Friday, June 01, 2012

Razão

Há uma razão espiritual que a vida em nós criou. Razão para estarmos juntos no agora.

Há uma razão profunda no mais pequeno detalhe que por nós passa, e nós ingratos, não ligamos aos sinais tão claros, do que chamam mero acaso.

É tão fácil verificar, ver que atraímos o que queremos ver.
É tão fácil sentir que o que realmente sentimos é o que procuramos dos outros sentir.

Verificamos facilmente que a razão acaba por desistir do existir, quando percebemos que no além tudo tem seu próprio motivo.

Não quer dizer que não tenhamos que cumprir nossa missão. Mas que apenas em nós por dentro podemos verificar o que em nós falta purificar ou corrigir sem nunca julgar integrando, discernindo sem culpados, sem negar o que sabemos ainda lá estar.

Nos outros vemos um reflexo do que ainda existe em nós, pois se não houvesse em nós, como notaríamos com tanto realce tal característica nos outros?

A mente só amplia aquilo que nela já existe, e quando uma etapa ultrapassamos, mais um véu por nós cai e vemos ainda quantos mais nos faltam cair.

Nos outros não justifiques o que podias fazer mas não fazes, pois se os outros não o fazem é por que tu poderias ser um exemplo para eles o poderem também fazer.

Mas não te vanglories se aos outros servires de exemplo pois se assim o fazes de nada vale o que de bom fazes pois não o fazes de coração.

No entanto, que nos sintamos orgulhosos com cada meta que alcançamos com esforço e cujo íntimo é a bondade e a perseverança.

Que amemos, mesmo começando por uma grande paixão e que essa paixão se liberte de nosso indomado leão, que deixemos sair nossos obscuros sentimentos, para que podemos dar luz a velhas emoções guardadas do passado, transmutando-as em novos sentimentos, sentimentos melhores agora, mais profundos e mais abençoados à superfície de uma crescente bondade.

Só mergulhando uma e outra vez em nosso íntimo, transmutando nossas já “estragadas” emoções poderemos crescer.

Mas tal tarefa não realizemos sozinhos, pois as pessoas e as situações que atrairmos nos mostrarão o que nos falta integrar a seguir e o que de bom já integramos.

E a cada camada que me cai, verei quão tola havia sido, mas terei de perdoar-me de seguida, de morrer então para esses sentimentos perdoados, para só assim estar pronta para renascer nova e jovial, pronta para por em prática ensinamentos mais próximos de uma nova e feliz consciência de felicidade.

Ao contrário

Quanto mais me cresce a consciência mais vejo o quão ignorante está ainda a humanidade.
Vejo como todos tem seu íntimo desorganizado, tudo fora do sítio, ao qual deveria estar.
E vejo como utilizamos a razão quando não usamos acção.
E vejo quando utilizamos a emoção quando deveríamos usar sensatez.
E vejo que como temos os sentidos trocados, tudo o que devíamos fazer dificilmente fazemos, escolhendo fazer tudo o que não devíamos fazer.

E vivemos dia a dia, nessa terrível confusão,
Quando precisamos acreditar, duvidamos, e quando duvidamos, só bastava acreditar
E procuramos ser felizes, fazendo o que nos deixará tristes e procuramos fazer os outros felizes com aquilo que os deixa tristes.

Tudo a minha a volta vejo agora ao contrário, pessoas com os pés para o céu, com o coração na cabeça, com o cérebro sobre o peito.

 Quando alguém faz algo de errado é logo aplaudido, e soltam-se risos a volta, mas tantos que fazem coisas boas ninguém repara.
As invejas conscientes recaem sobre aqueles que pouco tem mas que pensam ter alguma coisa.
A minha própria mente procura detalhes para julgar quando devia amar simplesmente.
E quando da verdade devíamos viver, achamos mais fácil viver da mentira porque temos dúvidas da verdade, acreditando cegamente na segurança que a mentira nos traz.

 E vivemos com pressa, correndo, nos cansando a toa, para não parar e realmente pensar.
Para não permitirmos que a nossa consciência nos venham embaraçar e para não permitirmos que em nosso coração ela tenha oportunidade de se cumprir.
Tememos a solidão que nos traria liberdade escolhendo ser ainda escravos de uma sociedade.
E abraçamos as ilusões que nos prendem as mãos e não permitimos que a vida nos flua livremente.

 Porquê não fazer o que sabemos que é certo?
Porquê tememos o que escutamos no silêncio?
E porque não reflectimos sobre o essencial e sim nos focamos em situações triviais que não nos deviam importar?

O que importa: amor
O que nos inspira: o divino
O que nos liberta: ouvir o nosso coração, a acção da verdade
O que nos divide: a desconfiança
O que nos oprime: o medo
Quem nos oprime: Media, modismos, dogmatismo, falsas escolhas.

E quando pensamos algo ter é porque não o temos
E o que pensamos não ter é o que realmente temos.
Pois o que possuímos nosso nunca será
O que de nós se encontra livre, na verdade, em nós escreve sua morada.

 E quando verdadeiramente somos, vemos que o nada é tudo e nosso nome possui.
E nesse tudo que é nada, é que se cumpre nossa felicidade.


Aos guerreiros de luz



Não chores, pois Deus tudo vê
E teus esforços nunca serão em vão
Pois eu vejo teus esforços, teus lamentos, tuas dores
Vejo como dói
E vejo tua dor
Não chores, agora, apenas crê
Mas se para acreditares, precisares chorar, então chora
Lembrando-te de mim sempre.
Teu anjo, teu guardador, teu amor

 Pois tu, fazes parte de um rio maior,
oh pequeno guerreiro
E não andas tão nu quando pensas estar só
E nem mesmo andas vestido quando pensas que te cobres vestindo
És livre oh guerreiro, quando vês esse rio que te flui
Por ti

 Não chores, meu amor
Não penses ser teu lamento, mas usa essa tua força de guerreiro.
Que Deus por minha palavra te ofereceu quando nasceste.
É a palavra que te salva, a consciência de nossa essência divina
Pura luz, puro amor, que esteja em nós, que te salve e te ilumine
 Lembra-te que és pura dádiva, criança,
És puro reflexo do teu Pai
Mas nunca andes para trás

Respeita essa fina aliança que uma família terrena te ofereceu
Observa quão divina é a aliança da família celeste da qual parte sempre foste
Vê o quão grande ela é, e quantos seres de luz dela fazem parte
E vê como nunca estarás só.

 Mas unemos nossas mãos num círculo de infinito amor, cobrindo o mundo
Sejamos irmãos aos que precisam secar também as lágrimas de dor
E nos alegremos pela luz que jaz em cada pequeno guerreiro,
Que a semelhança de Deus, é criador de amor.

Tuesday, May 22, 2012

Anjo Serafim



És mártir da minha inocência
E de hoje em diante te transformarei no meu mito
O irmão mais velho da jornada espiritual,
O leal camarada de batalha

Tu que és Santo cristíco pessoal,
Hás-de ser minha redenção ao nada
E a tudo que escolho por querer não viver

Anjo sem nexo e sem sexo
Que com chama acesa meu corpo purifica
Serás registo de sangue que nas minhas veias corre
E sagrado alimento para um espírito  nutrido

Tu que crias Santuário em meu peito
Meu ventre teu é de entre tantos
Onde fazes tuas rezas baixinho e cantas
Contando tuas histórias ao vento

Sei que de tua natureza brotou
Esse meu carnal e espiritual amor
E um jovem anjinho apareceu
Dizendo que meu peito sempre teria

Mas foste tu, oh doce anjo do céu,
Nessa tua benção sensual
Colhida das asas da infinita fonte
Que meu ventre a ele entregaste

E tal é a nossa paixão...
insaciável, sendo da intensa nascente
que não seca, mas que transcende
Herdando do teu fogo, sua forma quente

E por te reconhecer
oh querido anjo serafim
Peço que a nós transmutes também
Fazendo-nos parte de tua chama sem fim

E fá-la espada de prazeroso amor
Fazendo mais forte nosso escudo feroz
Une-nos contra moderna e tola turbulência
Fazendo míseros meus atrozes receios de mulher

Faz me fruta que sacia eternamente...

Friday, May 18, 2012

Revolução da colher

Depois de 7 anos sendo vegetariana, sinto que todos os animais fazem parte da minha família.
E cada dia que passa sinto-me mais feliz por ter tomado essa decisão.

Wednesday, May 16, 2012

Nós e o Universo


«Os mistérios do amor na alma crescem, porém o corpo é o seu livro.» John Donne



O melhor dos livros serve para materializar as mais profundas sombras do que são boas ideias
Assim como o teu corpo é o livro aberto que recebe todo o belo amor, de meu ser carinhoso
E do teu peito faço manta suave onde descanço sobre minhas angustias e meus receios de criança
E são afinal meus teus cabelos, fazendo agora parte da minha sensualidade
que gritando em ti, mostra toda a nossa vivacidade.
Na tua ingenuidade, vou escondendo docemente a minha maturidade disfarçada
e nós feito, os mais antigos índios, assim mostramos, por ela, toda a nossa coragem.
No meu orgulho, vais mostrando sem querer, toda a tua insegurança,
que persegue ainda mascarada por entre as brumas da nossa momentânea inspiração apaixonada.
E é por isso amor, que eu digo e repito com o minha alma, voz e coração,
que eu me vejo em ti em cada passo que damos
a cada desabrochar de mais um dia
a cada reza secreta que recitamos
a  cada sagrado por do Sol que contemplamos
e a beira-mar de cada dia ensolarado e abençoado pelo amor em nós

É porque vivemos sendo suaves ventos de momentos que passam desapercebidos pela multidão.
É porque poucos são os que capazes são de perceber a verdade com apenas a sua visão.
E os nossos corpos prosseguem como ondas, e nos revestem com a mesma importância que tem um pequeno sinal existente numa flor.
Porque a verdade é que é de nosso espírito que buscamos todo o refúgio
e é por nossa alma  que procuramos o novo caminho a seguir.
Surgindo dela repentinamente nós por vezes, sem querer, desabrochados.
E prosseguimos alegres, andando e cantando
sempre de mãos dadas subtilmente disfarçados, 
assim como  que por galhos e lama encobertos,
tu disfarçado de ti e eu disfarçada de mim

Mas quando o disfarce sem querer nos cai,
nós damos gargalhadas de criança,
e tímidos sorrimos
vendo que nem de tempo e nem de espaço é feito o Infinito, que com amor, sobre a nossa, sua mão, se sobrepõe. 

