Tuesday, November 26, 2013
Nada para dizer
«Não há o que comunicar.
Se já sou do esquecimento.
Dos cafés vazios. Das árvores nuas.
Do arrependimento.
Não há o que dizer.
Se sou como quem vê a juventude e não tem voz.
Se algo sinto é algo que não é meu.
Se algo digo é algo que não sai de mim.
Sinto, esse ser desconexo, eterno em ser fora do contexto.
Sou o movimento que é reflexo de qualquer coisa a mais.
Sinto o que sinto, e não há nada que o faça dizer
Dou e está dado, nada retorna a mim sem querer.
Escorre-me um frio interno que nada de fora me faz exprimir
Palpita-me um peito que chora, que cava fundo de mais e assusta o que de fora,
estivesse para vir.
Sou na vida do emigrado, do refugiado
Refugiada que sou em minha própria vida que prende
Sou de quem sofre e não pode, justificar a si próprio a sua própria dor
Fui enviada para o lugar errado, de uma forma impossível de explicar
E eu fui enviada para guiar, tudo aquilo que eu não sou.
E quem eu sou fica por dizer, engolida e sacrificada.
Parada, sem mais o que fazer do que existir
Vivo num tempo que nem é futuro nem passado nem presente,
é o tempo do viajante parado numa cidade isolada.
E há quem diga que eu devia pedir ajuda
Mas se eu fosse não teria o que dizer
Ou no mínimo não seria compreendida.
Porque sinto o vento e nele ao mesmo tempo estou.
Porque sinto ao contrário do exterior
Sinto para dentro e para fora sou só miragem
Quem me ve como sou não me vê em nada
Eu nem eu própria sou, senao qualquer coisa que paira.
E de mim nunca tenho nada a dizer.»
Luna Marques
Friday, November 15, 2013
O que era suposto.
A noite que é dia para corpos mortos.
O frio que é o calor da dor de tantos porcos.
A ausência que é presença para os que se identificam com a cobertura.
Fui eu quem reneguei tudo isso, quem renegou o musgo do vento, a prata do tempo?
A vida é morte para os que cavam fundo.
A fruta é amarga para os que escondem o que sofrem
A sina que é sorte para quem se mexe nas migalhas da comida que outros deixaram apodrecer.
Fui eu quem construiu nisso tudo, quem construiu na desconstrução, fui a comunicação do defunto?
A Luz que é a oscilação de maresia,
A Magia do coração que não sabe o porquê do seu toque
O Silêncio que é a voz dos que não tem voz, o idealismo esquecido em nosso pobre viver
Haverá o que desfazer no que já foi feito, haverá cintilar na escuridão, será possivel dizer o que não foi dito, e aparecer sem corpo e sem direcção?
O que foi da distância que vai entre o que existe e o que não existe?
qual foi a aparição da vítima que era a causa da violação?
Será o sistema que cega quem pode provocando a falsa necessidade?
Será o ferir da vontade, o medo de ser alguém mais?
E se falhar for o que houver para fazer.. ?
O frio que é o calor da dor de tantos porcos.
A ausência que é presença para os que se identificam com a cobertura.
Fui eu quem reneguei tudo isso, quem renegou o musgo do vento, a prata do tempo?
A vida é morte para os que cavam fundo.
A fruta é amarga para os que escondem o que sofrem
A sina que é sorte para quem se mexe nas migalhas da comida que outros deixaram apodrecer.
Fui eu quem construiu nisso tudo, quem construiu na desconstrução, fui a comunicação do defunto?
A Luz que é a oscilação de maresia,
A Magia do coração que não sabe o porquê do seu toque
O Silêncio que é a voz dos que não tem voz, o idealismo esquecido em nosso pobre viver
Haverá o que desfazer no que já foi feito, haverá cintilar na escuridão, será possivel dizer o que não foi dito, e aparecer sem corpo e sem direcção?
