Wednesday, September 26, 2012

Colorir as flores

Hoje vou escrever uma canção para por toda a gente a sonhar com amor
Vou escrever sobre cada uma das estrelas que vejo
E pelos amores que soltei, acabarei como estrela no fim

Hoje vou lembrar à vida que ainda existe razão para viver
Vou fazer acontecer os sonhos que propus a mim mesma nunca esquecer
E pintar meus receios às cores, para colorirem as flores

Hoje vou encerrar um capítulo para começar um novo
Escreverei um título bem bonito para deixar surgir um sorriso de criança
Reentregando-me as emoções novas que me procurarem

Hoje procurarei e verei onde anda a minha consciência
Para criar novas sementes de esperança
Ajudando no que se refaz de novo porque não pode ser deixado para amanhã

Hoje vou pintar o mundo a aquarela
Irei musicar as estrelas revisitando o amor de um aconchego
Tudo para conhecer uma felicidade interior que sabe estar tão presente numa canção

Hoje vou fazer-me borboleta e deixar-me livre experienciar
Vou fingir saber viver sabendo que nunca houve o que perder
E buscar razões para me entregar sem poder olhar para trás

Vou viver o futuro com olhar de criança
Olhar o passado com o desapego de flor
Viver no presente como quem nada tem a perder
Vou soltar tudo sendo mar
E sem saber quando regressar, vou voar

Hoje vou viver cantando, sonhar escrevendo, fazer para criar
E enquanto mergulho num interior de tudo, vou revisitando o estampado que colore o mundo.

************

«Vou buscar inspiração as estrelas
Buscar aconchego em minha eterna gratidão
Vou beber sabedoria nas asas que me levarão ao infinito
E iniciarei com ternura a minha peregrinação

Ei de reconhecer do passado a força que criarei em meu coração
Vendo no presente toda a oportunidade para um futuro brillhante
Vou cavar fundo em meu interior fazendo revelar novos mundos que lá fora farão meu ser explora...
r
Vou usar minhas asas para voar rumo ao imensurável do mundo
indo mais além em tudo

Juro por amar reconhecer o divino que há na luz imensurável que cobre o mundo
Reconhecendo nisso tudo quando é preciso ponderar
Pois é preciso saber continuar no caminho rumo ao centro de tudo sempre reconhecendo a beleza em toda a quietude do interior.

Ei de continuar a caminhar rumo a toda completa beleza,
sempre partilhando com outros a melhor pureza
sempre ciente de ser protegida pelo amor,
e das asas do divino
serei saciada pela arte de viver no verdadeiro ser.»

Friday, September 21, 2012

Namorar as letras

Namorar as letras

Secar-me em folhas de papel

Recitar sentimentos

Curar-me internamente de um mal entendido escrito

Ler melhor o que está escrito do que foi dito

Deixar registo escrito do que já nos mora dentro

Ser como as personagens que brilham em contos e romances

Habitar num momento numerado numa página de livro

Relembrar a história que alguem deixou escrita num registo

Desapegar-me à força de momentos, que mesmo referentes a séculos atrás,
fizeram intensamente parte de mim horas à fio.

Sacudir o pó aos sentimentos relidos e descobrir que não estavam ainda totalmente esquecidos.

Isto pela saudade que sinto de ter tempo para ler um livro
Isto pelos momentos de prazer que possuo ao escrever doces fragmentos de alguns anseios profundos.

Quero conseguir escrever a cor do teu cabelo

 Desfazer-me em letras de algum bem querer

Quero deixar-me escorrer em grandes letras com o teu nome

E contar-te em versos os nossos segredos mais íntimos

Vou colocar  pontos finais em todas as nossas discussões

E pôr pelo menos 3 pontos em todos os nossos momentos de paixão

E finalmente...
terei de desenhar para nós asas, para fugirmos enquanto voamos em nossa imaginação.

Isto pela presença das letras incluindo uma total ausência tua.

2 Mundos

Vivo habitada em 2 mundos
e 2 mundos habitam em mim
Encontro-me de mim desabitada
E por sonhar, acabo desalmada no fim

Tenho morada feita em 2 sítios
E 2 sítios opostos moram agora em mim
Mas, na verdade, eu sou de sítio nenhum
Pois não há sítio suficientemente adequado para mim

Cumpro regras num sítio para depois as desfazer noutro
Cumpro rezas num sítio para noutro sítio as poder cumprir
E como uma atriz uso o meu corpo, cumprindo papéis do que poderia ser eu mas não sou
Vivendo a vida de quem não é, vivo a vida sem saber bem o que ao certo é viver

Sigo assim, cansada de julgar como as coisas deveriam ser
Fazendo sempre algo de novo, dando cada vez mais importância ao fazer
Realço desses sítios tão distintos, a loucura,  o que há de comum no ser humano

