Saturday, January 25, 2014
Sunday, January 19, 2014
Terra molhada
Encontro pessoas dispostas a ouvir, poucas dispostas a escutar
Pessoas dispostas a ditar, pouco dispostas a questionar
Encontro ventos de norte, poucos ventos desnorteados.
Quero ventos desnorteados em fascínios.
Quero montanhas que possam dar vós a ventania.
Quero liberdade ressuscitada no primeiro gole do dia.
Facetas descobertas a tudo o que prende.
Quero ressuscitar-me nesta chuva em mim.
Quero partir para nunca mais chegar
E sorrir para ser mais que o retrato, ser vida
Quero cantar, como se vivesse no canto
ser de todos os pássaros que escolhem essa vida
Dançar no espanto das saias e no espanto do corpo
Viver na ilusão da vida sem morte e do amor sem desamor
Criar para dar sem pedir e para ter sem comprar
Quero cuidar porque gosto e ver crianças porque respiro
E ser árvore para aprender do toque o teu toque íntimo
Quero correr de braços abertos e deixar o calor alastrar-se num dia de Sol
Quero vidas e dias e meses soltos e dados aos ventos
Quero roupas rasgadas e coisas largadas,
quero um mergulho no mar
Quero pessoas confusas com palavras
que possam querer dizer qualquer coisa
Quero tanto que até me bastava o mar,
quero tanto que até me contenta a terra.
Pessoas dispostas a ditar, pouco dispostas a questionar
Encontro ventos de norte, poucos ventos desnorteados.
Quero ventos desnorteados em fascínios.
Quero montanhas que possam dar vós a ventania.
Quero liberdade ressuscitada no primeiro gole do dia.
Facetas descobertas a tudo o que prende.
Quero ressuscitar-me nesta chuva em mim.
Quero partir para nunca mais chegar
E sorrir para ser mais que o retrato, ser vida
Quero cantar, como se vivesse no canto
ser de todos os pássaros que escolhem essa vida
Dançar no espanto das saias e no espanto do corpo
Viver na ilusão da vida sem morte e do amor sem desamor
Criar para dar sem pedir e para ter sem comprar
Quero cuidar porque gosto e ver crianças porque respiro
E ser árvore para aprender do toque o teu toque íntimo
Quero correr de braços abertos e deixar o calor alastrar-se num dia de Sol
Quero vidas e dias e meses soltos e dados aos ventos
Quero roupas rasgadas e coisas largadas,
quero um mergulho no mar
Quero pessoas confusas com palavras
que possam querer dizer qualquer coisa
Quero tanto que até me bastava o mar,
quero tanto que até me contenta a terra.
Thursday, January 16, 2014
Ficção
Gostava de libertar-me da sensação de estar a ser observada
mesmo quando não estou.
Sinto a vida como se estivesse num filme e eu fosse personagem exterior a minha própria história.
Não me sinto parte do que acontece diariamente em minha própria vida.
Não sou parte do meu trabalho, não sou parte do que estudo, não sou parte do que penso, e nem sinto relação com as pessoas a minha volta.
Essa sensação é mais autêntica com as pessoas, no geral com estas não sinto relação alguma.
Por momentos posso sentir-me parte de uma lembrança que partilhei com alguma pessoa que considerei especial. No entanto, essa experiência de pertença, é muito rara. A maior parte do tempo, sou passiva em vida. Se algo houver em que me torne activa, é na escrita, nos meus sonhos, na natureza, em pequenos segundos onde não penso e reajo simplesmente.
Mas… esses momentos vivos são cada vez mais escassos. Frequentemente, ajo depois de pensar e assim.. mais uma vez, me torno personagem passiva no filme da minha própria mente.
Um dia, gostava de acordar, e decidir viver. Pelo menos um dia inteiro! Mas para isso, teria de me sentir segura onde estivesse para ser quem sou sem pensar. E esse lugar ilimitado, nem sequer sei se existe. A liberdade completa, dificilmente existe por mais do que alguns segundos, ou minutos por sorte, até que o pensamento nos atormente. Nos atormente a consciência do outro, que não somos nós, mas que deveria ser. E então, volto outra vez ao turbilhão do ser e não ser e assim já não estou a viver!
Não me sinto parte do que acontece diariamente em minha própria vida.
Não sou parte do meu trabalho, não sou parte do que estudo, não sou parte do que penso, e nem sinto relação com as pessoas a minha volta.
