Tuesday, November 26, 2013
Nada para dizer
«Não há o que comunicar.
Se já sou do esquecimento.
Dos cafés vazios. Das árvores nuas.
Do arrependimento.
Não há o que dizer.
Se sou como quem vê a juventude e não tem voz.
Se algo sinto é algo que não é meu.
Se algo digo é algo que não sai de mim.
Sinto, esse ser desconexo, eterno em ser fora do contexto.
Sou o movimento que é reflexo de qualquer coisa a mais.
Sinto o que sinto, e não há nada que o faça dizer
Dou e está dado, nada retorna a mim sem querer.
Escorre-me um frio interno que nada de fora me faz exprimir
Palpita-me um peito que chora, que cava fundo de mais e assusta o que de fora,
estivesse para vir.
Sou na vida do emigrado, do refugiado
Refugiada que sou em minha própria vida que prende
Sou de quem sofre e não pode, justificar a si próprio a sua própria dor
Fui enviada para o lugar errado, de uma forma impossível de explicar
E eu fui enviada para guiar, tudo aquilo que eu não sou.
E quem eu sou fica por dizer, engolida e sacrificada.
Parada, sem mais o que fazer do que existir
Vivo num tempo que nem é futuro nem passado nem presente,
é o tempo do viajante parado numa cidade isolada.
E há quem diga que eu devia pedir ajuda
Mas se eu fosse não teria o que dizer
Ou no mínimo não seria compreendida.
Porque sinto o vento e nele ao mesmo tempo estou.
Porque sinto ao contrário do exterior
Sinto para dentro e para fora sou só miragem
Quem me ve como sou não me vê em nada
Eu nem eu própria sou, senao qualquer coisa que paira.
E de mim nunca tenho nada a dizer.»
Luna Marques
Friday, November 15, 2013
O que era suposto.
A noite que é dia para corpos mortos.
O frio que é o calor da dor de tantos porcos.
A ausência que é presença para os que se identificam com a cobertura.
Fui eu quem reneguei tudo isso, quem renegou o musgo do vento, a prata do tempo?
A vida é morte para os que cavam fundo.
A fruta é amarga para os que escondem o que sofrem
A sina que é sorte para quem se mexe nas migalhas da comida que outros deixaram apodrecer.
Fui eu quem construiu nisso tudo, quem construiu na desconstrução, fui a comunicação do defunto?
A Luz que é a oscilação de maresia,
A Magia do coração que não sabe o porquê do seu toque
O Silêncio que é a voz dos que não tem voz, o idealismo esquecido em nosso pobre viver
Haverá o que desfazer no que já foi feito, haverá cintilar na escuridão, será possivel dizer o que não foi dito, e aparecer sem corpo e sem direcção?
O que foi da distância que vai entre o que existe e o que não existe?
qual foi a aparição da vítima que era a causa da violação?
Será o sistema que cega quem pode provocando a falsa necessidade?
Será o ferir da vontade, o medo de ser alguém mais?
E se falhar for o que houver para fazer.. ?
O frio que é o calor da dor de tantos porcos.
A ausência que é presença para os que se identificam com a cobertura.
Fui eu quem reneguei tudo isso, quem renegou o musgo do vento, a prata do tempo?
A vida é morte para os que cavam fundo.
A fruta é amarga para os que escondem o que sofrem
A sina que é sorte para quem se mexe nas migalhas da comida que outros deixaram apodrecer.
Fui eu quem construiu nisso tudo, quem construiu na desconstrução, fui a comunicação do defunto?
A Luz que é a oscilação de maresia,
A Magia do coração que não sabe o porquê do seu toque
O Silêncio que é a voz dos que não tem voz, o idealismo esquecido em nosso pobre viver
Haverá o que desfazer no que já foi feito, haverá cintilar na escuridão, será possivel dizer o que não foi dito, e aparecer sem corpo e sem direcção?
O que foi da distância que vai entre o que existe e o que não existe?
qual foi a aparição da vítima que era a causa da violação?
Será o sistema que cega quem pode provocando a falsa necessidade?
Será o ferir da vontade, o medo de ser alguém mais?
E se falhar for o que houver para fazer.. ?
Thursday, November 14, 2013
Ausência
«Uma vez a mão do vento assim ergueu, uma mão que sobre mim altera todo um curso de
vida
Vi-me, de repente, não mais sozinha, e sim, entrelaçada a tua
Num instante, acordei e vi-me sozinha outra vez
Acordei, sem chão, sem teto, sem alma, sem lembrar de
repente que sabor poderia ter tido a vida antes de ti
Agora vivo apenas dias e mais dias, dias seguidos de dormir e sem querer acordar, ou de acordar
para ir dormir com pouco de significância e significado entre isso.
São longos dias em que parte de mim continua cegamente a ansiar-te perdidamente, um anseio que
aquela brisa calorosa volte e te traga de novo para junto de mim
Outra parte anseia apenas esquecer, porque concluiu
abertamente que na realidade deve deixar-se viver, e andar outra vez ao sabor de
outras brisas com novas sensações
E o tempo vai passando, e eu vivendo nesse angustioso ata
desata, nesse desato que não sabe se quer desatar ou se prefere continuar atado
No fundo sei que só resta continuar o trilho e deixar te
para trás mas não resisto a saborear-te vezes sem conta
Tas ainda na minha mente e só me vejo a esperar, esperar pela
brisa que te trouxe de repente da mesma forma que de repente escolheu
expulsar-me de ti
Procuro, e vejo uma busca sem fim, vou a volta de tudo e um
pouco mais de nada encontro, tudo o que vejo são miragens, reflexos aparentes
de tudo o que tu não és
Mesmo quando imagino acabo, concluo e avesso memórias que
nunca aconteceram , tudo o que eu queria era que estivesses para as fazer
contigo
Tudo o que eu posso fazer é pôr-te na parte de uma vida a
dois que eu criei, um bocado de algo que nunca foi nem será, um passado que não
se deixa esquecer e se recusa a deixar de ser repetido
Toda a minha alma esteve completa naqueles segundos de
fôlego naqueles segundos de doce fantasia que não volta mais
Foste mesmo aquela pequena brisa apenas, que agora não deixa
de ser minha identidade, minha pátria, um retiro, uma verdade e lembranças exageradas
por romanescas sensações
“A chama que a vida em nós
criou …a mão do vento pode erquê-la ainda…”
E por isso, assim espero…»
Ausência
Cada nascer do Sol é único, o Sol teu regente num dia
ensolarado
fez tua miragem que minha alma acarinhou.
Cada lua, é bênção de amantes, que mesmo distantes um do
outro tem sua presença , nua
A lua é nua como o amor é cego a distância próxima de um
outro corpo.
E flores, são da doçura, o reflexo da amargura que se sente
de um passado
Que é o espelho partido do estado, da alma despedaçada pela
flor que murchou.
Nado vivo ou morto, o que eu sou, desses retalhos, pedaços
que conto e desconto na minha própria consciência que cegou.
Sou da partida e da chegada, da canoa e do caminho que nem
percorrido se torna descrito, que se quer escrever e agarrar o que estragou,
Quer ser nuvem, que dá para ser a ressurreição na verdade da
infância que se sonhou.
Que cores tenho na mão, da sina que me contaram para eu não
revelar quem sou?
Que tempo guardo ainda no peito, se tanto passado fez gastar
a pouca vida que restou?
Que tinta existe ainda para usar, se sou como cinza, a cinza
viva duma chama caída,
Pedra que pensa ter sido mais num passado distante. Pétala
que não sabe da própria flor.
Dor que vive no silêncio da fala que faz o coração bater,
Sombra do que criou, destruiu, nasceu, e é cego na própria
pureza.
Fui cega, nunca a mim fiz nascida, de repente foi a
minha pele quem mentiu. O lar foi fantasma para o sangue.
Perdi.
Perdi.
Friday, November 08, 2013
Escolhas...
«Continuo a espera do dia da escolha
do dia em que haverá algo a escolher
porque no dia que olhei o céu vi o mar
e no dia que vi o mar nesse dia eu vi
um poço que era mais que eu porque me tinha
Continuo a espera do dia da escolha
porque quando eu vi uma árvore
eu vi minhas próprias veias
e quando eu senti essas veias
eu vi que eu era como o acto de respirar
e foi só daí que me despi para um outro
E me fiz planta, que dá cura para ser feliz
Continuo a espera dum momento em que possa escolher
porque foi desse querer o que faz falta, que cresci
porque enquanto outros sorriam eu vivia para esperar sozinha
E o que todos ignoravam eu procurava para sofrer
E entender, para me fazer refém, de olhos que secretam vida
E sonhei, em vão, que escolhia
porque pensei que enquanto aprendia, acreditava
enquanto dentro de mim era minha mente quem mentia
E cansei de esperar e tentei em vão fugir
enquanto a vida me escolhia e me arrastava
para o lugar da onde até eu própria vim
E os lugares que devo estar me escolhem
e eu não escolho ninguem nem lugar nenhum
e quando o Sol bate em mim só reflete
a única borboleta que minha mente soube desfolhar
E quando a vida se dá eu não sei fazer mais nada
E quando a dor se vai não há mais nada que me faça crescer
Do que ser terra, ser dança, ser curandeira e ser amor
Sendo isso, que é só isso que dou.»
Thursday, November 07, 2013
folha em branco
Quero reescrever a minha história
Reescrever tudo, sendo só história
Reescrever sendo planta, ser puro
Que se nutre, sendo singelo
Quero reescrever esses tons que existem a minha volta
Recolorindo o que perdeu cor
Quero no amor divagar sendo estrela
Estando lá longe numa espera, apenas iluminando
Quero reescrever o acto de sacrificar
Que não seja só causa de dor, que seja para compreenção
Que a ferida possa finalmente secar
E tratada, escolher uma história de amor
Quero voltar a cantar como cantava
Usar a minha capacidade de dentro de mim viajar
Quero não encontrar mais as amarras
Para que a felicidade tua seja tudo o que existe
Quero voltar a ser vida, voltar a dar-me sendo canal
Voltar a aceitar ouvir as vozes que ouço secretamente
Sem criticar o que escuto por dentro
Quando nada da vida restar em mim
Quero que exista algo de mim ligado profundamente a ela.
Não tendo sítio ou pessoa a quem me possa ligar, escrevo-me, e encontro-me comigo em texto,
com o fim de mim a mim desapegar.
E ser gosto do desgosto de ter gosto e prazer em tudo o querer desligar.
Sou só de nada, o desfazer de cada folha de papel, despida nesse ser que quer retornar a ingenuidade - essa metade despida de tudo - estravassar da vida que é tão pura, que nem sou eu nem ninguém.
Reescrever tudo, sendo só história
Reescrever sendo planta, ser puro
Que se nutre, sendo singelo
Quero reescrever esses tons que existem a minha volta
Recolorindo o que perdeu cor
Quero no amor divagar sendo estrela
Estando lá longe numa espera, apenas iluminando
Quero reescrever o acto de sacrificar
Que não seja só causa de dor, que seja para compreenção
Que a ferida possa finalmente secar
E tratada, escolher uma história de amor
Quero voltar a cantar como cantava
Usar a minha capacidade de dentro de mim viajar
Quero não encontrar mais as amarras
Para que a felicidade tua seja tudo o que existe
Quero voltar a ser vida, voltar a dar-me sendo canal
Voltar a aceitar ouvir as vozes que ouço secretamente
Sem criticar o que escuto por dentro
Quando nada da vida restar em mim
Quero que exista algo de mim ligado profundamente a ela.
Não tendo sítio ou pessoa a quem me possa ligar, escrevo-me, e encontro-me comigo em texto,
com o fim de mim a mim desapegar.
E ser gosto do desgosto de ter gosto e prazer em tudo o querer desligar.
Sou só de nada, o desfazer de cada folha de papel, despida nesse ser que quer retornar a ingenuidade - essa metade despida de tudo - estravassar da vida que é tão pura, que nem sou eu nem ninguém.
Wednesday, October 23, 2013
insaciar
Não sei se gosto de ti..
mas gosto do gosto do teu tipo. da tua imagem..
do teu jeito descrito
Não sei se te conheço a alma..
não sei sei te entendo ou se é a mim que vejo..
mas observo e é o teu tipo que gosto.
É do teu gosto que gosto é do teu sabor..
é da tua visão do mundo.
Uns vêem o mundo azul.
Outros vêem o mundo roxo.
Outros alternam como eu indecisos de suas adequadas capas..
mas tu.. gosto da tua sina que é só tua e de poucos mais..
do teu verde natural em tudo integral..
tão transparente de seres fraco por fora e branco por dentro, autêntico
e se eu te visse?
que desilusão, melhor seria se nunca te visse.
E se eu visse quem tu realmente és?
E se eu te visse e descobrisse que tu és tão colorido quanto eu?
E se eu visse que tu até és quase desumano ou até humano demais?
Acho melhor que não te veja
Melhor não ver como és na totalidade
Para manter essa pureza de sonhar sem ter saciedade e poder manter-me na beleza da espera
Porque se analiso, se vou ao âmago.. na verdade é o âmago de tudo que amo..
e não há realmente um objecto a amar.. só existe o desespero
o desespero insaciado de amar tudo
mas gosto do gosto do teu tipo. da tua imagem..
do teu jeito descrito
Não sei se te conheço a alma..
não sei sei te entendo ou se é a mim que vejo..
mas observo e é o teu tipo que gosto.
É do teu gosto que gosto é do teu sabor..
é da tua visão do mundo.
Uns vêem o mundo azul.
Outros vêem o mundo roxo.
Outros alternam como eu indecisos de suas adequadas capas..
mas tu.. gosto da tua sina que é só tua e de poucos mais..
do teu verde natural em tudo integral..
tão transparente de seres fraco por fora e branco por dentro, autêntico
e se eu te visse?
que desilusão, melhor seria se nunca te visse.
E se eu visse quem tu realmente és?
E se eu te visse e descobrisse que tu és tão colorido quanto eu?
E se eu visse que tu até és quase desumano ou até humano demais?