O que foi da distância que vai entre o que existe e o que não existe?
qual foi a aparição da vítima que era a causa da violação?
Será o sistema que cega quem pode provocando a falsa necessidade?
Será o ferir da vontade, o medo de ser alguém mais?
E se falhar for o que houver para fazer.. ?
Thursday, November 14, 2013
Ausência
«Uma vez a mão do vento assim ergueu, uma mão que sobre mim altera todo um curso de
vida
Vi-me, de repente, não mais sozinha, e sim, entrelaçada a tua
Num instante, acordei e vi-me sozinha outra vez
Acordei, sem chão, sem teto, sem alma, sem lembrar de
repente que sabor poderia ter tido a vida antes de ti
Agora vivo apenas dias e mais dias, dias seguidos de dormir e sem querer acordar, ou de acordar
para ir dormir com pouco de significância e significado entre isso.
São longos dias em que parte de mim continua cegamente a ansiar-te perdidamente, um anseio que
aquela brisa calorosa volte e te traga de novo para junto de mim
Outra parte anseia apenas esquecer, porque concluiu
abertamente que na realidade deve deixar-se viver, e andar outra vez ao sabor de
outras brisas com novas sensações
E o tempo vai passando, e eu vivendo nesse angustioso ata
desata, nesse desato que não sabe se quer desatar ou se prefere continuar atado
No fundo sei que só resta continuar o trilho e deixar te
para trás mas não resisto a saborear-te vezes sem conta
Tas ainda na minha mente e só me vejo a esperar, esperar pela
brisa que te trouxe de repente da mesma forma que de repente escolheu
expulsar-me de ti
Procuro, e vejo uma busca sem fim, vou a volta de tudo e um
pouco mais de nada encontro, tudo o que vejo são miragens, reflexos aparentes
de tudo o que tu não és
Mesmo quando imagino acabo, concluo e avesso memórias que
nunca aconteceram , tudo o que eu queria era que estivesses para as fazer
contigo
Tudo o que eu posso fazer é pôr-te na parte de uma vida a
dois que eu criei, um bocado de algo que nunca foi nem será, um passado que não
se deixa esquecer e se recusa a deixar de ser repetido
Toda a minha alma esteve completa naqueles segundos de
fôlego naqueles segundos de doce fantasia que não volta mais
Foste mesmo aquela pequena brisa apenas, que agora não deixa
de ser minha identidade, minha pátria, um retiro, uma verdade e lembranças exageradas
por romanescas sensações
“A chama que a vida em nós
criou …a mão do vento pode erquê-la ainda…”
E por isso, assim espero…»
Ausência
Cada nascer do Sol é único, o Sol teu regente num dia
ensolarado
fez tua miragem que minha alma acarinhou.
Cada lua, é bênção de amantes, que mesmo distantes um do
outro tem sua presença , nua
A lua é nua como o amor é cego a distância próxima de um
outro corpo.
E flores, são da doçura, o reflexo da amargura que se sente
de um passado
Que é o espelho partido do estado, da alma despedaçada pela
flor que murchou.
Nado vivo ou morto, o que eu sou, desses retalhos, pedaços
que conto e desconto na minha própria consciência que cegou.
Sou da partida e da chegada, da canoa e do caminho que nem
percorrido se torna descrito, que se quer escrever e agarrar o que estragou,
Quer ser nuvem, que dá para ser a ressurreição na verdade da
infância que se sonhou.
Que cores tenho na mão, da sina que me contaram para eu não
revelar quem sou?
Que tempo guardo ainda no peito, se tanto passado fez gastar
a pouca vida que restou?
Que tinta existe ainda para usar, se sou como cinza, a cinza
viva duma chama caída,
Pedra que pensa ter sido mais num passado distante. Pétala
que não sabe da própria flor.
Dor que vive no silêncio da fala que faz o coração bater,
Sombra do que criou, destruiu, nasceu, e é cego na própria
pureza.
