Quase tudo o que criamos é unilateral
Já tudo o que a Natureza cria é plural na sua essência.
Talvez a origem da imperfeição humana, seja esse ser unilateral.
Na arte, porém, quando arte realmente é, essa pluralidade se mantém,
atingindo portanto o inatingível de explicar.
Podendo ter utilidade ou não, tem essência, como tudo o que surge naturalmente.
Nossa multidão humana cria a confusão própria do homem que subjuga outros, seus iguais.
Mas na multidão do que se é natural, cria-se a pluralidade da diversidade.
Tendo cada parte da comunidade a sua função, sem necessidade de qualquer explicação.
Parecemos mais humanos quando partimos do que é Uno, do que nos sai de dentro, do que é único e pouco distorcido por massas,
e só dessa liberdade auto-induzida podemos ver realmente o nosso lugar em relação a tudo o que nos rodeia.
Precisamos ver, temos necessidade disso. Não apenas como instinto, mas como escolha consciente em manifestar a nossa percepção.
Isto nos reconduzirá à humanidade.
Nós nascemos humanos alimentados de um seio, seres tão vulneráveis e dependentes de outros e ao mesmo tempo tão livres como uma folha que lentamente se descai de uma bela árvore no Outono.
Mais tarde, a mente intervém, e com ela intervém toda uma sociedade que sendo altamente competitiva, se consome do que mais humano existe em nós, como um cão que morte a própria cauda até morrer.
Porque ela mantém-se de hierarquias e alimenta-se de criatividade.
A hierarquia que destrói e a criatividade que cria.
Portanto propaga-se do que nos mata e alimenta-se do que nos tornaria vivos,
o oposto do que faz a natureza, que é mãe.
Cria-se assim, esse ser unilateral, consumista, nem nado vivo nem nado morto.
O ser estagnado que meramente repete o que o "mestre" lhe diz, dispõe de pouca oportunidade para uso prático do seu intelecto.
Esse ser que a si e aos seus apenas considera civilizado.
Esse ser que assistindo à sua vida num ecrã lembra-se que está vivo apenas em alguns minutos legalmente autorizados.
Tão longe do que é humano parecem nos quererem fazer viver sobre o pretexto e um progresso de insatisfação sem fim. E o pior, que formato vil este que nos fazem querer assumir, sob o pretexto de uma inexistente normalidade...
Até que ponto teremos escolha?
Até que ponto saberemos viver para mantermos nossas escolhas?
Até que ponto saberemos permanecer a escolher quando pouco lembramos do que realmente é viver?
Como sair desse sono profundo?
Wednesday, August 28, 2013
Friday, August 23, 2013
conexão (escrita automática)
Quando a conexao não tem razão de ser
O ser só tem a razão ao ser conectado
Surge essa emancipação do querer criar além do que esta a mão
E da mão do que foi por nós criado surge o amor e a paixão
da compaixão de quem a si mesmo não ama, nada surge senão o fazer-se chão
porque o chão é o terreno que se deixa brotar para dali retirar-se a si mesmo
Num todo que mais não passa do que nada
Só do único se retira alguma verdade
Na busca do coração de alguma humanidade na vida
Surge repartida a necessidade de ver e crer
Pois o que se pode ver quando tudo esta escondido?
O melhor é iluminar apenas o necessário,
e deixar o resto descansar,
da vida retirar o fazer-se ser mistério
O ser só tem a razão ao ser conectado
Surge essa emancipação do querer criar além do que esta a mão
E da mão do que foi por nós criado surge o amor e a paixão
da compaixão de quem a si mesmo não ama, nada surge senão o fazer-se chão
porque o chão é o terreno que se deixa brotar para dali retirar-se a si mesmo
Num todo que mais não passa do que nada
Só do único se retira alguma verdade
Na busca do coração de alguma humanidade na vida
Surge repartida a necessidade de ver e crer
Pois o que se pode ver quando tudo esta escondido?
O melhor é iluminar apenas o necessário,
e deixar o resto descansar,
da vida retirar o fazer-se ser mistério
Wednesday, August 21, 2013
Tua visão
Tu estavas ali
Estavas ali e eu não via...
Estás nas fotos em que eu não estou
Eu estou nas fotos em que não estás
Mas estavas ali, quando eu pensava tu eras o meu pensamento
Quando eu falava, era como se ouvisse um presente de ti mesmo
Quando eu cantava era a ti que cantava sem querer
Foi como quando eu nasci,
eu nasci da necessidade de fazer-me tua
Na perfeição de cobrir o que em ti estava desfeito
Na luz de tapar a tua escuridão, eu fazia música dos teus dias de chuva
Tu estavas ali,
quando eu chorava era para fazer-me a ti leve
E para que o choro saísse e eu com a água que me cobrisse me abrisse em flor
Sonhaste-me por isso sempre fui ser criado
Sempre soube de mim toda imaginada,
minha identidade é a nuvem que minha mente torna habitada
só para a ti parecer toda enfeitada
Foi no mar que soube, no mar quando me agarraste
Quando eras Mar e eu era Lua
Juro que tive a visão
Sempre estiveste perto enquanto eu crescia
Mesmo enquanto meus pulmões se enchiam do ar que foi me dado
eu sempre fui da vida que se cumprirá em ti.
Estavas ali e eu não via...