Acho melhor que não te veja
Melhor não ver como és na totalidade
Para manter essa pureza de sonhar sem ter saciedade e poder manter-me na beleza da espera
Porque se analiso, se vou ao âmago.. na verdade é o âmago de tudo que amo..
e não há realmente um objecto a amar.. só existe o desespero
o desespero insaciado de amar tudo
Thursday, October 17, 2013
homem com medo
oh homem tu tens medo de mim
por que me faço forte sem ser
por que eu me faço fraca quando tenho força
porque eu me desfaço quando me podia fazer
porque eu descalço-me quando tu calças um belo sapato
porque eu solto-me quando tu segurarias
porque eu durmo profundamente no que te faz sonhar
porque eu esqueço daquilo que me poderias contar
porque eu faço segredo daquilo que dirias a qualquer um
porque eu digo a qualquer um aquilo que tu farias segredo
porque o meu corpo aquece quando o teu consegue estar frio
porque tu gostas de por coisas a funcionar e eu agarro nisso e simplesmente misturo tudo
porque o meu peito é doce e o teu é amargo para ninguém o poder tocar
porque eu danço em segredo o que tu em segredo procuras desvendar
porque eu escrevo em papel o que tu nem ousas imaginar
porque eu sonho em deixar quem sou e tu sonhas em seres tu em tudo
porque eu vivo para deixar de viver e tu vives para pensares que vives
porque nós somos diferentes para nunca sermos iguais
porque nos desencontramos para podermos sonhar ainda mais
porque tu tens medo de mim e eu que nunca vi razões para isso...
por que me faço forte sem ser
por que eu me faço fraca quando tenho força
porque eu me desfaço quando me podia fazer
porque eu descalço-me quando tu calças um belo sapato
porque eu solto-me quando tu segurarias
porque eu durmo profundamente no que te faz sonhar
porque eu esqueço daquilo que me poderias contar
porque eu faço segredo daquilo que dirias a qualquer um
porque eu digo a qualquer um aquilo que tu farias segredo
porque o meu corpo aquece quando o teu consegue estar frio
porque tu gostas de por coisas a funcionar e eu agarro nisso e simplesmente misturo tudo
porque o meu peito é doce e o teu é amargo para ninguém o poder tocar
porque eu danço em segredo o que tu em segredo procuras desvendar
porque eu escrevo em papel o que tu nem ousas imaginar
porque eu sonho em deixar quem sou e tu sonhas em seres tu em tudo
porque eu vivo para deixar de viver e tu vives para pensares que vives
porque nós somos diferentes para nunca sermos iguais
porque nos desencontramos para podermos sonhar ainda mais
porque tu tens medo de mim e eu que nunca vi razões para isso...
amanhecer
Amanheceu e eu corro,
ingulo o grito, fujo a luz na correria
o grito escorre-me nas entranhas e eu seco o sentimento do outro que observo
porque é dia
E o dia prossegue, e eu guardada, mantida, preservo
como planta ingénua, aos olhos outros tão sacrificada
em silêncio mentido desminto calada
Se quero é a busca do ser íntimo preservado,
se algo é escapado de mim sem querer..
é só por breves momentos,
que foram dos doirados raios de sol quentes do entardecer
banhados em azul e roxo e não de mim
Sou a noite, é da noite que eu sou
das verdades esquecidas, sou do ser despido,
sou desse ser desengolido, sou do mistério
sou do velho desclassificado, da alma velha vidente, do sofrido
e porque a noite revela as pessoas, as noites revelam quem sou
daquela violeta esquecida, daquela menina caída no chão
da desilusão da vida que tão diluída se passa dum jardim florido
para uma incompreensivel multidão,
multidão dos passeios sociais inconscientes
Refaço-me nesse ser fluido, procurando respirar, o ar...
faço refluxo do que vi para ver
só no entardecer eu vejo o que a água diz
E eu me entregaria, me renderia de bom grado a essa noite tão chegada
só para esquecer que quase me cegava há instantes atrás
se houvessem braços a um homem bom,
se houvessem folhas numa árvore despida
se houvessem lágrimas num qualquer mar que fosse suficiente
se a vida que a ainda me restasse fosse essa
e se eu finalmente a visse
já ficaria feliz de ser eterna em sentimento
se houvesse esse gosto de terra,
que eu pudesse comer
se houvesse no que eu me apaixonar
eu engoliria o chão
engoliria o chão e floria não só em roxo,
mas em todas as cores possíveis para sonhar
lavando-me em aguas de não precisar pensar
.
ingulo o grito, fujo a luz na correria
o grito escorre-me nas entranhas e eu seco o sentimento do outro que observo
porque é dia
E o dia prossegue, e eu guardada, mantida, preservo
como planta ingénua, aos olhos outros tão sacrificada
em silêncio mentido desminto calada
Se quero é a busca do ser íntimo preservado,
se algo é escapado de mim sem querer..
é só por breves momentos,
que foram dos doirados raios de sol quentes do entardecer
banhados em azul e roxo e não de mim
Sou a noite, é da noite que eu sou
das verdades esquecidas, sou do ser despido,
sou desse ser desengolido, sou do mistério
sou do velho desclassificado, da alma velha vidente, do sofrido
e porque a noite revela as pessoas, as noites revelam quem sou
daquela violeta esquecida, daquela menina caída no chão
da desilusão da vida que tão diluída se passa dum jardim florido
para uma incompreensivel multidão,
multidão dos passeios sociais inconscientes
Refaço-me nesse ser fluido, procurando respirar, o ar...
faço refluxo do que vi para ver
só no entardecer eu vejo o que a água diz
E eu me entregaria, me renderia de bom grado a essa noite tão chegada
só para esquecer que quase me cegava há instantes atrás
se houvessem braços a um homem bom,
se houvessem folhas numa árvore despida
se houvessem lágrimas num qualquer mar que fosse suficiente
se a vida que a ainda me restasse fosse essa
e se eu finalmente a visse
já ficaria feliz de ser eterna em sentimento
se houvesse esse gosto de terra,
que eu pudesse comer
se houvesse no que eu me apaixonar
eu engoliria o chão
engoliria o chão e floria não só em roxo,
mas em todas as cores possíveis para sonhar
lavando-me em aguas de não precisar pensar
.
Monday, October 14, 2013
respiração
Olho a volta e o
respirar custa…
Tenho em mim essa
vontade de fugir, de correr nao sei bem para onde
E corro e esqueço
o caminho, num silencio profundo, esquecendo de mim
E mesmo assim,
persiste em horas vagas, essa vontade de ficar, de olhar a volta, de respirar
as entranhas de cada um, em sangue sendo tudo
Tenho a vontade
de entender…
Há aquela vontade
de criar, de reinventar o momento, de reconhecer o futuro
Sob uma nova luz,
de sonhar
E permanece no
peito, a triste flor, aquela tristeza pelo que se deixou, pelo desamor, pelo
desapontamento,
Há uma reprovação
própria com cheiro a arrependimento
E a vida é para
mim assim em turbilhão, tão sentida de se querer sentir
Tão pouca de se
querer sempre mais, dela querer-se tanta em tantos sítios ser mais
Ah… e mesmo assim,
não sei como, tenho tempo de ter a eterna ânsia do outro.
Vontade do que se
não conhece ainda… vontade do que se quer por estar coberto
Vontade de querer
o que não se viu.. nem se ouviu falar..
Ah como eu quero
a vida depois da morte..
A vida depois da
minha morte em ti..
E é por isso que dou
por mim que até me esqueço de viver
De apreciar as
pessoas. as pessoas que tanto aprecio ver..
As vezes nem as
comunico finjo que nem as vejo.. só para apaixonar-me mais por elas
Apaixono-me até nos
sonhos..mas elas nem querem saber o que penso..
Eu por outro lado
deixo de pensar por elas e ao mesmo tempo..
Nelas vejo quem
eu própria sou e não sou.
E o que o agir
faz na vida afinal?
Se se faz tão
pouco se pensa..se o pensar pode matar a própria vida que age..
Melhor seria
desapegar-me de tudo.. sendo um super ser introspecto em tudo.. ser mero
reflexo eu me entenderia a mim mesma assim..
Não ter vida,
sendo a vida, vivendo só esse apreciar.. matando a própria alma.. fazendo-a
calar em dor
Ou viver e
esquecer tanto pensamento.. tanto papaguear interno papagueando o que a boca
diz para disfarçar a dor do interior esquecido…
Ninguém me disse
que viver seria isso, oh corda bamba da ilusão, viver mais parece um
ilusionismo entre deixar ir e ao mesmo tempo querer.
Saturday, October 05, 2013
Saturday, September 28, 2013
Thursday, September 26, 2013
doce
Mais um dia em que o trabalho estrupou-me a alma
e vi todo o doce que eu tinha, a jorrar
Mais um dia em que minha alma atirou-me contra o céu violentamente
Condenando-me ao pranto que houvesse para toda a terra molhar
Mais um dia que é dia de respirar sendo vento
dia de divagar na solidão
dia de cavar no fundo do poço até ao fim do mundo
até de lá se extrair o nada
Neste dia que é dia de lágrimas
secas, caladas, coladas a cara
Dia dos bonecos de sorriso trivial
Sufoca-se um pensamento que diz
«Tudo o que eu quero é poder mostrar-me feia,
em dor, em angústia, só na verdade do que agora sou»
Lástima, queixume, nada disso vale a pena
Só o destruir dessa superfície,
o destruir de toda a aparência de tudo o que possa aparecer
Enterrar tudo para fugir a toda a confusão da luz do dia
Estive todo o dia a espera da noite
e quando a noite chegou,
eu esperei até que de mim me perdesse completamente
arranquei-me do peito, esfolei-me lentamente
e retirei-me de mim, cavei-me toda em dor,
para da esperança poder retirar novamente quem sou
e vi todo o doce que eu tinha, a jorrar
Mais um dia em que minha alma atirou-me contra o céu violentamente
Condenando-me ao pranto que houvesse para toda a terra molhar
Mais um dia que é dia de respirar sendo vento
dia de divagar na solidão
dia de cavar no fundo do poço até ao fim do mundo
até de lá se extrair o nada
Neste dia que é dia de lágrimas
secas, caladas, coladas a cara
Dia dos bonecos de sorriso trivial
Sufoca-se um pensamento que diz
«Tudo o que eu quero é poder mostrar-me feia,
em dor, em angústia, só na verdade do que agora sou»
Lástima, queixume, nada disso vale a pena
Só o destruir dessa superfície,
o destruir de toda a aparência de tudo o que possa aparecer
Enterrar tudo para fugir a toda a confusão da luz do dia
Estive todo o dia a espera da noite
e quando a noite chegou,
eu esperei até que de mim me perdesse completamente
arranquei-me do peito, esfolei-me lentamente
e retirei-me de mim, cavei-me toda em dor,
para da esperança poder retirar novamente quem sou
Acorda-me
Acorda homem cheiroso,
Vira-te de vez para mim, não estejas de costas
Não estejas próximo assim
tão perto na distância de um sonho meu
Mexe-te, apronta-te, que pronta estou eu
Aqui, vestida de flor,
Com violetas em cabelos
Já te vi,
e vejo-te na minha estante de livros
No cheiro do mar, no cheiro do azul do sonho
Apressa-te, homem das esquinas, dos cafés,
dos bosques, homem pouco concretizado
homem humano, desengonçado
Que fora a tua amiga errante, verás que ninguém mais te espera
Eu, que nem a mim me reconheço, que de mim mesma ando escondida
Que de mim me desanimo, só na tua presença lembro quem sou
E quando a mim te virares nessa visão do sofrimento é lá que estou
Homem, lembra que tu sou eu, mas eu não sou tu,
eu sou do mundo, eu pari o mundo e por isso
todo o mundo adormece em mim
tu és o único que ainda não nasceu de mim,
o único homem que me mantém nutrida, não estás
homem dos meus sonhos ociosos
acorda-me do meu próprio sonho de mim
acorda-me desse sonho que é a vida
tão pouco sentida,
acorda-me
que quero é ser só dessa tua sensação
Que ser para mim é só isso
Vira-te de vez para mim, não estejas de costas
Não estejas próximo assim
tão perto na distância de um sonho meu
Mexe-te, apronta-te, que pronta estou eu
Aqui, vestida de flor,
Com violetas em cabelos
Já te vi,
e vejo-te na minha estante de livros
No cheiro do mar, no cheiro do azul do sonho
Apressa-te, homem das esquinas, dos cafés,
dos bosques, homem pouco concretizado
homem humano, desengonçado
Que fora a tua amiga errante, verás que ninguém mais te espera
Eu, que nem a mim me reconheço, que de mim mesma ando escondida
Que de mim me desanimo, só na tua presença lembro quem sou
E quando a mim te virares nessa visão do sofrimento é lá que estou
Homem, lembra que tu sou eu, mas eu não sou tu,
eu sou do mundo, eu pari o mundo e por isso
todo o mundo adormece em mim
tu és o único que ainda não nasceu de mim,
o único homem que me mantém nutrida, não estás
homem dos meus sonhos ociosos
acorda-me do meu próprio sonho de mim
acorda-me desse sonho que é a vida
tão pouco sentida,
acorda-me
que quero é ser só dessa tua sensação
Que ser para mim é só isso
Friday, September 13, 2013
Autorizado
Pode dizer tolices para sobrepor-se socialmente
Não pode ser excêntrico
Autorizado a não ser inteligente
Apenas autorizado a falar nonsense
Não autorizado a estar só e sim parado
Autorizado a esbanjar, socialmente
Autorizado ao vestir bem, socialmente
Ao trabalhar, é-se autorizado a gastar
Autorizado a não pensar
Autorizado a conviver socialmente assuntos socialmente aceites
Estudante, autorizado a repetir e decorar
Autorizado a esquecer depois
Não é autorizado a pensar sozinho
Autorizado a comer mal
Autorizado a ter muitos gastos financeiros e dormir pouco
Autorizado a vestir-se conforme quer, enquanto pode
Agora não, agora sim, agora sim, agora não, agora posso, agora não posso,
agora faço, agora desfaço, agora faz sentido, agora não faz sentido, não pensar,gastar, não gastar, pensar, comprar, esquecer, viver,
Fazer parecer que a vida esqueceu o que era viver
o imaginário de todos roubado na rua
os sonhos a sonharem com a vida enquando pagam só o acto de sonhar
o que há em saldos escancarado para quem quizer visualmente consumir
é uma puta de rua um sonho de cada um sem valor
escancarar a pureza para parecer lixo
escancarar a sujeira para nas compras confundir-se com ouro
Eu lembro que quando viver era esquecer, deixava-se tudo por
natureza
corpo nu
e chão
Não sei de onde lembro isso,
devo ter algum sonho ainda bem guardado...
mas não mo roubem por favor,
eu sei que ele não foi autorizado...