Fui cega, nunca a mim fiz nascida, de repente foi a
minha pele quem mentiu. O lar foi fantasma para o sangue.
Perdi.
Perdi.
Friday, November 08, 2013
Escolhas...
«Continuo a espera do dia da escolha
do dia em que haverá algo a escolher
porque no dia que olhei o céu vi o mar
e no dia que vi o mar nesse dia eu vi
um poço que era mais que eu porque me tinha
Continuo a espera do dia da escolha
porque quando eu vi uma árvore
eu vi minhas próprias veias
e quando eu senti essas veias
eu vi que eu era como o acto de respirar
e foi só daí que me despi para um outro
E me fiz planta, que dá cura para ser feliz
Continuo a espera dum momento em que possa escolher
porque foi desse querer o que faz falta, que cresci
porque enquanto outros sorriam eu vivia para esperar sozinha
E o que todos ignoravam eu procurava para sofrer
E entender, para me fazer refém, de olhos que secretam vida
E sonhei, em vão, que escolhia
porque pensei que enquanto aprendia, acreditava
enquanto dentro de mim era minha mente quem mentia
E cansei de esperar e tentei em vão fugir
enquanto a vida me escolhia e me arrastava
para o lugar da onde até eu própria vim
E os lugares que devo estar me escolhem
e eu não escolho ninguem nem lugar nenhum
e quando o Sol bate em mim só reflete
a única borboleta que minha mente soube desfolhar
E quando a vida se dá eu não sei fazer mais nada
E quando a dor se vai não há mais nada que me faça crescer
Do que ser terra, ser dança, ser curandeira e ser amor
Sendo isso, que é só isso que dou.»
Thursday, November 07, 2013
folha em branco
Quero reescrever a minha história
Reescrever tudo, sendo só história
Reescrever sendo planta, ser puro
Que se nutre, sendo singelo
Quero reescrever esses tons que existem a minha volta
Recolorindo o que perdeu cor
Quero no amor divagar sendo estrela
Estando lá longe numa espera, apenas iluminando
Quero reescrever o acto de sacrificar
Que não seja só causa de dor, que seja para compreenção
Que a ferida possa finalmente secar
E tratada, escolher uma história de amor
Quero voltar a cantar como cantava
Usar a minha capacidade de dentro de mim viajar
Quero não encontrar mais as amarras
Para que a felicidade tua seja tudo o que existe
Quero voltar a ser vida, voltar a dar-me sendo canal
Voltar a aceitar ouvir as vozes que ouço secretamente
Sem criticar o que escuto por dentro
Quando nada da vida restar em mim
Quero que exista algo de mim ligado profundamente a ela.
Não tendo sítio ou pessoa a quem me possa ligar, escrevo-me, e encontro-me comigo em texto,
com o fim de mim a mim desapegar.
E ser gosto do desgosto de ter gosto e prazer em tudo o querer desligar.
Sou só de nada, o desfazer de cada folha de papel, despida nesse ser que quer retornar a ingenuidade - essa metade despida de tudo - estravassar da vida que é tão pura, que nem sou eu nem ninguém.
Reescrever tudo, sendo só história
Reescrever sendo planta, ser puro
Que se nutre, sendo singelo
Quero reescrever esses tons que existem a minha volta
Recolorindo o que perdeu cor
Quero no amor divagar sendo estrela
Estando lá longe numa espera, apenas iluminando
Quero reescrever o acto de sacrificar
Que não seja só causa de dor, que seja para compreenção
Que a ferida possa finalmente secar
E tratada, escolher uma história de amor
Quero voltar a cantar como cantava
Usar a minha capacidade de dentro de mim viajar
Quero não encontrar mais as amarras
Para que a felicidade tua seja tudo o que existe
Quero voltar a ser vida, voltar a dar-me sendo canal
Voltar a aceitar ouvir as vozes que ouço secretamente
Sem criticar o que escuto por dentro
Quando nada da vida restar em mim
Quero que exista algo de mim ligado profundamente a ela.