Estás nas fotos em que eu não estou
Eu estou nas fotos em que não estás
Mas estavas ali, quando eu pensava tu eras o meu pensamento
Quando eu falava, era como se ouvisse um presente de ti mesmo
Quando eu cantava era a ti que cantava sem querer
Foi como quando eu nasci,
eu nasci da necessidade de fazer-me tua
Na perfeição de cobrir o que em ti estava desfeito
Na luz de tapar a tua escuridão, eu fazia música dos teus dias de chuva
Tu estavas ali,
quando eu chorava era para fazer-me a ti leve
E para que o choro saísse e eu com a água que me cobrisse me abrisse em flor
Sonhaste-me por isso sempre fui ser criado
Sempre soube de mim toda imaginada,
minha identidade é a nuvem que minha mente torna habitada
só para a ti parecer toda enfeitada
Foi no mar que soube, no mar quando me agarraste
Quando eras Mar e eu era Lua
Juro que tive a visão
Sempre estiveste perto enquanto eu crescia
Mesmo enquanto meus pulmões se enchiam do ar que foi me dado
eu sempre fui da vida que se cumprirá em ti.
À minha volta
Rezar e não sair mais dali
Escrever cópias como se da vida só houvessem cópias do partir
Cantar em voz alta os cânticos dos sonhos incumpridos em si
Escutar os gritos de mais vidas exploradas e sentir que tudo está contra si
Carregar os prantos de uma vida inteira...
Escolher viver todos os perigos da vida numa busca por si mesmo
Sofrer por nossa boca quando vemos que a boca realmente não sente o que diz
Escolher se esquecer da vida porque se pensar que a vida de nós se perdeu
Preferir abdicar da própria satisfação em prol de uma vida que valha a pena viver
Tocar música apenas para atingir sozinho a música do coração
Desistir dos sonhos porque não fazerem parte da vida que se escolheu
Ter que transparecer forte porque o seu posto de trabalho assim o assumiu
Ver o mundo que anda e desanda em mais um dia
No seu tempo que só seu parece ser
Porque o tempo da natureza sem querer decidimos fazer por esquecer
Ver o mundo que continua na esperança de todos os sonhos cumpridos
Ainda mais ansioso por ver todos os sonhos ainda por cumprir
Ver os sonhos à porta da obra do artista que espera
que o mundo seus sonhos escolha para fazê-los cumprir.
Precisamos viver para podermos escrever
Precisamos saber viver para nós mesmos,
É atar-se ao coração esperando que a brisa certa lhe trespasse
Fazer um desejo num silêncio de um altar
e não permitir de propósito que o desejo se concretize
Foi como quando eu soube que chegarias, já não queria que chegasses
Porque sabia que o meu lindo sonho de ti de mim se esconderia
Foi como quando tu partiste,
e mais presente passaste a estar em cada segundo da minha vida,
na cor da tua ausência minha vida agora se definia
Foi assim, que só quando só e triste fiquei
a pena que sozinha já não podia voar a mim se uniu
E na minha escrita voltou a deixar-se voar
Indo eu com ela até que todo o pranto do mundo possa acabar
e até eu ser capaz de dar novamente cada migalha de mim por mais um sorriso.
Escrever cópias como se da vida só houvessem cópias do partir
Cantar em voz alta os cânticos dos sonhos incumpridos em si
Escutar os gritos de mais vidas exploradas e sentir que tudo está contra si
Carregar os prantos de uma vida inteira...
Escolher viver todos os perigos da vida numa busca por si mesmo
Sofrer por nossa boca quando vemos que a boca realmente não sente o que diz
Escolher se esquecer da vida porque se pensar que a vida de nós se perdeu
Preferir abdicar da própria satisfação em prol de uma vida que valha a pena viver
Tocar música apenas para atingir sozinho a música do coração
Desistir dos sonhos porque não fazerem parte da vida que se escolheu
Ter que transparecer forte porque o seu posto de trabalho assim o assumiu
Ver o mundo que anda e desanda em mais um dia
No seu tempo que só seu parece ser
Porque o tempo da natureza sem querer decidimos fazer por esquecer
Ver o mundo que continua na esperança de todos os sonhos cumpridos
Ainda mais ansioso por ver todos os sonhos ainda por cumprir
Ver os sonhos à porta da obra do artista que espera
que o mundo seus sonhos escolha para fazê-los cumprir.
Precisamos viver para podermos escrever
Precisamos saber viver para nós mesmos,
É atar-se ao coração esperando que a brisa certa lhe trespasse
Fazer um desejo num silêncio de um altar
e não permitir de propósito que o desejo se concretize
Foi como quando eu soube que chegarias, já não queria que chegasses
Porque sabia que o meu lindo sonho de ti de mim se esconderia
Foi como quando tu partiste,
e mais presente passaste a estar em cada segundo da minha vida,
na cor da tua ausência minha vida agora se definia
Foi assim, que só quando só e triste fiquei
a pena que sozinha já não podia voar a mim se uniu
E na minha escrita voltou a deixar-se voar
Indo eu com ela até que todo o pranto do mundo possa acabar
e até eu ser capaz de dar novamente cada migalha de mim por mais um sorriso.