Não pode ser excêntrico
Autorizado a não ser inteligente
Apenas autorizado a falar nonsense
Não autorizado a estar só e sim parado
Autorizado a esbanjar, socialmente
Autorizado ao vestir bem, socialmente
Ao trabalhar, é-se autorizado a gastar
Autorizado a não pensar
Autorizado a conviver socialmente assuntos socialmente aceites
Estudante, autorizado a repetir e decorar
Autorizado a esquecer depois
Não é autorizado a pensar sozinho
Autorizado a comer mal
Autorizado a ter muitos gastos financeiros e dormir pouco
Autorizado a vestir-se conforme quer, enquanto pode
Agora não, agora sim, agora sim, agora não, agora posso, agora não posso,
agora faço, agora desfaço, agora faz sentido, agora não faz sentido, não pensar,gastar, não gastar, pensar, comprar, esquecer, viver,
Fazer parecer que a vida esqueceu o que era viver
o imaginário de todos roubado na rua
os sonhos a sonharem com a vida enquando pagam só o acto de sonhar
o que há em saldos escancarado para quem quizer visualmente consumir
é uma puta de rua um sonho de cada um sem valor
escancarar a pureza para parecer lixo
escancarar a sujeira para nas compras confundir-se com ouro
Eu lembro que quando viver era esquecer, deixava-se tudo por
natureza
corpo nu
e chão
Não sei de onde lembro isso,
devo ter algum sonho ainda bem guardado...
mas não mo roubem por favor,
eu sei que ele não foi autorizado...
Thursday, September 12, 2013
fotografia
Hoje tirei fotografias para quando eu for velhinha,
para quando eu for velhinha eu lembrar quem eu era.
Não mostram maquilhagem, nem roupa, nem sapatos, só eu
São para mostrar expressões, alma, sonhos, paixões e dor
Que a imagem tenha a gentileza de mostrar
Ser vulnerável por ser humana, não é vergonha nenhuma
Mostrarei a mim mesma que sempre fui humana quando for velhinha
E lembrarei que nunca soube viver, só para manter algum mistério na vida
E que nem sempre fui feliz...
Por isso, gosto desta foto simples assim, para a pessoa que sempre espero ser
Sou aquela a quem foi dada a chave do céu, e no mundo a chave perdeu
Se me despeço do mundo, é porque de mim o mundo se despedia enquanto eu nascia
Quando me fiz nascida, toda auto-construída de bocados que se recriaram em mim
E assim, foi todo o mundo que pari.
Agora, nem interessa mais quem teria sido, se tivesse vindo de mim.
Porque agora esta que sou, qualquer um pode ser
Daí jaz minha certeza na vida,
Minha filosofia não foi vivida,
dela só saberei antes de morrer,
terá sido na minha própria vida que ela se definia
Até lá, a vida que faça o favor de se reconhecer em mim
e eu que faça o favor de me oferecer a ela
como todo o bom sonhador, que me disfaça onde quer que for
Porque o sentido é não ter sentido nenhum
E todo o sentido é só uma limitação.
Ouço agora a música que amo,
mil vezes se tiver que ser,
como naquele filme que vi, a personagem fazia
Talvez assim, a música decida inscrever-se em mim
E eu possa virar de vez poesia,
a poesia de uma antiga lágrima esquecida.
para quando eu for velhinha eu lembrar quem eu era.
Não mostram maquilhagem, nem roupa, nem sapatos, só eu
São para mostrar expressões, alma, sonhos, paixões e dor
Que a imagem tenha a gentileza de mostrar
Ser vulnerável por ser humana, não é vergonha nenhuma
Mostrarei a mim mesma que sempre fui humana quando for velhinha
E lembrarei que nunca soube viver, só para manter algum mistério na vida
E que nem sempre fui feliz...
Por isso, gosto desta foto simples assim, para a pessoa que sempre espero ser
Sou aquela a quem foi dada a chave do céu, e no mundo a chave perdeu
Se me despeço do mundo, é porque de mim o mundo se despedia enquanto eu nascia
Quando me fiz nascida, toda auto-construída de bocados que se recriaram em mim
E assim, foi todo o mundo que pari.
Agora, nem interessa mais quem teria sido, se tivesse vindo de mim.
Porque agora esta que sou, qualquer um pode ser
Daí jaz minha certeza na vida,
Minha filosofia não foi vivida,
dela só saberei antes de morrer,
terá sido na minha própria vida que ela se definia
Até lá, a vida que faça o favor de se reconhecer em mim
e eu que faça o favor de me oferecer a ela
como todo o bom sonhador, que me disfaça onde quer que for
Porque o sentido é não ter sentido nenhum
E todo o sentido é só uma limitação.
Ouço agora a música que amo,
mil vezes se tiver que ser,
como naquele filme que vi, a personagem fazia
Talvez assim, a música decida inscrever-se em mim
E eu possa virar de vez poesia,
a poesia de uma antiga lágrima esquecida.
Sunday, September 08, 2013
Será que ainda é possível viver?
Porquê haveria eu de trocar a vida real por algo imaginado em filmes tão longes da realidade?
Por algo imaginado em telenovelas que retratam vidas tão distantes economicamente da minha?
Porque não me dou eu ao luxo de concretizar minhas próprias fantasias?
Realizá-las em vez de ficar sonhando num filme sem contexto real?
É socialmente aceite viver assim, fingindo que vivo, assistindo ao que a minha própria vida poderia ser num ecrã... a questão é que não quero.
Podia estar a lutar mais por uns tostões, como tantos que conheço, matar-me a trabalhar por um sonho de liberdade no fim do consumo. A questão é que não quero.
Podia estar a matar-me a trabalhar, por um futuro próximo sem fazer nada, só consumindo.
A questão é que queria ser a questão da minha própria vida, e viver uma vida real.
Não ser a questão apenas de uma empresa qualquer, de um banco, ser um numero numa multinacional, em troca de uma coberta de cetim.
É socialmente aceite ser assim,
eu não me sinto socialmente aceite as vezes, as vezes se eu disser o que penso vão dizer que sou metida a intelectual, vão até mesmo desconfiar de mim no trabalho.
Ou se eu disser que eu quero trabalhar no futuro, vão dizer que eu sou estúpida e não tenho ambição.
Mas eu tenho ambição, tenho ambição de toque, de sensibilidade, de amor, de amizade, de loucuras e aventuras. E se eu quiser vive-las ao invés de apenas assisti-las?
Será que vou ficar sem reforma quando for velhinha?
Quero a vida, por isso escrevo, por isso faço segredo de quem sou, esperando que alguém especial possa descobrir.
Por isso gosto das coisas secretas e não das coisas caras vendidas como luxo, que parecem ser feitas por criancinhas a chorar.
Até quando sentirei que não compreenderiam se eu explicasse?
Vejo outros que trabalham para ficar ricos, gostava de dizer que não vão enriquecer a trabalhar mas não tenho coragem. Seria cortar a imagem dos seus sonhos.
Os que são ricos, são os que trabalham menos, a custa dos que pagam os sonhos com o seu suor.
Por isso, prefiro o toque simples, o deleite aos ouvidos de quem preparado estiver para ouvir, sem fugir dessa realidade triste, saboreando a vida que eu própria tiver.
Será que ainda me será possível viver?
Será que sairei da lei?
Quantos milhões custará o meu silêncio?
https://myspace.com/marianademoraes/music/songs
Por algo imaginado em telenovelas que retratam vidas tão distantes economicamente da minha?
Porque não me dou eu ao luxo de concretizar minhas próprias fantasias?
Realizá-las em vez de ficar sonhando num filme sem contexto real?
É socialmente aceite viver assim, fingindo que vivo, assistindo ao que a minha própria vida poderia ser num ecrã... a questão é que não quero.
Podia estar a lutar mais por uns tostões, como tantos que conheço, matar-me a trabalhar por um sonho de liberdade no fim do consumo. A questão é que não quero.
Podia estar a matar-me a trabalhar, por um futuro próximo sem fazer nada, só consumindo.
A questão é que queria ser a questão da minha própria vida, e viver uma vida real.
Não ser a questão apenas de uma empresa qualquer, de um banco, ser um numero numa multinacional, em troca de uma coberta de cetim.
É socialmente aceite ser assim,
eu não me sinto socialmente aceite as vezes, as vezes se eu disser o que penso vão dizer que sou metida a intelectual, vão até mesmo desconfiar de mim no trabalho.
Ou se eu disser que eu quero trabalhar no futuro, vão dizer que eu sou estúpida e não tenho ambição.
Mas eu tenho ambição, tenho ambição de toque, de sensibilidade, de amor, de amizade, de loucuras e aventuras. E se eu quiser vive-las ao invés de apenas assisti-las?
Será que vou ficar sem reforma quando for velhinha?
Quero a vida, por isso escrevo, por isso faço segredo de quem sou, esperando que alguém especial possa descobrir.
Por isso gosto das coisas secretas e não das coisas caras vendidas como luxo, que parecem ser feitas por criancinhas a chorar.
Até quando sentirei que não compreenderiam se eu explicasse?
Vejo outros que trabalham para ficar ricos, gostava de dizer que não vão enriquecer a trabalhar mas não tenho coragem. Seria cortar a imagem dos seus sonhos.
Os que são ricos, são os que trabalham menos, a custa dos que pagam os sonhos com o seu suor.
Por isso, prefiro o toque simples, o deleite aos ouvidos de quem preparado estiver para ouvir, sem fugir dessa realidade triste, saboreando a vida que eu própria tiver.
Será que ainda me será possível viver?
Será que sairei da lei?
Quantos milhões custará o meu silêncio?
https://myspace.com/marianademoraes/music/songs
Masculino Feminino - Jean-Luc Godard (legendado em português)
«Se você matar 1 homem é um assassino, se matar 1 milhão é um conquistador, se matar todos é deus.»
Wednesday, September 04, 2013
descrescer
Quero falar contigo criança
como criança igual a ti
Pela criança que nunca hei-de deixar de ser...
Facilmente farás o verdadeiro mundo aparecer
Dos mares, um mundo colorido à volta de tudo
Quero falar contigo criança, para contar-te meus sonhos
Quem sabe me ensines a sonhar mais além
Quem sabe, mesmo pensando que não consiga,
eu possa em vida voar também
Fingir que não existe esse mundo amargurado de crianças sem sonhos
que querem ser não sei o quê
E deles nem levar nada e nem querer saber...
Tudo o que eu sei, eu sempre soube
Tudo o que eu digo em berço eu já sabia que teria de dizer
Tudo o que eu vejo já confirma o que antes eu já sonhava sem querer
Que criança que é criança dorme tranquila,
porque crescer é desaprender constantemente
Vivendo numa felicidade descontente
Quando aumentam os vendedores de ausências à porta
Seguem vendendo falsas almas a quem atento não viver
A mim,
enquanto eu vestida de criança estiver nada poderão ver
só por estar aqui desfeita em miúdos.
como criança igual a ti
Pela criança que nunca hei-de deixar de ser...
Facilmente farás o verdadeiro mundo aparecer
Dos mares, um mundo colorido à volta de tudo
Quero falar contigo criança, para contar-te meus sonhos
Quem sabe me ensines a sonhar mais além
Quem sabe, mesmo pensando que não consiga,
eu possa em vida voar também
Fingir que não existe esse mundo amargurado de crianças sem sonhos
que querem ser não sei o quê
E deles nem levar nada e nem querer saber...
Tudo o que eu sei, eu sempre soube
Tudo o que eu digo em berço eu já sabia que teria de dizer
Tudo o que eu vejo já confirma o que antes eu já sonhava sem querer
Que criança que é criança dorme tranquila,
porque crescer é desaprender constantemente
Vivendo numa felicidade descontente
Quando aumentam os vendedores de ausências à porta
Seguem vendendo falsas almas a quem atento não viver
A mim,
enquanto eu vestida de criança estiver nada poderão ver
só por estar aqui desfeita em miúdos.
Tuesday, September 03, 2013
autenticidade
Não quero vida já vivida
Nem amor descrito em livros de romance
Não quero cor estampada
Nem discussões de novela tagareladas e repetidas
Quero uma autêntica vida
Um autêntico sentir, permitindo-me livre saborear
Rezo aprendendo com pássaros, com as aves, com o vento
a autenticidade do ser natural
Naturalmente, desnorteado, sonhado, acariciado, ingénuo, amado
Não quero filosofias e morais ensinadas,
Nem fobias adormecidas
Nem olhos pintados
Quero andar solta, selvagem
Constantemente permitindo toda a inconstância
Calada, aceitando a condição do momento sentido e não disfarçado
Cheirar o mar, permitindo que ele acalente, sem saber porquês
Receber teus braços apenas reconhecendo que fazem parte dos meus
Ser tua, ao ser de todos, aceitando fazer parte da paisagem de qualquer lugar.
Nem amor descrito em livros de romance
Não quero cor estampada
Nem discussões de novela tagareladas e repetidas
Quero uma autêntica vida
Um autêntico sentir, permitindo-me livre saborear
Rezo aprendendo com pássaros, com as aves, com o vento
a autenticidade do ser natural
Naturalmente, desnorteado, sonhado, acariciado, ingénuo, amado
Não quero filosofias e morais ensinadas,
Nem fobias adormecidas
Nem olhos pintados
Quero andar solta, selvagem
Constantemente permitindo toda a inconstância
Calada, aceitando a condição do momento sentido e não disfarçado
Cheirar o mar, permitindo que ele acalente, sem saber porquês
Receber teus braços apenas reconhecendo que fazem parte dos meus
Ser tua, ao ser de todos, aceitando fazer parte da paisagem de qualquer lugar.
ao aventureiro
Meu querido aventureiro
Ah como eu adorava ser como tu
Viajar para destino e chegadas incertas
Fotografar os berços mais belos de Portugal
e pelo caminho, me apaixonar por esse amor que vês em todo o lado
No meu canto, eu continuo assim,
escrevendo a paisagem que se habita dentro de mim
Presa a variadas moradas dum sítio só
Indo as vezes a Baixa, que para mim é o símbolo de todo o meu
nostálgico amor
Enquanto em minha melancolia,
tua imagem em mim sejam só essas fotografias de paisagens
eu amo-te só por seres nelas - esse amante nu da Natureza
Porque se amas a Natureza, com certeza minha alma hás-de amar
mesmo quando do mundo reflexo selvagem for
quando for como Lua que só quer escondida se mostrar
Amo a tua imagem que em mim criei de ti
e só de amá-la tanto, o mundo já me parece mais que berço dos prantos
até parece que sorri mais para mim.