Vendo de perto tantos certos e errados do que é inexistente,
Ouço também os podres contados sobre quem quando eu estive, não está
E é engraçada assim a vida de quem não toma partidos

Ver que tanto há para discutir em tudo o que não tem significado nenhum
Ver que tão pouco se diz do que realmente era preciso
Ver que tão pouco no mundo realmente faz sentido

Mas enquanto eu não souber bem fazer-me folha branca de papel
Para guardar meus sonhos, tentarei com meu silêncio, pelo menos,
parecer que partilho algo de comum

Viverei conformada com minha sina de viver assim mascarada
Pois poderei viver compreendendo melhor da própria vida
evitando ter de andar perdida tentando explicar à vida quem sou.

Wednesday, September 12, 2012

Registo de um suspiro

Sou eterna estudante de situações, de desejos, de padrões

E trabalho...
No meu trabalho, há um muro que nos separa
um muro de hierarquias, um muro de tempos sem momentos
Um muro que se deve manter para bem do desalmado trabalho que
a vida nos traz
Demasiado frontal, objectivo sem o seu coração, ausente

E como o meu, quantos mais trabalhos haverão
Trabalhos que com sobrecapas se pode proibir o mínimo olhar para dentro
E algumas maneiras haverão de fingir-se calar o que remexe por dentro

E não se fala na importância de se cultivar a individualidade
Esse assunto é tabu
A individualidade independente de empregos, de estudos, de amigos, de qualquer coisa exterior.
A individualidade que se tem a amar, do que se sente, do que se traz no peito, de se refletir e de  saber pensar.

Hoje vim defender o registar de impressões emotivas, o registar de percepções sensitivas
e por isso escrevo.
Defendo qualquer gesto integral para quem quer saber como ser.

Quando tudo o mais empurra-nos para um especializar, um especificar
Eu quero uma escola que ensine sabedoria de se ser global em vida.
Pois tudo parece já estar registado, catalogado, nomeado, hierarquizado

Vim chamar  pelo que se distingue disso tudo
Estou cansada de conhecimento parcial, cansada de visão com banda estreita
Procuro a ligação de tudo, mesmo  o que une e o que não separa.
Procuro uma visão mais clara.

Pois a vida hoje pede muito mais do que reconhecimento exterior
E pede mais do que as ofertas que nos são oferecidas, pede entrega
A vida pede que retornemos inteiros
Não nos pede que sejamos apenas uma parte de nós ou um reflexo de um projecto.

Quero inteiramente soltar a vida que me passa no peito
Deixando surgir o  desejo ardente de ver o quem eu possa ser
tão independente de falsa e moral compreenção.



Sunday, September 09, 2012

A vida em sonho

Esta noite eu tive um sonho contigo,

Tu estás com teu olhar vago tão preso ao interior
Teus longos cabelos permanecem sobre os ombros soltos por natural descontração
Louco, procuras a magia no que existe de fascinante, no que teimosamente, minha mente diz ser apenas imaginação.

E eu reconheço-me assim em ti,
num tempo que por mim já passou,
num tempo que prossegue seu percurso passando agora por ti.

E vejo que o tempo nunca passa afinal, muda apenas a sua morada
Juntos ou distantes somos ressoados por sensações do que já existe, nada de nosso existindo afinal
Tenho a vista para o tempo que guarda agora seu abrigo em ti.
E enquanto vivo contigo, sou como aquela que veio julgar-te pelo teu dever, que veio exigir-te que vivas, fingindo não compreender a tua situação.

Custando-me assumir a verdade do que vejo,
Vejo que permaneces parado com teu olhar enfeitiçado
Procurando o deslumbre de ver a magia que há no infinito de tudo
Enquanto eu prossigo agindo mesmo quando sei que nada mais há a fazer.

Pois
Sei da tua falta de viver, sei dos teus receios, sei das tuas falhas, sei da tua inocência
Mas ainda assim, parece-me cedo demais para morrer e tarde demais para repensar o mundo.


E o nosso infinito é partilhado

E eu sinto a tua luta interior enquanto tu presentes minha luta exterior.
E dentro procuras o que eu encontro cá fora e eu cá fora procuro o que encontras dentro.
Porque procuras encontrar dentro de ti a magia que eu já sinto e que vejo cá fora na vida.
E eu procuro fora um caminho em que possa estar concentrada com a mesma fidelidade que mantens a tua essência cristalina.

E tu estás sentado com teus olhos desesperançados enquanto eu mantenho-me numa procura vigilante. Enquanto tu estas satisfeito por seres dono de nada, eu quero ser dona de tudo.
 E ao estarmos juntos tu deixas-me guerrear comigo mesma enquanto permaneces tentando encontrar um acordo contigo.

