizonte que não nos ousa limitar
E ouço-te no suave vento que passa e que não nos ousa chamar

E a Terra nos abraça e nos beija, docemente, sem nos deixar acordar
E conta-nos ao ouvido nossa origem, sem nosso sonho negar que pode realizar
E prossegue o mar suavemente para nossas vidas vir abençoar
E sentimos na brisa, respostas ardentes aos nossos mais profundos anseios apaixonados.

E eternamente eu canto e conto a Lua ao mar e as estrelas fazendo canções das nossas mais belas histórias,
desejando e criando razões para poder pedir que sejas sempre de mim,
Peço que enquanto eu puder ser sereia
possa viver sempre iluminada por água e banhada de ti.

E peço que ambos possamos viver a beber a água misteriosa do infinito
E peço que eu seja a tua sereia
mesmo quando tivermos de voltar, ao berço do nosso primeiro olhar.




Friday, May 04, 2012

Deixar teu corpo



Teu corpo é instrumento musical que toco suavemente como a um alaúde
Meu ventre teu templo sagrado onde te fazes refúgio e consagras teu peito nu

Teu rosto, tua pele clara, tem olhos que fazem-se os de um anjo divino
E meu toque te toca e te cega como se minha mão de apenas luz se tratasse

Da tua fúria, surge a paixão mais destemida e mais ingénua
Existente no peito da bela criança que ainda agora nasceu e que já seduz

E deixo suavemente teu corpo,
Deixo-o com a neblina de um amor puro, que em segredo,
no amanhecer, de mim saiu

E saio de ti ainda com tua  parte não minha em mim,
Saio, mas levo tua serenidade, tua fúria e tua vontade
Deixando em ti meus anseios, devaneios e minha sensualidade

Saio de ti toda reunida, descomposta e esperançosa,
Toda extasiada de nosso amor que recusa ver-se cumprido em dor
Saio adorada e por em ti adorar, saio ainda ansiando voltar

Nesse mundo tão pequeno, dos que não olham nos olhos como nós
O nosso mundo grande se desfez em nós

Pois tu olhaste-me feito fera feroz sem deixar meu velho eu olhar para trás
Sem medo do que descobririas, não deste escolha sequer
fizeste-te todo imerso e escondido em meu olhar
E fizeste de mim Dona do nada, assumir  o vazio que habitava em mim

Porque em meu interior foste poesia e magia
e até vi em ti o sangue quente da terra a fluir

E quando nossos verdadeiros olhos abrirmos
Nos ergueremos e veremo-nos ainda sendo Um em Primavera,
Veremos que seremos Um mesmo quando já ressoados e suados
andarmos nus e separados sobre a Terra

E ainda frutíferos do futuro, seremos as vezes lembrados pelo passado
E seremos, vezes sem conta, ainda do Sol e da Lua que por nós se flui e se influi,
Sem querer deixar-se cumprir, sem levantar o véu que nos cobre do mundo.

Thursday, May 03, 2012

Tingir o céu



Com as cores tingimos o céu e atingimos tal plenitude só imaginada
De cores vivas nosso sustento nosso bem amado amor que brotou
Colorindo seguia nosso caminho como rota que um passarinho pensou

Seguimos rio acima nossa vida, nossa dádiva que a nós experienciou
E nós seguimos rastos escorregadios para chegar aonde o coração chegou

Crescendo juntos por círculos mágicos, por espirais onde antes só escuridão havia
Agora há lembrança clara de amor, união que surgiu onde só havia dor

Segui na luz do dia pela floresta a fora no caminho molhado de onde o Arco-íris surgia
Segui na penumbra do fogo, a Lua, no caminho onde o amor profundo seguia

E vi nascer Alquimia das cores, vi a alquimia surgir das flores
A alquimia que só as nossas almas unidas transcenderam
Deixou-nos um recado no rochedo  dizendo que retorno não mais haveria,
pois o agora finalmente chegaria

Mas quando surgir o receio que calado sabe gritar baixinho
Recitarei poesia e abençoarei o tempo cantando baixinho por aqueles doces momentos
Secretamente recitarei calada o mais profundo segredo estampado naquela flor
Como se colada estivesse ela em mim, como se por lá ja tivesse eu passado e como se já eu soubesse ser flor!