Monday, May 14, 2012

Cultivar a alma


Já cultivaste a ausência?
Pois rega-a como se fosse flor e não esperes com ela como quem sofre por amor
Já aceitaste o silêncio?
Pois reúne-te em teu interior mas nunca repreendas teu espírito por ter suas asas dobradas
 Por onde anda a tua essência?
Andará perdida na rua, embriagada, sozinha sem te encontrar?

Por onde andará a tua pobre alma se andas alucinado com o que vês lá fora a gritar?
E quem viverá por ti se não tens alma que sobreviva em ti?
Se não dás de ti para que tua alma cresça?
Por isso reflecte por cada passo que dês sem perder a fluidez desse momento que feroz quer-te agora responder.
E vive cada segundo do teu fundo, do mais íntimo que possa existir, sem nunca excluir mas incluindo em tua vida os enigmas das peças que se juntam uma a uma em sua relação amorosa.
Mas comunica com os pés, com as mãos, com a mente, com o coração, com os olhos, e com todas as intuições que tiveres. Sendo fera, e sendo herói, sendo gentil e sendo feroz.

 Não permitamos que nos faça a vida mais uma máquina sem imaginação, pois de que vale uma vida de mental prostituição?
Se de barreiras tiver a vida que ser, que sejam barreiras que ponham apenas nosso ser em nós e nunca o exterior em nós.
É por isso é que a vida deve ser de dentro para fora, para que o de dentro possa ser o que deve ser e manifestar sua missão, o que nasceu para ser sem qualquer obrigação.
 Quem vive de fora para dentro há-de-ser sempre protótipo do que poderia ter sido. Pois o exterior ditará as regras e ele escravo as terá que respeitar. Mas quem apenas de regras interiores se impõe na verdade não vive de regra nenhuma senão as regras que o seu íntimo conhece, as regras do seu coração.


Thursday, May 10, 2012

MAN AND WOMAN

by VITOR HUGO
«Man is the most elevated of creatures,
Woman the most sublime ideals.
God made for man a throne; for woman an altar
The throne exalts, the altar sanct

Man is the brain,
Woman, the heart.
The brain creates light, the heart, love.
Light engenders, love resurrects.

Because of reason Man is strong.
Because of tears Woman is invincible.
Reason is convincing, tears moving.
Man is capable of all heroism.
Woman of all martyrdom.
Heroism ennobles, martyrdom sublimates.

Man has supremacy,
Woman, preference.
Supremacy is strenth, preference is the right.
Man is a genius,
Woman, an angel.
Genius is immeasurable, the angel indefinable.

The aspiration of man is supreme glory,
The aspiration of woman is extreme virtue.
Glory creates all that is great; virtue, all that is divine.
Man is a code,
Woman a gospel.
A code corrects; the gospel perfects.

Man thinks, Woman dreams.
To think is to have a worm in the brain, to dream is to have a halo on the brow.
Man is ocean, Woman a lake.
The ocean has the adorning pearl, the lake, dazzling poetry.
Man is the flying eagle, Woman, the singing nightingale.
To fly is to conguer space. To sing is to conquer the soul.

Man is a temple, Woman a shrine.
Before the temple we discover ourselves, before the shrine we kneel.
In short, man is found where earth finishes, woman where heaven begins.»



Monday, May 07, 2012

Sereia do mar


Quero viver abraçada de ti e de braços abertos ao mar
Viver contagiada, abraçada, amada

Quero sentir teu corpo no mais íntimo de mim
Viver anestesiada, apaixonada, contagiada

Quero viver acordada, sonhar a viver e viver todos os sonhos
Viver mais além, viver aqui, viver no mais profundo interior de nós

Porque assimilei o aroma da tua essência e ela em si fundiu na minha
E vi que quero contigo render-me de braços abertos ao maravilhoso infinito

Numa tal vontade que não se sacia e que vive em cada pequeno espaço de momento
Como fogo que consome até a parte mais ínfima da alma que não se deixa calar

Quero viver de aleluias, de canções e de rezas divinas
E viver abençoada, desposada, acariciada

Quero viver independente, sem posses, sem apegos
Viver livre, viver como flor mas viver inteiramente de amor

Despertou meu instinto de ser esse puro destino
Despertou em meu peito anseios por paixões que não acabam mais

E hoje chove,
e como chove
é a chuva que trouxe água para eu ser mar e poder estar em todo lugar

E eu estou abraçada de ti e de braços abertos ao mar

E vejo-nos no brilho do horizonte que não nos ousa limitar
E ouço-te no suave vento que passa e que não nos ousa chamar

E a Terra nos abraça e nos beija, docemente, sem nos deixar acordar
E conta-nos ao ouvido nossa origem, sem nosso sonho negar que pode realizar
E prossegue o mar suavemente para nossas vidas vir abençoar
E sentimos na brisa, respostas ardentes aos nossos mais profundos anseios apaixonados.

E eternamente eu canto e conto a Lua ao mar e as estrelas fazendo canções das nossas mais belas histórias,
desejando e criando razões para poder pedir que sejas sempre de mim,
Peço que enquanto eu puder ser sereia
possa viver sempre iluminada por água e banhada de ti.

E peço que ambos possamos viver a beber a água misteriosa do infinito
E peço que eu seja a tua sereia
mesmo quando tivermos de voltar, ao berço do nosso primeiro olhar.




Friday, May 04, 2012

Deixar teu corpo



Teu corpo é instrumento musical que toco suavemente como a um alaúde
Meu ventre teu templo sagrado onde te fazes refúgio e consagras teu peito nu

Teu rosto, tua pele clara, tem olhos que fazem-se os de um anjo divino
E meu toque te toca e te cega como se minha mão de apenas luz se tratasse

Da tua fúria, surge a paixão mais destemida e mais ingénua
Existente no peito da bela criança que ainda agora nasceu e que já seduz

E deixo suavemente teu corpo,
Deixo-o com a neblina de um amor puro, que em segredo,
no amanhecer, de mim saiu

E saio de ti ainda com tua  parte não minha em mim,
Saio, mas levo tua serenidade, tua fúria e tua vontade
Deixando em ti meus anseios, devaneios e minha sensualidade

Saio de ti toda reunida, descomposta e esperançosa,
Toda extasiada de nosso amor que recusa ver-se cumprido em dor
Saio adorada e por em ti adorar, saio ainda ansiando voltar

Nesse mundo tão pequeno, dos que não olham nos olhos como nós
O nosso mundo grande se desfez em nós

Pois tu olhaste-me feito fera feroz sem deixar meu velho eu olhar para trás
Sem medo do que descobririas, não deste escolha sequer
fizeste-te todo imerso e escondido em meu olhar
E fizeste de mim Dona do nada, assumir  o vazio que habitava em mim

Porque em meu interior foste poesia e magia
e até vi em ti o sangue quente da terra a fluir

E quando nossos verdadeiros olhos abrirmos
Nos ergueremos e veremo-nos ainda sendo Um em Primavera,
Veremos que seremos Um mesmo quando já ressoados e suados
andarmos nus e separados sobre a Terra

E ainda frutíferos do futuro, seremos as vezes lembrados pelo passado
E seremos, vezes sem conta, ainda do Sol e da Lua que por nós se flui e se influi,
Sem querer deixar-se cumprir, sem levantar o véu que nos cobre do mundo.

Thursday, May 03, 2012

Tingir o céu



Com as cores tingimos o céu e atingimos tal plenitude só imaginada
De cores vivas nosso sustento nosso bem amado amor que brotou
Colorindo seguia nosso caminho como rota que um passarinho pensou

Seguimos rio acima nossa vida, nossa dádiva que a nós experienciou
E nós seguimos rastos escorregadios para chegar aonde o coração chegou

Crescendo juntos por círculos mágicos, por espirais onde antes só escuridão havia
Agora há lembrança clara de amor, união que surgiu onde só havia dor

Segui na luz do dia pela floresta a fora no caminho molhado de onde o Arco-íris surgia
Segui na penumbra do fogo, a Lua, no caminho onde o amor profundo seguia

E vi nascer Alquimia das cores, vi a alquimia surgir das flores
A alquimia que só as nossas almas unidas transcenderam
Deixou-nos um recado no rochedo  dizendo que retorno não mais haveria,
pois o agora finalmente chegaria

Mas quando surgir o receio que calado sabe gritar baixinho
Recitarei poesia e abençoarei o tempo cantando baixinho por aqueles doces momentos
Secretamente recitarei calada o mais profundo segredo estampado naquela flor
Como se colada estivesse ela em mim, como se por lá ja tivesse eu passado e como se já eu soubesse ser flor!

Clamarei pelo lugar, onde amamos, onde nos entregamos uma e outra vez,
onde a nós nos recriamos, onde nos inspiramos uma e outra vez, 
onde fomos como pontos de luz, planando alto no horizonte

E sei que me houvirão as árvores, me houvirão as gotas de chuva
e me houvirão as aves uma e outra vez
Pois na eventualidade fomos também humanos uma e outra vez
E praticando mostramos ao mundo lá fora como é simples viver em paz o amor

Wednesday, May 02, 2012

Obra



Hei de buscar do passado o mais puro significado
Trilharei caminhos tortuosos me perdendo em outro alguém
Mas encontrarei o mais puro sentimento
existente na raiz da mais antiga lenda

Hei de buscar do passado o mais puro Poeta inspirado
E farei de mim sua nobre discípula
Em minha humildade beberei dele constantemente
Para esquecer capas que antes me vestiam
deixando-as onde antes passei

Hei de buscar do passado o Mago mais insaciado
E verei Deuses por ele também
Nem que para isso de Sonhos use e abuse
Mantendo-me a Deus fiel ainda eternamente em mim

Hei de buscar do passado, o cálice do Sagrado Graal
E farei do meu gesto, mais que gesto, farei dádiva e compreenção
Sendo Sereia do mar, Senhora do movimento Lunar

Hei de buscar do passado, a mais pura inocência
Buscando do Novo mais que beleza apenas
Mas procurando  viver a vida a pintar
realçando a mais nobre beleza de cada momento

Hei de buscar do passado, o Príncipe, maior Conquistador
Que fará de mim Musa da Conquista e do meu coração fará flor
E serei mais que minha mente então,
Verei de meu peito vibrar o amor por sua pura emoção
E do meu ventre brotará a mais bela inspiração,
toda completa:
mente, alma e coração.