Essa sensação é mais autêntica com as pessoas, no geral com estas não sinto relação alguma.
Por momentos posso sentir-me parte de uma lembrança que partilhei com alguma pessoa que considerei especial. No entanto, essa experiência de pertença, é muito rara. A maior parte do tempo, sou passiva em vida. Se algo houver em que me torne activa, é na escrita, nos meus sonhos, na natureza, em pequenos segundos onde não penso e reajo simplesmente.
Mas… esses momentos vivos são cada vez mais escassos. Frequentemente, ajo depois de pensar e assim.. mais uma vez, me torno personagem passiva no filme da minha própria mente.
Um dia, gostava de acordar, e decidir viver. Pelo menos um dia inteiro! Mas para isso, teria de me sentir segura onde estivesse para ser quem sou sem pensar. E esse lugar ilimitado, nem sequer sei se existe. A liberdade completa, dificilmente existe por mais do que alguns segundos, ou minutos por sorte, até que o pensamento nos atormente. Nos atormente a consciência do outro, que não somos nós, mas que deveria ser. E então, volto outra vez ao turbilhão do ser e não ser e assim já não estou a viver!
Descrevi como acontece esse processo consciente, que me
permite viver de mim mesma em filme. O que haverá entre um nome e a
inexistência. Será exigência minha, esse querer viver assim intensamente? O que resta entre o que existe e o que não existe. O que há entre
o sentimento e um processo mental qualquer? É daí que creio numa realidade
qualquer da qual faça parte. Mas na verdade, sinto uma certa satisfação em não
querer-me sequer definir. Algo definido parece-me também algo preso a um conceito, e por isso também limitado.
É o mesmo quando penso que encontrei a pessoa que realmente amo e subitamente, quando essa pessoa afasta-se por algum tempo, sinto-me muito mais presente em mim, do que quando essa pessoa que amo estava comigo. Como será isto possível? É como se eu fosse capaz de amar uma
pessoa, de forma mais completa na sua ausência e não na sua presença. Porque só nessa ausência, essa pessoa
permite que eu a mim mesma encontre.
Aí nessa distância, deambulo, espreguiço-me, escrevo, aprecio a paisagem, aí quando me ausento do amor, encontro amor em mim, o amor que antes nem recordava que existia. Quando quero alguém ao meu lado com demasiada força, esqueço até que eu própria existo. O mistério consiste em saber, qual prazer possuo em esquecer quem sou. Porque por vezes esqueço desse prazer de fazer e ser o que me apetece? Escrevo deste sentimento, para criar um distanciamento, do único sentimento próprio, ao qual facilmente não sou personagem própria de mim. Esse sentimento, é o único sentimento que me faz desempenhar um papel activo dentro do meu próprio corpo. De todos os outros sentimentos, sou retrato e sou ficção.
Aí nessa distância, deambulo, espreguiço-me, escrevo, aprecio a paisagem, aí quando me ausento do amor, encontro amor em mim, o amor que antes nem recordava que existia. Quando quero alguém ao meu lado com demasiada força, esqueço até que eu própria existo. O mistério consiste em saber, qual prazer possuo em esquecer quem sou. Porque por vezes esqueço desse prazer de fazer e ser o que me apetece? Escrevo deste sentimento, para criar um distanciamento, do único sentimento próprio, ao qual facilmente não sou personagem própria de mim. Esse sentimento, é o único sentimento que me faz desempenhar um papel activo dentro do meu próprio corpo. De todos os outros sentimentos, sou retrato e sou ficção.
Amar a distância
Adoro amar-te a distância.
Como adoro buscar inspiração na
minha ausência de mim.
Adoro flutuar em presença.
Como adoro buscar refúgio num
silêncio das palavras que não digo.
Adoro o contraste da diferença que tenho de outros,
para
exaltar-me em algum objecto de paisagem.
Adoro a vida, vivida num fôlego.
Como adoro a vida do
passado que já morreu.
Adoro acariciar-te até em minha própria mente.
E observar
pessoas mentirem a si mesmas,
ao exaltarem as suas próprias existências medíocres.
ao exaltarem as suas próprias existências medíocres.
Adoro escrever, porque me permite existir,
quando doutras
coisas prefiro abdicar por serem tão existentes, que se tornam triviais.
Embora seja nas coisas triviais, que busco conforto e não
nas pessoas.