E é por isso que tu pedes-me para contar-te dos sonhos vívidos que tenho tido  enquanto eu espero um dia ter a paciência que tens de deixares-te viver a simplesmente sonhar.

Sunday, August 12, 2012

Nostalgia interior


Sinto-me arrebatada para o passado
Sinto uma fúria extremamente difícil de transcender
Sinto um desalento do que me faz sustento
Sinto um desapego por aquilo que facilmente me quer prender

 Sinto-me completamente desencaixada do sítio que escolhe meu ser envolver
Porque sinto que fui desamparada pela realidade que me foi ensinada
Sei agora de livros do passado que toda a história foi afinal mal contada
E tolo é quem pensa saber ver a realidade apenas no mundo contemporâneo
Sem rever no passado a verdade que era dita através de frases de arte tão objectivas quanto fatais

Sinto-me enganada por tamanha contemporaneidade superficial
Sei de mim agora não mais perdida em instituições e logotipos mentais
Sinto que passei anos desmembrada em termos intelectuais
E sei como essa parte afecta todas as outras,
Pois dou-me conta do pouco que se pode ver, quando pouco se sente e poucas reflexões do passado se contemplou.

 Não é de conhecimento académico que falo aqui
Não é do dogmatismo de verdades morais que aqui me refiro
Nem é de apenas crítica a quem já sabe tudo e quer impor o que leu
Mas apenas um apelo a que se soltem as amarras que nos prendem a visão,
essas amarras que limitam tão fatalmente a natureza mágica do passado do mundo

 É apenas um apelo a justiça a arte antiga,
Um apelo para que se leia os autores e não apenas os críticos.
Um apelo para que se perceba a perspectiva de um quadro e não se veja apenas o que restou do retracto.
Um apelo para que se leia o rótulo e não se compre apenas a imagem do produto.
Um apelo para que se viva a vida e não se passe apenas cego para cada detalhe de um segundo.
Um apelo para que se vivam aventuras em vez de apenas reler e comentar as aventuras dos outros.
Um apelo para que além de lermos historinhas oficiais possam as pessoas viver as histórias do passado, através das pessoas do passado nos originais livros de literatura.

 A vida é mais mágica agora que percebo como a mentira é vendida a preços altos, descaradamente, a viva luz do dia.
A vida é mais mágica porque vivo a vida por mais do que a capa de um livro já banalmente vendido.
A vida é apenas original quando se pondera sobre o passado o momento presente sem considerar que o que vem do passado é inferior.
E quem comtempla a arte do passado sabe que muito menos superficiais eram os tempos anteriores.
E quem ama viver no agora sabe que pode escolher viver com uma perspectiva cada vez maior o futuro, através de sentimentos que com personalidades do passado ousa fazer uma partilha.

 E é só assim que posso sentir que vivo.
Alguma verdade mágica da vida tem-nos sido vedada e apenas nós, somos capazes de a revelar a partir dessa nossa curiosidade interior.

Sunday, July 29, 2012

Krishnamurti On Observing Ourselves


The Perfect Plan

By Chuck Danes

Do you sometimes feel that life's unfair, that future hope is bleak?
Do your day to day experiences leave your spirit feeling weak?
Do you ever think the joys in life are reserved for just a few?
That your hopes and dreams you'll never reach no matter what you do.
Perhaps you've thought how hard it is to get ahead these days?
That strain and strife are just part of life and nothing you do pays.
If you do, take heart my friend, so many think this way.
But there is hope a brighter path that you can take today.

It will require a shift in thought, it may challenge your beliefs
But it will guide you to a life of joy, content, relief.
So listen closely and absorb this perfect plan I share
Implement these steps you'll learn and soon you'll be aware

Of a life that's filled with joy beyond your wildest dreams
Regardless what "appears" to be no matter how life seems.
Focus your attention on what you soon will learn
The wisdom in it, if acted on will provide those things you yearn

The answers are available just seek and you will find
That all which you've experienced is a product of your mind
These troubles you encounter now that you feel get in your way
Are due to thoughts, emotions felt that you had yesterday.

For long ago the plan was made which allowed you to be free
From all these limitations that you now perceive to be
You have been given power which you're not yet aware
It's through misuse of this precious gift that's created your despair

For in the plan there came a clause that remains within it still
That each and every soul on earth be entitled to free will
You chose to limit your results by absorbing false belief
The plan designed to bring you joy through your own choice brought you grief

For every thought, emotion felt consists of energy
And those that you allow to grow is what life comes to be
The life that you are living now is due to seeds you've sown
The thoughts, beliefs, emotions felt is precisely what has grown

You must undo the damage done and shatter old beliefs
And do away with those that harm instead of bring relief
You must rethink the choices made that brought you where you are
Rewrite the script of your own life which allows you to go far
There is a law that draws to you those things you'd like to see

Just use your free will consciously and soon you will be free
To experience life's beauty and all it can provide
Just follow closely what is shared and use it as your guide
First you must become aware of all you think and say
Discover and become aware of the powerful role they play
In attracting the experiences you come to see in life
Are they in harmony with joy, or lack and pain and strife?