Ah como eu adorava ser como tu
Viajar para destino e chegadas incertas
Fotografar os berços mais belos de Portugal
e pelo caminho, me apaixonar por esse amor que vês em todo o lado
No meu canto, eu continuo assim,
escrevendo a paisagem que se habita dentro de mim
Presa a variadas moradas dum sítio só
Indo as vezes a Baixa, que para mim é o símbolo de todo o meu
nostálgico amor
Enquanto em minha melancolia,
tua imagem em mim sejam só essas fotografias de paisagens
eu amo-te só por seres nelas - esse amante nu da Natureza
Porque se amas a Natureza, com certeza minha alma hás-de amar
mesmo quando do mundo reflexo selvagem for
quando for como Lua que só quer escondida se mostrar
Amo a tua imagem que em mim criei de ti
e só de amá-la tanto, o mundo já me parece mais que berço dos prantos
até parece que sorri mais para mim.
pudesse
E se eu pudesse voar em minha cabeça?
E se eu pudesse ficar contigo quando me fosse embora?
E se eu partisse enquanto estivesse a trabalhar mais uma dolorosa hora?
E se eu cantasse no poesia de um silêncio teu?
E se eu brilhar a distância do céu só por mais um abraço teu?
E se eu desistisse de algo sem sentido parecendo que fiquei
e que simplesmente me tivesse rendido?
E se eu for bem mais do que pareço ser e até poder ser o mar?
E se tu vivesses sempre em mim sem que eu soubesse?
E se tu te abrigasses em meu peito e continuasses a me proteger?
E se tu me contasses as tuas histórias secretas para eu não decifrar quem és?
E se nós vivêssemos sonhando para termos forças para enfrentar o mundo tal e qual ele é?
E se nós construíssemos algo novo consagrando do passado o amor?
E se abraçassemos o nada enquanto pudessemos respeitar tudo o que vive?
E se tu fosses eu e se eu pudesse ser tu apenas para que nada mais nos dividisse?
E se eu pudesse ficar contigo quando me fosse embora?
E se eu partisse enquanto estivesse a trabalhar mais uma dolorosa hora?
E se eu cantasse no poesia de um silêncio teu?
E se eu brilhar a distância do céu só por mais um abraço teu?
E se eu desistisse de algo sem sentido parecendo que fiquei
e que simplesmente me tivesse rendido?
E se eu for bem mais do que pareço ser e até poder ser o mar?
E se tu vivesses sempre em mim sem que eu soubesse?
E se tu te abrigasses em meu peito e continuasses a me proteger?
E se tu me contasses as tuas histórias secretas para eu não decifrar quem és?
E se nós vivêssemos sonhando para termos forças para enfrentar o mundo tal e qual ele é?
E se nós construíssemos algo novo consagrando do passado o amor?
E se abraçassemos o nada enquanto pudessemos respeitar tudo o que vive?
E se tu fosses eu e se eu pudesse ser tu apenas para que nada mais nos dividisse?
Monday, September 02, 2013
fala da natureza
Sinto me na intima chama do vazio
Viajo por ausências onde desfaço-me em paisagens esquecidas
Grávida de momentos passados o silencio se veste em minhas vestes amigas
Gestos contam-me histórias de passagens em que passei destemida
Que falam mais de mim do que palavras foram capazes de dizer
Momentos de eternidade se alevantam
Dizem sons calados dessas noites de forças transmutadas em todas as cores
Porque a natureza fala a quem quiser ouvir
Veste-te e só se ela quiser é que has-de ser capaz de ouvir
Mas não há caminho certo como não há palavra sem distância a percorrer
E quem diz de si apóstolo mente aos tolos do sentir
Veste-te que eu te canto
E canto a quem souber de si rendido ao mar
Não canto a quem se veste mais não se despe quando eu peço mais
ouve os prantos de quem ao teu lado se atrave a me desejar
Sou mãe, sou ave, vem a mim
Na tua natureza só e sujo encontrarás
Assume tua natureza fraca de pouca duração
Pois só se assumires fraqueza encontraras a luz na desolação
o vento fala
o mar abraça
montanhas, como momentos de força
a lua grita
a noite transcende
as aves mostram tua liberdade como é
solitária e fragil
visto-me de ti hoje
porque do hoje tua sina se desfez em mim
Relação
Vou incendiar o grito que no peito escorre dessa profunda e insensata relação
E ser vida na escolha que se despe no orgulho de ver-se despido no outro
Em braços de desencontros, surge o abraço do choro eterno esculpido na casca rija do mito
Eu sou, como Venus, a deusa fresca e fatal
Que engole sem seco sem medo de ser pecado e ser original
Cuspo e me deito em ventre aberto a tudo o que possa advir
Sendo frutífera dos ventos e dos mares dos quais sirvo o sentir,
quais disfarçados jardins do amor
Ando nua porque nua vivo
Ando fragil porque só fragil sou forte
ao encontrar meu seio alimentando famintos
Noite escura do breu do qual me fiz parida
Tudo é um breu nessa obscura e morta vida
Renasço porque posso e posso sempre renascer em morte
Oh doçura do coração amargurado não me persigas como se eu não te reconhecesse
Porque eu reconheço cada lágrima que se desfez de mim, cada uma delas sou eu
O canto dos corações que doem
A ferida da esquina de qualquer um
A alma ressequida em sangue e na dor de cada um
Oh dor só tu trazes o amor, de um amante sem fim
E das asas do infinito eu faço-me em broto para quem quiser nascer de mim
E ser vida na escolha que se despe no orgulho de ver-se despido no outro
Em braços de desencontros, surge o abraço do choro eterno esculpido na casca rija do mito
Eu sou, como Venus, a deusa fresca e fatal
Que engole sem seco sem medo de ser pecado e ser original
Cuspo e me deito em ventre aberto a tudo o que possa advir
Sendo frutífera dos ventos e dos mares dos quais sirvo o sentir,
quais disfarçados jardins do amor
Ando nua porque nua vivo
Ando fragil porque só fragil sou forte
ao encontrar meu seio alimentando famintos
Noite escura do breu do qual me fiz parida
Tudo é um breu nessa obscura e morta vida
Renasço porque posso e posso sempre renascer em morte
Oh doçura do coração amargurado não me persigas como se eu não te reconhecesse
Porque eu reconheço cada lágrima que se desfez de mim, cada uma delas sou eu
O canto dos corações que doem
A ferida da esquina de qualquer um
A alma ressequida em sangue e na dor de cada um
Oh dor só tu trazes o amor, de um amante sem fim
E das asas do infinito eu faço-me em broto para quem quiser nascer de mim
Sunday, September 01, 2013
Wednesday, August 28, 2013
A unilateralidade das coisas
Quase tudo o que criamos é unilateral
Já tudo o que a Natureza cria é plural na sua essência.
Talvez a origem da imperfeição humana, seja esse ser unilateral.
Na arte, porém, quando arte realmente é, essa pluralidade se mantém,
atingindo portanto o inatingível de explicar.
Podendo ter utilidade ou não, tem essência, como tudo o que surge naturalmente.
Nossa multidão humana cria a confusão própria do homem que subjuga outros, seus iguais.
Mas na multidão do que se é natural, cria-se a pluralidade da diversidade.
Tendo cada parte da comunidade a sua função, sem necessidade de qualquer explicação.
Parecemos mais humanos quando partimos do que é Uno, do que nos sai de dentro, do que é único e pouco distorcido por massas,
e só dessa liberdade auto-induzida podemos ver realmente o nosso lugar em relação a tudo o que nos rodeia.
Precisamos ver, temos necessidade disso. Não apenas como instinto, mas como escolha consciente em manifestar a nossa percepção.
Isto nos reconduzirá à humanidade.
Nós nascemos humanos alimentados de um seio, seres tão vulneráveis e dependentes de outros e ao mesmo tempo tão livres como uma folha que lentamente se descai de uma bela árvore no Outono.
Mais tarde, a mente intervém, e com ela intervém toda uma sociedade que sendo altamente competitiva, se consome do que mais humano existe em nós, como um cão que morte a própria cauda até morrer.
Porque ela mantém-se de hierarquias e alimenta-se de criatividade.
A hierarquia que destrói e a criatividade que cria.
Portanto propaga-se do que nos mata e alimenta-se do que nos tornaria vivos,
o oposto do que faz a natureza, que é mãe.
Cria-se assim, esse ser unilateral, consumista, nem nado vivo nem nado morto.
O ser estagnado que meramente repete o que o "mestre" lhe diz, dispõe de pouca oportunidade para uso prático do seu intelecto.
Esse ser que a si e aos seus apenas considera civilizado.
Esse ser que assistindo à sua vida num ecrã lembra-se que está vivo apenas em alguns minutos legalmente autorizados.
Tão longe do que é humano parecem nos quererem fazer viver sobre o pretexto e um progresso de insatisfação sem fim. E o pior, que formato vil este que nos fazem querer assumir, sob o pretexto de uma inexistente normalidade...
Até que ponto teremos escolha?
Até que ponto saberemos viver para mantermos nossas escolhas?
Até que ponto saberemos permanecer a escolher quando pouco lembramos do que realmente é viver?
Como sair desse sono profundo?
Já tudo o que a Natureza cria é plural na sua essência.
Talvez a origem da imperfeição humana, seja esse ser unilateral.
Na arte, porém, quando arte realmente é, essa pluralidade se mantém,
atingindo portanto o inatingível de explicar.
Podendo ter utilidade ou não, tem essência, como tudo o que surge naturalmente.
Nossa multidão humana cria a confusão própria do homem que subjuga outros, seus iguais.
Mas na multidão do que se é natural, cria-se a pluralidade da diversidade.
Tendo cada parte da comunidade a sua função, sem necessidade de qualquer explicação.
Parecemos mais humanos quando partimos do que é Uno, do que nos sai de dentro, do que é único e pouco distorcido por massas,
e só dessa liberdade auto-induzida podemos ver realmente o nosso lugar em relação a tudo o que nos rodeia.
Precisamos ver, temos necessidade disso. Não apenas como instinto, mas como escolha consciente em manifestar a nossa percepção.
Isto nos reconduzirá à humanidade.
Nós nascemos humanos alimentados de um seio, seres tão vulneráveis e dependentes de outros e ao mesmo tempo tão livres como uma folha que lentamente se descai de uma bela árvore no Outono.
Mais tarde, a mente intervém, e com ela intervém toda uma sociedade que sendo altamente competitiva, se consome do que mais humano existe em nós, como um cão que morte a própria cauda até morrer.
Porque ela mantém-se de hierarquias e alimenta-se de criatividade.
A hierarquia que destrói e a criatividade que cria.
Portanto propaga-se do que nos mata e alimenta-se do que nos tornaria vivos,
o oposto do que faz a natureza, que é mãe.
Cria-se assim, esse ser unilateral, consumista, nem nado vivo nem nado morto.
O ser estagnado que meramente repete o que o "mestre" lhe diz, dispõe de pouca oportunidade para uso prático do seu intelecto.
Esse ser que a si e aos seus apenas considera civilizado.
Esse ser que assistindo à sua vida num ecrã lembra-se que está vivo apenas em alguns minutos legalmente autorizados.
Tão longe do que é humano parecem nos quererem fazer viver sobre o pretexto e um progresso de insatisfação sem fim. E o pior, que formato vil este que nos fazem querer assumir, sob o pretexto de uma inexistente normalidade...
Até que ponto teremos escolha?
Até que ponto saberemos viver para mantermos nossas escolhas?
Até que ponto saberemos permanecer a escolher quando pouco lembramos do que realmente é viver?
Como sair desse sono profundo?
Friday, August 23, 2013
conexão (escrita automática)
Quando a conexao não tem razão de ser
O ser só tem a razão ao ser conectado
Surge essa emancipação do querer criar além do que esta a mão
E da mão do que foi por nós criado surge o amor e a paixão
da compaixão de quem a si mesmo não ama, nada surge senão o fazer-se chão
porque o chão é o terreno que se deixa brotar para dali retirar-se a si mesmo
Num todo que mais não passa do que nada
Só do único se retira alguma verdade
Na busca do coração de alguma humanidade na vida
Surge repartida a necessidade de ver e crer
Pois o que se pode ver quando tudo esta escondido?
O melhor é iluminar apenas o necessário,
e deixar o resto descansar,
da vida retirar o fazer-se ser mistério
O ser só tem a razão ao ser conectado
Surge essa emancipação do querer criar além do que esta a mão
E da mão do que foi por nós criado surge o amor e a paixão
da compaixão de quem a si mesmo não ama, nada surge senão o fazer-se chão
porque o chão é o terreno que se deixa brotar para dali retirar-se a si mesmo
Num todo que mais não passa do que nada
Só do único se retira alguma verdade
Na busca do coração de alguma humanidade na vida
Surge repartida a necessidade de ver e crer
Pois o que se pode ver quando tudo esta escondido?
O melhor é iluminar apenas o necessário,
e deixar o resto descansar,
da vida retirar o fazer-se ser mistério
Wednesday, August 21, 2013
Tua visão
Tu estavas ali
Estavas ali e eu não via...