Cedo senti que pessoas significativas fugiam de mim,
então aprendi que possuo pessoas na ausência.
então aprendi que possuo pessoas na ausência.
Adoro não significar nada de ninguém,
como adoro significar tudo para alguém num segundo apenas.
como adoro significar tudo para alguém num segundo apenas.
Como adoro não ser nada, para poder ser
tudo ao mesmo tempo.
Adoro-te mais ao longe, e só a distância concordo contigo.
Por eu ser insustentável ao meu próprio corpo,
tu tornas a minha vida real.
tu tornas a minha vida real.
Enquanto em meu próprio corpo, eu seria insustentável a minha imaginação.
Só na imaginação, permito-me amar ao longe.
Saturday, January 11, 2014
Cinzas
Amor, ser é amor
Qual esqueleto saltitante, qual luta pela vida
qual segurança fingida que é a vida do trabalhador
O amor é que é a vida
Quais laços escritos em papéis de casamento
Quais notícias de jornal a definirem o vencedor e o perdedor
Do amor, morrerei, do amor nascerei
Quais objectos materiais, quais corpos
A vida é dos espíritos viajantes pelo mundo,
E dos nus ressuscitando o universo em suas planetárias respirações
Sou dessa individualidade desconstruída, desse fogo que apagado volta a queimar
Qual obra construída, qual acontecimento que marcou
quando aparece amor, tudo se curva e tudo se desvanece
Quais reis, e quais encontros mediáticos
Qual sobrevivencia, qual rotina diária
Por amor, até me desfaço em cinzas e sou feliz
Qual esqueleto saltitante, qual luta pela vida
qual segurança fingida que é a vida do trabalhador
O amor é que é a vida
Quais laços escritos em papéis de casamento
Quais notícias de jornal a definirem o vencedor e o perdedor
Do amor, morrerei, do amor nascerei
Quais objectos materiais, quais corpos
A vida é dos espíritos viajantes pelo mundo,
E dos nus ressuscitando o universo em suas planetárias respirações
Sou dessa individualidade desconstruída, desse fogo que apagado volta a queimar
Qual obra construída, qual acontecimento que marcou
quando aparece amor, tudo se curva e tudo se desvanece
Quais reis, e quais encontros mediáticos
Qual sobrevivencia, qual rotina diária
Por amor, até me desfaço em cinzas e sou feliz
Friday, January 10, 2014
Homeostase
Tudo tem uma música própria, com a qual, pode livremente ressoar. Não há obrigações com a vida, quando ela pode se criar naturalmente a partir de dentro.
O verdadeiro trabalho consiste, em permitir a abertura para à vida na sua própria expressão.
Nós sentimos e somos verdadeiramente, em mútuas relações. No entanto, enquanto elas surgem, em momentos de solidão há algo que interrelaciona tudo, como uma vibração, uma canção onde as almas se permitem existir em dança e em extensas divagações. Apesar de existirmos em relação, parece-me que existe nisso algo para além disso mesmo, para além de relações sociais.
Um senso de existir maior, uma construção aparentemente desconstruída, um equilíbrio em homeostase interna e externa- um tom, uma harmonia natural com a qual ressoamos.
Como se tudo tivesse a sua própria música e o seu próprio pranto, tudo tem o seu ponto íntimo que o faz ressoar. Não é necessário força, e sim liberdade, nem complexidade e sim simplicidade.
Tudo tem o seu auge invisível, uma essência que se permitirmos, pode criar quem somos.
E não é necessário nome algum, e sim permitir. Abrir para a música a nossa volta. Esse lado sensível que há em tudo. Nas pessoas que passam por nós, nos animais, nas coisas, todas essas coisas tem uma canção. Algo intrínseco a si próprios. Algo único e distinto que espera ansiosamente libertar-se de si próprio, libertar-se da própria vida, sendo a vida em si. Todos temos um anseio de morte, que trás o anseio de vida, que trás, as revoluções. Mas que apesar de gerar uma aparente turbulência exterior, é o que trás movimento a própria vida.
O verdadeiro trabalho consiste, em permitir a abertura para à vida na sua própria expressão.
Nós sentimos e somos verdadeiramente, em mútuas relações. No entanto, enquanto elas surgem, em momentos de solidão há algo que interrelaciona tudo, como uma vibração, uma canção onde as almas se permitem existir em dança e em extensas divagações. Apesar de existirmos em relação, parece-me que existe nisso algo para além disso mesmo, para além de relações sociais.