*******************

A Tábua das Esmeraldas


«É verdadeiro, sem artifício, certo e fidedigno

Aquilo que está em baixo é como aquilo que está em cima
e o que está em cima é como aquilo que está em baixo
para criar os milagres de uma coisa.

E tal como tudo é proveniente de uma coisa,
pela contemplação dessa coisa
por elaboração.

O seu pai é o Sol, a sua mãe é a Lua.
O vento sentou-o no seu regaço.
A Terra é a sua ama.
O pai de cada objecto do mundo está aqui.
O seu poder é primitivo se for direccionado para a terra.

Separa a terra do fogo, o subtil do grosseiro,
suavemente e com grande inteligência.

Ele ascende da terra para o céu,
descendo em seguida de novo para a terra,
e recebe poder do acima e do debaixo.
E então teremos a glória do mundo inteiro.

Então toda a escuridão se desvanecerá de nós.
Este é o poder poderoso de todo o poder,
porque ele supera todas as coisas subtis
e penetra em tudo o que é sólido.

Foi assim que o mundo foi criado. Daqui haverá
maravilhosas elaborações.
porque isto é o seu modelo.
E assim me chamam Hermes Trismegisto,
possuindo as três partes da filosofia de todo o universo.

Aquilo que disse sobre o trabalho do Sol está completo.»

Retirado do livro "Como educar a alma" de Thomas Moore


Monday, April 23, 2012

Barriga cheia

De barriga cheia, eu registo momentos
Tenho a barriga cheia do que podem ser ideias
Que se mantém numa incessante fome que não passa
Fome dos que alguns chamam imaginação

Vivo ansiosa em dar, e ansioda em criar
Vivo ansiosa em manifestar o mais inquieto ser de mim

Desenho com letras, o meu melhor reflexo dum pincel
E quero contar aos versos os mais belos momentos que já vivi

Não preciso mais de argumentos sequer para escrever
O meu único motivo será manifestar todo o mais pequeno viver

Cumprir a mais pequena revelação das letras que surdas caem no papel
Perseguidas por acertos fugazes do tempo
E desfeitas por viajantes novidades do momento

Descobri nas letras o meu refúgio
Descobri ali o meu bem mais amado
Sendo que agora se mantém minha vontade de esquecer
Para que algo mais novo possa por mim vir a nascer

Encontro-me grávida de meus pontos de acentuação
E espero ansiosa o meu poema cansado chegar a casa
Vou contar-lhe insistentemente meus lamentos até ao entardecer
E deixar-me absorver em sua dor uma e outra vez

Deixando-me voar, sei que só poderei confiar em livros já escritos
Pois considerarei eles os mestres de todo o bom sonhador
E de meu saber, só uma certeza ficará
A certeza de que esse poema que chegou, meu nunca será

Árvores


Procuro que me encontrem as árvores
pois delas nos nutrimos e surge delas o aprender a respirar

A árvore é a mais alta representação
do grande fôlego da criação
Porque Ela persegue o fôlego do céu
e por suas pernas canaliza Sua imensa emanação

Nutrida pela Mãe, a Terra, persegue por seus galhos, a vida
Nutrida pelo Universo, do Pai, se ergue e permanece erguida
Vivendo nela a mais pura respiração que flui e que vibra

Meus queridos amigos observam-me com ingénua indignação
Ao verem-me abraçar até as Árvores dos jardins
E vendo que eu delas até meu sustento posso absorver
Eles não compreendem o porquê
Mas é apenas por que nelas vejo a mais bela representação do amor
e do querer

Porque, é preciso amor, para se manter erguida, frente a dor das que agora se mantém caídas
Penso que é preciso amor, para aceitar tamanho desrespeito a Criação e consentir tão bem a Lei divina

Perante à Sua inconsciência que mais não é
que a nossa inconscência face a importância delas
As árvores parece que nascem para dar a todos, e até aos ingratos,
o mais sublime colo manifestado ao mundo.

Friday, April 20, 2012

A guerra

O medo que sufoca ainda é o mesmo
Porque as bandeiras perfuradas ainda são as mesmas
E ainda é o mesmo cheiro a doença no ar

A ignorância de outrora ainda é a mesma
Porque o som dos tiros ainda é o mesmo
E também é a mesma oração que se repete ao céu

A luxúria cultivada ainda é a mesma
E as calúnias ditas ainda são as mesmas
Pois é a mesma inútil eloquência que aparece

Os rapazes enganados ainda são os mesmos
E o tempo que passa rápido ainda é o mesmo
Quando na mesma está o desespero em não deixar viver,
o que ainda agora nasceu

O silenciar da verdade ainda é o mesmo
E o esquecer de cumprir velhas promessas deixa ainda ficar,
histórias felizes por contar,
e mais amores por viver,
e mais revoluções por acontecer,
e mais arte por criar,
e fica só um silenciar adormecido do que fica no peito a bater
como único vestígio de vida humana em nós

Tempos vem e tempos vão e pouco muda,
e os livros escritos ainda são os mesmos
e são para os mesmos rostos perdidos afagar
e as mensagens de esperança ainda servem as mesmas causas
e o mesmo ainda é,
o nosso sonho juvenil por mudar.

http://youtu.be/pj4Kv8AZwBo

Sunday, April 15, 2012

Puros em amor





Deus trouxe um anjo até mim
Um anjo de homem, de meiguice, de aconchego, de lar

Trouxe um anjo até mim
Um anjo de aventuras, de paixão, e de tudo o que se traz no peito sem se contar

Tanto tens a dizer, meu querido, tão curiosa fiquei por saber mais do mundo por ti
Que percebi num parque, junto as árvores e junto a ventos brandos de paz,
que teu lindo mundo de cor também era sabor
Era pouco mais que o meu mundo de doce amor,
e nosso mundo louco, nesse dia, era explorar
era viver além do que se pode sequer sonhar

E nesse parque, viajamos
em nós respiramos, por um rio sendo um,
Percorrendo bem fundo, sendo amantes de nosso louco destino,
Dançando, nos amamos à luz abençoada do Sol,
fazendo de nossos gestos reflexos,
do infinito que refletido ia fluindo em ti e em mim

Intuindo, trilhos seguimos,
que nos levavam ao caminho que sussurrava segredos do mar

Deus trouxe-me um anjo lindo,
Um rapaz cheiroso à Robin dos Bosques, com cabelo comprido de elfo
E que tem orgulho por possuir, um olhar penetrante e um sorriso sem fim

E eu fiquei assim, derretida, toda florida em mim por esse teu amor
Toda grata, meditei, rezei, abençoei, clamei em Deus todo aquele intenso momento

E mesmo quando me guardavas em teu peito e me dizias pequenas coisas ao ouvido
Eu pensando pouco ouvir, por ti, senti intenso calor, o amor puro do que clamavas ao vento
E em nossas mais loucas canções, das canções que minha alma sussurrou
fiz de mim mais que teu fogo fiz-me tua alegria feroz

Vi que Deus trouxe-me a ti, querido
Trazendo a certeza de que meu caminho sempre e agora iluminarás
Pois por onde eu for passar sei que de agora em diante passarei por ti a cantar
Canções de puro amor para fazer nossa pureza durar

Saturday, April 07, 2012

Canções de amor ao luar

Não te culparei mais
Por minhas lágrimas de doce e angelical amor

Não as repetirei mais nem ressentirei mais
por nosso passado,
por nossas histórias de príncipe e princesa
E nossas canções cantadas e abençoadas no luar

Não te repetirei mais
Como me importas,
como fica-me o peito vazio por não dormir e a teu lado estar
Por te rever constantemente nessas lembranças de primeiro beijo
que esperava ser colhido no paraíso dos amantes que ficam juntos para sempre

Somos crianças, amor
Crianças nessa vida que tão ingrata tem de dádiva
Que tão gasta tem de colorida por instantânea novidade insaciada
E mesmo assim mal sabemos nós o quanto temos a aprender

A cada instante te revejo ainda após todos esses meses
Meses, anos, mais nada são do que o primeiro dia que te vi
E ainda me dás arrepios
e ainda fico nervosa só de pensar em voltar a te ver
Ainda nervosa de em ti poder aprender o que é viver e o que é sentir de verdade

Mas não, eu sei, não haverá retorno mais...
Pois como pode o Sol voltar a nascer no mesmo dia?
Como pode o mesmo suave calor retornar e em mim tocar apenas para meu peito aquecer?
Como pode o pássaro voltar a cantar a mesma canção de amor para eu voltar a cantá-la para ti?
Como pode a lua repetir o teu nome em meu ouvido para eu em ti voltar a acreditar?
Como pode o vento refazer nosso gesto de adeus para, em nosso ninho, Deus voltar a nos unir?

Cada momento nosso vive em gotas límpidas de céu que desaguaram e marcaram ondas de um mar que por nós deixou ser-se fim.
E eu fiquei no porto.
Tão jovem, tão frágil. Ao ver-te lentamente num longínguo horizonte sumir
Vi a mais fina esperança desfeita por meu interior de criança magoada... chorosa
Ainda resistindo, lutanto por acreditar que voltarias, que não seria o fim, o despedir

Mas após dias e mais dias seguidos que incessantemente se repetiam
Fiquei com a certeza ingrata e cruel de que tal feito não se repetiria
Tal intenso amor, sei, não voltará em minha vida
Com tal romance de contos de fadas e tal príncipe bem feitor

Descobri que afinal num romance não existe esse fim tão falado,
pois fica um lugar no peito dedicado a essa história, a esse mesmo facto consumado
e memória cravada no peito, cantando que sempre se repetirá, que voltará!

E agora, ao rever mais esta Primavera, ao ver mais um Verão desabrochar,
sei que muitos mais Verões passarão e eu ainda na melancolia da tua ausência viverei,
na mesma jovem lembrança
vivendo como se fosse eu única, mas não sendo mais do que uma mais, passarei.