Estás nas fotos em que eu não estou
Eu estou nas fotos em que não estás
Mas estavas ali, quando eu pensava tu eras o meu pensamento
Quando eu falava, era como se ouvisse um presente de ti mesmo
Quando eu cantava era a ti que cantava sem querer
Foi como quando eu nasci,
eu nasci da necessidade de fazer-me tua
Na perfeição de cobrir o que em ti estava desfeito
Na luz de tapar a tua escuridão, eu fazia música dos teus dias de chuva
Tu estavas ali,
quando eu chorava era para fazer-me a ti leve
E para que o choro saísse e eu com a água que me cobrisse me abrisse em flor
Sonhaste-me por isso sempre fui ser criado
Sempre soube de mim toda imaginada,
minha identidade é a nuvem que minha mente torna habitada
só para a ti parecer toda enfeitada
Foi no mar que soube, no mar quando me agarraste
Quando eras Mar e eu era Lua
Juro que tive a visão
Sempre estiveste perto enquanto eu crescia
Mesmo enquanto meus pulmões se enchiam do ar que foi me dado
eu sempre fui da vida que se cumprirá em ti.
Estavas ali e eu não via...
Estás nas fotos em que eu não estou
Eu estou nas fotos em que não estás
Mas estavas ali, quando eu pensava tu eras o meu pensamento
Quando eu falava, era como se ouvisse um presente de ti mesmo
Quando eu cantava era a ti que cantava sem querer
Foi como quando eu nasci,
eu nasci da necessidade de fazer-me tua
Na perfeição de cobrir o que em ti estava desfeito
Na luz de tapar a tua escuridão, eu fazia música dos teus dias de chuva
Tu estavas ali,
quando eu chorava era para fazer-me a ti leve
E para que o choro saísse e eu com a água que me cobrisse me abrisse em flor
Sonhaste-me por isso sempre fui ser criado
Sempre soube de mim toda imaginada,
minha identidade é a nuvem que minha mente torna habitada
só para a ti parecer toda enfeitada
Foi no mar que soube, no mar quando me agarraste
Quando eras Mar e eu era Lua
Juro que tive a visão
Sempre estiveste perto enquanto eu crescia
Mesmo enquanto meus pulmões se enchiam do ar que foi me dado
eu sempre fui da vida que se cumprirá em ti.
À minha volta
Rezar e não sair mais dali
Escrever cópias como se da vida só houvessem cópias do partir
Cantar em voz alta os cânticos dos sonhos incumpridos em si
Escutar os gritos de mais vidas exploradas e sentir que tudo está contra si
Carregar os prantos de uma vida inteira...
Escolher viver todos os perigos da vida numa busca por si mesmo
Sofrer por nossa boca quando vemos que a boca realmente não sente o que diz
Escolher se esquecer da vida porque se pensar que a vida de nós se perdeu
Preferir abdicar da própria satisfação em prol de uma vida que valha a pena viver
Tocar música apenas para atingir sozinho a música do coração
Desistir dos sonhos porque não fazerem parte da vida que se escolheu
Ter que transparecer forte porque o seu posto de trabalho assim o assumiu
Ver o mundo que anda e desanda em mais um dia
No seu tempo que só seu parece ser
Porque o tempo da natureza sem querer decidimos fazer por esquecer
Ver o mundo que continua na esperança de todos os sonhos cumpridos
Ainda mais ansioso por ver todos os sonhos ainda por cumprir
Ver os sonhos à porta da obra do artista que espera
que o mundo seus sonhos escolha para fazê-los cumprir.
Precisamos viver para podermos escrever
Precisamos saber viver para nós mesmos,
É atar-se ao coração esperando que a brisa certa lhe trespasse
Fazer um desejo num silêncio de um altar
e não permitir de propósito que o desejo se concretize
Foi como quando eu soube que chegarias, já não queria que chegasses
Porque sabia que o meu lindo sonho de ti de mim se esconderia
Foi como quando tu partiste,
e mais presente passaste a estar em cada segundo da minha vida,
na cor da tua ausência minha vida agora se definia
Foi assim, que só quando só e triste fiquei
a pena que sozinha já não podia voar a mim se uniu
E na minha escrita voltou a deixar-se voar
Indo eu com ela até que todo o pranto do mundo possa acabar
e até eu ser capaz de dar novamente cada migalha de mim por mais um sorriso.
Escrever cópias como se da vida só houvessem cópias do partir
Cantar em voz alta os cânticos dos sonhos incumpridos em si
Escutar os gritos de mais vidas exploradas e sentir que tudo está contra si
Carregar os prantos de uma vida inteira...
Escolher viver todos os perigos da vida numa busca por si mesmo
Sofrer por nossa boca quando vemos que a boca realmente não sente o que diz
Escolher se esquecer da vida porque se pensar que a vida de nós se perdeu
Preferir abdicar da própria satisfação em prol de uma vida que valha a pena viver
Tocar música apenas para atingir sozinho a música do coração
Desistir dos sonhos porque não fazerem parte da vida que se escolheu
Ter que transparecer forte porque o seu posto de trabalho assim o assumiu
Ver o mundo que anda e desanda em mais um dia
No seu tempo que só seu parece ser
Porque o tempo da natureza sem querer decidimos fazer por esquecer
Ver o mundo que continua na esperança de todos os sonhos cumpridos
Ainda mais ansioso por ver todos os sonhos ainda por cumprir
Ver os sonhos à porta da obra do artista que espera
que o mundo seus sonhos escolha para fazê-los cumprir.
Precisamos viver para podermos escrever
Precisamos saber viver para nós mesmos,
É atar-se ao coração esperando que a brisa certa lhe trespasse
Fazer um desejo num silêncio de um altar
e não permitir de propósito que o desejo se concretize
Foi como quando eu soube que chegarias, já não queria que chegasses
Porque sabia que o meu lindo sonho de ti de mim se esconderia
Foi como quando tu partiste,
e mais presente passaste a estar em cada segundo da minha vida,
na cor da tua ausência minha vida agora se definia
Foi assim, que só quando só e triste fiquei
a pena que sozinha já não podia voar a mim se uniu
E na minha escrita voltou a deixar-se voar
Indo eu com ela até que todo o pranto do mundo possa acabar
e até eu ser capaz de dar novamente cada migalha de mim por mais um sorriso.
Wednesday, August 14, 2013
A defesa do poeta
A defesa do poeta
Natália Correia
Senhores jurados sou um poeta
um multipétalo uivo um defeito
e ando com uma camisa de vento
ao contrário do esqueleto
um multipétalo uivo um defeito
e ando com uma camisa de vento
ao contrário do esqueleto
Sou um vestíbulo do impossível um lápis
de armazenado espanto e por fim
com a paciência dos versos
espero viver dentro de mim
de armazenado espanto e por fim
com a paciência dos versos
espero viver dentro de mim
Sou em código o azul de todos
(curtido couro de cicatrizes)
uma avaria cantante
na maquineta dos felizes
(curtido couro de cicatrizes)
uma avaria cantante
na maquineta dos felizes
Senhores banqueiros sois a cidade
o vosso enfarte serei
não há cidade sem o parque
do sono que vos roubei
o vosso enfarte serei
não há cidade sem o parque
do sono que vos roubei
Senhores professores que pusestes
a prémio minha rara edição
de raptar-me em criança que salvo
do incêndio da vossa lição
a prémio minha rara edição
de raptar-me em criança que salvo
do incêndio da vossa lição
Senhores tiranos que do baralho
de em pó volverdes sois os reis
sou um poeta jogo-me aos dados
ganho as paisagens que não vereis
de em pó volverdes sois os reis
sou um poeta jogo-me aos dados
ganho as paisagens que não vereis
Senhores heróis até aos dentes
puro exercício de ninguém
minha cobardia é esperar-vos
umas estrofes mais além
puro exercício de ninguém
minha cobardia é esperar-vos
umas estrofes mais além
Senhores três quatro cinco e Sete
que medo vos pôs por ordem?
que pavor fechou o leque
da vossa diferença enquanto homem?
que medo vos pôs por ordem?
que pavor fechou o leque
da vossa diferença enquanto homem?
Senhores juízes que não molhais
a pena na tinta da natureza
não apedrejeis meu pássaro
sem que ele cante minha defesa
a pena na tinta da natureza
não apedrejeis meu pássaro
sem que ele cante minha defesa
Sou uma impudência a mesa posta
de um verso onde o possa escrever
ó subalimentados do sonho!
a poesia é para comer.
de um verso onde o possa escrever
ó subalimentados do sonho!
a poesia é para comer.
Tuesday, August 13, 2013
ranhuras
Eu trabalho no submundo, aqui onde a parede discretamente se racha,
lentamente procurando o chão
de antigos tempos de repressão aos fracos
elas falam por sua libertação
Aqui, onde as palavras humilham medos fundos do povo
e onde os que podem se gabam de nada
Eu trabalho onde à entrada,
carros só passam aos montes e fugidios como se adivinhassem
o que ali mora ao lado
E a entrada, a mim se mostra escura
Eu trabalho, aqui onde pessoas trabalham sem sonhos,
onde outras trabalham com sonhos camuflados
onde outras tantas trabalham para esquecer da vida e do que é viver
Eu trabalho, e o meu trabalho representa todo o trabalho que se presta sem sentir
Onde não se trabalha muito, mas representa-se com fartura,
como na vida que se desfaz em retratos
do que se poderia ser se se tivesse mais coragem de dar a vida quem se é
Eu trabalho, e no meu trabalho eu estou e não estou
E quero e não quero,
Eu faço e fora desfaço
Eu digo e fora disdigo
Eu choro para mais tarde sorrir
Eu riu por dentro e por fora mostro que temo
Na verdade, eu trabalho para ninguem
Senao para sonhos muito bem guardados
que se escondem nas brechas que as ranhuras da parede do escritório escondem
procurando o chão para que se façam grandes
dum sítio que existe só por razões que cheiram a mofo do passado,
os meus sonhos tem a cor das pétalas de uma flor que acabou de abrir.
lentamente procurando o chão
de antigos tempos de repressão aos fracos
elas falam por sua libertação
Aqui, onde as palavras humilham medos fundos do povo
e onde os que podem se gabam de nada
Eu trabalho onde à entrada,
carros só passam aos montes e fugidios como se adivinhassem
o que ali mora ao lado
E a entrada, a mim se mostra escura
Eu trabalho, aqui onde pessoas trabalham sem sonhos,
onde outras trabalham com sonhos camuflados
onde outras tantas trabalham para esquecer da vida e do que é viver
Eu trabalho, e o meu trabalho representa todo o trabalho que se presta sem sentir
Onde não se trabalha muito, mas representa-se com fartura,
como na vida que se desfaz em retratos
do que se poderia ser se se tivesse mais coragem de dar a vida quem se é
Eu trabalho, e no meu trabalho eu estou e não estou
E quero e não quero,
Eu faço e fora desfaço
Eu digo e fora disdigo
Eu choro para mais tarde sorrir
Eu riu por dentro e por fora mostro que temo
Na verdade, eu trabalho para ninguem
Senao para sonhos muito bem guardados
que se escondem nas brechas que as ranhuras da parede do escritório escondem
procurando o chão para que se façam grandes
dum sítio que existe só por razões que cheiram a mofo do passado,
os meus sonhos tem a cor das pétalas de uma flor que acabou de abrir.
Tuesday, July 30, 2013
Ensinar a amar
Todo o mundo diz que ama, e ama!
Mas ninguém e nada pode ensinar a amar!
E se alguma escola ou instituição disser que pode ensinar eu
pergunto,
Como se ensina uma peixe a nadar dizendo que ele não sabe o
suficiente,
como se mostra a um animal que está preso numa jaula, o que
é a liberdade, o que é viver na selva e como
se descreve a sensação de um luar fora de quatro paredes, quando de lá nunca se
saiu.
Todo o mundo diz que quer amar mas não se quer entregar
porque não quer sentir dor!
E eu pergunto se alguma vez se conquistou alguma coisa sem
suor e a ela se deu o devido valor.
E eu pergunto como se pode amar completamente, com toda a
segurança de um bebé num berço fechado, para ele não se magoar…
E eu pergunto se essa entrega a essa dor, essa ausência esse
sentimento de insegurança, não fará parte do próprio acto de amar, do processo
em si, porque talvez um dia, depois de tanta entrega, depois de tanta dor, ela se
deixe de ser dor, ela passe ao estágio seguinte e todo o pranto passe…
Porque no seu limite a dor não se sente, no seu limite o
sofrer se rende, diz que não é de nada nem de ninguém, porque se desfaz em alma
de tudo e de todos…
No fim, não há queixas, nem medos, nem espectativas, nem
falhas, no fim tudo é tão fundo que se larga e deixa ser o simples amor que
sempre esteve lá e ninguém via.
Estrutura óssea
Hoje sei que agarro sentimentos como se fizessem parte da
minha estrutura óssea
Humores são ossos do meu esqueleto e faço de sensações a
musculatura que encobre-me o corpo
Sendo assim, a pleura do coração é a pele que me encobre.
E toda a sensação cobre me mais que o corpo, é rasto que
deixo em tudo por onde passo de segundo a segundo num tic tac profundo que se
desfaz após serem como ondas do mar, numa ondulação que dança.
Hoje disseram-me que sou de tudo e de todos,
que dos outros construo paisagens que se tornam parte de mim
e por serem minhas são de mim. Quando tenho que as soltar, custa-me porque largo
pedaços de mim.
Hoje descobri que quando me calo é porque torno cada palavra
dádiva de se entregar
Tão dádiva que minha alegria sacrifico em prol de sentir
algo maior, em prol de preferir ser essa entrega ao infinito do que cobre tudo,
e por isso choro de solidão
Mas foi de ti que tudo soube,
Porque foi hoje que me telefonaste, e depois de meses de
intensa presença ausente nos reencontramos, finalmente prontos para nos
ouvirmos, finalmente prontos para não fingirmos.
Porque antes tu fingias que te conhecias, e que eras teu
segurança pessoal e eu fingia o mesmo de mim.
Hoje, depois das lutas de ventos e vendavais que travamos,
finalmente estávamos cansados, suados e decepcionados connosco o suficiente,
para sermos capazes de nos ouvir um ao outro.
E de caminhos opostos de onde vimos, hoje descobri por tuas
palavras como agarro brisas de sentimentos como se fossem chão e como tu as
soltas na esperança de te encontrares em algum lugar longe de tudo.