Clamarei pelo lugar, onde amamos, onde nos entregamos uma e outra vez,
onde a nós nos recriamos, onde nos inspiramos uma e outra vez, 
onde fomos como pontos de luz, planando alto no horizonte

E sei que me houvirão as árvores, me houvirão as gotas de chuva
e me houvirão as aves uma e outra vez
Pois na eventualidade fomos também humanos uma e outra vez
E praticando mostramos ao mundo lá fora como é simples viver em paz o amor

Wednesday, May 02, 2012

Obra



Hei de buscar do passado o mais puro significado
Trilharei caminhos tortuosos me perdendo em outro alguém
Mas encontrarei o mais puro sentimento
existente na raiz da mais antiga lenda

Hei de buscar do passado o mais puro Poeta inspirado
E farei de mim sua nobre discípula
Em minha humildade beberei dele constantemente
Para esquecer capas que antes me vestiam
deixando-as onde antes passei

Hei de buscar do passado o Mago mais insaciado
E verei Deuses por ele também
Nem que para isso de Sonhos use e abuse
Mantendo-me a Deus fiel ainda eternamente em mim

Hei de buscar do passado, o cálice do Sagrado Graal
E farei do meu gesto, mais que gesto, farei dádiva e compreenção
Sendo Sereia do mar, Senhora do movimento Lunar

Hei de buscar do passado, a mais pura inocência
Buscando do Novo mais que beleza apenas
Mas procurando  viver a vida a pintar
realçando a mais nobre beleza de cada momento

Hei de buscar do passado, o Príncipe, maior Conquistador
Que fará de mim Musa da Conquista e do meu coração fará flor
E serei mais que minha mente então,
Verei de meu peito vibrar o amor por sua pura emoção
E do meu ventre brotará a mais bela inspiração,
toda completa:
mente, alma e coração.

*******************

A Tábua das Esmeraldas


«É verdadeiro, sem artifício, certo e fidedigno

Aquilo que está em baixo é como aquilo que está em cima
e o que está em cima é como aquilo que está em baixo
para criar os milagres de uma coisa.

E tal como tudo é proveniente de uma coisa,
pela contemplação dessa coisa
por elaboração.

O seu pai é o Sol, a sua mãe é a Lua.
O vento sentou-o no seu regaço.
A Terra é a sua ama.
O pai de cada objecto do mundo está aqui.
O seu poder é primitivo se for direccionado para a terra.

Separa a terra do fogo, o subtil do grosseiro,
suavemente e com grande inteligência.

Ele ascende da terra para o céu,
descendo em seguida de novo para a terra,
e recebe poder do acima e do debaixo.
E então teremos a glória do mundo inteiro.

Então toda a escuridão se desvanecerá de nós.
Este é o poder poderoso de todo o poder,
porque ele supera todas as coisas subtis
e penetra em tudo o que é sólido.

Foi assim que o mundo foi criado. Daqui haverá
maravilhosas elaborações.
porque isto é o seu modelo.
E assim me chamam Hermes Trismegisto,
possuindo as três partes da filosofia de todo o universo.

Aquilo que disse sobre o trabalho do Sol está completo.»

Retirado do livro "Como educar a alma" de Thomas Moore


Monday, April 23, 2012

Barriga cheia

De barriga cheia, eu registo momentos
Tenho a barriga cheia do que podem ser ideias
Que se mantém numa incessante fome que não passa
Fome dos que alguns chamam imaginação

Vivo ansiosa em dar, e ansioda em criar
Vivo ansiosa em manifestar o mais inquieto ser de mim

Desenho com letras, o meu melhor reflexo dum pincel
E quero contar aos versos os mais belos momentos que já vivi

Não preciso mais de argumentos sequer para escrever
O meu único motivo será manifestar todo o mais pequeno viver

Cumprir a mais pequena revelação das letras que surdas caem no papel
Perseguidas por acertos fugazes do tempo
E desfeitas por viajantes novidades do momento

Descobri nas letras o meu refúgio
Descobri ali o meu bem mais amado
Sendo que agora se mantém minha vontade de esquecer
Para que algo mais novo possa por mim vir a nascer