For it is these that stir within emotions that you feel
Projected out attracting more that you perceive as real
The energy they emanate attracts more of the same
Be conscious of the signal sent and what it is you claim

Now ponder on your core beliefs, what you believe is true
Are those beliefs in harmony with what you want to do?
Examine closely one by one and discern if they are truth
Or were they handed down to you and given you in youth?

Are they based on ease, love, joy and possibility
Or struggle, strain, fear and strife, examine them and see
Determine which will serve you and which you need to shun
Analyze them carefully, each and every one.



Eckhart Tolle TV- As reflexões de um mestre

Parte da Entrevista de Eckart Tolle a Neale Donald Walsch (escritor de «Conversas com Deus») sobre consciência - Sobre o que devemos comer - Como dissolver o sofrimento

Thursday, July 26, 2012

A nudez que não se vê


Na iminência de não querer ser louca, tudo o que eu quero é fazer-me louca
E andar nua para o mundo, andar só porque quero estar deitada
Tudo o que eu quero é revelar e exprimir um interior que se faz despedido do mundo
Quero ignorar a tudo e todos e simplesmente fazer ver finalmente a integridade do todo
 
Pois sinto-me exausta de tanto calar, e cheia te tanto em mim a bulir
Sou chaleira com água a ferver, turbilhão de sentimentos numa panela de pressão que não deixa nada sair.
Agarro uma folha, aperto-a sinto suas entranhas a fluírem por mim e tudo o que eu quero é possuir para deixar-me embutir

 Tenho entranhas das que se fazem as ramificações das árvores e a das teias de aranha
Tenho rasto das que se fazem sangue escorrido e linfa seca sobre a flor desmaiada e desmanchada num chão desinfectado.
Não me vejo separada, vejo-me vigiada e despida por cada olhar que sobre mim recai ao sair de mãos abertas para a rua.
Não me vejo cópia rara do exterior, vejo-me partir da origem, vejo-me tinta de terra em tela que se quer toda auto colorir.

E agarro um momento de silêncio em que peço ao vento que conte suas histórias para mim. Arranjo coragem, peço que me conte tudo, para que me fale ao ouvido do espírito e para que eu possa esperar o resultado que recairá sobre o meu corpo enquanto eu estiver ainda a dormir.

 E não há mais razões para mim, ou raciocínios comuns que valham a pena, apenas um desprogramar ou qualquer desfazer que houver para ser feito, qualquer coisa que me faça ou desfaça em folha branca, em bolha de espuma, qualquer coisa em mim que se faça microscópio para ver o que não se mostra e não se quer revelar em simples fotografia.

 Pois por pensar que estamos vestidos para esconder nossa fragilidade e fatalidade, tenho vontade de estar nua e mostrar que frágeis e nus, mesmo vestidos e camuflados, sempre estaremos. Seremos sempre seres no limiar dessa tão translúcida loucura.


Jogos de espelhos


Palavras, acções, não são mais que senão actos.
Situações, pessoas, apenas verdades em suas manifestações.
Lugares, papeis, pensamentos mais não são que meros padrões repetidos.

 Sinto agora a vida no seu âmago e como árvore, faço parte da sua estrutura.
Sou reflexo de algo mais complexo e minha natureza nem sequer se sente.
Vejo que somos um só nesse rio maior e as verdadeiras palavras do coração os lábios não as reconhecem.
Pois quando apenas as palavras vãs existem, só se despeja palavras sobre e cujo significado vívido se desconhece.

 De experiências podemos retirar o sumo da vida, vendo-nos nela como meros expectadores, quando e apenas se quisermos.

E são essas experiencias que nos levam a circunstâncias que lamentamos termos escolhido, mas que na realidade foi um ser de nós mais complexo que o nosso simples nós quem afinal as havia escolhido, sabiamente.

 Quando o véu da realidade através de nós, cai, vemos que afinal o sonho nocturno era mais do que a própria realidade que se nos depara, pois o sonho é uma previsão, que acontece primeiro, enquanto a realidade resulta de uma visão deformada da mente que por nós nossa vida constrói de conclusões falsas e incompletas.