Não tendo sítio ou pessoa a quem me possa ligar, escrevo-me, e encontro-me comigo em texto,
com o fim de mim a mim desapegar.
E ser gosto do desgosto de ter gosto e prazer em tudo o querer desligar.
Sou só de nada, o desfazer de cada folha de papel, despida nesse ser que quer retornar a ingenuidade - essa metade despida de tudo - estravassar da vida que é tão pura, que nem sou eu nem ninguém.
Wednesday, October 23, 2013
insaciar
Não sei se gosto de ti..
mas gosto do gosto do teu tipo. da tua imagem..
do teu jeito descrito
Não sei se te conheço a alma..
não sei sei te entendo ou se é a mim que vejo..
mas observo e é o teu tipo que gosto.
É do teu gosto que gosto é do teu sabor..
é da tua visão do mundo.
Uns vêem o mundo azul.
Outros vêem o mundo roxo.
Outros alternam como eu indecisos de suas adequadas capas..
mas tu.. gosto da tua sina que é só tua e de poucos mais..
do teu verde natural em tudo integral..
tão transparente de seres fraco por fora e branco por dentro, autêntico
e se eu te visse?
que desilusão, melhor seria se nunca te visse.
E se eu visse quem tu realmente és?
E se eu te visse e descobrisse que tu és tão colorido quanto eu?
E se eu visse que tu até és quase desumano ou até humano demais?
Acho melhor que não te veja
Melhor não ver como és na totalidade
Para manter essa pureza de sonhar sem ter saciedade e poder manter-me na beleza da espera
Porque se analiso, se vou ao âmago.. na verdade é o âmago de tudo que amo..
e não há realmente um objecto a amar.. só existe o desespero
o desespero insaciado de amar tudo
mas gosto do gosto do teu tipo. da tua imagem..
do teu jeito descrito
Não sei se te conheço a alma..
não sei sei te entendo ou se é a mim que vejo..
mas observo e é o teu tipo que gosto.
É do teu gosto que gosto é do teu sabor..
é da tua visão do mundo.
Uns vêem o mundo azul.
Outros vêem o mundo roxo.
Outros alternam como eu indecisos de suas adequadas capas..
mas tu.. gosto da tua sina que é só tua e de poucos mais..
do teu verde natural em tudo integral..
tão transparente de seres fraco por fora e branco por dentro, autêntico
e se eu te visse?
que desilusão, melhor seria se nunca te visse.
E se eu visse quem tu realmente és?
E se eu te visse e descobrisse que tu és tão colorido quanto eu?
E se eu visse que tu até és quase desumano ou até humano demais?
Acho melhor que não te veja
Melhor não ver como és na totalidade
Para manter essa pureza de sonhar sem ter saciedade e poder manter-me na beleza da espera
Porque se analiso, se vou ao âmago.. na verdade é o âmago de tudo que amo..
e não há realmente um objecto a amar.. só existe o desespero
o desespero insaciado de amar tudo
Thursday, October 17, 2013
homem com medo
oh homem tu tens medo de mim
por que me faço forte sem ser
por que eu me faço fraca quando tenho força
porque eu me desfaço quando me podia fazer
porque eu descalço-me quando tu calças um belo sapato
porque eu solto-me quando tu segurarias
porque eu durmo profundamente no que te faz sonhar
porque eu esqueço daquilo que me poderias contar
porque eu faço segredo daquilo que dirias a qualquer um
porque eu digo a qualquer um aquilo que tu farias segredo
porque o meu corpo aquece quando o teu consegue estar frio
porque tu gostas de por coisas a funcionar e eu agarro nisso e simplesmente misturo tudo
porque o meu peito é doce e o teu é amargo para ninguém o poder tocar
porque eu danço em segredo o que tu em segredo procuras desvendar
porque eu escrevo em papel o que tu nem ousas imaginar
porque eu sonho em deixar quem sou e tu sonhas em seres tu em tudo
porque eu vivo para deixar de viver e tu vives para pensares que vives
porque nós somos diferentes para nunca sermos iguais
porque nos desencontramos para podermos sonhar ainda mais
porque tu tens medo de mim e eu que nunca vi razões para isso...