Friday, July 26, 2013
tulipas
Um ser que nasceu dum confuso seio familiar, confuso tenderá a ser
Este ser meu ser não quer mais conceber
Quer um leque mais infinito de possibilidades
Quer um sonhar indo além de sonhos velhos não vividos
puros e manchados de frustrações passadas
Um ser que nasceu do breu não reconhece facilmente a luz
Mas existe mesmo do escuro uma pequena luz que mal se vê
Ela que de si se cria, que de si nasce e renasce
Sempre procurando o inalcançável do que se possa alcançar
E o universo se cria, o criador procura sempre mais de si se dar, que descanso haverá?
Que riqueza trará em tudo de si entregar…
Sem saber do retorno da dádiva, tudo que sair de si deverá ser autodomínio,
viver numa entrega profunda em vez de numa autoritária rigidez, melhor viver haverá?
Quem de fora possa ver será que poderá entender, será que poderá ver?
Será que se pode ver de fora o que nos come por dentro?
O que nos digere e nos deita fora, que pensamentos traem e
ficam quais dele irão embora, quais deles morrem, quais deles destroem
Negar ou aceitar a tradição, negar ou aceitar a sua origem, negar ou aceitar a ilusão?
Amar o essencial do que é tradicional, por amar o mistério da origem
Deixar a magia permanecer colorindo folhas soltas que descaem sua restante beleza,
E as flores primaveris, continuarem a semear os sonhos nos apaixonados,
Tendo que engolir letras confusas de cartazes representantes duma verdade semi-dita, semi-estudada, semi-maldita, semi-verdadeira, semi-mentira, semi-antiga, semi-recente, semi-esquecida, semi-ausente, semi-realista? Muito conveniente, eu prefiro tulipas.
Monday, July 22, 2013
Fumo de lareira
Sou fumo de lareira.
A sociedade está doente.
E eu, não sei se estou.
E o não saber se estou faz-me ter alguma sanidade.
A tristeza vem a passos lentos e profundos, mas com ela eu
não vou.
Não me rendo a auto-compaixão, toda a gente tem o seus
momentos deprimidos.
Rendo-me a Arte, esta sim sabe ser extrema e flexível, sabe
ir mas além e de uma vez só voltar para trás. E só o artista é, este sim,
realmente, é um ser vulnerável, eu não.
Se serei louca, quem não será?
Se o mundo para mim, não se pode fazer num jogo de xadrez…
Se o mundo para mim não tem
encaixe perfeito…
Depois de longas discussões, vou fazer as pazes comigo e
aceitar a louca que sou.
Porque quem viu sua origem nascer da confusão, não conhece
mais do que esse ser confuso.
Nunca pode voltar
para atrás e da ingenuidade retirar o viver feliz na ilusão.
Sou nascida do fumo de lareira.
E cedo a vida me tornou gasta demais, para alguma vez
parecer realmente sã.
A vida não me quis ovelha de nenhum clã e dos clãs da cidade
retiro o seu amargo sorriso, que no meu caso, escolhe estar solitário e
escondido.
E por isso, é melhor aceitar meu simples figurino natural de
personagem desencaixado.
E minha altivez, perante apenas, fantasmas tristes do
passado.
De onde brota, por vezes, alguma paixão, de feridas mal
saradas do que eu já soube e já não sei.
E eu nunca sei para onde vou,
E nunca sei se devo ir ou ficar,
Porque o meu tempo de acreditar já passou.
Porque nenhum lugar, nunca completa a profundidade do meu
coração.
Coração de quem não tem fundo, nem forma, nem direcção.
Vou sendo é essa contemplação dum choro bruscamente
engolido…
18/07/13
Autoritarismo
O autoritarismo é uma forma de maltratar psicologicamente o
outro livremente.
Destrói a autoconfiança do outro, destrói sonhos, torna-nos
ovelhas de rebanho.
Porque quem é autêntico não precisa de capa para se
encobrir, nem precisa de altar para estar em posição superior a quem está a sua
frente.
Sentir-se superior é escolher estar cego de si próprio e do
outro, viver de títulos e de bens, aceitar autoridade é negar tomar acção sobre
a sua própria vida. É deixar-se a mercê do outro.
Tenho amigos que são como rebeldes, não aceitam qualquer
tipo de autoridade externa por este mesmo motivo. Vejo este instinto como um
sentido de rebelião pessoal mas penso que no fim não trás qualquer vantagem.
Opor-se a autoridade externa pode ser uma forma de reforçar
essa própria autoridade, bem como, reforçar um sentimento de auto compaixão que
não trás qualquer benefício.
Melhor seria, ignorar esse tipo de pessoas, e sem deixar
afectar-se por isso cumprir o papel que é necessário ser cumprido para o melhor
dos nossos projectos pessoais.
Apesar de tudo isso, as piores autoridades são as internas,
seja autoridade religiosa, psicológica, emocional. Pomos nossa vida à
disposição de uma série de fantasmas alegóricos que nos aparecem com os anos de
vida.
Qual será então a melhor posição em relação a estes? Estes
penso eu, não se devem ignorar. Melhor seria, então, deixá-los morrer de fome.
Não encontrei uma solução definitiva para esta questão.
A nível intelectual, o que me tem ajudado é a eterna
filosofia de um constante por em causa, mas isto também trás uma certa
inquietação, e um constante reconstruir.
A nível emocional, bem, este é o que trás a minha conversa
com a poesia e traz-me noites mal dormidas sendo o motivo aparente, nenhum.
Tuesday, July 16, 2013
O ser imaginado
Não há poeta que se exprima como esta mágoa que me existe no peito
Nem há filósofo que se faça de minha mente a querer esquecer
Porque estou presa, presa em minha própria gaiola que criei
Por minha espera de ti.
Porque não há nada que me liberte do ideal,
Do ideal humano de criar um ideal de beleza
Nem da tolice de pensar que alguém tem que ser como a imaginamos.
Foi numa tarde fatal que tua forma colori numa página da minha vida.
Foi quando nos entreolhamos por motivos misteriosos mas nem por isso iguais.
E agora, não há razão fatal o suficiente para fazer meu peito deixar-se calar
Mesmo sabendo que na verdade quem tu és nada tem haver
com tudo o que sonhei de ti ao longo de anos.
Agora, faz mais sentido toda a poesia imaginada,
faz mais sentido todo o canto melancólico com palavras tristemente proferidas.
Porque tu só fazes sentido no meu profundo ideal de ser docemente imaginado!
E tudo o que farei, será pela imagem romanesca que criei de ti,
Oh doce ser inexistente.
E tu mostras-me e voltas-me a mostrar,
que a imagem que pintei em meu corpo tua nunca e jamais existiu
E eu volto, e volto a acreditar. Como tola.
Como tola mulher que sou e que não quer ver
Sendo tão mulher e tão cheia de peito a doer por dor.
Nem há filósofo que se faça de minha mente a querer esquecer
Porque estou presa, presa em minha própria gaiola que criei
Por minha espera de ti.
Porque não há nada que me liberte do ideal,
Do ideal humano de criar um ideal de beleza
Nem da tolice de pensar que alguém tem que ser como a imaginamos.
Foi numa tarde fatal que tua forma colori numa página da minha vida.
Foi quando nos entreolhamos por motivos misteriosos mas nem por isso iguais.
E agora, não há razão fatal o suficiente para fazer meu peito deixar-se calar
Mesmo sabendo que na verdade quem tu és nada tem haver
com tudo o que sonhei de ti ao longo de anos.
Agora, faz mais sentido toda a poesia imaginada,
faz mais sentido todo o canto melancólico com palavras tristemente proferidas.
Porque tu só fazes sentido no meu profundo ideal de ser docemente imaginado!
E tudo o que farei, será pela imagem romanesca que criei de ti,
Oh doce ser inexistente.
E tu mostras-me e voltas-me a mostrar,
que a imagem que pintei em meu corpo tua nunca e jamais existiu
E eu volto, e volto a acreditar. Como tola.
Como tola mulher que sou e que não quer ver
Sendo tão mulher e tão cheia de peito a doer por dor.
Sunday, July 07, 2013
Música antiga
Musica antiga, contigo mergulhei nos mares do passado,
só tu com tua bruma trazes essa capacidade de revelar um mundo mais interessante porque não tem tempo
e um mundo mais livre porque não tem espaço e se deixa perder a minha volta.
E ao ouvir aquela suave musica orquestral revelaste em mim o que do passado vive e respira
e a parte de mim que existe e vive nos velhos sonhos de infancia por acabar.
Como minha substancia, és o que de mim é realmente real, fora de toda essa vida que se auto construiu,
sem deixar que eu sequer me apercebesse quem era em meio a tanta confusão.
Porque tu és como um total desconstrução que concebe unicamente essencia original.
E contigo tenho todos os sonhos, todas as imagens coloridas que o som pode conceber
Em minha mente apresentam-se como fadas que surgem para recolorirem o meu mundo.
Tornas tudo possível, trazes minha esperança perdida,
lembras-me brincadeiras de crianças quase esquecidas quando bebo desses doces nectares de notas largadas ao vento.
E tudo passa a ser normal para mim, fazes mais facil aturar toda e qualquer brusca emoção.
Fazes revelar todo e qualquer parte dum íntimo escondido em desencorporado turbilhão.
E a ti entrego assim minha vida, passando a ter leveza de quem entrega um fardo pesado e
e passando a ter a esperança de quem se rende cegamente a uma paixão.
só tu com tua bruma trazes essa capacidade de revelar um mundo mais interessante porque não tem tempo
e um mundo mais livre porque não tem espaço e se deixa perder a minha volta.
E ao ouvir aquela suave musica orquestral revelaste em mim o que do passado vive e respira
e a parte de mim que existe e vive nos velhos sonhos de infancia por acabar.
Como minha substancia, és o que de mim é realmente real, fora de toda essa vida que se auto construiu,
sem deixar que eu sequer me apercebesse quem era em meio a tanta confusão.
Porque tu és como um total desconstrução que concebe unicamente essencia original.
E contigo tenho todos os sonhos, todas as imagens coloridas que o som pode conceber
Em minha mente apresentam-se como fadas que surgem para recolorirem o meu mundo.
Tornas tudo possível, trazes minha esperança perdida,
lembras-me brincadeiras de crianças quase esquecidas quando bebo desses doces nectares de notas largadas ao vento.
E tudo passa a ser normal para mim, fazes mais facil aturar toda e qualquer brusca emoção.
Fazes revelar todo e qualquer parte dum íntimo escondido em desencorporado turbilhão.
E a ti entrego assim minha vida, passando a ter leveza de quem entrega um fardo pesado e
e passando a ter a esperança de quem se rende cegamente a uma paixão.
Sunday, June 30, 2013
Espera
Só na ausência és realmente meu
Tua desilusão em mim é o que me torna
real e nessa realidade tu estás.Numa vida até ao milímetro calculada,
só o meu sofrer por tua distância faz-me saber alguma verdade.
Porque minha mente é desumana e cruel, todo o seu toque é fatal.
Sempre tediosa quando está satisfeita,
e nervosa quando insatisfeita está.
Por isso mesmo, felicidade deve ser uma transversalidade que nunca é transversal.
Está entre aquilo que não é na ilusão de que o é,
como estar acordado num vazio cheio de nada.
Só vou sentir-me satisfeita ao encontrar-me toda desfeita numa cama de íntimos eus.
Não encontro descanso para a vida nem a dormir e nem acordada, apenas numa chávena de café ao ser apreciada, quando sabe deixar sua amargura no fim.
Este é o retrato onde quero mostrar-me porque é o retrato mais real que faço de mim.
A insatisfação sempre é uma cura para a loucura do hedonismo.
E a satisfação sempre é uma cura para loucura de querer esquecer de uma vez por todas de mim.
lado nenhum
Só sei escrever de sentimentos, não
sei escrever sobre coisas.
Porque não tenho ainda a substancia
que as coisas tem.Sou só vapor de ideias, rasto sem direcção
Faço coisas ao mesmo tempo assim como tudo em mim funciona em turbilhão.
Só sei escrever palavras soltas, porque só sei viver sendo solta
Não sei ser feliz no amor, quando estou bem, descolo-me
Quando não estou com ninguém leio o romance nos outros.
Porque tudo em mim é liberdade e prisão, tudo em mim é inconstância.
E se algum dia chegar o momento de eu
concretizar quem sou
que a inconstancia não me traia, que a
ansiedade não me faça fugir daliQue o desquerer não me faça perder a esperança, que a decepção não me possa impedir
que finalmente possa ser mais que fumo de
lareira, ser mais que tinta de papel
finalmente possao parar só para olhar
algum sitio
e sentir que finalmente posso deixar fazer-me parte de algum lugar que não seja lado nenhum.
Tuesday, May 14, 2013
O lugar do perdedor
Só no além que tudo habita o real a ti se mostra
No agora do inocente que se entrega por sua pressa
O indefeso escolhe ignorante da sua culpa, escapar
Só hoje sonhei de meu baú interno buscar antigos fantoches
para de mim rir em algazarra, por minha prospera fronte
Quando vi que tu, só teus beijos, são vagalumes nesse íntimo breu
Só porque conseguiste com teu amor fazer renascer o meu
Mesmo assim as mascaras continuam translúcidas e ainda vivem
em risos sarcasticos de outros, em aplausos dados em horas erradas
E tu chegas com tuas mãos infantis rendidas
e salvas com teu sorriso por momentos meu ser
a todas essas traças da conspiração.
Porque no além do real tudo é possível aprisionar
até alma, até desejo, até corpo e todo o querer de se envaidecer
Porque no sonho colorido que desvanece com o toque do vento
sempre podem surgir desde tempos remotos
banhos acesos nos mares quentes do amor
Quando o que era pecado, torna-se a tão procurada salvação
O pecador torna-se santo
E o santo, de mártir passa a insano ditador
Porque de actor todos temos um pouco
É melhor a humildade de preservar a autenticidade
do que ser devorado por feras que incorporam mascaras de absolutas certezas.
O melhor é tapar a boca e os ouvidos a tudo o que não faça o coração bater de amor
O melhor é se deixar render sabendo ocupar com dignidade o lugar do perdedor
Porque é melhor perder por amor do que ganhar perdendo a alma.