Encontro-me grávida de meus pontos de acentuação
E espero ansiosa o meu poema cansado chegar a casa
Vou contar-lhe insistentemente meus lamentos até ao entardecer
E deixar-me absorver em sua dor uma e outra vez

Deixando-me voar, sei que só poderei confiar em livros já escritos
Pois considerarei eles os mestres de todo o bom sonhador
E de meu saber, só uma certeza ficará
A certeza de que esse poema que chegou, meu nunca será

Árvores


Procuro que me encontrem as árvores
pois delas nos nutrimos e surge delas o aprender a respirar

A árvore é a mais alta representação
do grande fôlego da criação
Porque Ela persegue o fôlego do céu
e por suas pernas canaliza Sua imensa emanação

Nutrida pela Mãe, a Terra, persegue por seus galhos, a vida
Nutrida pelo Universo, do Pai, se ergue e permanece erguida
Vivendo nela a mais pura respiração que flui e que vibra

Meus queridos amigos observam-me com ingénua indignação
Ao verem-me abraçar até as Árvores dos jardins
E vendo que eu delas até meu sustento posso absorver
Eles não compreendem o porquê
Mas é apenas por que nelas vejo a mais bela representação do amor
e do querer

Porque, é preciso amor, para se manter erguida, frente a dor das que agora se mantém caídas
Penso que é preciso amor, para aceitar tamanho desrespeito a Criação e consentir tão bem a Lei divina

Perante à Sua inconsciência que mais não é
que a nossa inconscência face a importância delas
As árvores parece que nascem para dar a todos, e até aos ingratos,
o mais sublime colo manifestado ao mundo.

Friday, April 20, 2012

A guerra

O medo que sufoca ainda é o mesmo
Porque as bandeiras perfuradas ainda são as mesmas
E ainda é o mesmo cheiro a doença no ar

A ignorância de outrora ainda é a mesma
Porque o som dos tiros ainda é o mesmo
E também é a mesma oração que se repete ao céu

A luxúria cultivada ainda é a mesma
E as calúnias ditas ainda são as mesmas
Pois é a mesma inútil eloquência que aparece

Os rapazes enganados ainda são os mesmos
E o tempo que passa rápido ainda é o mesmo
Quando na mesma está o desespero em não deixar viver,
o que ainda agora nasceu

O silenciar da verdade ainda é o mesmo
E o esquecer de cumprir velhas promessas deixa ainda ficar,
histórias felizes por contar,
e mais amores por viver,
e mais revoluções por acontecer,
e mais arte por criar,
e fica só um silenciar adormecido do que fica no peito a bater
como único vestígio de vida humana em nós

Tempos vem e tempos vão e pouco muda,
e os livros escritos ainda são os mesmos
e são para os mesmos rostos perdidos afagar
e as mensagens de esperança ainda servem as mesmas causas
e o mesmo ainda é,
o nosso sonho juvenil por mudar.

http://youtu.be/pj4Kv8AZwBo

Sunday, April 15, 2012

Puros em amor





Deus trouxe um anjo até mim
Um anjo de homem, de meiguice, de aconchego, de lar

Trouxe um anjo até mim
Um anjo de aventuras, de paixão, e de tudo o que se traz no peito sem se contar

Tanto tens a dizer, meu querido, tão curiosa fiquei por saber mais do mundo por ti
Que percebi num parque, junto as árvores e junto a ventos brandos de paz,
que teu lindo mundo de cor também era sabor
Era pouco mais que o meu mundo de doce amor,
e nosso mundo louco, nesse dia, era explorar
era viver além do que se pode sequer sonhar

E nesse parque, viajamos
em nós respiramos, por um rio sendo um,
Percorrendo bem fundo, sendo amantes de nosso louco destino,
Dançando, nos amamos à luz abençoada do Sol,
fazendo de nossos gestos reflexos,
do infinito que refletido ia fluindo em ti e em mim

Intuindo, trilhos seguimos,
que nos levavam ao caminho que sussurrava segredos do mar

Deus trouxe-me um anjo lindo,
Um rapaz cheiroso à Robin dos Bosques, com cabelo comprido de elfo
E que tem orgulho por possuir, um olhar penetrante e um sorriso sem fim

E eu fiquei assim, derretida, toda florida em mim por esse teu amor
Toda grata, meditei, rezei, abençoei, clamei em Deus todo aquele intenso momento