por que me faço forte sem ser
por que eu me faço fraca quando tenho força
porque eu me desfaço quando me podia fazer
porque eu descalço-me quando tu calças um belo sapato
porque eu solto-me quando tu segurarias
porque eu durmo profundamente no que te faz sonhar
porque eu esqueço daquilo que me poderias contar
porque eu faço segredo daquilo que dirias a qualquer um
porque eu digo a qualquer um aquilo que tu farias segredo
porque o meu corpo aquece quando o teu consegue estar frio
porque tu gostas de por coisas a funcionar e eu agarro nisso e simplesmente misturo tudo
porque o meu peito é doce e o teu é amargo para ninguém o poder tocar
porque eu danço em segredo o que tu em segredo procuras desvendar
porque eu escrevo em papel o que tu nem ousas imaginar
porque eu sonho em deixar quem sou e tu sonhas em seres tu em tudo
porque eu vivo para deixar de viver e tu vives para pensares que vives
porque nós somos diferentes para nunca sermos iguais
porque nos desencontramos para podermos sonhar ainda mais
porque tu tens medo de mim e eu que nunca vi razões para isso...
amanhecer
Amanheceu e eu corro,
ingulo o grito, fujo a luz na correria
o grito escorre-me nas entranhas e eu seco o sentimento do outro que observo
porque é dia
E o dia prossegue, e eu guardada, mantida, preservo
como planta ingénua, aos olhos outros tão sacrificada
em silêncio mentido desminto calada
Se quero é a busca do ser íntimo preservado,
se algo é escapado de mim sem querer..
é só por breves momentos,
que foram dos doirados raios de sol quentes do entardecer
banhados em azul e roxo e não de mim
Sou a noite, é da noite que eu sou
das verdades esquecidas, sou do ser despido,
sou desse ser desengolido, sou do mistério
sou do velho desclassificado, da alma velha vidente, do sofrido
e porque a noite revela as pessoas, as noites revelam quem sou
daquela violeta esquecida, daquela menina caída no chão
da desilusão da vida que tão diluída se passa dum jardim florido
para uma incompreensivel multidão,
multidão dos passeios sociais inconscientes
Refaço-me nesse ser fluido, procurando respirar, o ar...
faço refluxo do que vi para ver
só no entardecer eu vejo o que a água diz
E eu me entregaria, me renderia de bom grado a essa noite tão chegada
só para esquecer que quase me cegava há instantes atrás
se houvessem braços a um homem bom,
se houvessem folhas numa árvore despida
se houvessem lágrimas num qualquer mar que fosse suficiente
se a vida que a ainda me restasse fosse essa
e se eu finalmente a visse
já ficaria feliz de ser eterna em sentimento
se houvesse esse gosto de terra,
que eu pudesse comer
se houvesse no que eu me apaixonar
eu engoliria o chão
engoliria o chão e floria não só em roxo,
mas em todas as cores possíveis para sonhar
lavando-me em aguas de não precisar pensar
.
ingulo o grito, fujo a luz na correria
o grito escorre-me nas entranhas e eu seco o sentimento do outro que observo
porque é dia
E o dia prossegue, e eu guardada, mantida, preservo
como planta ingénua, aos olhos outros tão sacrificada
em silêncio mentido desminto calada
Se quero é a busca do ser íntimo preservado,
se algo é escapado de mim sem querer..