 Acontecimentos afinal, não são por acaso.
Sentimentos, afinal, não são tão triviais assim.
A realidade afinal, nunca esteve sob nossas rédeas.
 E quem tem rédeas afinal perde-as sempre que percebe que as tem.
O que julgamos afinal era tudo o que de errado estava em nós, quando afinal vemos que tudo é o espírito que sustenta, vemos que quando nada que se pensava ter afinal se tem. E a única garantia na vida passa a ser, a garantia de que saber viver é confiar livremente, sacrificando o que se pensava já estar garantido.

 E então… Quem seremos afinal nessa confusão que em nossas entranhas se move?
Seremos dúvidas? Seremos os aplausos? Nos aplausos da nossa vida afinal quem nos aplaudiu? Quem por nós em nossa vida sentiu? Que verdades a nós realmente nos foram ditas? E quanto tempo da realidade afinal vivemos? E até quando seremos meros reflexos da vida que por nós se extrai de nós? Pois afinal quem estava ao nosso lado quando nos vemos num mundo quase totalmente de si mesmo adormecido?

 Eu tenho andado as voltas nessa vida de reviravoltas, sendo mero pião nessa vida que minha alma por mim escolhe, não sou dona de nada, de situação nenhuma, e a situação me escolhe.
Se há algo de real na vida, são as almas que como meras sombras se movem, sombras de almas que não vem a luz, por serem meros reflexos do que na verdade são.

 E na verdade a vida é assim uma espécie de jogo de espelhos, uma espécie de festa de máscaras, e parece um jogo de sorte, uma espera pela sorte perfeita da sombra que te sairá a seguir. E parece tudo tão vão, tudo tão fora do real. Parece tudo tão igual, tudo tão usual. E eu pergunto a Deus, de que vale viver quando se vem ao mundo para viver na sombra do que na verdade é.

E quanta força será necessária para fazer os outros perceberem…
E é aí que eu vejo, que nada mais foi real em minha vida até hoje nem eu, nem as situações, nem a minha vida, apenas tu, as sombras, as almas que ao meu lado estavam e que por mim secretamente passavam.

 Aperto a mão ao meu namorado, neste momento, não por medo que ele parta mas pela certeza que ele deveria estar e sempre esteve aqui.
Relembro das vezes em que a apertava e ele ao meu lado estava, sem eu sentir que ele de facto ao meu lado estava. Relembro das vezes que ele me amava, sem eu sequer sentir o amor que ele emanava para mim. Agora vejo que a realidade é bem mais do que o mais óbvio que aparece.

 Pois agora vejo que tudo na vida acontece em simultâneo. Não existe uma sequência, afinal. Nem mesmo um amanha e nem um ontem.

Vejo apenas que o agora em si agrega tudo. Não vejo distinção de sonho e realidade. Vejo que a realidade e o sonho são afinal a mesma coisa, e acontecem no mesmo lugar. Vejo que não existe um pulsar linear, existe apenas o estar, o ser, o amar.

Nem existe o que controlar, agora vejo que tudo o que acontece é inevitável, apenas escolhemos o que mais nos custa a escolher, a forma de ver o que mais nos vai acontecendo, a forma de reagirmos e apenas nisso se faz o nosso viver.


Wednesday, July 18, 2012

Luz

Cada um deve dar o seu melhor naquilo que o torna único.
Os critérios são critérios mais profundos e mais abrangentes quando deixam de ser necessários.
Os valores são maiores valores quando não precisam mais sequer ser lembrados.
Cada um naquilo que o torna único torna-se de si próprio o ser mais necessário.
Cada um naquilo que o faz distinto torna-se distinto sendo melhor ser daquilo que veio a Terra para ser.

E dos juízos de valor ficam apenas restos escassos da ignorância que em nós sobra, e nos impede de ver a real beleza de cada ser.
E eu me assumo, nessa postura, errante por ainda sem querer julgar perdendo o momento que me faria amar aquele instante em que me perdi julgando.
Mas é dos nossos erros que fica o espaço para sermos humildes perante a nossa alma que brota errante num espírito forte.

Das nossas mágoas fica espaço para memórias daquilo que se foi, daquilo que se aprende e daquilo que se constrói de melhor em nós.
E cada mágoa que sinto, antes de culpar, analiso e vejo que é apenas um reflexo de mim, daquilo que em mim certo ainda não está e que ainda me magoa e que ainda cumpre a sua função de tornar o meu ser mais forte.

E olho para ti e a luz daquilo que em ti se faz distinto de mim vejo o quanto tu és forte. Admiro-te de seguida e admiro em mim ser capaz de ver tal luz que flameja de ti.
Pois sendo que somos representantes de um prisma de infinitas cores cada um pode, se quiser, desabrochar em si a sua única semente de amor e cor.