Wednesday, August 14, 2013
A defesa do poeta
A defesa do poeta
Natália Correia
Senhores jurados sou um poeta
um multipétalo uivo um defeito
e ando com uma camisa de vento
ao contrário do esqueleto
um multipétalo uivo um defeito
e ando com uma camisa de vento
ao contrário do esqueleto
Sou um vestíbulo do impossível um lápis
de armazenado espanto e por fim
com a paciência dos versos
espero viver dentro de mim
de armazenado espanto e por fim
com a paciência dos versos
espero viver dentro de mim
Sou em código o azul de todos
(curtido couro de cicatrizes)
uma avaria cantante
na maquineta dos felizes
(curtido couro de cicatrizes)
uma avaria cantante
na maquineta dos felizes
Senhores banqueiros sois a cidade
o vosso enfarte serei
não há cidade sem o parque
do sono que vos roubei
o vosso enfarte serei
não há cidade sem o parque
do sono que vos roubei
Senhores professores que pusestes
a prémio minha rara edição
de raptar-me em criança que salvo
do incêndio da vossa lição
a prémio minha rara edição
de raptar-me em criança que salvo
do incêndio da vossa lição
Senhores tiranos que do baralho
de em pó volverdes sois os reis
sou um poeta jogo-me aos dados
ganho as paisagens que não vereis
de em pó volverdes sois os reis
sou um poeta jogo-me aos dados
ganho as paisagens que não vereis
Senhores heróis até aos dentes
puro exercício de ninguém
minha cobardia é esperar-vos
umas estrofes mais além
puro exercício de ninguém
minha cobardia é esperar-vos
umas estrofes mais além
Senhores três quatro cinco e Sete
que medo vos pôs por ordem?
que pavor fechou o leque
da vossa diferença enquanto homem?
que medo vos pôs por ordem?
que pavor fechou o leque
da vossa diferença enquanto homem?
Senhores juízes que não molhais
a pena na tinta da natureza
não apedrejeis meu pássaro
sem que ele cante minha defesa
a pena na tinta da natureza
não apedrejeis meu pássaro
sem que ele cante minha defesa
Sou uma impudência a mesa posta
de um verso onde o possa escrever
ó subalimentados do sonho!
a poesia é para comer.
de um verso onde o possa escrever
ó subalimentados do sonho!
a poesia é para comer.
Tuesday, August 13, 2013
ranhuras
Eu trabalho no submundo, aqui onde a parede discretamente se racha,
lentamente procurando o chão
de antigos tempos de repressão aos fracos
elas falam por sua libertação
Aqui, onde as palavras humilham medos fundos do povo
e onde os que podem se gabam de nada
Eu trabalho onde à entrada,
carros só passam aos montes e fugidios como se adivinhassem
o que ali mora ao lado
E a entrada, a mim se mostra escura
Eu trabalho, aqui onde pessoas trabalham sem sonhos,
onde outras trabalham com sonhos camuflados
onde outras tantas trabalham para esquecer da vida e do que é viver
Eu trabalho, e o meu trabalho representa todo o trabalho que se presta sem sentir
Onde não se trabalha muito, mas representa-se com fartura,
como na vida que se desfaz em retratos
do que se poderia ser se se tivesse mais coragem de dar a vida quem se é
Eu trabalho, e no meu trabalho eu estou e não estou
E quero e não quero,
Eu faço e fora desfaço
Eu digo e fora disdigo
Eu choro para mais tarde sorrir
Eu riu por dentro e por fora mostro que temo
Na verdade, eu trabalho para ninguem
Senao para sonhos muito bem guardados
que se escondem nas brechas que as ranhuras da parede do escritório escondem
procurando o chão para que se façam grandes
dum sítio que existe só por razões que cheiram a mofo do passado,
os meus sonhos tem a cor das pétalas de uma flor que acabou de abrir.
lentamente procurando o chão
de antigos tempos de repressão aos fracos
elas falam por sua libertação
Aqui, onde as palavras humilham medos fundos do povo
e onde os que podem se gabam de nada
Eu trabalho onde à entrada,
carros só passam aos montes e fugidios como se adivinhassem
o que ali mora ao lado
E a entrada, a mim se mostra escura
Eu trabalho, aqui onde pessoas trabalham sem sonhos,
onde outras trabalham com sonhos camuflados
onde outras tantas trabalham para esquecer da vida e do que é viver
Eu trabalho, e o meu trabalho representa todo o trabalho que se presta sem sentir
Onde não se trabalha muito, mas representa-se com fartura,
como na vida que se desfaz em retratos
do que se poderia ser se se tivesse mais coragem de dar a vida quem se é
Eu trabalho, e no meu trabalho eu estou e não estou
E quero e não quero,
Eu faço e fora desfaço
Eu digo e fora disdigo
Eu choro para mais tarde sorrir
Eu riu por dentro e por fora mostro que temo
Na verdade, eu trabalho para ninguem
Senao para sonhos muito bem guardados
que se escondem nas brechas que as ranhuras da parede do escritório escondem
procurando o chão para que se façam grandes
dum sítio que existe só por razões que cheiram a mofo do passado,
os meus sonhos tem a cor das pétalas de uma flor que acabou de abrir.
Tuesday, July 30, 2013
Ensinar a amar
Todo o mundo diz que ama, e ama!
Mas ninguém e nada pode ensinar a amar!
E se alguma escola ou instituição disser que pode ensinar eu
pergunto,
Como se ensina uma peixe a nadar dizendo que ele não sabe o
suficiente,
como se mostra a um animal que está preso numa jaula, o que
é a liberdade, o que é viver na selva e como
se descreve a sensação de um luar fora de quatro paredes, quando de lá nunca se
saiu.
Todo o mundo diz que quer amar mas não se quer entregar
porque não quer sentir dor!
E eu pergunto se alguma vez se conquistou alguma coisa sem
suor e a ela se deu o devido valor.