Pois como pode o amor brotar da mesma forma mais do que uma vez?
Como pode o mar desfazer-se de igual forma sobre nós,
da forma que abençoou nossos corpos nus?
Como podem nossos sonhos se unirem para produzirem algo mais além que nosso próprio sono?
Como pode alguém reescrever no bater de nossos corações,
mais uma vida dedicada a detalhes do mais puro e intenso romance a ser vivido?

Como podem os mesmos sítios serem repetidos com a perfeição do mesmo aroma adocicado e com a mesma nota sustenida?
Como podemos ter aquela mesma curiosidade por diferenças que de tão iguais nos fariam um só?

Como poderíamos voltar a passear de mãos dadas cantando naquele tom baixinho,
que nos permitia fazer da vida francesas canções de eterna e calorosa paixão?

Saturday, March 31, 2012

Sobre liberdade

Hoje ao jantar com colegas no meu local de trabalho, fui mais uma vez confrontada com questões relativamente a minha opção alimentar de ser vegetariana.
E durante o discurso da pessoa que me questionava percebi, como de costume, que por mais respostas que eu desse, e por mais convincentes que elas fossem aquela pessoa não levaria a sério nenhuma das minhas respostas.
Mas não é um discurso prol vegetarianismo que eu pretendo agora. Sinceramente nem sequer sinto-me minimamente interessada nisso.
Hoje foi a negação que me levou a escrever.

Foi novamente perceber a negação nos olhos e na mente de pessoas que questionam minhas opções éticas pessoais.

Foi perceber que toda aquela negação não foi uma negação àquilo que eu dizia, mas uma negação a confiança em nossa própria liberdade enquanto indivíduos. Negação a força e existência da nossa liberdade diária de escolher o que de facto é melhor para nós.

Com tristeza, percebo a extrema gravidade dessa contestação que agora surge em minha mente.

E com tristeza vejo o quão comum é entre tantas pessoas.
Não me considero superior a ninguém e muito menos considero as minhas opções alimentares superiores. Mas prezo acima de tudo a liberdade de pensar, agir, sonhar e mais que tudo de questionar de forma fundamentada nossa realidade. São as pessoas que mais se questionam que eu admiro.

Durante o discurso que escutei tudo o que ouvia era uma total descrença no valor de nossas opções individuais. As nossas opções individuais podem parecer mínimas face ao encarar de tão infinito universo, mas face as nossas vidas são essenciais. O que nos define enquanto indivíduos? Será apenas a roupa que vestimos? O local onde trabalhamos? O carro que temos? Não será também as opções que tomamos? Ou mais do que isso, o que escolhemos fazer com a liberdade que nos resta após tomarmos conta de todas essas coisas? Isso não conta?

Porquê estão as pessoas actualmente tão indiferentes relativamente à sua liberdade?

Onde está a nossa auto-estima enquanto seres vivos?

A nossa consciência é provavelmente o que mais nos distingue relativamente aos outros animais, além do polegar opositor, coluna vertical, entre outras coisas. Por isso penso que o uso que fazemos da nossa consciência não pode de modo algum ser menosprezado, afinal de contas nos define antes de tudo como seres humanos.

Além disso, essa falta de respeito face a nossa liberdade, irá desaguar numa falta de aplicação do nosso senso crítico e nos põe a mercê das mais variadas técnicas de propaganda e estratégias de consumo, bem como outras estratégias políticas e económicas. Ora, todos temos de deixar de acreditar no pai natal não é verdade? Mas então porquê continuar a escrever cartas ao pai natal?

Não. Eu não escrevi este texto para defender minhas convicções. Escrevi este texto para mais que tudo por minha indignação por ver uma falta de convicções fundamentadas em outras pessoas e acções tomadas relativamente a essas mesmas convicções.

Quando não temos uma postura referente a vida somos facilmente manipulados por quem quer que seja, não somos mais donos de nossas escolhas, da qual a nossa vida ganha estrutura. E nesses casos, não há instituto académico ou hospital que nos valha já que não se trata apenas do conteúdo histórico/social/científico que sabemos mas também da simples capacidade de ponderar pontos de vista, criar soluções e novas ideias para questões diárias, enfim, raciocinar no mundo prático no qual integramos nossas vidas.

Ao nos percebermos que tal falha existe, é importante também referir a importância da tolerância que devemos ter com os outros.

Por que não podemos negar, que de facto somos seres do qual a sociabilidade é fundamental. E que é fundamental partilharmos nossas conclusões de vida com os outros. Por mais controverso que possa parecer, é fácil observar também entre muitas pessoas a escassez de conversas críticas, tolerantes e fundamentadas em relação a algum assunto contemporâneo, e espaços públicos dedicados apenas a esse efeito.
Frequentemente, quando se fala em questões controversas as pessoas fogem do assunto dizendo que não tem tempo para isso ou negam a ideia sem sequer pensarem sobre o assunto. Mas será que no meio da tão grande agitação citadina em que vivemos terão as pessoas perdido o tempo de serem livres?



Thursday, March 29, 2012

Entardecer

Num suspiro, sobrevivi

Num buraco, plantei

Num chave, vasculhei

No nada, acendi

Na vida, mudei

No céu, viajei

Em pequenas asas, sonhei
E foi assim que, em ti, compreendi
Que já se faz tarde para sonhar apenas sem sequer colorir

Que já se faz tarde para pintar apenas o que não tem mais por onde descobrir

Que já se faz tarde para chorar apenas sem encontrar pernas que possam andar

Que já se faz tarde para aprender o que não nos torna capazes de amar

Que já se faz tarde para esquecer o valor do que insistentemente sempre se fez valer

Que já se faz tarde para viver ilusões, então que possamos digerir a verdade de uma vez

É que só devagarinho e aos bocadinhos não chegaria para colhermos da terra trigo

Mas talvez com esse devagarinho possamos devagarinho partilhar carinho

É que devagarinho e sozinho talvez não chegue para construir um ninho

Mas talvez devagarinho, sem desistir, possamos construir do sábio nosso interior

Se somos mais que cinzas, meu querido, se foi essa a verdade que mais que um sábio falou.

O que nos restará mais desse segredo senão criar mais do que já se criou?

É que saber que somos humanidade não nos faz mais que míseros mortais, porém manifestar o que sonhamos, certamente, dará sentido a nossos verdadeiros ideias.

Por isso,

Brotemos mais da vida ao plantar de nossas cinzas verdadeiro amor!

Colhamos mais da vida ao retirar de nosso coração o mínimo vestígio de rancor!

Pois o que valerá o tempo, meu querido, quando percebermos que somos nós tudo o que da vida nos restou?

Saturday, March 24, 2012

Amor de mulher

Suave na brisa do vento, vive a promessa de um eterno amor

Naquela flor que me deste, no teu suor de cansaço, de nossa insegurança, jaz a flor da temperança.
Naquela noite estrelada, no musicar das ondas do mar, que se refletem em cada grão de areia, fizeste-me acreditar que existe força necessária rumo a uma vitória sem perdedor.
No silêncio que naquela noite contemplamos, está o espectáculo de magia aos que param para o escutar, vive a realidade, esperando por nossas almas acalmar.

No pássaro que voa livremente no céu, vive o caminho, a busca que escolhemos traçar em nós antes mesmo de nascer.
No brilho suave de cada estrela , reflexo que encontro no brilho intenso do teu olhar, vive a certeza da existência de nosso laço cósmico celestial

Olhaste-me como criança amor, no teu olhar vi tua centelha divina.
E absorvi e me dissolvi em teu ser naquele momento.

Foi assim que, nesse olhar, não vi mais tempo algum, nem mais esse mesmo momento
Vi-me mãe apenas, vi-me mãe do teu inteiro gesto, toda piedosa e bondosa em esplendoroso ser.
Senti-me mãe de nosso intenso querer e desquerer, prova viva de nossa inevitável juventude

E foi assim que eu te amei.

Amei o pai dedicado, aquele que acolhe os seus, mesmo quando apenas acolhendo todos os que são seus iguais
Amei o matématico incrédulo que sem eu querer entrou em minha vida sendo meu fazedor de ilusões e ideais.
Amei o incompreendido, o deslocado que escolhe o mundo como sua casa, aquele que não se despede jamais.
Amei o muleque da revolução, e até mesmo o que procura por confusão sem ter razão no que faz
Amei o sábio das artes do amor, assim como aquele que espera agindo por sua iluminação, crente no seu Deus interior
Amei o ingénuo escritor, como amei o platónico pintor, aquele que secretamente pinta os seus sonhos recusando ser apenas sonhador

São todos homens mais que homens
Reflexos da mais pura paixão divina que se despe em cada ser

E eu, se puder, serei também mulher mais que mulher,
serei rainha, eternamente musa involuntária de minha visão.

Foi nos teus olhos que eu contemplei o mundo,
Foi onde eu vi a razão para eu querer tanto nascer antes de ter nascido
Foi onde eu vi a razão para eu tanto querer crescer antes de ter crescido
Foi onde eu vi a cegueira em quem não quer ver o tempo passar por não se ter ainda resolvido

Nos teus olhos vi-me a lutar por mais justiça
E num momento a luta já não não era a minha, sendo mais que a minha,
a força juntou um mar, uma enchente de gente
Tal era incessante nosso fogo de paixão

Nos teus olhos vi ilusão, e a seguir vi minhas fantasias se espalharem pelo chão
E senti vergonha em constatar que me despias com apenas relances do teu olhar
Quando tudo o que eu tinha era o que eu te dava e parecia nunca chegar

Nos teus olhos vi a direcção que seguiria sozinha
Vi a direcção viva que uma Deusa pedia em mim para poder passar
Vi que tinha de ser muito minha se quizesse ser realmente tua
E enquanto isso senti que pouco a pouco, menos de mim ali estaria, temi


Um dia vi, que já não era eu que ali se encontrava, que eu já havia morrido por meus sonhos não concretizados há já algum tempo atrás
Agora era algo mais do que eu que ali se erguia, era algo além de mim que em mim lutava por respirar


E assim, a partir de mais outra visão ainda retornei a ver-me dessa vez no chão caída, apenas como a mais frágil menina que um homem desesperadamente clama a Deus por salvar.