Friday, July 13, 2012

Máscara

Eu sou a máscara

Tenho escárnio
Tenho fascínio
Tenho íntimo
E não tenho domínio
Mas tenho uma máscara

Cobre me os devaneios profundos que assombram o ser
Protege-me contra os prováveis infortúnios que se revelariam a luz da verdade do meu íntimo viver
Sou máscara pura mácula, sou escudo escuro no meio da escuridão
Eu sou a protecção contra a incompreenção

Vivo no mais banal viver
E cubro qualquer ser vivente que se aproxime de mim
Eu sou o ascendente

Não tenho fé
Não tenho compaixão
Não tenho liberdade
Sou como a ideia de posse,
sou a ínfima sorte

Assombra-me por vezes a vulnerabilidade de mulher
Necessito expressar coisas que vejo com os milhões de olhos do interior
E sem ter a quem recorrer, quem o possa compreender, recorro a ti
máscara sem dor, máscara sem rancor

Sendo apenas mulher banal, sensivel, que vislumbra o real, que sente
A máscara é o olhar para o incompreensivo que pensa que me pode compreender
E não me vá eu perder no caminho
Deixar eu de saber quem sou,
deixo a máscara cair sobre meu rosto repleto de lágrimas e de amor
E caiu sem querer na desgraça de amar de mais até quem nunca sequer amou

Mas a vida quer-se amor afinal,
só se quer a máscara para impedir mergulhar na profunda dor de um ser desamado.
Só se quer a máscara para fingir ser feliz num final que não está acabado.

Por dentro sou a Alice de uma extensa fantasia
Sou criança com ideias fixas de uma eterna adolescencia tardia
Sou pico de uma montanha permanentemente a beira de um queda ao infinito
Sou reflexo vivo de um ser vivo que se preenche de além no paraíso

Por dentro,
só tenho a dizer que não há mascara que sobreviva, ao íntimo calor da verdade
Nem há chama externa que penetre na casa de espíritos viva do meu interior

Por dentro,
não há voz que ponha em causa ou cale o fruto da realidade que aos antigos,
e aos apaixonados, o conto mágico revelou

Sunday, July 08, 2012

A Ideia e o Amor

Num bosque vivia uma menina donzela, uma menina chamada Ideia.
Vivia num sítio encantado, uma terra de onde brotavam maravilhas, maravilhas de poetas, de arquitectos, de magos, de duendes, de feitiços e de todas as imaginações que pudessem fluir.

Essa menina vivia vestida com um vestido colorido, por todas as paisagens do mundo.
Pintado por todas as cores do mundo, nem era de algodão, nem era de cetim, mas de um tecido tão brilhante que não havia outro igual no mundo.

A menina sonhava constantemente, no entanto, vivia estando adormecida de si mesma e acordava apenas quando saía pelo bosque mágico cantando.
Ela sonhava acordada e de cada vez que pensava em seu príncipe.
E o príncipe dela chamava-se Amor. E ela enquanto sonhava, cantava em vão, chamando por ele. Fantasiava, pensava, tentando criar em sua mente uma imagem que seria igualzinha a ele.

Num bosque vivia uma menina, que um dia realmente seu príncipe Amor encontrou, e ao juntarem-se ele passou a chamar-se Sonho e ela passou a chamar-se Cor.
E viviam juntos constantemente, ela deixava-se sempre estar colorida por ele, o Sonho, sendo sempre fiel ao seu íntimo coração.

Um dia de suas saias surgiram seus filhos concretizados, que fecundados pelo Amor, foram as obras da mais pura de suas criações.
Num dia enquanto caminhavam juntos, o Sol, finalmente seus olhos abriu.
Acordaram e  perceberam juntos que não tinham sentido, perderam toda a paixão e pureza da magia que inicialmente os haviam encantado e unido.
 Mesmo assim, cristalizaram suas lágrimas e decepcionados se abraçaram, sob o luz ensolarada do Sol.

Pois, quando perceberam que mesmo assim se amavam, descobriram também que era mais que razão e imaginação o que na verdade os tinha unido. Viram-se tão frágeis e humanos, que descobriram que o verdadeiro amor vai bem além do que a mais pura e bela fantasia.

Tuesday, July 03, 2012

Lamento


Lamento,
o meu espírito é cortante,
a natureza da minha alma é febril,
minhas emoções são profundas, ferem e vão ao âmago.

Lamento,
não vou mais fingir ser viril e eloquente,
sou imperfeita, sou imprevisível e não sou diferente,
e entro em choque com os meus próprios mentais paradoxos,
o que normalmente se torna doentil,

Só tenho a dizer, que lamento,
se ainda continuo a ir tão fundo contigo,
a te humilhar, sem dó nem piedade,
sem leveza e ainda com ar de desafio,
lamento ser rebelde e tanto contrariar
e ainda me consumir em nosso vazio.