E eu pergunto como se pode amar completamente, com toda a
segurança de um bebé num berço fechado, para ele não se magoar…
E eu pergunto se essa entrega a essa dor, essa ausência esse
sentimento de insegurança, não fará parte do próprio acto de amar, do processo
em si, porque talvez um dia, depois de tanta entrega, depois de tanta dor, ela se
deixe de ser dor, ela passe ao estágio seguinte e todo o pranto passe…
Porque no seu limite a dor não se sente, no seu limite o
sofrer se rende, diz que não é de nada nem de ninguém, porque se desfaz em alma
de tudo e de todos…
No fim, não há queixas, nem medos, nem espectativas, nem
falhas, no fim tudo é tão fundo que se larga e deixa ser o simples amor que
sempre esteve lá e ninguém via.
Estrutura óssea
Hoje sei que agarro sentimentos como se fizessem parte da
minha estrutura óssea
Humores são ossos do meu esqueleto e faço de sensações a
musculatura que encobre-me o corpo
Sendo assim, a pleura do coração é a pele que me encobre.
E toda a sensação cobre me mais que o corpo, é rasto que
deixo em tudo por onde passo de segundo a segundo num tic tac profundo que se
desfaz após serem como ondas do mar, numa ondulação que dança.
Hoje disseram-me que sou de tudo e de todos,
que dos outros construo paisagens que se tornam parte de mim
e por serem minhas são de mim. Quando tenho que as soltar, custa-me porque largo
pedaços de mim.
Hoje descobri que quando me calo é porque torno cada palavra
dádiva de se entregar
Tão dádiva que minha alegria sacrifico em prol de sentir
algo maior, em prol de preferir ser essa entrega ao infinito do que cobre tudo,
e por isso choro de solidão
Mas foi de ti que tudo soube,
Porque foi hoje que me telefonaste, e depois de meses de
intensa presença ausente nos reencontramos, finalmente prontos para nos
ouvirmos, finalmente prontos para não fingirmos.
Porque antes tu fingias que te conhecias, e que eras teu
segurança pessoal e eu fingia o mesmo de mim.
Hoje, depois das lutas de ventos e vendavais que travamos,
finalmente estávamos cansados, suados e decepcionados connosco o suficiente,
para sermos capazes de nos ouvir um ao outro.
E de caminhos opostos de onde vimos, hoje descobri por tuas
palavras como agarro brisas de sentimentos como se fossem chão e como tu as
soltas na esperança de te encontrares em algum lugar longe de tudo.
Friday, July 26, 2013
tulipas
Um ser que nasceu dum confuso seio familiar, confuso tenderá a ser
Este ser meu ser não quer mais conceber
Quer um leque mais infinito de possibilidades
Quer um sonhar indo além de sonhos velhos não vividos
puros e manchados de frustrações passadas
Um ser que nasceu do breu não reconhece facilmente a luz
Mas existe mesmo do escuro uma pequena luz que mal se vê
Ela que de si se cria, que de si nasce e renasce
Sempre procurando o inalcançável do que se possa alcançar
E o universo se cria, o criador procura sempre mais de si se dar, que descanso haverá?
Que riqueza trará em tudo de si entregar…
Sem saber do retorno da dádiva, tudo que sair de si deverá ser autodomínio,
viver numa entrega profunda em vez de numa autoritária rigidez, melhor viver haverá?
Quem de fora possa ver será que poderá entender, será que poderá ver?
Será que se pode ver de fora o que nos come por dentro?
O que nos digere e nos deita fora, que pensamentos traem e
ficam quais dele irão embora, quais deles morrem, quais deles destroem
Negar ou aceitar a tradição, negar ou aceitar a sua origem, negar ou aceitar a ilusão?
Amar o essencial do que é tradicional, por amar o mistério da origem
Deixar a magia permanecer colorindo folhas soltas que descaem sua restante beleza,
E as flores primaveris, continuarem a semear os sonhos nos apaixonados,
Tendo que engolir letras confusas de cartazes representantes duma verdade semi-dita, semi-estudada, semi-maldita, semi-verdadeira, semi-mentira, semi-antiga, semi-recente, semi-esquecida, semi-ausente, semi-realista? Muito conveniente, eu prefiro tulipas.
Monday, July 22, 2013
Fumo de lareira
Sou fumo de lareira.
A sociedade está doente.
E eu, não sei se estou.
E o não saber se estou faz-me ter alguma sanidade.
A tristeza vem a passos lentos e profundos, mas com ela eu
não vou.
Não me rendo a auto-compaixão, toda a gente tem o seus
momentos deprimidos.
Rendo-me a Arte, esta sim sabe ser extrema e flexível, sabe
ir mas além e de uma vez só voltar para trás. E só o artista é, este sim,
realmente, é um ser vulnerável, eu não.
Se serei louca, quem não será?
Se o mundo para mim, não se pode fazer num jogo de xadrez…
Se o mundo para mim não tem
encaixe perfeito…
Depois de longas discussões, vou fazer as pazes comigo e
aceitar a louca que sou.
Porque quem viu sua origem nascer da confusão, não conhece
mais do que esse ser confuso.
Nunca pode voltar
para atrás e da ingenuidade retirar o viver feliz na ilusão.
Sou nascida do fumo de lareira.
E cedo a vida me tornou gasta demais, para alguma vez
parecer realmente sã.
A vida não me quis ovelha de nenhum clã e dos clãs da cidade
retiro o seu amargo sorriso, que no meu caso, escolhe estar solitário e
escondido.
E por isso, é melhor aceitar meu simples figurino natural de
personagem desencaixado.
E minha altivez, perante apenas, fantasmas tristes do
passado.
De onde brota, por vezes, alguma paixão, de feridas mal
saradas do que eu já soube e já não sei.
E eu nunca sei para onde vou,
E nunca sei se devo ir ou ficar,
Porque o meu tempo de acreditar já passou.