Um senso de existir maior, uma construção aparentemente desconstruída, um equilíbrio em homeostase interna e externa- um tom, uma harmonia natural com a qual ressoamos.
Como se tudo tivesse a sua própria música e o seu próprio pranto, tudo tem o seu ponto íntimo que o faz ressoar. Não é necessário força, e sim liberdade, nem complexidade e sim simplicidade.
Tudo tem o seu auge invisível, uma essência que se permitirmos, pode criar quem somos.
E não é necessário nome algum, e sim permitir. Abrir para a música a nossa volta. Esse lado sensível que há em tudo. Nas pessoas que passam por nós, nos animais, nas coisas, todas essas coisas tem uma canção. Algo intrínseco a si próprios. Algo único e distinto que espera ansiosamente libertar-se de si próprio, libertar-se da própria vida, sendo a vida em si. Todos temos um anseio de morte, que trás o anseio de vida, que trás, as revoluções. Mas que apesar de gerar uma aparente turbulência exterior, é o que trás movimento a própria vida.
Tuesday, December 31, 2013
Monday, December 30, 2013
Saturday, December 28, 2013
interior
Quero fazer um desenho
Um desenho da minha própria vida
Quero pintar com as letras quem sou
e delinear da vida o que quero com guaches coloridos
Quero criar canções que me lembrem na música que me fez nascer
E recitar poemas que me digam de mim
Para quem eu vou ser não ser nada além disso mesmo.
Quero criar fantoches dos bonecos que vejo na estrada
E criar comédias de todas as estruturas criadas
Quero fazer um esquema do que existe
E desfaze-lo num puzzle para encontrar-me comigo
Não vou ser de nada nem de ninguem
Não vou ter profissão nem morada
Hei de encontrar morada com os peixes
Ei de chegar as tocas dos coelhos
Para dentro dela ser alguém
Que dos outros nem quero levar nada
E de mim nem quero que seja de ninguém
Que só dentro de mim haverá meu descanso
Que de fora ninguem saiba quem sou
Neste mundo de pessoas convencionadas
baralhadas, desnorteadas e dissimuladas
que possa estar completa numa vida interior.
Um desenho da minha própria vida
Quero pintar com as letras quem sou
e delinear da vida o que quero com guaches coloridos
Quero criar canções que me lembrem na música que me fez nascer
E recitar poemas que me digam de mim
Para quem eu vou ser não ser nada além disso mesmo.
Quero criar fantoches dos bonecos que vejo na estrada
E criar comédias de todas as estruturas criadas
Quero fazer um esquema do que existe
E desfaze-lo num puzzle para encontrar-me comigo
Não vou ser de nada nem de ninguem
Não vou ter profissão nem morada
Hei de encontrar morada com os peixes
Ei de chegar as tocas dos coelhos
Para dentro dela ser alguém
Que dos outros nem quero levar nada
E de mim nem quero que seja de ninguém
Que só dentro de mim haverá meu descanso
Que de fora ninguem saiba quem sou
Neste mundo de pessoas convencionadas
baralhadas, desnorteadas e dissimuladas
que possa estar completa numa vida interior.
No peito
A caixa abriu-se e as lágrimas correram
Os arrepios escorreram pelos braços
Da dor da realidade que não chegava
Da verdade que não nos entrava pela porta
Os sentimentos eram partidos, nunca eram chegados
e poucos eram os que eram partilhados
quando o peito de si mesmo não conseguia dizer,
sua dor
Porque as palavras não chegavam
Ficavam coisas por exprimir
Porque as pessoas eram cegas
porque era cego quem não falava
Enquanto a flor do peito murchava
E as vozes deixavam de soar
E a música da vida parava de tocar
E os pássaros voavam apenas no céu
E a vida parecia parada no tempo
no passado que passou
A caixa abriu-se
quando alguém amigo finalmente viu
Aquilo que ninguem mais ousou tentar descobrir
Quando alguém olhou nos olhos
Quando passou-se a mão pelo rosto
Quando as emoções voltavam a ser tingidas,
com cores de novas sensações, o coração voltava a bater
Haverá algo no mundo que valha a pena?
Algo de mais sagrado do que a flor murcha no peito?
Haverá coisa que nos faça sair de nós?