Lamento, insistir viver em todos os tempos,
e estar ansiosa em todo o lugar, lamento se te quiz possuir
sem ver, cega, que te deixavas fugir,
lamento, juro, só por tentar.

Lamento também esse texto de lamento,
lamento cada segundo que pensei a mais em ti,
lamento, simplesmente, sentir-me assim.

Lamento fixar, em todas as alturas que podia facilmente saltar,
Lamento, as vezes não me ter segurado para não caíres comigo,
lamento por vezes ser pouco gentil contigo.

Lamento.
Já nem sei se te amo depois de todos esses lamentos.
A não ser que talvez apenas se trate de amor humano.
Com poucos talentos de onde brotam pouca virtuosidade.


Lamento, enfim, oh meu ser!
Pois no fim sei que sempre estiveste ali,
a espera que finalmente eu pusesse meus olhos em ti.

Preciso compor

Preciso compor.

Hoje foi a única coisa que realmente senti.
Necessidade tal como é a de viver, como é a de respirar.
Tão independente de mim e de ti.

Preciso compor.

Hoje tal vontade se apoderou de mim.
E descobri que sentimentos de transcender me possuem.
Como se tudo me engolisse, como se tudo vivesse em mim.
Como se eu fosse planta de mim,
que existo sendo eu realmente esse ser bem mais profundo e crescente.

Preciso compor.
Sem virar as costas para mim.
Também sei que não consigo virar as costas para ti, mas apenas aglomerar tudo.

Nada há mais que possa eu fazer com esse tal fogo.

E receio que possa ter vindo do nosso mais terno amor
E de nossos mais cruéis anseios de posse, receio ter chegado ao fundo, sentindo calor.

E receio não viver mais em nós consumida, mas ter que voltar-me além
para algo bem mais além de todos nós algo que me permita assim tão expandida e sem voz.

Desse fogo irei desconstruir a maior piedade que exista realmente por mim.
Desse fogo irei construir o mais ideal sonho alguma vez expelido dos doces lábios do infinito.
Hoje sonhei sem sonhar contigo.

Hoje sorri sem dar sequer por mim
Hoje criei assim uma vontade que se apodera sendo dona de mim.
 Hoje foste o vento que por mim passou.
Hoje eu sou o calor que aqueceu esse vento.
Hoje fomos o que somos e o que ao contrário do que somos seremos.
Hoje desejei deixar rasto desse mesmo calor.

Hoje escrevi tudo na eternidade do momento.
Hoje entreguei-me a esse nosso lado vago, que por vezes se deixa calar
enquanto docemente se deixa passar.

Sunday, July 01, 2012

Para quem quer inspirar!

Agarremos o nosso potencial criador a 100 por cento!



robinsharma.com
http://movimentoconfiancagora.blogspot.pt/

«É nos momentos de decisão que o nosso destino é traçado. Escolha agora e escolha bem!» Tony Robbins
Permita-se ser poderoso sem limites. Inspire!

Wednesday, June 27, 2012

Realidade em saldos



O que se vive da vida que é real?

Acorda-se de manhã, com um pequeno almoço venenoso,
O café para despertar, quando ainda agora se estava a dormir.
E compra-se uma revista que vende quentes ilusões de última hora,
 ficando tudo a matutar na nossa mente inocente durante vários dias.

E por agora isso é tudo o que precisamos para estarmos informados.
Porque de seguida, corre-se para o trabalho e trabalha-se por uma ilusão que vende uma realidade não mais que superficial e inexistente.
Pois, me pergunto, quantos de nós realmente se vêem em seus trabalhos?
E quantos trabalhos são realmente úteis a comunidade?
Muito poucos.

E após no mínimo 8 horas diárias, que só servem ao bolso,
chega-se em casa, e para sarar e engolir em seco todas as nossas mágoas espirituais e crises emocionais não satisfeitas, vemos televisão, pois é a atitude mais banal e mais fácil,
e nos alimentamos ansiosamente dela, que repleta de ilusões e distorcidas visões enche  ainda mais a nossa mente de lixo.
Pois como todos sabemos a televisão serve os seus próprios interesses, não os interesses individuais de cada um. Afinal são insignificantes as nossas diferenças, somos números de factura.

Acabamos assim o dia, vitoriosos por evitar aprofundar os nossos verdadeiros laços emocionais e refletir sobre o dia que por nós mal passou, engolindo ansiosamente a vida.
E procuramos ainda assim, dessa forma, tentar ver com mais clareza.

Perguntamos baixinho, a nós próprios, o que foi feito do nosso tempo que voou por nós e não vimos sequer passar.
Esperamos ansiosamente guardados em nós, a que hora que teremos tempo para realmente viver, apenas pelo simples prazer de viver.
E quando haverá tempo para amar, apenas por simplesmente amar? Apenas porque é bom amar simplesmente?