Porque nenhum lugar, nunca completa a profundidade do meu
coração.
Coração de quem não tem fundo, nem forma, nem direcção.
Vou sendo é essa contemplação dum choro bruscamente
engolido…
18/07/13
Autoritarismo
O autoritarismo é uma forma de maltratar psicologicamente o
outro livremente.
Destrói a autoconfiança do outro, destrói sonhos, torna-nos
ovelhas de rebanho.
Porque quem é autêntico não precisa de capa para se
encobrir, nem precisa de altar para estar em posição superior a quem está a sua
frente.
Sentir-se superior é escolher estar cego de si próprio e do
outro, viver de títulos e de bens, aceitar autoridade é negar tomar acção sobre
a sua própria vida. É deixar-se a mercê do outro.
Tenho amigos que são como rebeldes, não aceitam qualquer
tipo de autoridade externa por este mesmo motivo. Vejo este instinto como um
sentido de rebelião pessoal mas penso que no fim não trás qualquer vantagem.
Opor-se a autoridade externa pode ser uma forma de reforçar
essa própria autoridade, bem como, reforçar um sentimento de auto compaixão que
não trás qualquer benefício.
Melhor seria, ignorar esse tipo de pessoas, e sem deixar
afectar-se por isso cumprir o papel que é necessário ser cumprido para o melhor
dos nossos projectos pessoais.
Apesar de tudo isso, as piores autoridades são as internas,
seja autoridade religiosa, psicológica, emocional. Pomos nossa vida à
disposição de uma série de fantasmas alegóricos que nos aparecem com os anos de
vida.
Qual será então a melhor posição em relação a estes? Estes
penso eu, não se devem ignorar. Melhor seria, então, deixá-los morrer de fome.
Não encontrei uma solução definitiva para esta questão.
A nível intelectual, o que me tem ajudado é a eterna
filosofia de um constante por em causa, mas isto também trás uma certa
inquietação, e um constante reconstruir.
A nível emocional, bem, este é o que trás a minha conversa
com a poesia e traz-me noites mal dormidas sendo o motivo aparente, nenhum.
Tuesday, July 16, 2013
O ser imaginado
Não há poeta que se exprima como esta mágoa que me existe no peito
Nem há filósofo que se faça de minha mente a querer esquecer
Porque estou presa, presa em minha própria gaiola que criei
Por minha espera de ti.
Porque não há nada que me liberte do ideal,
Do ideal humano de criar um ideal de beleza
Nem da tolice de pensar que alguém tem que ser como a imaginamos.
Foi numa tarde fatal que tua forma colori numa página da minha vida.
Foi quando nos entreolhamos por motivos misteriosos mas nem por isso iguais.
E agora, não há razão fatal o suficiente para fazer meu peito deixar-se calar
Mesmo sabendo que na verdade quem tu és nada tem haver
com tudo o que sonhei de ti ao longo de anos.
Agora, faz mais sentido toda a poesia imaginada,
faz mais sentido todo o canto melancólico com palavras tristemente proferidas.
Porque tu só fazes sentido no meu profundo ideal de ser docemente imaginado!
E tudo o que farei, será pela imagem romanesca que criei de ti,
Oh doce ser inexistente.
E tu mostras-me e voltas-me a mostrar,
que a imagem que pintei em meu corpo tua nunca e jamais existiu
E eu volto, e volto a acreditar. Como tola.
Como tola mulher que sou e que não quer ver
Sendo tão mulher e tão cheia de peito a doer por dor.
Nem há filósofo que se faça de minha mente a querer esquecer
Porque estou presa, presa em minha própria gaiola que criei
Por minha espera de ti.
Porque não há nada que me liberte do ideal,
Do ideal humano de criar um ideal de beleza
Nem da tolice de pensar que alguém tem que ser como a imaginamos.
Foi numa tarde fatal que tua forma colori numa página da minha vida.
Foi quando nos entreolhamos por motivos misteriosos mas nem por isso iguais.
E agora, não há razão fatal o suficiente para fazer meu peito deixar-se calar
Mesmo sabendo que na verdade quem tu és nada tem haver
com tudo o que sonhei de ti ao longo de anos.
Agora, faz mais sentido toda a poesia imaginada,
faz mais sentido todo o canto melancólico com palavras tristemente proferidas.
Porque tu só fazes sentido no meu profundo ideal de ser docemente imaginado!
E tudo o que farei, será pela imagem romanesca que criei de ti,
Oh doce ser inexistente.
E tu mostras-me e voltas-me a mostrar,
que a imagem que pintei em meu corpo tua nunca e jamais existiu
E eu volto, e volto a acreditar. Como tola.
Como tola mulher que sou e que não quer ver
Sendo tão mulher e tão cheia de peito a doer por dor.
Sunday, July 07, 2013
Música antiga
Musica antiga, contigo mergulhei nos mares do passado,
só tu com tua bruma trazes essa capacidade de revelar um mundo mais interessante porque não tem tempo
e um mundo mais livre porque não tem espaço e se deixa perder a minha volta.
E ao ouvir aquela suave musica orquestral revelaste em mim o que do passado vive e respira
e a parte de mim que existe e vive nos velhos sonhos de infancia por acabar.
Como minha substancia, és o que de mim é realmente real, fora de toda essa vida que se auto construiu,
sem deixar que eu sequer me apercebesse quem era em meio a tanta confusão.
Porque tu és como um total desconstrução que concebe unicamente essencia original.
E contigo tenho todos os sonhos, todas as imagens coloridas que o som pode conceber
Em minha mente apresentam-se como fadas que surgem para recolorirem o meu mundo.