é só por breves momentos,
que foram dos doirados raios de sol quentes do entardecer
banhados em azul e roxo e não de mim
Sou a noite, é da noite que eu sou
das verdades esquecidas, sou do ser despido,
sou desse ser desengolido, sou do mistério
sou do velho desclassificado, da alma velha vidente, do sofrido
e porque a noite revela as pessoas, as noites revelam quem sou
daquela violeta esquecida, daquela menina caída no chão
da desilusão da vida que tão diluída se passa dum jardim florido
para uma incompreensivel multidão,
multidão dos passeios sociais inconscientes
Refaço-me nesse ser fluido, procurando respirar, o ar...
faço refluxo do que vi para ver
só no entardecer eu vejo o que a água diz
E eu me entregaria, me renderia de bom grado a essa noite tão chegada
só para esquecer que quase me cegava há instantes atrás
se houvessem braços a um homem bom,
se houvessem folhas numa árvore despida
se houvessem lágrimas num qualquer mar que fosse suficiente
se a vida que a ainda me restasse fosse essa
e se eu finalmente a visse
já ficaria feliz de ser eterna em sentimento
se houvesse esse gosto de terra,
que eu pudesse comer
se houvesse no que eu me apaixonar
eu engoliria o chão
engoliria o chão e floria não só em roxo,
mas em todas as cores possíveis para sonhar
lavando-me em aguas de não precisar pensar
.
Monday, October 14, 2013
respiração
Olho a volta e o
respirar custa…
Tenho em mim essa
vontade de fugir, de correr nao sei bem para onde
E corro e esqueço
o caminho, num silencio profundo, esquecendo de mim
E mesmo assim,
persiste em horas vagas, essa vontade de ficar, de olhar a volta, de respirar
as entranhas de cada um, em sangue sendo tudo
Tenho a vontade
de entender…
Há aquela vontade
de criar, de reinventar o momento, de reconhecer o futuro
Sob uma nova luz,
de sonhar
E permanece no
peito, a triste flor, aquela tristeza pelo que se deixou, pelo desamor, pelo
desapontamento,
Há uma reprovação
própria com cheiro a arrependimento
E a vida é para
mim assim em turbilhão, tão sentida de se querer sentir
Tão pouca de se
querer sempre mais, dela querer-se tanta em tantos sítios ser mais
Ah… e mesmo assim,
não sei como, tenho tempo de ter a eterna ânsia do outro.
Vontade do que se
não conhece ainda… vontade do que se quer por estar coberto
Vontade de querer
o que não se viu.. nem se ouviu falar..
Ah como eu quero
a vida depois da morte..
A vida depois da
minha morte em ti..
E é por isso que dou
por mim que até me esqueço de viver
De apreciar as
pessoas. as pessoas que tanto aprecio ver..
As vezes nem as
comunico finjo que nem as vejo.. só para apaixonar-me mais por elas
Apaixono-me até nos
sonhos..mas elas nem querem saber o que penso..
Eu por outro lado
deixo de pensar por elas e ao mesmo tempo..
Nelas vejo quem
eu própria sou e não sou.
E o que o agir
faz na vida afinal?
Se se faz tão
pouco se pensa..se o pensar pode matar a própria vida que age..
Melhor seria
desapegar-me de tudo.. sendo um super ser introspecto em tudo.. ser mero
reflexo eu me entenderia a mim mesma assim..
Não ter vida,
sendo a vida, vivendo só esse apreciar.. matando a própria alma.. fazendo-a
calar em dor
Ou viver e
esquecer tanto pensamento.. tanto papaguear interno papagueando o que a boca
diz para disfarçar a dor do interior esquecido…
Ninguém me disse
que viver seria isso, oh corda bamba da ilusão, viver mais parece um
ilusionismo entre deixar ir e ao mesmo tempo querer.