Hoje vejo,
que até os lugares aparentemente destinados a amar, aparecem momentaneamente “minados”...

Como, numa praia onde passam aviões com publicidade no sagrado céu,
Num telefone que toca, nos interrompe e nos custa a desligar, tocando em momentos íntimos que atrapalham preciosos segundos.
Até em pessoas alucinadas que nos distraem com conversas vazias de verdadeiro sentido.
Como num belo parque deslocado numa cidade cheia de cartazes iguais que não nos deixam sossegados.
Quão difícil é limpar a mente, quando a tecnologia em si, parece que hoje em dia, se tornou um vício.
E como é óbvio ver que tantas pessoas ainda se vangloriam disso, quão cegas estão, e como é fácil ver que é mais fácil fingir do que mudar.
Como se pode realmente saber o que se quer, se vivemos cobertos, com uma manta de mentiras e ilusões insistentemente a venda? Que clamam que urgentemente necessitamos delas?

Nesse mar, que nos engole, quem somos nós realmente?
Viveremos o nosso propósito ou o propósito de todas essas coisas que levamos constantemente em nossos ombros e nos contam histórias que nos fazem dormir?
E que vida vivemos afinal?
A nossa? Ou a vida que interessa a alguém que vivamos?

Quanto tempo dá a vida a nós verdadeiramente?
E quanto desse tempo realmente aproveitamos?

É por isso que eu desligo a TV, e procuro fontes reais de inspiração...
e prefiro a realidade, pois mesmo que as vezes cruel, sei que pode me permitir viver realmente…

O jovem descobridor

Fonte: Caravaggio

Engraçada a vida como ela é

Com suas nuances de suave loucura
E com sua redundante certeza
Que aflora as vezes num dia especial

Engraçado como somos como o pequeno jovem
Que com ingenuidade inicia impulsivamente sua busca
Busca que pensa ser objectiva
Mas que tem um fundo obscuro e muito mais profundo
que desconhece por ainda não saber o que é sofrer

E torna a vida engraçada perceber
Que nessa busca ingrata por poder
Vemo-nos sempre impotentes eternamente nos mantendo sedentos
Vendo que essa busca o aguardado fim afinal não tem

E afinal a vida é assim mesmo
Pois quando descobrimos que não existe idade adulta
Vemos que esse alivio aguardado nunca chega
Pois ninguém agora pode dizer ao nosso ouvido o que fazer
Para sermos felizes no próximo instante

E nós senhores de nós nunca conseguimos ser
Nem senhores de nada nem de ninguém
E quem se diz senhor, afinal, só finge bem

E toda busca nossa pensamos ser só igual a nossa apenas
Mas ao olhar em volta vemos que afinal somos todos iguais
Pois a mesma busca calha a outros também
e mesmo assim custa sempre entender a dos outros
quando nem a nossa entendemos bem

E o jovem busca preencher um vazio que lhe penetra o peito
E corre atarefado sem tempo para ser sensato,
Corre sem tempo para preocupações triviais
Pensa no mundo com sua cabeça e não com a cabeça do mundo
E sonha e se fascina e esquece que isso tudo também dói

E sem querer escorrega, por negar as raízes salta alto demais
Mas nunca consegue ser mais que criança,
criança que sonha com uma ansiada paz
E ele pensa que ninguém o pode entender,
Que ninguém pode entender a sua tao profunda e carnal dor
E ele pensa estar sozinho, mesmo no seu íntimo sabendo que não é o único
Procurando, sem querer, outros que procuram também

Mas o jovem, ainda é menino, ainda é ingénuo, ainda conhece pouco do mundo
E quer ver, quer explorar, quer conhecer mais
E na sua busca, quer também a fruta mais doce, quer o objecto mais misterioso
Mas quer além disso tudo saciar o peito que continua a bater sem saber porquê

A vida é engraçada afinal, pois descobrimos
Que quando tudo se tem não se é feliz
E apenas quando nada é perfeito percebemos que antes tudo havíamos tido
E mesmo assim escolhemos cegamente sofrer

E se formos mais além ainda,
vemos que a partida rumo a busca sempre foi afinal a chegada
E que a resposta a essa busca sempre foi a própria busca em si
E que cada momento tinha em si a resposta a busca que nós lá fora fazíamos
E que fomos nos próprios que escolhemos não ver
Pois sempre nos custou realmente admitir

Talvez por gostarmos de sofrer
Talvez por alguma inconsciência
Talvez por querer experimentar as asas
Por querer voar com elas bem além de nós mesmos

É engraçado que ao observar a vida como ela é,
descobri que precisamos saber comparar para verdadeiramente apreciar
Mas que precisamos ir além de qualquer comparação para vivermos sabiamente o momento que guarda a felicidade.