Tornas tudo possível, trazes minha esperança perdida,
lembras-me brincadeiras de crianças quase esquecidas quando bebo desses doces nectares de notas largadas ao vento.
E tudo passa a ser normal para mim, fazes mais facil aturar toda e qualquer brusca emoção.
Fazes revelar todo e qualquer parte dum íntimo escondido em desencorporado turbilhão.
E a ti entrego assim minha vida, passando a ter leveza de quem entrega um fardo pesado e
e passando a ter a esperança de quem se rende cegamente a uma paixão.
só tu com tua bruma trazes essa capacidade de revelar um mundo mais interessante porque não tem tempo
e um mundo mais livre porque não tem espaço e se deixa perder a minha volta.
E ao ouvir aquela suave musica orquestral revelaste em mim o que do passado vive e respira
e a parte de mim que existe e vive nos velhos sonhos de infancia por acabar.
Como minha substancia, és o que de mim é realmente real, fora de toda essa vida que se auto construiu,
sem deixar que eu sequer me apercebesse quem era em meio a tanta confusão.
Porque tu és como um total desconstrução que concebe unicamente essencia original.
E contigo tenho todos os sonhos, todas as imagens coloridas que o som pode conceber
Em minha mente apresentam-se como fadas que surgem para recolorirem o meu mundo.
Tornas tudo possível, trazes minha esperança perdida,
lembras-me brincadeiras de crianças quase esquecidas quando bebo desses doces nectares de notas largadas ao vento.
E tudo passa a ser normal para mim, fazes mais facil aturar toda e qualquer brusca emoção.
Fazes revelar todo e qualquer parte dum íntimo escondido em desencorporado turbilhão.
E a ti entrego assim minha vida, passando a ter leveza de quem entrega um fardo pesado e
e passando a ter a esperança de quem se rende cegamente a uma paixão.
Sunday, June 30, 2013
Espera
Só na ausência és realmente meu
Tua desilusão em mim é o que me torna
real e nessa realidade tu estás.Numa vida até ao milímetro calculada,
só o meu sofrer por tua distância faz-me saber alguma verdade.
Porque minha mente é desumana e cruel, todo o seu toque é fatal.
Sempre tediosa quando está satisfeita,
e nervosa quando insatisfeita está.
Por isso mesmo, felicidade deve ser uma transversalidade que nunca é transversal.
Está entre aquilo que não é na ilusão de que o é,
como estar acordado num vazio cheio de nada.
Só vou sentir-me satisfeita ao encontrar-me toda desfeita numa cama de íntimos eus.
Não encontro descanso para a vida nem a dormir e nem acordada, apenas numa chávena de café ao ser apreciada, quando sabe deixar sua amargura no fim.
Este é o retrato onde quero mostrar-me porque é o retrato mais real que faço de mim.
A insatisfação sempre é uma cura para a loucura do hedonismo.
E a satisfação sempre é uma cura para loucura de querer esquecer de uma vez por todas de mim.
lado nenhum
Só sei escrever de sentimentos, não
sei escrever sobre coisas.
Porque não tenho ainda a substancia
que as coisas tem.Sou só vapor de ideias, rasto sem direcção
Faço coisas ao mesmo tempo assim como tudo em mim funciona em turbilhão.
Só sei escrever palavras soltas, porque só sei viver sendo solta
Não sei ser feliz no amor, quando estou bem, descolo-me
Quando não estou com ninguém leio o romance nos outros.
Porque tudo em mim é liberdade e prisão, tudo em mim é inconstância.
E se algum dia chegar o momento de eu
concretizar quem sou
que a inconstancia não me traia, que a
ansiedade não me faça fugir daliQue o desquerer não me faça perder a esperança, que a decepção não me possa impedir
que finalmente possa ser mais que fumo de
lareira, ser mais que tinta de papel
finalmente possao parar só para olhar
algum sitio
e sentir que finalmente posso deixar fazer-me parte de algum lugar que não seja lado nenhum.
Tuesday, May 14, 2013
O lugar do perdedor
Só no além que tudo habita o real a ti se mostra
No agora do inocente que se entrega por sua pressa
O indefeso escolhe ignorante da sua culpa, escapar
Só hoje sonhei de meu baú interno buscar antigos fantoches
para de mim rir em algazarra, por minha prospera fronte
Quando vi que tu, só teus beijos, são vagalumes nesse íntimo breu
Só porque conseguiste com teu amor fazer renascer o meu
Mesmo assim as mascaras continuam translúcidas e ainda vivem
em risos sarcasticos de outros, em aplausos dados em horas erradas
E tu chegas com tuas mãos infantis rendidas
e salvas com teu sorriso por momentos meu ser
a todas essas traças da conspiração.
Porque no além do real tudo é possível aprisionar
até alma, até desejo, até corpo e todo o querer de se envaidecer
Porque no sonho colorido que desvanece com o toque do vento
sempre podem surgir desde tempos remotos
banhos acesos nos mares quentes do amor
Quando o que era pecado, torna-se a tão procurada salvação
O pecador torna-se santo
E o santo, de mártir passa a insano ditador
Porque de actor todos temos um pouco
É melhor a humildade de preservar a autenticidade
do que ser devorado por feras que incorporam mascaras de absolutas certezas.
O melhor é tapar a boca e os ouvidos a tudo o que não faça o coração bater de amor
O melhor é se deixar render sabendo ocupar com dignidade o lugar do perdedor
Porque é melhor perder por amor do que ganhar perdendo a alma.