Saturday, October 05, 2013
Saturday, September 28, 2013
Thursday, September 26, 2013
doce
Mais um dia em que o trabalho estrupou-me a alma
e vi todo o doce que eu tinha, a jorrar
Mais um dia em que minha alma atirou-me contra o céu violentamente
Condenando-me ao pranto que houvesse para toda a terra molhar
Mais um dia que é dia de respirar sendo vento
dia de divagar na solidão
dia de cavar no fundo do poço até ao fim do mundo
até de lá se extrair o nada
Neste dia que é dia de lágrimas
secas, caladas, coladas a cara
Dia dos bonecos de sorriso trivial
Sufoca-se um pensamento que diz
«Tudo o que eu quero é poder mostrar-me feia,
em dor, em angústia, só na verdade do que agora sou»
Lástima, queixume, nada disso vale a pena
Só o destruir dessa superfície,
o destruir de toda a aparência de tudo o que possa aparecer
Enterrar tudo para fugir a toda a confusão da luz do dia
Estive todo o dia a espera da noite
e quando a noite chegou,
eu esperei até que de mim me perdesse completamente
arranquei-me do peito, esfolei-me lentamente
e retirei-me de mim, cavei-me toda em dor,
para da esperança poder retirar novamente quem sou
e vi todo o doce que eu tinha, a jorrar
Mais um dia em que minha alma atirou-me contra o céu violentamente
Condenando-me ao pranto que houvesse para toda a terra molhar
Mais um dia que é dia de respirar sendo vento
dia de divagar na solidão
dia de cavar no fundo do poço até ao fim do mundo
até de lá se extrair o nada
Neste dia que é dia de lágrimas
secas, caladas, coladas a cara
Dia dos bonecos de sorriso trivial
Sufoca-se um pensamento que diz
«Tudo o que eu quero é poder mostrar-me feia,
em dor, em angústia, só na verdade do que agora sou»
Lástima, queixume, nada disso vale a pena
Só o destruir dessa superfície,
o destruir de toda a aparência de tudo o que possa aparecer
Enterrar tudo para fugir a toda a confusão da luz do dia
Estive todo o dia a espera da noite
e quando a noite chegou,
eu esperei até que de mim me perdesse completamente
arranquei-me do peito, esfolei-me lentamente
e retirei-me de mim, cavei-me toda em dor,
para da esperança poder retirar novamente quem sou
Acorda-me
Acorda homem cheiroso,
Vira-te de vez para mim, não estejas de costas
Não estejas próximo assim
tão perto na distância de um sonho meu
Mexe-te, apronta-te, que pronta estou eu
Aqui, vestida de flor,
Com violetas em cabelos
Já te vi,
e vejo-te na minha estante de livros
No cheiro do mar, no cheiro do azul do sonho
Apressa-te, homem das esquinas, dos cafés,
dos bosques, homem pouco concretizado
homem humano, desengonçado
Que fora a tua amiga errante, verás que ninguém mais te espera
Eu, que nem a mim me reconheço, que de mim mesma ando escondida
Que de mim me desanimo, só na tua presença lembro quem sou
E quando a mim te virares nessa visão do sofrimento é lá que estou
Homem, lembra que tu sou eu, mas eu não sou tu,
eu sou do mundo, eu pari o mundo e por isso
todo o mundo adormece em mim
tu és o único que ainda não nasceu de mim,
o único homem que me mantém nutrida, não estás
homem dos meus sonhos ociosos
acorda-me do meu próprio sonho de mim
acorda-me desse sonho que é a vida
tão pouco sentida,
acorda-me
que quero é ser só dessa tua sensação
Que ser para mim é só isso
Vira-te de vez para mim, não estejas de costas
Não estejas próximo assim
tão perto na distância de um sonho meu
Mexe-te, apronta-te, que pronta estou eu
Aqui, vestida de flor,
Com violetas em cabelos
Já te vi,
e vejo-te na minha estante de livros
No cheiro do mar, no cheiro do azul do sonho
Apressa-te, homem das esquinas, dos cafés,