Friday, March 23, 2012

Divulgação de vídeos anti-alienação


Caros amigos,

A seguir podem encontrar vídeos que reuni para partilhar a verdade pura e dura do mundo que vivemos hoje.
O meu único objectivo nessa partilha é fomentar uma maior consciência do ser e o maior conhecimento do nosso papel enquanto seres humanos.

Tudo o que desejo é que desenvolvamos o nosso senso crítico relativamente a pobre informação que nos oferecem hoje em dia como se valesse muito, mais que é tão oca de valor como uma migalha de pão seco.
Os meios que partilho são para desenvolvermos o nosso raciocínio, pensando livremente sem rótulos e etiquetas.
Meios que eu própria utilizo para enriquecer-me diariamente.
Espero urgentemente viver o agora, cada segundo de vida como se fosse um último segundo de consciência que resiste em não passar.

Neste momento, ouço ventos fortes clamarem por uma mudança social urgente, mudança essa que provirá de nossa própria mudança pessoal, esta sim, o nosso primeiro grande passo. São tempos de contestação, de procura por alternativas que nada tem de novas ou populares mas que apenas são vestígios de um passado que tanto nos tentaram fazer esquecer mas não conseguiram!

O que mais peço e anseio ver no mundo que nos cerca é um verdadeiro amor; que possamos amar loucamente e perdidamente sem por fronteiras, sem empacotar ou carimbar o que nem sequer devíamos procurar entender.
Vivendo assim, tenho a certeza que deixaríamos mais espaço ao que realmente devemos procurar entender e ao que realmente deve ser entendido e tanta gente esquece ou evita ver: a nossa própria verdade, o nosso fim.

Em minha busca encontrei-me por momentos exausta de procurar instruir apenas a mim mesma, tão exausta que hoje vejo o quão incompleta estaria se não pudesse partilhar a informação que posso convosco. Com mais alguém.

Espero que aproveitem, caros amigos, estes vídeos e estas palavras para absorverem um pouco mais de realidade e magia em vossas vidas.

Vamos olhar para o que existe de realmente importante na vida.
O que é, eu não pretendo dizer, pois não sinto que caiba a mim nem a ninguém guiar nossas consciências rumo a verdade, senão nossa própria consciência interior.

O meu pedido:
Que acabe a ganância pelo conhecimento.
Que se dissolva nossa indolência face a realidade.
Que nossa maior luta nessa vida seja por adquirir um profundo desejo de assumir responsabilidade sobre nossas vidas e sobre nossa felicidade.

Com carinho,
Luna

http://youtu.be/pqryjyNc6eU
http://www.youtube.com/watch?v=MipldiYbwRw
http://youtu.be/BAk_Ws8d68c
http://youtu.be/ZzJaoQMdkD4
http://youtu.be/26BpgXZvFsU
http://www.youtube.com/watch?v=499Ty_JU2bo&list=FLEJk2sLpBvAgCmWNdjEp20A&index=3&feature=plpp_video
http://www.youtube.com/watch?v=12VkA0Ynuf8&list=FLEJk2sLpBvAgCmWNdjEp20A&index=64&feature=plpp_video
http://www.youtube.com/watch?v=ZndYVCzZAwA&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=gOOO73YFfVU
http://youtu.be/abCeDKCLDC4
http://www.youtube.com/watch?v=RxNalBAKzTw
http://www.youtube.com/watch?v=Qlvb7J0XF7A&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=9lYNqlfULe8&feature=related

Monday, March 19, 2012

Suspiros de borboleta

De minha experiência retiro ideias, questões a fazer, mais para comprovar

De tudo o que leio perco nomes, perco frases de narrações, apenas as ideias ficam como fundações de instantânea filosofia.

De sentimentos surgem pensamentos que vagueiam e passam, ficando as ideias comparadas do que passou ou poderá passar

E lentamente, quando este fino véu se desvanece...
Ideias lúcidas são sucessivamente desconstruídas em minha mente, tal processo digestivo de letras e pontos de acentuação.

Gradualmente parto numa viagem,de querer esse senso bem mais abrangente, subtilmente mais crítico, místico ou elevado.

É que torna-se incrível ver e absorver vários ângulos de pura vida.
Ler um livro, ver a metafísica subjacente. Relê-lo, centrando agora em detalhes finais.
Viver, num musicar do fraseado de uma eterna história que ficou por contar ou ser dita em silenciosos pequenos e rituais.

Vou agora rever tudo o que li, desfazer tudo o que pensei, meticular a mente.
Vou refinar o que já sonhei e até o que já tinha esquecido.
Só para ver, ver a mais, ver mais intensamente....

Ver o detalhe de tudo o que há de minúsculo, do que ligeiramente vai passando e ninguém vê.

Observarei suspiros através de microscópios.

Verei e deixar-me-ei inspirar por restos de arco-íris, rastos delicados que uma borboleta deixou enquanto passava.

Diariamente, cheirarei a mais doce folha de uma árvore que secretamente nos escuta entre tantas outras árvores triviais.

Vou ouvir cada compasso de sinfonia inteiramente apaixonada,

Ser como quem lê cada frase de romance revivendo amorosas sensações enquanto anseia desesperadamente por tais momentos fatais.

Wednesday, March 14, 2012

Camaleões do amor

Temos monstros no interior
Monstros de dor passada que insistentemente deseja ser revivida
Monstros de alegria que querem sugar insistentemente qualquer vestígio de alegre nostalgia

São monstros que não esperam
Que dizem em nosso ouvido como devemos ser, ou como devíamos ter sido
Monstros que insistem em nos querer controlar e nos tornam apenas camaleões do momento.

A minha mente diz que eu quero-te aqui, agora!
Mas não! Não te quero fisicamente em meu peito, quero sim, a sensação permanecida e segura em mim de que estarás sempre aqui a meu lado.

Quero algo que não me podes dizer senão apenas eu em meus devaneios interiores posso encontrar e transmutar em verdadeiro amor, mais puro amor para te dar

E te darei!

Come a maça do lindo jardim, meu bem amado, te oferecerei desse nosso amor, e te levarei dessa vez de volta ao paraíso.

Fecha os olhos, e ouve com atenção: vou te contar um segredo.

Somos almas ansiosas da verdade, como crianças intuímos que essa verdade é a essência pura do que nos vão contando ao ouvido.
E por isso, como um beija-flor, retiramos a pureza que é cada preciosa gota de essência que alguém nos contou.
Pacientemente, vamos colecionando peças que nos permitem construir algo dessa verdadeira versão do mundo.

Amor, transmutarei toda posse em amor por ti, e nessa espera te darei todo o tempo.
Eu sei que a pouco e pouco saberemos, como camaleões, camuflarmo-nos entre nações e assim, sem julgamentos, ver a beleza que existe em tudo, que se reflecte sobre toda a dor também.

És forte, és sincero, com firmeza, és herói, foi num dia de sol que eu vi um deus em ti.
E em nosso íntimo somos iguais, estamos cansados de não vermos concretizados os sonhos que há tanto tempo nos tem contado.
Mas juntos com tão grande força do amor, não desistiremos pois somos o propósito do mundo, crianças assustadas e tocadas por angelicais asas de sabedoria ancestral.

Arrepio-me ao ver como me completas, e como cada dia estamos mais próximos de nossa redenção.
Nesse dia entregaremos armas, nossas vestes, nosso pão, nossas convicções, nossa dor, nossa fé, até vermos algo de verdadeiramente real.
Partindo rumo a uma viagem longe desse mundo imaginário onde um dia suspeitamos nascer.

Aqui fomos desaguar apenas, e quando cansados sentimo-nos por vezes morrer aqui, mas não creias nisso querido, não é essa a verdade, nunca estaremos no lugar errado, foi aqui e agora que te conheci!

São cidades. Nos querem fazer crer que não existe solução, que não existe luz que faça frente a tanta escuridão.
Eu vim para te dizer que se aqui estamos é porque somos nós a esperança, parte dessa subtil chama que intensamente clareia esse mundo.

Eu vi amor, eu tenho a visão, pois a semente do amor brota em meu coração.
Brotou no dia que eu te vi, e permaneci assim desde então.

Thursday, March 01, 2012

Sensação

Na mais profunda consciência
Eu contrario tudo o que eu queria
Sem querer não faço o que devia para poder ter-te só a ti.
Porque obriga-me a vida a amar ao todo e todos igualmente?

Em que caminho me perdi?
E em que sonho te encontrei?
E porque que agora se mantém esta dissintonia?

Com períodos que vem e períodos que vão
A vida pede-me que entregue mais de mim
que desapegue mais e mais do ter, iluminando o ser

Porque sou eu quem não pode ousar amar apenas um alguém?

É a dor do conhecimento ao permitir que portas se abram sendo que nunca mais fechadas estarão
Mesmo quando tudo o que se deseja é simples satisfação
Como se já nada bastasse, na dúvida: preenchemos, na procura: contemplamos,
mas já nada chega, já nada que temos, nada menos do que pura e autêntica perfeição.

Quando se levanta o véu de onde antes se via escuridão,
doidas ficam as almas, agora permanentemente insaciadas ao ver o dia como apenas mais um dia seguido de outro só.

Eu percebi amor, não quero mais viver da espectativa de ti, mas apenas do divino que em ti se reflecte.

E ainda assim, sou apenas aprendiz ao viver nessa natureza semi-divina que ora quer apenas a ti, ora espera o momento de poder desintegrar-se em ondas de amor sem fim.

Nosso desejo aumenta mais com a crescente compreenção de que na essência de tal desejo apaixonado figura o mais puro desejo de comunhão com o TODO, com mais além do que o nosso íntimo alguém.

Tal é a percepção da maravilha que é a vida ao transpirar em ti, que fico assim nessa constante paixão, nesse sonho espiritual de inigualável nitidez.
E choro grata a vida por ter tal benção de através de ti poder ver.

Em ti, está a vontade de sacrificar minha vida num altar,
de grande que é esse querer, vem a vontade de não mais estar assim uma só parte perdida nessas brumas de ilusões, nessas ridículas realidades que tão pouco tem de reais.