No agora do inocente que se entrega por sua pressa
O indefeso escolhe ignorante da sua culpa, escapar
Só hoje sonhei de meu baú interno buscar antigos fantoches
para de mim rir em algazarra, por minha prospera fronte
Quando vi que tu, só teus beijos, são vagalumes nesse íntimo breu
Só porque conseguiste com teu amor fazer renascer o meu
Mesmo assim as mascaras continuam translúcidas e ainda vivem
em risos sarcasticos de outros, em aplausos dados em horas erradas
E tu chegas com tuas mãos infantis rendidas
e salvas com teu sorriso por momentos meu ser
a todas essas traças da conspiração.
Porque no além do real tudo é possível aprisionar
até alma, até desejo, até corpo e todo o querer de se envaidecer
Porque no sonho colorido que desvanece com o toque do vento
sempre podem surgir desde tempos remotos
banhos acesos nos mares quentes do amor
Quando o que era pecado, torna-se a tão procurada salvação
O pecador torna-se santo
E o santo, de mártir passa a insano ditador
Porque de actor todos temos um pouco
É melhor a humildade de preservar a autenticidade
do que ser devorado por feras que incorporam mascaras de absolutas certezas.
O melhor é tapar a boca e os ouvidos a tudo o que não faça o coração bater de amor
O melhor é se deixar render sabendo ocupar com dignidade o lugar do perdedor
Porque é melhor perder por amor do que ganhar perdendo a alma.
O ser criador
Precisei ir trabalhar para perceber,
a vida vã do trabalhador comparada com a vida completa do artista
que nada tem.
Dele, não esperam nada, só a natureza espera em segredo que dele prospere
como flor a verdade do que habita de natural em nós.
Que esse tempo que passou não tenha matado esse ser natural que comigo nasceu.
O ser criador.
E assim como o dinheiro alimenta a desconfiança,
a arte alimenta a liberdade por ser dela nu amante.
Como um pássaro é arte que voa livre no céu,
não há animal que não se exalte perante a visão da vivarte que voa.
Tudo em mim, tudo em todos os lugares,
quer regressar a esse intimo uterino
que tudo tinha porque nada sabia e porque nada tinha feito
senão ser quem é para tudo conseguir.
a vida vã do trabalhador comparada com a vida completa do artista
que nada tem.
Dele, não esperam nada, só a natureza espera em segredo que dele prospere
como flor a verdade do que habita de natural em nós.
Que esse tempo que passou não tenha matado esse ser natural que comigo nasceu.
O ser criador.
E assim como o dinheiro alimenta a desconfiança,
a arte alimenta a liberdade por ser dela nu amante.
Como um pássaro é arte que voa livre no céu,
não há animal que não se exalte perante a visão da vivarte que voa.
Tudo em mim, tudo em todos os lugares,
quer regressar a esse intimo uterino
que tudo tinha porque nada sabia e porque nada tinha feito
senão ser quem é para tudo conseguir.
Esbanjar da vida
Existe um mal e existe um bem que em mim tocam
O mal chama-se consumo,
O bem chama-se criatividade
São nomes dados ao bem e ao mal esbanjados ao vivos de hoje
Aparencias diversas cujas motivações são uma só,
o resultado um só, e um só tempo que mostra o que irá surgir daquilo
que se escolheu cultivar
Do consumismo o medo do que se pode perder,
Do criativo a liberdade que só provem daquele que sua alma ressuscitou
o antigo saber construir.
Existe um mal e existe um bem em mim
E o mal facilmente continua a repetir-se habituado,
e o bem continua em sua caminhada esperançoso,
que eu possa esquecer o medo, abrir asas e voar.
Pois existem donos do nada que carregam fantasmas em meu nome,
e existem notas musicais que carregam minha alma em seus ventres...
caminhando livres ao ar.
Talvez exista um mal e um bem em todos nós,
E do mal existe o medo de cair, que nos esconde da verdade do ser que é livre.
Do bem, existe a consciencia que sempre sabe o que está errado,
é essa força de vida subentendida em toda a forma de arte,
vida que com batimentos de coração acelerado, vive calada no mais profundo ser de nós.
É por isso que vida é aquela que é vivida de forma escancarada e que sinceramente se entrega ao mundo.
O mal chama-se consumo,
O bem chama-se criatividade
São nomes dados ao bem e ao mal esbanjados ao vivos de hoje
Aparencias diversas cujas motivações são uma só,
o resultado um só, e um só tempo que mostra o que irá surgir daquilo
que se escolheu cultivar
Do consumismo o medo do que se pode perder,
Do criativo a liberdade que só provem daquele que sua alma ressuscitou
o antigo saber construir.
Existe um mal e existe um bem em mim
E o mal facilmente continua a repetir-se habituado,
e o bem continua em sua caminhada esperançoso,
que eu possa esquecer o medo, abrir asas e voar.
Pois existem donos do nada que carregam fantasmas em meu nome,
e existem notas musicais que carregam minha alma em seus ventres...
caminhando livres ao ar.
Talvez exista um mal e um bem em todos nós,
E do mal existe o medo de cair, que nos esconde da verdade do ser que é livre.
Do bem, existe a consciencia que sempre sabe o que está errado,
é essa força de vida subentendida em toda a forma de arte,
vida que com batimentos de coração acelerado, vive calada no mais profundo ser de nós.
É por isso que vida é aquela que é vivida de forma escancarada e que sinceramente se entrega ao mundo.
Águas fundas
Existe um conflito em mim
Um conflito entre um interior vulcanico que com efervecencia ainda procura brilhantes
E um exterior desertico, entupido de pseudoautoridades, que se rendem a pressoes
Existem conflitos em mim que mais parecem possessões
Do que sou eu mas não sou, do que eu poderia ser se me encontrasse
Do que poderiam querer que eu fosse, do que querem que eu seja agora
mas não sou...
E é por isso que eu vivo as vezes numa lastimosa duvida entre ser naturalmente deslocada
Ou recolocar-me para estar em paz com o mundo declarando guerra a esse meu ser
que se quer controverso e lunático
E como meu ser não se deixa a si próprio ver-se
Assim as pessoas a mim são apenas meras ilusões, fantasmas que de mim fazem juízos
tão distantes do que sou como as estrelas do céu são de quem as observou
Como um remante num rio que flutua sobre águas fundas,
assim vou levando a vida porque tem de ser levada a remos, com esforço
E assim levo uma vida de boas paisagens mas de esforços para continuar a conseguir ver
Porque a vida pede cada vez mais adaptação, pede luta diária por sobrevivencia quando tudo o que eu queria era manter-me num sono bom.
E quando o arco-íris de relance aparece, esqueço as horas e lembro,
que tudo o que era preciso para ser feliz era apreciar,
E aprecio apenas em poucos momentos, numa mente que não para
porque insiste que quer andar de frente para trás
A vida em mim quer constantemente trocar roupas pensando que assim pode melhor de si conhecer
Em auto-testes desafia-se até sangrar,
numa necessidade de cavar sempre mais fundo e mais a escuridão do que seria realmente necessário.
E cá de fora, ninguém entende, poucas almas humanas poderão reconhecer,
essa vontade de renascer, esse desejo de se deixar morrer por apenas querer viver.
Um conflito entre um interior vulcanico que com efervecencia ainda procura brilhantes
E um exterior desertico, entupido de pseudoautoridades, que se rendem a pressoes
Existem conflitos em mim que mais parecem possessões
Do que sou eu mas não sou, do que eu poderia ser se me encontrasse
Do que poderiam querer que eu fosse, do que querem que eu seja agora
mas não sou...
E é por isso que eu vivo as vezes numa lastimosa duvida entre ser naturalmente deslocada
Ou recolocar-me para estar em paz com o mundo declarando guerra a esse meu ser
que se quer controverso e lunático
E como meu ser não se deixa a si próprio ver-se
Assim as pessoas a mim são apenas meras ilusões, fantasmas que de mim fazem juízos
tão distantes do que sou como as estrelas do céu são de quem as observou
Como um remante num rio que flutua sobre águas fundas,
assim vou levando a vida porque tem de ser levada a remos, com esforço
E assim levo uma vida de boas paisagens mas de esforços para continuar a conseguir ver
Porque a vida pede cada vez mais adaptação, pede luta diária por sobrevivencia quando tudo o que eu queria era manter-me num sono bom.
E quando o arco-íris de relance aparece, esqueço as horas e lembro,
que tudo o que era preciso para ser feliz era apreciar,
E aprecio apenas em poucos momentos, numa mente que não para
porque insiste que quer andar de frente para trás
A vida em mim quer constantemente trocar roupas pensando que assim pode melhor de si conhecer
Em auto-testes desafia-se até sangrar,
numa necessidade de cavar sempre mais fundo e mais a escuridão do que seria realmente necessário.
E cá de fora, ninguém entende, poucas almas humanas poderão reconhecer,
essa vontade de renascer, esse desejo de se deixar morrer por apenas querer viver.
Monday, April 22, 2013
Dislexia textual
Ganhei dislexia as letras,
para mim um Pedro as vezes é quase o mesmo que um João,
e um Pereira é quase o mesmo que um Teixeira,
se for o nome de alguem desconhecido de alma e só conhecido de cara
Tenho dislexia as letras,
para mim os D´s são as melhores letras para começarmos uma frase
e não gosto tanto dos X´s ou dos Z´s se não quiserem dizer
coisas misteriosas que lia nos contos de fadas
Dessa dislexia,
Certas palavras para mim são mais que palavras, são mundos que anseio descobrir
e por elas viajo num labirinto curioso, nas novas histórias que me são contadas ou quando essas histórias surgem pintadas num lugar especial dum livro.
Ganhei dislexia as letras,
e as vezes quando palavras surgem aos montes ou saem gritadas,
deixam de ter significado separadas,
significando para mim apenas um turbilhão de emoções disfaçadas em letras sem imaginação.
Sou agora, disléxica por opção,
e por opção certas letras são como minha religião,
a religião das letras que apresentam o poder de salvação
da alma que não se quer exilada, manter-se só e calada.
para mim um Pedro as vezes é quase o mesmo que um João,
e um Pereira é quase o mesmo que um Teixeira,
se for o nome de alguem desconhecido de alma e só conhecido de cara
Tenho dislexia as letras,
para mim os D´s são as melhores letras para começarmos uma frase
e não gosto tanto dos X´s ou dos Z´s se não quiserem dizer
coisas misteriosas que lia nos contos de fadas
Dessa dislexia,
Certas palavras para mim são mais que palavras, são mundos que anseio descobrir
e por elas viajo num labirinto curioso, nas novas histórias que me são contadas ou quando essas histórias surgem pintadas num lugar especial dum livro.
Ganhei dislexia as letras,
e as vezes quando palavras surgem aos montes ou saem gritadas,
deixam de ter significado separadas,
significando para mim apenas um turbilhão de emoções disfaçadas em letras sem imaginação.
Sou agora, disléxica por opção,
e por opção certas letras são como minha religião,
a religião das letras que apresentam o poder de salvação
da alma que não se quer exilada, manter-se só e calada.
Cumplicidade
Desse coração cheio,
eu registo, depois da despedida final, tudo o que ficou de ti em mim
Desses sentimentos raros, retiro a importancia de quem és largada ser em mim
Porque só das pessoas que partem, o sentimento delas em nós se torna cumprido
Porque os que estão ainda perto, não nos permitem fazermos deles retrato,
por nos levarem já toda a nossa atenção, são só o momento da presença em si.
E agora quando ouço tuas musicas preferidas, elas escutam meus lamentos e procuram refúgio em mim.
Elas abrem-me portas a uma dimensão intemporal onde existíamos nós ainda pouco cumpridos.
Sou eterna na nossa partilha, de onde eras o único compreensivo de todos
Dos meus fantasmas, sonhos desfeitos e inacabados.
E nessa distância fatal, cumpriste tudo o que foi por nós dito.
Tudo o que nossa ansiosa liberdade junta trilhou para nós a seguir seguirmos.
Que a verdadeira cumplicidade ja guardou morada em nosso peito e dela levaremos agora nosso sustento.
Possa esse ser o alívio de nossos ansiosos tormentos,
e assim é o fim da nossa inquietude jovem, que anseia todos os momentos fugazes possíveis da vida,
que a tua passagem em minha vida ja permitiu que em algum sítio haja um envelhecer feliz.
eu registo, depois da despedida final, tudo o que ficou de ti em mim
Desses sentimentos raros, retiro a importancia de quem és largada ser em mim
Porque só das pessoas que partem, o sentimento delas em nós se torna cumprido
Porque os que estão ainda perto, não nos permitem fazermos deles retrato,
por nos levarem já toda a nossa atenção, são só o momento da presença em si.
E agora quando ouço tuas musicas preferidas, elas escutam meus lamentos e procuram refúgio em mim.
Elas abrem-me portas a uma dimensão intemporal onde existíamos nós ainda pouco cumpridos.
Sou eterna na nossa partilha, de onde eras o único compreensivo de todos
Dos meus fantasmas, sonhos desfeitos e inacabados.
E nessa distância fatal, cumpriste tudo o que foi por nós dito.
Tudo o que nossa ansiosa liberdade junta trilhou para nós a seguir seguirmos.
Que a verdadeira cumplicidade ja guardou morada em nosso peito e dela levaremos agora nosso sustento.
Possa esse ser o alívio de nossos ansiosos tormentos,
e assim é o fim da nossa inquietude jovem, que anseia todos os momentos fugazes possíveis da vida,
que a tua passagem em minha vida ja permitiu que em algum sítio haja um envelhecer feliz.
Thursday, April 18, 2013
Chá das letras
Como mãe, leio e releio tudo o que escrevi
Só para lembrar o que sinto de quem sou em meio a tantas reviravoltasAcaricio levemente essas lembranças de sentimentos, que ainda tanto trazem alegrias como trazem dor
Cada texto escrito foi escrito com a terna dor do nascimento
Cada texto foi registo de quem eu fui mas não me lembro Registo de quem eu não sabia que existia naquele dia em que escrevi
Toda a entrega real que faço tem uma dor envolvida que pode ser revivida
E revivo pelo prazer que tenho da dor em reconhecer quem sou
Sem precisar lembrar deixo o que lembro passar por mim
E deixo esse vulto externo contar sua história e sua razão mesmo que esteja já adormecida e deliciada em mimSem saber onde estou deixo-me possuir por velhos sentimentos tão distantes da vida que é viver.