Os arrepios escorreram pelos braços
Da dor da realidade que não chegava
Da verdade que não nos entrava pela porta
Os sentimentos eram partidos, nunca eram chegados
e poucos eram os que eram partilhados
quando o peito de si mesmo não conseguia dizer,
sua dor
Porque as palavras não chegavam
Ficavam coisas por exprimir
Porque as pessoas eram cegas
porque era cego quem não falava
Enquanto a flor do peito murchava
E as vozes deixavam de soar
E a música da vida parava de tocar
E os pássaros voavam apenas no céu
E a vida parecia parada no tempo
no passado que passou
A caixa abriu-se
quando alguém amigo finalmente viu
Aquilo que ninguem mais ousou tentar descobrir
Quando alguém olhou nos olhos
Quando passou-se a mão pelo rosto
Quando as emoções voltavam a ser tingidas,
com cores de novas sensações, o coração voltava a bater
Haverá algo no mundo que valha a pena?
Algo de mais sagrado do que a flor murcha no peito?
Haverá coisa que nos faça sair de nós?
Friday, December 27, 2013
Intimidade
Intimidade é a capacidade de relacionarmo-nos com a alma de todas as coisas, com a alma do mundo. Normalmente, pensamos nas nossas necessidades pessoais como apenas nossas e de mais ninguém. Necessidades de afecto, de atenção, de partilha, de conforto, etc.
Na verdade, o facto das nossas necessidades nos parecerem únicas na sua complexidade, não as torna transversais a nós mesmos. Se fossemos capazes de nos abrir, à grandeza do universo. E isto é algo que nos pode acontecer facilmente num sonho, numa visão ou numa intuição. Mas se fossemos capazes de nos manter nessa relação com o universo, nessa verdadeira relação de intimidade em pura proximidade, estaríamos talvez completos ou felizes, ou simplesmente estaríamos sem precisar pensar.
Talvez isto seja o verdadeiro significado de religião (re-ligar), mas para mim, não há religião que não seja uma extensão da nossa própria experiência enquanto seres humanos. Essa nossa capacidade de expansão, de nos estendermos perante séculos e encontrarmos lá um sentimento em comum (através de lendas, por exemplo), essa capacidade de percorrermos distâncias sem fim longe de nós mesmos ou dentro de nós mesmos, e ainda assim estarmos conectados em intimidade, reconhecermos algo de nós nisso tudo, isto pode ser mais do que uma religião qualquer. É algo único e comum a cada um de nós e em todos nós que está totalmente vivo em sua única complexidade.
Não podemos deixar que esta intimidade nos seja julgada, pondo nela um rótulo, nem podemos acreditar num redentor externo às nossas horas menos boas. A nossa intimidade com as coisas simples do dia a dia, com as pessoas que amamos, são a porta aberta para a luz que reflectimos da própria vida, e é algo vivo, disponível a todos nós, todos os dias. Todos os dias temos um potencial infinito, na infinitez da nossa própria natureza em relação com tudo o resto. O nosso poder reside apenas em deixar as barreiras que criamos com a nossa própria mente.
Na verdade, o facto das nossas necessidades nos parecerem únicas na sua complexidade, não as torna transversais a nós mesmos. Se fossemos capazes de nos abrir, à grandeza do universo. E isto é algo que nos pode acontecer facilmente num sonho, numa visão ou numa intuição. Mas se fossemos capazes de nos manter nessa relação com o universo, nessa verdadeira relação de intimidade em pura proximidade, estaríamos talvez completos ou felizes, ou simplesmente estaríamos sem precisar pensar.
Talvez isto seja o verdadeiro significado de religião (re-ligar), mas para mim, não há religião que não seja uma extensão da nossa própria experiência enquanto seres humanos. Essa nossa capacidade de expansão, de nos estendermos perante séculos e encontrarmos lá um sentimento em comum (através de lendas, por exemplo), essa capacidade de percorrermos distâncias sem fim longe de nós mesmos ou dentro de nós mesmos, e ainda assim estarmos conectados em intimidade, reconhecermos algo de nós nisso tudo, isto pode ser mais do que uma religião qualquer. É algo único e comum a cada um de nós e em todos nós que está totalmente vivo em sua única complexidade.