No agora do inocente que se entrega por sua pressa
O indefeso escolhe ignorante da sua culpa, escapar
Só hoje sonhei de meu baú interno buscar antigos fantoches
para de mim rir em algazarra, por minha prospera fronte
Quando vi que tu, só teus beijos, são vagalumes nesse íntimo breu
Só porque conseguiste com teu amor fazer renascer o meu
Mesmo assim as mascaras continuam translúcidas e ainda vivem
em risos sarcasticos de outros, em aplausos dados em horas erradas
E tu chegas com tuas mãos infantis rendidas
e salvas com teu sorriso por momentos meu ser
a todas essas traças da conspiração.
Porque no além do real tudo é possível aprisionar
até alma, até desejo, até corpo e todo o querer de se envaidecer
Porque no sonho colorido que desvanece com o toque do vento
sempre podem surgir desde tempos remotos
banhos acesos nos mares quentes do amor
Quando o que era pecado, torna-se a tão procurada salvação
O pecador torna-se santo
E o santo, de mártir passa a insano ditador
Porque de actor todos temos um pouco
É melhor a humildade de preservar a autenticidade
do que ser devorado por feras que incorporam mascaras de absolutas certezas.
O melhor é tapar a boca e os ouvidos a tudo o que não faça o coração bater de amor
O melhor é se deixar render sabendo ocupar com dignidade o lugar do perdedor
Porque é melhor perder por amor do que ganhar perdendo a alma.
O ser criador
Precisei ir trabalhar para perceber,
a vida vã do trabalhador comparada com a vida completa do artista
que nada tem.
Dele, não esperam nada, só a natureza espera em segredo que dele prospere
como flor a verdade do que habita de natural em nós.
Que esse tempo que passou não tenha matado esse ser natural que comigo nasceu.
O ser criador.
E assim como o dinheiro alimenta a desconfiança,
a arte alimenta a liberdade por ser dela nu amante.
Como um pássaro é arte que voa livre no céu,
não há animal que não se exalte perante a visão da vivarte que voa.
Tudo em mim, tudo em todos os lugares,
quer regressar a esse intimo uterino
que tudo tinha porque nada sabia e porque nada tinha feito
senão ser quem é para tudo conseguir.
a vida vã do trabalhador comparada com a vida completa do artista
que nada tem.
Dele, não esperam nada, só a natureza espera em segredo que dele prospere
como flor a verdade do que habita de natural em nós.
Que esse tempo que passou não tenha matado esse ser natural que comigo nasceu.
O ser criador.
E assim como o dinheiro alimenta a desconfiança,
a arte alimenta a liberdade por ser dela nu amante.
Como um pássaro é arte que voa livre no céu,
não há animal que não se exalte perante a visão da vivarte que voa.
Tudo em mim, tudo em todos os lugares,
quer regressar a esse intimo uterino
que tudo tinha porque nada sabia e porque nada tinha feito
senão ser quem é para tudo conseguir.
Esbanjar da vida
Existe um mal e existe um bem que em mim tocam
O mal chama-se consumo,
O bem chama-se criatividade
São nomes dados ao bem e ao mal esbanjados ao vivos de hoje
Aparencias diversas cujas motivações são uma só,
o resultado um só, e um só tempo que mostra o que irá surgir daquilo
que se escolheu cultivar
Do consumismo o medo do que se pode perder,
Do criativo a liberdade que só provem daquele que sua alma ressuscitou
o antigo saber construir.
Existe um mal e existe um bem em mim
E o mal facilmente continua a repetir-se habituado,
e o bem continua em sua caminhada esperançoso,
que eu possa esquecer o medo, abrir asas e voar.
Pois existem donos do nada que carregam fantasmas em meu nome,
e existem notas musicais que carregam minha alma em seus ventres...
caminhando livres ao ar.
Talvez exista um mal e um bem em todos nós,
E do mal existe o medo de cair, que nos esconde da verdade do ser que é livre.
Do bem, existe a consciencia que sempre sabe o que está errado,
é essa força de vida subentendida em toda a forma de arte,
vida que com batimentos de coração acelerado, vive calada no mais profundo ser de nós.
É por isso que vida é aquela que é vivida de forma escancarada e que sinceramente se entrega ao mundo.
O mal chama-se consumo,
O bem chama-se criatividade
São nomes dados ao bem e ao mal esbanjados ao vivos de hoje
Aparencias diversas cujas motivações são uma só,
o resultado um só, e um só tempo que mostra o que irá surgir daquilo
que se escolheu cultivar
Do consumismo o medo do que se pode perder,
Do criativo a liberdade que só provem daquele que sua alma ressuscitou
o antigo saber construir.
Existe um mal e existe um bem em mim
E o mal facilmente continua a repetir-se habituado,
e o bem continua em sua caminhada esperançoso,
que eu possa esquecer o medo, abrir asas e voar.
Pois existem donos do nada que carregam fantasmas em meu nome,
e existem notas musicais que carregam minha alma em seus ventres...
caminhando livres ao ar.
Talvez exista um mal e um bem em todos nós,
E do mal existe o medo de cair, que nos esconde da verdade do ser que é livre.
Do bem, existe a consciencia que sempre sabe o que está errado,
é essa força de vida subentendida em toda a forma de arte,
vida que com batimentos de coração acelerado, vive calada no mais profundo ser de nós.
É por isso que vida é aquela que é vivida de forma escancarada e que sinceramente se entrega ao mundo.
Águas fundas
Existe um conflito em mim
Um conflito entre um interior vulcanico que com efervecencia ainda procura brilhantes
E um exterior desertico, entupido de pseudoautoridades, que se rendem a pressoes
Existem conflitos em mim que mais parecem possessões
Do que sou eu mas não sou, do que eu poderia ser se me encontrasse
Do que poderiam querer que eu fosse, do que querem que eu seja agora
mas não sou...