E mesmo quando me guardavas em teu peito e me dizias pequenas coisas ao ouvido
Eu pensando pouco ouvir, por ti, senti intenso calor, o amor puro do que clamavas ao vento
E em nossas mais loucas canções, das canções que minha alma sussurrou
fiz de mim mais que teu fogo fiz-me tua alegria feroz

Vi que Deus trouxe-me a ti, querido
Trazendo a certeza de que meu caminho sempre e agora iluminarás
Pois por onde eu for passar sei que de agora em diante passarei por ti a cantar
Canções de puro amor para fazer nossa pureza durar

Saturday, April 07, 2012

Canções de amor ao luar

Não te culparei mais
Por minhas lágrimas de doce e angelical amor

Não as repetirei mais nem ressentirei mais
por nosso passado,
por nossas histórias de príncipe e princesa
E nossas canções cantadas e abençoadas no luar

Não te repetirei mais
Como me importas,
como fica-me o peito vazio por não dormir e a teu lado estar
Por te rever constantemente nessas lembranças de primeiro beijo
que esperava ser colhido no paraíso dos amantes que ficam juntos para sempre

Somos crianças, amor
Crianças nessa vida que tão ingrata tem de dádiva
Que tão gasta tem de colorida por instantânea novidade insaciada
E mesmo assim mal sabemos nós o quanto temos a aprender

A cada instante te revejo ainda após todos esses meses
Meses, anos, mais nada são do que o primeiro dia que te vi
E ainda me dás arrepios
e ainda fico nervosa só de pensar em voltar a te ver
Ainda nervosa de em ti poder aprender o que é viver e o que é sentir de verdade

Mas não, eu sei, não haverá retorno mais...
Pois como pode o Sol voltar a nascer no mesmo dia?
Como pode o mesmo suave calor retornar e em mim tocar apenas para meu peito aquecer?
Como pode o pássaro voltar a cantar a mesma canção de amor para eu voltar a cantá-la para ti?
Como pode a lua repetir o teu nome em meu ouvido para eu em ti voltar a acreditar?
Como pode o vento refazer nosso gesto de adeus para, em nosso ninho, Deus voltar a nos unir?

Cada momento nosso vive em gotas límpidas de céu que desaguaram e marcaram ondas de um mar que por nós deixou ser-se fim.
E eu fiquei no porto.
Tão jovem, tão frágil. Ao ver-te lentamente num longínguo horizonte sumir
Vi a mais fina esperança desfeita por meu interior de criança magoada... chorosa
Ainda resistindo, lutanto por acreditar que voltarias, que não seria o fim, o despedir

Mas após dias e mais dias seguidos que incessantemente se repetiam
Fiquei com a certeza ingrata e cruel de que tal feito não se repetiria
Tal intenso amor, sei, não voltará em minha vida
Com tal romance de contos de fadas e tal príncipe bem feitor

Descobri que afinal num romance não existe esse fim tão falado,
pois fica um lugar no peito dedicado a essa história, a esse mesmo facto consumado
e memória cravada no peito, cantando que sempre se repetirá, que voltará!

E agora, ao rever mais esta Primavera, ao ver mais um Verão desabrochar,
sei que muitos mais Verões passarão e eu ainda na melancolia da tua ausência viverei,
na mesma jovem lembrança
vivendo como se fosse eu única, mas não sendo mais do que uma mais, passarei.

Pois como pode o amor brotar da mesma forma mais do que uma vez?
Como pode o mar desfazer-se de igual forma sobre nós,
da forma que abençoou nossos corpos nus?
Como podem nossos sonhos se unirem para produzirem algo mais além que nosso próprio sono?
Como pode alguém reescrever no bater de nossos corações,
mais uma vida dedicada a detalhes do mais puro e intenso romance a ser vivido?

Como podem os mesmos sítios serem repetidos com a perfeição do mesmo aroma adocicado e com a mesma nota sustenida?
Como podemos ter aquela mesma curiosidade por diferenças que de tão iguais nos fariam um só?

Como poderíamos voltar a passear de mãos dadas cantando naquele tom baixinho,
que nos permitia fazer da vida francesas canções de eterna e calorosa paixão?