Tu és essa vontade que eu tenho de merecer cheirar tal divino ser que em ti se despe.
Quero dissolver-me em teu corpo, e finalmente estar eternamente completa em puro amor.

Sunday, February 26, 2012


Assombraste-me, lindo escritor
Com esse teu dom da oratória
Intrigaste-me, agusaste minha curiosidade

Eu estava apenas tranquila em minha própria vida
Em minha busca interior, já de si cheia de ruas, becos e nuances de emoções que ora cessam ora retornam em turbilhão

Por momentos, minha curiosidade estava apenas em ti,
É que, sabes, jovem sábio, és delicado,
e ao mesmo tempo jovem homem educado
E como um mensageiro de tal amor platónico trouxeste-me poesia, apenas isso

Sedenta de mais poemas, não tive escolha senão ir ao teu encontro
Ao fim de um longa viagem lá te encontrei,não em aparência apenas
mas em pura essência e simplicidade instrinsecamente juvenil

Meio que desajeitados com a fluidez de tal encontro inesperado
Brincamos com nossas descobertas, com pequenos e profundos medos ultrapassados,
Testemunhando ao findar daquela tarde a mais pura energia do por do sol.

Foi naquele instante que senti que sozinha não estaria, nunca mais.
Pois foi com outra alma poeta que o por do sol naquele dia me presenteou

Querido, se algo te pudesse dizer agora, era que essa tua doçura me cativa e nessa tua pureza me contemplo.

Jovem poeta assumido, digo-te, nunca se chega atrasado na vida,
sei que ainda estamos a tempo de com pétalas cobrir as feridas desse mundo que insiste em ser cruel
Brincando juntos de palavras e sonhos não concretizados, juntos, mostraremos ao mundo, que trancado em jovens momentos está a essência de momentos antigos que por mais que o tempo passe se recusam a ficar calados.

Daremos nome ao gesto; nós, guardiões de transcendentes e puros sentimentos do passado.

Sunday, February 19, 2012

Comer cru está a revolucionar a minha vida!





100% low fat raw vegan diet
Provavelmente a melhor dieta(life style) de sempre, que nutre-nos fisicamente, emocionalmente e espiritualmente. Tenho estado a obter resultados fascinantes, sinto que ainda é cedo para falar neles mas brevemente relatarei a minha própria experiência. :)

Saiba mais por SI MESMO!

Friday, January 13, 2012

Renascido por arte

Palavrear é criar
O criar momentos, sons, memorias, sentimentos, sensações, emoções
É no criar que respiramos
E em cada momento de silencio nos replicamos

É nesses momentos de silencio que entrego meu ser a criação
Pondo-me nua diante da mais pura libertação
Uma tal necessidade de morte que a vida me presenteia
Alívio das dores, como doce e kármica redenção
Háverá tempo para tanto que me falta criar?
Para tanto que quero dar? Para redoar mais desse ser?

Amo-te, mas recuso-me, não quero mais sonhar-te outra vez
Quero contentar-me com o bom que já tenho e com a magia do que existe de natural.
Liberta-me deixa me ser eu só mais dessa vez
Vai te oh pensamento ingrato de tortura sentimental, isola-te e transmuta-te
E não esperes nenhum sinal de uma vida que morreu a nascença e que não volta mais

Como um sonho de romance adolescente que a magoa destruiu, farei dessa mágoa mais que dor
Escrever-te-ei ate refazer-te em minha vida, mesmo que mil esboços não bastem
Te darei mais vida em cada esboço com a minha arte
E o mar, saberá dar a voz que falta a minha humilde criação
E ouvirei, se precisar, os céus para saber dar-te os retoques finais
Se arte é vida então serás vida ao estares assim recriado ao meu lado
Desta vez sem qualquer rompimento e sem um amargo fim

Por mais que o tempo passe desta vez estarás aqui comigo
E um dia, hás-de ser arte eterna escrita, dita e a percorrer a vida em mim
Como presente e graça que o universo dá, a quem sofre de amor como eu sofri

Lágrimas

Suja não quero estar, nem suja de pensar
Nem suja de sentir,
Nem suja do medo de corromper
Nem suja de cheiros e aromas estranhos
Nem suja de rancor
Nem suja de desejos perdidos em fugas e devaneios
E nem suja de sentimentos dum passado que não volta mais

Rezo, peço, tento, lutamos para preservar alguma pureza de dentro
E não deixarmos vontades exteriores corromperem o nosso ser
Nem mesmo a dúvida pode permitir que o medo de voltar a falhar me invada,
nem o medo de perder o que nunca de facto esteve lá

Transpiramos arte, vida, amor
Por vezes inspiramos dor e docemente sentimos as lágrimas que nos vão escorrendo pelo rosto
Vemos lá fora miséria, tragédia, desespero e desilusões destiladas em doentio prazer
Jamais se esquece, nada me fará esquecer o que importa, a partilha, o conhecimento, a persistência no que se faz por amor.

Ainda assim sinto carinho na tua essência, e uma grande falta na tua ausência.
Vejo brilho em nossos olhos tão ansiosos por ver maravilhas, somos vívidas almas alimentadas por jovem esperança, como flores espelhadas ao céu.
Vivemos do futuro, do sonho com um futuro bom. Permanece-nos essa centelha que queima ao criar, que jaz em mistério existencial.

Hoje sei, vi no teu olhar, no teu lamentar que não nascemos para descobrir o amor, nascemos sim para partilhar o amor que possuímos com o mundo.
Como crianças ao questionar tudo, agora percebemos que a pureza nos levou a essa nossa profunda relação com tudo.

Anseio agora partir a caminho de realizar um melhor futuro, que seja em homenagem a criança que em nós pede passagem ou pelas que já estão a caminho de chegar.

Ansiosos, sabemos que o mundo lembrará um dia do último dia que sonhou, do dia que nasceu em amor
E saberá, finalmente, que sendo apenas um com tudo, pode limpar de uma vez por todas as lágrimas humanas e não humanas de dor.

Saturday, December 31, 2011

dúvidas

Serei um dia capaz de amar?
Verdadeiramente amar?
E não ter mais de esperar, de procurar…
É que na verdade não sei bem o que procuro
Nem quando ao certo comecei essa incessante busca
Estarei em busca do criar? Do sentir?

A dúvida que me persegue: seremos ainda capazes de criar verdadeiramente?
Nesse turbilhão de um tudo que podemos comprar, de um tudo onde permitimos fingir acreditar viver e de tanto tudo tão desnecessário ainda por cima

Serei alguma vez capaz de amar ou terei amado realmente?
Se tudo o que permanece da minha mais forte lembrança de amor, é o querer possuí-lo num fogo sem fim.
Se tudo quero, tudo o que a minha sede desperta, estando constantemente sedenta de curioso saber.
Uma ânsia de conhecer que consome o meu ser, uma culpa por não saber tudo o que ainda não conheço.

Gastamos tanto tempo a dormir, gastamos tanto de nós com o mais vil prazer
Quando podíamos estar a saciar essa sede, do saber não sei bem o que, vindo apenas do que do momento ou de lembrança e sabores a passado perdido.

O lugar que escrevo vai sempre dar ao mesmo, estou entre pessoas que passam sem saber onde ir primeiro, ou tão certas de onde vão que se tornam indiferentes a vida que delas se despede.
Pessoas que se repugnam entre si, que se repugnam a si mesmas, pessoas que só de pessoas um enigma são de si.

A brisa do costume é tão calma, mas pouco calma é essa minha familiar sensação de angústia, de culpar.
Culpo negar, culpo não estar noutro lugar,
Sinto que escorre cada minuto onde perco pelo meu corpo, cada minuto onde podia estar a viver outra vida noutro lado qualquer, melhor ou pior sem importar muito tudo aceitando apenas o aprendizado acrescentado.

Viver apenas, poder ser mil vidas ao mesmo tempo, mil vidas de uma vez, ser tanto ao mesmo tempo e quem sabe poder gerar de mim, muito ou pouco de algum puro valor, tão raro por aqui.
Espero e procuro alguma esperança de acreditar que a pura criação ainda existe, mesmo onde somos confrontados com tanta mentira que se quer fazer verdade, com tanta distorção, escolhendo estar tão longes de alguma verdade puramente nossa.

No que desejamos todos somos iguais, quer-se paz, quer-se saciar o desconhecido interior, porém é no que sonhamos que admitimos a nós mesmos o que daria mais puro sentido a nossas vidas. Mas surge o medo se por ventura resolvemos contar isso a alguém.

Por cada saciedade encontro-me em censura e sem querer encerro-me em mais uma procura, encontrando mais um passo que dá encontro com ainda mais breu no caminho.

A vida obriga-nos ao despegar da dor e ao despegar do amor, um amor a que já nascemos apegados e mesmo quando percebemos tão ilusória que é toda a forma, acordamos como reles mortais obrigados a aceitar que existe o inevitável fim.
Mas até isso interrogo, existirá mesmo fim?

Monday, November 28, 2011

Se pudesse

Se pudesse, deixava todas as mágoas para trás como se deixa um objecto esquecido.
Se pudesse não rever o passado, vivia apenas a felicidade de um futuro promissor e apenas o presente da verdadeira essência de cada pessoa espalhada no infinito.
Se pudesse esconderia apenas num pequeno baú a imensidão de toda a essência e todo o carinho e amor que vivi durante cada passo de criança traquina que dei.
Mas surge e ressurge uma certa e dolorosa nostalgia.
Uma ânsia de recriar o que jamais foi de facto materializado.
Há sempre algo que fica por dizer, por sentir, por dar, algo que se vive sem poder ser contado.
E fica a inexistência de como transmitir esse sentimento engasgado no peito.
Surge o passado como um inimigo que luta contra o viver do nosso promissor futuro.
E assim,
O caminho vai se fazendo mais duro com o arrastar dessas lembranças de sentimentos, duras correntes do que se fica por sentir e de palavras que ficam por dizer.
Até quando carregaremos o mundo nas costas? E quando poderemos finalmente nos libertar?
É nessa esperança de transmutação que nasce uma flor de entre cinzas, cinzas que contam e recontam histórias de pura e vaidosa melancolia.
E é nessa flor que vive o nosso sorriso de criança, uma pureza que nunca cessa por mais carrasca que seja a vida ao dizer adeus a belos sonhos desacreditados.