Não podemos deixar que esta intimidade nos seja julgada, pondo nela um rótulo, nem podemos acreditar num redentor externo às nossas horas menos boas. A nossa intimidade com as coisas simples do dia a dia, com as pessoas que amamos, são a porta aberta para a luz que reflectimos da própria vida, e é algo vivo, disponível a todos nós, todos os dias. Todos os dias temos um potencial infinito, na infinitez da nossa própria natureza em relação com tudo o resto. O nosso poder reside apenas em deixar as barreiras que criamos com a nossa própria mente.
Wednesday, December 25, 2013
Necessidade
Existe a necessidade de intimidade
Necessidade de agarrar com a emoção
E desabotoar o botão do gesto
Existe a necessidade de bochechar as águas dos humores
Existe a vontade de agarrar com as mãos, migalhas de momentos passados
E a vontade de cravar os dentes em bolhas de sabão aos corações
Existe aquele texto escrito que define 6 meses de uma vida
E existe aquele espaço que se vai deixando isolado sem razão nenhuma
Há aquele polvilhar no bolo que sempre esteve comido
Há questões que faço para nunca serem respondidas
E retratos partidos porque já nos corromperam a vida de vez
E assim, passa-me a vida cada vez que respiro
Em pontos brilhantes que se casam comigo
Passam-me instantes em que falaria, montanhas se assim pudesse
Há vícios de retratos dum interior e sonos guardados em caixas de solidão
Soltos fragmentos, tingidos do tempo que ainda ousam pisar este chão
Em que deixas-me e eu ainda te sinto mais,
em minha própria canção
Necessidade de agarrar com a emoção
E desabotoar o botão do gesto
Existe a necessidade de bochechar as águas dos humores
Existe a vontade de agarrar com as mãos, migalhas de momentos passados
E a vontade de cravar os dentes em bolhas de sabão aos corações
Existe aquele texto escrito que define 6 meses de uma vida
E existe aquele espaço que se vai deixando isolado sem razão nenhuma
Há aquele polvilhar no bolo que sempre esteve comido
Há questões que faço para nunca serem respondidas
E retratos partidos porque já nos corromperam a vida de vez
E assim, passa-me a vida cada vez que respiro
Em pontos brilhantes que se casam comigo
Passam-me instantes em que falaria, montanhas se assim pudesse
Há vícios de retratos dum interior e sonos guardados em caixas de solidão
Soltos fragmentos, tingidos do tempo que ainda ousam pisar este chão
Em que deixas-me e eu ainda te sinto mais,
em minha própria canção
Almoço
Lamber os beiços a isso tudo
Dar-me delicadamente assim num copo de vinho
Açoitar de vez a consciência
Apurar o gosto para um auto golpe profundo
Recitar versos aos fantasmas do tempo
E drogar-me em alucinações terrestres
Sair-me docemente em galhofa
Soltar-me toda num ego morto e falante
E vangloriar em mim toda a miséria
Sendo a rainha de todos os famintos
E vomitar o ouro que outros nos devem
Lambuzando as tripas nas lamúrias do que não fui
E aproveitar os restos do que me foi dado
Embriagar-me nos convívios das luxurias inventadas
Deitar-me no chão e derrotar-me de vez aos outros
Sendo homem para não ter o papel normal passivo e feminino
Engolir o sangue da inútil introspecção
E gritar aos outros as únicas palavras usuais a serem ditas
Lambuzar-me mostrando a merda que me criou
Arrotando nos sonhos, só para dar a luz,
a tudo o que é gasto quando se é adulto.
Dar-me delicadamente assim num copo de vinho
Açoitar de vez a consciência
Apurar o gosto para um auto golpe profundo
Recitar versos aos fantasmas do tempo
E drogar-me em alucinações terrestres
Sair-me docemente em galhofa
Soltar-me toda num ego morto e falante
E vangloriar em mim toda a miséria
Sendo a rainha de todos os famintos
E vomitar o ouro que outros nos devem
Lambuzando as tripas nas lamúrias do que não fui
E aproveitar os restos do que me foi dado
Embriagar-me nos convívios das luxurias inventadas
Deitar-me no chão e derrotar-me de vez aos outros
Sendo homem para não ter o papel normal passivo e feminino
Engolir o sangue da inútil introspecção
E gritar aos outros as únicas palavras usuais a serem ditas
Lambuzar-me mostrando a merda que me criou
Arrotando nos sonhos, só para dar a luz,
a tudo o que é gasto quando se é adulto.
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