E é por isso que eu vivo as vezes numa lastimosa duvida entre ser naturalmente deslocada
Ou recolocar-me para estar em paz com o mundo declarando guerra a esse meu ser
que se quer controverso e lunático
E como meu ser não se deixa a si próprio ver-se
Assim as pessoas a mim são apenas meras ilusões, fantasmas que de mim fazem juízos
tão distantes do que sou como as estrelas do céu são de quem as observou
Como um remante num rio que flutua sobre águas fundas,
assim vou levando a vida porque tem de ser levada a remos, com esforço
E assim levo uma vida de boas paisagens mas de esforços para continuar a conseguir ver
Porque a vida pede cada vez mais adaptação, pede luta diária por sobrevivencia quando tudo o que eu queria era manter-me num sono bom.
E quando o arco-íris de relance aparece, esqueço as horas e lembro,
que tudo o que era preciso para ser feliz era apreciar,
E aprecio apenas em poucos momentos, numa mente que não para
porque insiste que quer andar de frente para trás
A vida em mim quer constantemente trocar roupas pensando que assim pode melhor de si conhecer
Em auto-testes desafia-se até sangrar,
numa necessidade de cavar sempre mais fundo e mais a escuridão do que seria realmente necessário.
E cá de fora, ninguém entende, poucas almas humanas poderão reconhecer,
essa vontade de renascer, esse desejo de se deixar morrer por apenas querer viver.
Um conflito entre um interior vulcanico que com efervecencia ainda procura brilhantes
E um exterior desertico, entupido de pseudoautoridades, que se rendem a pressoes
Existem conflitos em mim que mais parecem possessões
Do que sou eu mas não sou, do que eu poderia ser se me encontrasse
Do que poderiam querer que eu fosse, do que querem que eu seja agora
mas não sou...
E é por isso que eu vivo as vezes numa lastimosa duvida entre ser naturalmente deslocada
Ou recolocar-me para estar em paz com o mundo declarando guerra a esse meu ser
que se quer controverso e lunático
E como meu ser não se deixa a si próprio ver-se
Assim as pessoas a mim são apenas meras ilusões, fantasmas que de mim fazem juízos
tão distantes do que sou como as estrelas do céu são de quem as observou
Como um remante num rio que flutua sobre águas fundas,
assim vou levando a vida porque tem de ser levada a remos, com esforço
E assim levo uma vida de boas paisagens mas de esforços para continuar a conseguir ver
Porque a vida pede cada vez mais adaptação, pede luta diária por sobrevivencia quando tudo o que eu queria era manter-me num sono bom.
E quando o arco-íris de relance aparece, esqueço as horas e lembro,
que tudo o que era preciso para ser feliz era apreciar,
E aprecio apenas em poucos momentos, numa mente que não para
porque insiste que quer andar de frente para trás
A vida em mim quer constantemente trocar roupas pensando que assim pode melhor de si conhecer
Em auto-testes desafia-se até sangrar,
numa necessidade de cavar sempre mais fundo e mais a escuridão do que seria realmente necessário.
E cá de fora, ninguém entende, poucas almas humanas poderão reconhecer,
essa vontade de renascer, esse desejo de se deixar morrer por apenas querer viver.
Monday, April 22, 2013
Dislexia textual
Ganhei dislexia as letras,
para mim um Pedro as vezes é quase o mesmo que um João,
e um Pereira é quase o mesmo que um Teixeira,
se for o nome de alguem desconhecido de alma e só conhecido de cara
Tenho dislexia as letras,
para mim os D´s são as melhores letras para começarmos uma frase
e não gosto tanto dos X´s ou dos Z´s se não quiserem dizer
coisas misteriosas que lia nos contos de fadas
Dessa dislexia,
Certas palavras para mim são mais que palavras, são mundos que anseio descobrir
e por elas viajo num labirinto curioso, nas novas histórias que me são contadas ou quando essas histórias surgem pintadas num lugar especial dum livro.
Ganhei dislexia as letras,
e as vezes quando palavras surgem aos montes ou saem gritadas,
deixam de ter significado separadas,
significando para mim apenas um turbilhão de emoções disfaçadas em letras sem imaginação.
Sou agora, disléxica por opção,
e por opção certas letras são como minha religião,
a religião das letras que apresentam o poder de salvação
da alma que não se quer exilada, manter-se só e calada.
para mim um Pedro as vezes é quase o mesmo que um João,
e um Pereira é quase o mesmo que um Teixeira,
se for o nome de alguem desconhecido de alma e só conhecido de cara
Tenho dislexia as letras,
para mim os D´s são as melhores letras para começarmos uma frase
e não gosto tanto dos X´s ou dos Z´s se não quiserem dizer
coisas misteriosas que lia nos contos de fadas
Dessa dislexia,
Certas palavras para mim são mais que palavras, são mundos que anseio descobrir
e por elas viajo num labirinto curioso, nas novas histórias que me são contadas ou quando essas histórias surgem pintadas num lugar especial dum livro.
Ganhei dislexia as letras,
e as vezes quando palavras surgem aos montes ou saem gritadas,
deixam de ter significado separadas,
significando para mim apenas um turbilhão de emoções disfaçadas em letras sem imaginação.
Sou agora, disléxica por opção,
e por opção certas letras são como minha religião,
a religião das letras que apresentam o poder de salvação
da alma que não se quer exilada, manter-se só e calada.
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