Tuesday, September 20, 2011

Minha literatura



Literatura,


Âncora,
que me segura face às flutuações dessa minha adolescência já tardia
Curiosidade,
que afoga e transcende minha noção de capacidade intelectual

Aventura,
que me surpreende face a um trilho que nunca antes sequer vislumbrei ou pensei visitar
Antídoto,
para uma receosa preocupação que conduz a uma passiva e dolorosa depressão


Muito vejo e sinto de um mundo que me custa a aceitar, talvez sendo isso o que me leve numa viagem rumo a uma persistente tristeza
Decepção com um mundo de pessoas que acabo por sem querer ter de observar



Acima de tudo, sinto-me solitária.
Solitária, mas não reprimida
Reprimida sim, sinto muita da minha geração entre outras tantas, maioriatiamente, assim


Tão cegas a toda essa boa literatura e cultura que nos presenteia sempre com tanto para dar
Como queria que amigos sentissem o que eu sinto por vezes ao ler um saboroso livro ou a ouvir uma multicolor canção jazz
Como queria simplemente não me importar de estar sempre sozinha na mais pura e mágica imaginação, perdida em todas essas imensas tonalidades de diferentes criações


No entanto, solitária sinto-me ao exprimir todos esses meus momentâneos e instantâneos contentamentos
Quase que sinto dificuldade em comunicar com outros jovens, não por falta do que dizer e sim por saber que pouco interesse teriam em me ouvir


Felizmente, raras excepções vou encontrando, e essas descobertas de pura magia sensorial acabam por propagar-se pouco a pouco ou sem querer
E assim, a mim própria, vejo.
Por outros, completo-me como se de mim fizesse um puzzle e o completasse peça a peça
Se pouco de mim posso dar, dou-me à escrita assim, periodicamente.


E da literatura,sempre que posso, faço refúgio,
um passo a passo que me leva rumo a mais pura libertação
um esquecimento de todo esse desamparo mal resolvido.

Tuesday, August 23, 2011

Melodia




Músicar, é flutuar em labirintos de doces sensações

É chegar ao inatingível com a força e bravura da luta que ainda não chegou ao fim

É amar como se nunca se tivesse imaginado o que seria o amor

É sonhar como se fosse possível sonhar com algo impossível de se ter imaginado ser possível existir
Música, é a beleza de todo o vazio que existe em todas as coisas celestiais ou apenas existente no mais profundo do ser

É cor que existe melodicamente encerrada a sete chaves que apenas os cegos de nascença e os loucos de própria vontate podem claramente observar

É história sem passado nem futuro, com apenas um eterno presente inspirado no além

É nascimento sem morte, e morte sem nascimento, uma cura profunda e as vezes um impulso para loucas desilusões
Fonte inesgotável de alma
Se alma existe que se possa ouvir

Fôlego de curta duração mas que enche numa eterna fascinação
Pinto e desenho formas geométricas em aquarelas de notas musicais

Sinto colcheias e pausas em ritmos e sabores naturais

Viajo na liberdade rítmica e alternada do som como num mais puro transe do qual não quero voltar

Anseio cada tom e cada distonia não premeditada como uma agradável surpresa inesperada
A música, ao todo, somos tu e eu







Desabafo solitário



Estar sozinha é nunca estar verdadeiramente só
É provar que o invisível existe
É dar asas a imaginação
À criação, à esperança do que ocorrerá de bom ou à esperança da repetição do maravilhoso que outrora foi criado.


Quando estou sozinha sei que apenas a minha condição influenciará toda a corrente de sensações e acontecimentos que vão acontecendo um por um
Posso claramente vivenciar o místico e fantasmagórico ser que é a minha centelha de natureza.
E cada pequeno choque da minha existência com o exterior acaba por consistir, as vezes, num sinal que pode causar uma pequena mas vital mudança de rumo no futuro.


Ver o quão milagrosos esses acontecimentos são faz tudo parecer incrivelmente mágico.
Até uma contigente frase de um livro ou a mais comum passagem de um eléctrico que desloca toda a memória de uma boa lembrança no passado podem influenciar um próximo passo a seguir.


Estar sozinha define as fronteiras de quem sou ao permitir comparar imparcialmente o comportamento de outros tão distintos do meu próprio ser, que apenas tem em comum comigo o facto de terem as mesmas necessidades vitais mas que pouco ou nada parecem influir com a minha vida actual.


Somos apenas centelhas de sensações mas saberemos apreciar em cada momento tal magnitude?
De facto, então, o que nos move?
Serão escolhas que fazemos ou apenas coincidentes encontros que nos levarão rumo a um futuro diferente de outro qualquer?
Até que ponto seremos influenciados por um pequeno detalhe que nos indignou?


Numa combinação de contingentes incidentes juntamente com uma aguda percepção que inconscientemente escolhe quais os incidentes serão mais importantes em detrimento de outros, existimos.




Nesta incrível confusão, aqui estamos, tão cegamente influenciados e tão imperceptivelmente poderosos por escolher pequenos detalhes aparentemente insignificantes.

Wednesday, August 17, 2011

Ao encontro do fascínio



Ao encontro do fascínio


Duro é estar em Lisboa
E ver-te em todo o lado


Em cada esquina te reencontro como te encontrei da primeira vez
Em cada passo te reconheço numa aparência familiar

Em cada rua te vejo passear com o mesmo olhar aéreo, intenso e profundo
Da mesma forma que me olhavas antes


Sinto-te na história da minha vida
Como um fascínio por um passado ancestral já escrito em antigos monumentos lisboetas


Agora, és história viva em mim
Poesia visual prazerosa e sensual

Música que eu escuto, num chorar de melancólicas notas de solidão


Estás na minha revolta pessoal por não te ter entregue mais um pedacinho de mim
Fizeste-me questionar até o brilho das estrelas do céu, pois viste o fisicamente incorrecto no que já parecia alquimicamente tão certo
Tal está a tua presença tatuada e cravada em mim que nem o milagre dos séculos apagarão o amor que um dia se desabrochou


És poesia, história, um romance sem fim
Parte mais secreta, inabitada que existe em mim
Profunda fraqueza que com força escondo
Disfaçada num ilusório véu, de fragilidade infantil

És o meu desejo secreto de morrer para ser tudo o que nunca fui mergulhando numa eterna entrega rumo ao desconhecido

A nossa criação não teve manifesto porque recusou-se a ser
Pois dolorasamente renegaste todo um destino que já traçado estava
Sem dares a conhecer nem um motivo de tal final precipitado
Marcaste com pura ausência, cada lágrima numa eterna espera

Tuesday, August 17, 2010

Justiceira do Sol



Segui minha direcção.
Escolhi ser justa, fiel a condição de justiceira da sociedade
Persegui os trilhos naturais, escolhi amantes matinais e durante a noite era celestial.

Os meus ídolos foram revolucionários, filósofos, religiosos e místicos
mas por fim descobri todos mortos por não estarem completos em mim.

Senti o chão cair dos meus pés.
Senti o céu agarrar-se aos meus ombros.
E por fim pensei por minha insegurança.

Era incompreendida e incompreendida ainda sou.

Agora pela minha nova orientação.
Por agora seguir o Sol para encontrar segurança
Sinto me contrariada e julgada por estar a aprender a utilizar armas.

Jurei pela pátria mas sinto ter injuriado o meu juramento mundial.

Não importa o juramento primeiramente sou do universo, do céu, da lua, do mundo.

E mais tarde acordarei a minha justiça adormecida
e serei, desse dia em diante mais forte, e ainda, justiceira pela paz do mundo.

Tuesday, December 22, 2009

Desencontro

Onde foi que te perdi?
Foi entre os homens que encontrei?
Foi entre os passos inseguros que dei?
Foi entre os lugares que passei?
Onde estás? De face virada para mim?
De costas voltadas para não te tocar?
Ou será que chegaste sem avisar?

Estava feliz quando pensei teres voltado
Quando pensei ter encontrado aquele pedaço que perdi
Mas se duvidas do que eu sinto fica sabendo que se te perdi foi porque nunca de encontrei de verdade
Onde estás tu, oh minha alma!
Sinto-me só sem ti
O mar levou-te e deixou-me aqui com outra alma engasgada a espera de mim
E quem se enganou afinal?
Fui eu por permitir a tua ausência
Ou foste tu que te perdeste de mim?
Desencontramo-nos no dia que desconfiamos.
E agora ainda dizes que há vida sem ti!

Mas eu sou apenas uma criança
Não tenho nada a confessar e nada para dizer.
Só temo que tenha chegado infelizmente o nosso fim
Pois se não encontrar-me não sei como fazer
Como vou viver contigo sem mim?

Friday, October 02, 2009

Estrelas do céu

Quem dera que aqueles momentos perdurassem
Momentos de paz, de alegria, de partilha, de comunhão natural

Quem dera que aqueles olhares perdurassem
Olhares de espíritos, de transcendência, de amizade

Quem dera eu fosse sempre alegre e feliz como sou
Ao aceitar que faço parte da Mãe

Sou viajante, viajante só
Troco o amor de um sítio só
Por uma nova descoberta de um lugar em que nunca se pensou estar

E as vezes correm lágrimas sem eu as poder parar
Por momentos de felicidade que vivi
Não sei bem onde nem com quem
São da lembrança que senti

Não sou de ninguém nem de lugar algum
Não sou esta insegurança que me afunda
Nem essa tristeza que me trai

Sou de mim
E só ao ver nascer o Sol
Renasço na esperança de poder escolher
um pedaço de momento em que possa ser
um pouco mais do que eu.