dos bosques, homem pouco concretizado
homem humano, desengonçado
Que fora a tua amiga errante, verás que ninguém mais te espera
Eu, que nem a mim me reconheço, que de mim mesma ando escondida
Que de mim me desanimo, só na tua presença lembro quem sou
E quando a mim te virares nessa visão do sofrimento é lá que estou
Homem, lembra que tu sou eu, mas eu não sou tu,
eu sou do mundo, eu pari o mundo e por isso
todo o mundo adormece em mim
tu és o único que ainda não nasceu de mim,
o único homem que me mantém nutrida, não estás
homem dos meus sonhos ociosos
acorda-me do meu próprio sonho de mim
acorda-me desse sonho que é a vida
tão pouco sentida,
acorda-me
que quero é ser só dessa tua sensação
Que ser para mim é só isso
Friday, September 13, 2013
Autorizado
Pode dizer tolices para sobrepor-se socialmente
Não pode ser excêntrico
Autorizado a não ser inteligente
Apenas autorizado a falar nonsense
Não autorizado a estar só e sim parado
Autorizado a esbanjar, socialmente
Autorizado ao vestir bem, socialmente
Ao trabalhar, é-se autorizado a gastar
Autorizado a não pensar
Autorizado a conviver socialmente assuntos socialmente aceites
Estudante, autorizado a repetir e decorar
Autorizado a esquecer depois
Não é autorizado a pensar sozinho
Autorizado a comer mal
Autorizado a ter muitos gastos financeiros e dormir pouco
Autorizado a vestir-se conforme quer, enquanto pode
Agora não, agora sim, agora sim, agora não, agora posso, agora não posso,
agora faço, agora desfaço, agora faz sentido, agora não faz sentido, não pensar,gastar, não gastar, pensar, comprar, esquecer, viver,
Fazer parecer que a vida esqueceu o que era viver
o imaginário de todos roubado na rua
os sonhos a sonharem com a vida enquando pagam só o acto de sonhar
o que há em saldos escancarado para quem quizer visualmente consumir
é uma puta de rua um sonho de cada um sem valor
escancarar a pureza para parecer lixo
escancarar a sujeira para nas compras confundir-se com ouro
Eu lembro que quando viver era esquecer, deixava-se tudo por
natureza
corpo nu
e chão
Não sei de onde lembro isso,
devo ter algum sonho ainda bem guardado...
mas não mo roubem por favor,
eu sei que ele não foi autorizado...
Não pode ser excêntrico
Autorizado a não ser inteligente
Apenas autorizado a falar nonsense
Não autorizado a estar só e sim parado
Autorizado a esbanjar, socialmente
Autorizado ao vestir bem, socialmente
Ao trabalhar, é-se autorizado a gastar
Autorizado a não pensar
Autorizado a conviver socialmente assuntos socialmente aceites
Estudante, autorizado a repetir e decorar
Autorizado a esquecer depois
Não é autorizado a pensar sozinho
Autorizado a comer mal
Autorizado a ter muitos gastos financeiros e dormir pouco
Autorizado a vestir-se conforme quer, enquanto pode
Agora não, agora sim, agora sim, agora não, agora posso, agora não posso,
agora faço, agora desfaço, agora faz sentido, agora não faz sentido, não pensar,gastar, não gastar, pensar, comprar, esquecer, viver,
Fazer parecer que a vida esqueceu o que era viver
o imaginário de todos roubado na rua
os sonhos a sonharem com a vida enquando pagam só o acto de sonhar
o que há em saldos escancarado para quem quizer visualmente consumir
é uma puta de rua um sonho de cada um sem valor
escancarar a pureza para parecer lixo
escancarar a sujeira para nas compras confundir-se com ouro
Eu lembro que quando viver era esquecer, deixava-se tudo por
natureza
corpo nu
e chão
Não sei de onde lembro isso,
devo ter algum sonho ainda bem guardado...
mas não mo roubem por favor,
eu sei que ele não foi autorizado...
Subscribe to:
Posts (Atom)