Mãe, não permitas que por me apegar a ti
Afaste-me de outros
Por que também alguns afastam-se de mim
Por não verem que estás aqui
Num olhar de criança
Nos pássaros
Nas árvores da rua
Ou numa brisa que arrepia

As estrelas do céu sei que são a minha família
Porque quando me sinto só olho-as e penso que numa dessas estrelas
está alguém como eu

E sem perder-me em etiquetas
Sem seguir espectros que consomem o vazio
Prefiro ver a beleza em tudo como vejo
Ao não confundir quem sou com o que tenho

Por ti, nunca deixarei de ser quem sou
Nem nesses momentos em que olho para as estrelas e deixo as lágrimas caírem
Por ti, nunca esquecerei quem o meu coração seguiu
Nem quando em cada passo me sentir desamparada

Enquanto as vozes do mar contam-me as histórias do seu nome
Eu pergunto as montanhas se o meu nome combina com o seu


Estás aqui, meu amor

Monday, September 14, 2009

Todos mais uma

A minha nova banda...
Os todos menos um passam agora a todos mais uma xD.
Adorei o ensaio...
Faltam as letras. :)

Som-C-voz



Som-G-oz

Thursday, September 10, 2009

Um dia

Um dia pensei em... comprar
Um dia pensei em... ter
Um dia pensei em... sobreviver
Um dia pensei em... crescer

E foi então que... adormeci

Isso é tudo muito chato!

Decidi que
Vou criar
Vou sonhar
Vou fazer
Vou SER

E o resto logo se vê!

Tuesday, September 08, 2009

Ecologia Humanista


Por Janos Biro
http://antizero.rg3.net/


Um dia os criminosos se reuniram numa conferência global e colocaram o seguinte em pauta: Estamos destruindo nosso mundo. A preocupação principal era que os criminosos estavam agindo de forma muito bruta, muito violenta, muito predatória. Sua fonte de renda estava simplesmente sendo destruída, literalmente entrando em extinção. Algo certamente precisava ser feito, urgentemente, ou então os criminosos não teriam mais a quem roubar, matar, estuprar, chantagear, extorquir e explorar de uma forma ou de outra. Isto quer dizer que não poderiam mais manter seu estilo de vida.

Então vieram com esta óptima idéia: “Vamos preservar! Não matemos alguém que não precisa ser morto, assim, por pura maldade. Não tiremos absolutamente tudo que a pessoa tem. Sejamos racionais e eficientes, poupemos nossos recursos”. Chamaram essa idéia de crime sustentável, por todo o mundo se falava em “assalto consciente”, por exemplo. Analistas chegaram à conclusão que se roubassem não mais do que uma pequena percentagem de alguém, essa pessoa poderia se recuperar mais rápido, e então ser assaltada mais vezes ao ano. Este tipo de discussão animou os criminosos mais intelectuais, que se empolgaram e escreveram muitos artigos sobre as excitantes novas perspectivas, novos paradigmas e novos rumos para o crime. Diziam coisas como: “Um crime mais humano é possível” e “Devemos ter respeito pelo que exploramos”.

Esta parábola, que pode parecer exagerada, é apenas uma amostra do erro que estamos cometendo em relação à ecologia. Enquanto animais morrem no zoológico de Goiânia, continuamos gastando milhões com os animais do zoológico de Brasília. Parece que suas exibições já se tornaram espetáculo. Há tanta mentira na política brasileira quanto no ambientalismo que promove o “desenvolvimento sustentável”, com um agravante: em questão de política, pelo menos temos a intuição de que há uma rede intricada de falsidades. Quanto ao ambientalismo, parece que ainda não percebemos quão enormemente ilusória é a história que estão nos contando.

As pessoas comuns tendem a achar que existe uma “crise de consciência”atingindo os “poluidores e destruidores do mundo”, e que agora, realmente, percebemos o mal que estamos fazendo e estamos nos encaminhando para uma mudança de modo de vida, que irá nos ajudar a deixar um mundo melhor para as gerações futuras.

O primeiro erro é achar que há alguma coisa de novo nessa preocupação. A idéia de que a preocupação ecológica é recente parece ter a intenção de encobrir o facto e a memória de que as medidas do passado, que visavam restabelecer o “equilíbrio entre o homem e a natureza”, falharam miseravelmente, e que estamos repetindo os mesmos erros há séculos. Não é preciso ser um especialista para ver que a longa história da relação entre o homem civilizado e a natureza está cheia de fracassos colossais em termos de alcançar uma “convivência harmoniosa”. Já na antiguidade havia pensadores preocupados com o desmatamento e com as barragens. Nada disto é novo, e é patente que as coisas pioraram, apesar de toda a preocupação. Tendemos a achar que somos mais “conscientes” hoje porque temos mais acesso à informação.

Nós hoje culpamos o petróleo e falamos de aquecimento global, mas houve um momento no passado em que o petróleo era a promessa de energia mais limpa e eficaz. O petróleo já foi o que hoje é o biodiesel: uma alternativa ecológica, só não tinha esse nome. A falha obviamente está em achar que basta que consigamos fontes de energia alternativa para mover nossa tecnologia actual. Dizer que vamos conseguir mover nossos carros sem poluir seria como, há 200 anos, dizer que conseguiríamos mover nossas carroças sem cavalos. Sim, é verdade, e daí? A ingenuidade está em ignorar que se nós continuarmos com a mesma mentalidade que substituiu as carroças por carros, então iremos inventar algo muito pior que os carros. É claro que, este julgamento valorativo será impossível até que o problema seja “irreversível”. Até quando vamos seguir este “padrão”? Quantos efeitos retroactivos nós poderemos acumular num mesmo sistema?

O segundo erro é localizar os “culpados” erroneamente. O ambientalismo actualmente está focado no consumo. Mas ele não critica a relação entre produção e consumo na modernidade, ele não tem legitimidade para criticar isso. O ambientalismo tenta falar de “responsabilidade dos indivíduos” porque é exactamente este o discurso que a sociedade do consumo quer ouvir. Como bons modernos, qualquer coisa que não esteja centralizada no indivíduo não nos parece muito agradável. Eles dizem que o foco é o ser humano, mas querem dizer que o foco são os consumidores.

Tentamos fazer uma ponte entre o ambiental, o social e o político. Isso avança muito lentamente, mas a questão não é simplesmente acelerar o processo, é compreender que simplesmente intercomunicar essas “áreas de actuação humana” pode nem sequer se aproximar de algo significativo. O problema pode estar em algo mais básico do que aquilo que apenas permeia estas áreas. Pode estar na nossa visão de mundo, nos pressupostos de nossa cultura. Pode estar além do alcance de qualquer questão “transdisciplinar”.

Tem havido algum debate sobre o fim do ambientalismo, e sobre a mudança dos “verdes” para os “azuis”. Segundo o propositor do movimento azul, Adam Werbach, nós devemos deixar de ser ambientalistas para nos tornarmos “progressistas”. Ele poderia ter sido mais directo, poderia ter dito logo “humanistas”. Sim, para a sociedade do consumo, a derrocada do ambientalismo parece ter se dado porque ela não foi humanista o suficiente. Adam diz que “O verde coloca o planeta no centro do diálogo. O azul coloca as pessoas no centro”.

A questão agora é como a preservação do meio pode ser boa para a economia, pois não há diálogo em outros termos. Agora há um nome oficial para a estratégia de “focar acções individuais” como se isto fosse realmente ecológico, é Projecto Pessoal de Sustentabilidade(PPS). Uma pequena amostra do grau de loucura a que chegamos. Com o ambientalismo se afastando velozmente da crítica à civilização, ficamos cada vez mais sozinhos.

Link para uma notícia sobre o movimento azul:
http://www.pagina22.com.br/index.cfm?fuseaction=artigoEnsaio&id=408

Saturday, September 05, 2009

Carta




Musicando as estrelas
Como quem utiliza pautas
Eu vejo esferas no céu

E eu, pensando em ti,
Começo a acreditar em contos de fadas
E sinto-me fada da tua esperança
Sinto-me fada da tua persistência em vencer

Amor, a nossa distância transmutar-se-á em magia
No dia em que os meus olhos reconhecerem os teus outra vez

Na sintonia com tudo
Perco a direcção de uma vida só
Porque a ligação que existe em nós
Faz-me ver que não somos os únicos

As asas da imaginação mergulham-me num turbilhão de emoções
que nada pode reprimir

Amor, a tua ausência me constrói e desconstrói ao saber
que mesmo assim sou parte de ti

Sinto-me razão de um sonho não concretizado
Emoção de uma lágrima escondida
Asas de um voo sem fim
em direcção a um fim que não se quer atingir

Hoje, chorei ao dar-me conta que
o mundo pára perante um sorriso de criança
Hoje, chorei ao dar-me conta que
sinto-me frágil por estar longe de ti

Vivendo na simplicidade juvenil
Vejo a crueldade do mundo que nos rodeia
E descubro que mais porquês ficarão por responder

Mas como só o amor responde tudo
Ignorante da sociedade
Preservo alguma identidade
Ignorante do espaço
Sinto a minha liberdade

Faço-me ignorante do tempo
E sinto-te aqui bem perto
Em lembranças intemporais de amor
Tão lindo, doce, natural, selvagem

Amor, quando voltares
Espero que seja ainda bem cedo
Porque o nosso amor é luz
Luz que guia de noite e de dia
Atracção que une por meio de dádivas na eternidade

Amo-te Â*****
És o meu anjo de luz

Thursday, September 03, 2009

Amor

Rui:

Por amor
Dou-me todo
Sofro,
Choro
Peço Perdão,
Perdoo,
E esqueço todo o mal.

(Em resposta ao Rui...)
Eu:

Amar é dar vida na vida que dá e ser vida sem tirar mas na troca de sonhar e transmutar a realidade em sonho.

Amar é deixar crescer a harmonia que se faz da partilha do ser que não perdeu em ceder.

Amar é acreditar que sonho é realidade e que o tempo pode parar ou passar despercebido.

Amar é realizar a vida como um Deus que realizou a criação porque precisou imaginar que a beleza exitia.

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Se és chama acende-te
Se és luz ilumina-te
Se és vida dá-te
Se és querer faz acontecer
Se és viver faz nascer
Se és amigo cria laços
Se és poeta emociona-te
Se és pintor colore-te
Se és amor partilha-te
Se és tu faz-te único

Sente a unidade que jaz na relação entre tudo

Respira a beleza que jaz escondida entre um nevoeiro de multidão

Deixa-te crescer e renascer entre toda essa fumaça que tenta poluir toda fonte de paz

Wednesday, September 02, 2009

Ser no ser que sonha sonhar que sonha voar no voo profundo nas profundezas do mundo que manda o mal na maldade de fazer e ferir quem ama o amor de ver a beleza criar-se a fazer-se assim instantanea natural como um poema meu.

Amo a vida
Amo amar
Obrigada