Mas se a vida não são as histórias que se contam e recontam em nós mesmos
É bom que sobre muito tempo para receber esses velhos vultos de sentimentos É bom, quando sobra tempo para ouvir secretamente essas suas queixas mesmo quando calmamente sentada, ou bebendo um chá.
É bom, quando sobra tempo para deixar escorrerem-se suavemente pelos dedos,
E deixar escritas aparecerem sozinhas num qualquer papel, que já surge tingido.
Wednesday, April 17, 2013
Longe do céu
Enquanto andas perdido entre
espelhos
Ando eu as voltas num íntimo
mar de mimOs mesmos anos que em mim ficaram bem guardados pela tua ausência
Porque aquele dia em que nos
vimos foi o passado levantado de sua campa.
Foi algo de antes de nossa
vida que por nós se reviveuE tu negaste como alguém cobarde de reconhecer quem é onde não conhece
E eu afirmei como ingénua moça cuja força de sua própria voz desconhece
Mas se em meu peito ainda morar
restos de ingénua intuição
Juro que se quiseres te
levarei a esse passado quase apagado pelo tempoPois foi com teu olhar que dele me lembraste naquele simples dia
E foi do meu ventre que
naquele momento ele quis voltar a nascer
E fizeste-me com dor, mulher,
Fizeste-me lua quando
reconheci de onde vinha minha própria escuridão.
Coraste-me com meu próprio
amor que te dei,
Mostrando com lágrimas minhas
que nunca de mim própria poderias salvar
Neste amor de tantas vidas,
em cada lembrança do olhar teu, revisito todos os mares navegados do passado
Nesta nostálgica dor da ausência,
revisito em meu ser o que sou do que ficouPois ele só fica bem quando calado quiser cantar o seu pranto
Como as histórias de amor
antigo não cabem neste mundo de espelhos e
sonhos vividos quase sempre tão
longes do céu.
Saturday, April 06, 2013
Animal humano
«A sina humana que de tanto proveito nada sabe,
e de tanto saber nada vive.
Porque nada pode ser realmente compreendido,
nada pode ser realmente incorporado,
sem que isso se torne, para o ser humano que compreendeu,
uma prisão.
E por isso, é preferível não se ter a certeza de nada.
Nada pode ser prazeroso e dar suficiente satisfação,
porque nada é suficiente para saciar o querer.
... O ser humano não se pode agarrar a nada se realmente quizer
felicidade duradoura.
Então, subitamente a vida torna-se num esquecer profundo e
constante de si próprio, numa constante reencontro com a felicidade.
E servir-se a si mesmo passa a ser não alimentar por opção os seus desejos, porque ao alimentá-los se tornaria refem deles e assim toda a sua liberdade e felicidade acabavam.
E dou por mim a observar pessoas numa busca ignorante,
e dou por mim a observar-me numa procura infeliz,
como se o mundo girasse sempre a espera de premios inexistentes.
E afinal ser animal é ser assim,
ser animal é não conhecer-se a si mesmo,
é procurar a ilusão da felicidade exterior,
é não aceitar a satisfação de simplesmente existir,
e de cada vez que surgem infelizes disputas,
é sentir-se satisfeito por ver nessas disputas a sua miseravel manifestação.
O quão longe estamos de viver em alguma pura consciencia, o quão perto estamos do modo como vivem todos os outros animais.
O quão pequenos são os meus anseios mentais comparados com as fundas verdades universais.
O ser humano apenas ao se perder de seus desejos pode realmente se encontrar.» Luna
e de tanto saber nada vive.
Porque nada pode ser realmente compreendido,
nada pode ser realmente incorporado,
sem que isso se torne, para o ser humano que compreendeu,
uma prisão.
E por isso, é preferível não se ter a certeza de nada.
Nada pode ser prazeroso e dar suficiente satisfação,
porque nada é suficiente para saciar o querer.
... O ser humano não se pode agarrar a nada se realmente quizer
felicidade duradoura.
Então, subitamente a vida torna-se num esquecer profundo e
constante de si próprio, numa constante reencontro com a felicidade.
E servir-se a si mesmo passa a ser não alimentar por opção os seus desejos, porque ao alimentá-los se tornaria refem deles e assim toda a sua liberdade e felicidade acabavam.
E dou por mim a observar pessoas numa busca ignorante,
e dou por mim a observar-me numa procura infeliz,
como se o mundo girasse sempre a espera de premios inexistentes.
E afinal ser animal é ser assim,
ser animal é não conhecer-se a si mesmo,
é procurar a ilusão da felicidade exterior,
é não aceitar a satisfação de simplesmente existir,
e de cada vez que surgem infelizes disputas,
é sentir-se satisfeito por ver nessas disputas a sua miseravel manifestação.
O quão longe estamos de viver em alguma pura consciencia, o quão perto estamos do modo como vivem todos os outros animais.
O quão pequenos são os meus anseios mentais comparados com as fundas verdades universais.
O ser humano apenas ao se perder de seus desejos pode realmente se encontrar.» Luna
Sunday, March 31, 2013
Flores no caminho
Acho que quero demais
Procuro demais
E só peço a algo divino que me livre de tanto querer
Acho que minha mente está a tornar-me incapaz
Torna-me cega ao apreciar
Torna-me cega a alegria natural de viver
Pois vi que não somos feitos para querer
Como qualquer animal, só fomos feitos para ser
Quero livrar-me de todo o julgar
Procuro estar satisfeita ao estar disfeita de todos os credos da civilização
Sinto que somos mais reais ao vivermos vidas desiguais
Mesmo assim, é preciso saber escutar o bater do coração em tudo o que
a natureza dá.
É preciso parar de procurar, deixar-se levar, entregar,
saber não levar a sério, e simplesmente deixar-se em paz
Porque a mente não reconhece essa paz, e essa é a origem do meu dilema.
Minha mente aponta-me o caminho,
mas não deixa-me sentir o cheiro das flores que encontro ao caminhar.
E por minha própria experiência, vejo qual o dilema do ser humano,
que de tanto procurar nada encontra
e que de tanto apreciar nada sabe
Se a mente ao menos soubesse encontrar seu lugar!
Se a alma ao menos soubesse que tem espaço para deixar-se viver!
Como tudo podia ser diferente...
Bem haja a simplicidade de ser mar, ser estrelas e ser luar!
Só quero voltar a sentir casa pedra com todo o meu corpo, com toda a minha atenção,
Parar de procurar defeitos em tudo, ver os detalhes e deixar de querer ser esperta
Estar ligada ao ser ao mesmo tempo igual a tudo.
Porque a beleza da água a correr já encerra a verdade de tudo
Porque cada folha de árvore é igual a mim e foi de onde eu vim
Porque nunca haverá nada na Terra desconhecida as veias que me cobrem o corpo.
Procuro demais
E só peço a algo divino que me livre de tanto querer
Acho que minha mente está a tornar-me incapaz
Torna-me cega ao apreciar
Torna-me cega a alegria natural de viver
Pois vi que não somos feitos para querer
Como qualquer animal, só fomos feitos para ser
Quero livrar-me de todo o julgar
Procuro estar satisfeita ao estar disfeita de todos os credos da civilização
Sinto que somos mais reais ao vivermos vidas desiguais
Mesmo assim, é preciso saber escutar o bater do coração em tudo o que
a natureza dá.
É preciso parar de procurar, deixar-se levar, entregar,
saber não levar a sério, e simplesmente deixar-se em paz
Porque a mente não reconhece essa paz, e essa é a origem do meu dilema.
Minha mente aponta-me o caminho,
mas não deixa-me sentir o cheiro das flores que encontro ao caminhar.
E por minha própria experiência, vejo qual o dilema do ser humano,
que de tanto procurar nada encontra
e que de tanto apreciar nada sabe
Se a mente ao menos soubesse encontrar seu lugar!
Se a alma ao menos soubesse que tem espaço para deixar-se viver!
Como tudo podia ser diferente...
Bem haja a simplicidade de ser mar, ser estrelas e ser luar!
Só quero voltar a sentir casa pedra com todo o meu corpo, com toda a minha atenção,
Parar de procurar defeitos em tudo, ver os detalhes e deixar de querer ser esperta
Estar ligada ao ser ao mesmo tempo igual a tudo.
Porque a beleza da água a correr já encerra a verdade de tudo
Porque cada folha de árvore é igual a mim e foi de onde eu vim
Porque nunca haverá nada na Terra desconhecida as veias que me cobrem o corpo.
Monday, March 25, 2013
Existência de árvore
Ser como uma árvore na existência
que não voou não caiu,
e enquanto os sonhos puxam para cima
o esforço puxa para baixo
A árvore permanece erguida não por si
mas pela lei do amor que liga tudo
Sendo que o amor é a eterna interacção
Sendo que a existência é a directa atenção
E a árvore permanece erguida enquanto sonha
voar como um pássaro, mas quer fazer tudo,
ser veloz, estando segura de si, parada
E ela é sensível ao vento que passa
como é sensível aos anos que passam
e no fim permanece sensível às influências externas
Ela não seria árvore sem o meio que a circunda
No entanto, o seu meio não define totalmente o que ela realmente é
E essa árvore é como um jovem que é ansioso de viver,
que não resiste a sua própria natureza, que só segue as leis naturais
e não as suas.
Mas afinal, ser jovem é ter ilusões que nos fazem seguir rumo além do que
nós somos capazes.
Juventude é não saber até onde se pode ir, é deixar-se levar bem além do que
se poderia considerar seguro.
Pois o que há de realmente seguro em viver? Talvez o Sol que nasce?
Os pássaros que cantam?
O transbordar repentino de sentimentos que não resistem em passar?
Só penso em largar todo o orgulho ao mar,
não quero mais ser mais nem menos do que uma árvore qualquer
Porque quem pensa ser mais um dia se desilude e cai
E quem pensa ser menos, nunca ousará saber quem realmente é.
Friday, March 22, 2013
Largada
Hoje foi o dia de voar,
cortar as amarras e seguir rumo ao mar
Hoje foi o dia de soltar
Parar de lutar, seguir sem olhar para trás
Hoje foi dia de transformar,
De continuar o caminho escolhido e sem pensar, seguir
Hoje o Sol amanheceu com todos os doces tons de coragem
Hoje o Sol trouxe brisas cantoras de canções que abençoam a liberdade
E foi hoje que a minha vida voltou a ter notas musicais em cada respiração
E foi hoje que deixei num instante de escolher o cansaço e minha peregrinação
E com força puxei as velas e segui, rumo a um natural desconhecido,
numa viagem de volta recriação, seguindo um por do Sol, que foi por mim,
recolorido
Quero saltar num salto que me faça esquecer quem sou
Quero refazer tudo o que eu faço para voltar a sentir a alegria própria das coisas novas
Largar os velhos sonhos não concretizados, largar minhas velhas cinzas no mar
Peço ao mar que me permita desaguar cegamente nele,
Vou render-me ao infinito num som uníssono e profundo capaz de calar de vez
todas as velhas cinzas das inquietações.
**********
Oh vida sempre apareces louca,
pois quando dedico-te fora de mim não vales nada
E só dentro de mim te deixas crescer como flor cheirosa
Oh vida, viver é conhecer-se a si mesmo
Não só dos antigos como de mim mesma,
descobri essa verdade, pois ao caminhar
Caminho sempre sozinha e no fim
o mais dificil da vida é sempre lidar comigo mesma
e com minha própria voz.
Há alguma harmonia na vida que me faz ressoar,
e faço dessa descoberta a minha busca mais funda,
e do mundo lá fora escolho manter-me escondida
procurando caminhar, passar despercebida
e ainda assim, permitir o recriar da vida que por mim puder passar
Deixar meu caule absorver a magia que houver para absorver do ar
Deixar minhas folhas se abrirem no seu espanto de confronto a luz
permitir-me lentamente secar, deixar-me molhar quando tiver de ser
e abrigar-me lentamente durante o escurecer
No teu colo tudo faz sentido
e não há mais o que fazer apenas o que guardar
Só nos teus braços cristalizo o sentir-me abençoada
Enquanto num beijo cristalizo a gratidão por viver
E só na partilha existe o sentimento do que é existir
E do amor retira-se a razão que a vida tem
E ser amor e ser flor não permite que haja tempo para criticar
para por em causa um sonho que em si se concretizou
Vou escrever, escrever até cansar
Descrever o sentimento mais fundo que houver e souber cantar
por mim o seu pranto,
Fechar-me a este mundo inconstante de si, ver o que de dentro está ainda presente
e o que precisa sair do que cá dentro está a mais
E estou cansada de quem sabe de tudo e não sabe de si porque não sabe nada
E estou cansada e ver e esquecer o que faz sentido e que realmente é preciso
E estou cansada deestar cansada e gastar energia onde não precisava,
num lamento que não e viver
Sonho ser como flor, ser como mar, permanecer
no sonho humano de morrer para si mesmo
Não deixar o sonho matar-se a si mesmo por não saber
calar a sua boca.
Por não deixar o silencio da ausência penetrar nas células vivas
da esperança
E parecer louca faz-me sentir tão profundamente certa que não me interessa a razão.
cortar as amarras e seguir rumo ao mar
Hoje foi o dia de soltar
Parar de lutar, seguir sem olhar para trás
Hoje foi dia de transformar,
De continuar o caminho escolhido e sem pensar, seguir
Hoje o Sol amanheceu com todos os doces tons de coragem
Hoje o Sol trouxe brisas cantoras de canções que abençoam a liberdade
E foi hoje que a minha vida voltou a ter notas musicais em cada respiração
E foi hoje que deixei num instante de escolher o cansaço e minha peregrinação
E com força puxei as velas e segui, rumo a um natural desconhecido,
numa viagem de volta recriação, seguindo um por do Sol, que foi por mim,
recolorido
Quero saltar num salto que me faça esquecer quem sou
Quero refazer tudo o que eu faço para voltar a sentir a alegria própria das coisas novas
Largar os velhos sonhos não concretizados, largar minhas velhas cinzas no mar
Peço ao mar que me permita desaguar cegamente nele,
Vou render-me ao infinito num som uníssono e profundo capaz de calar de vez
todas as velhas cinzas das inquietações.
**********
Oh vida sempre apareces louca,
pois quando dedico-te fora de mim não vales nada
E só dentro de mim te deixas crescer como flor cheirosa
Oh vida, viver é conhecer-se a si mesmo
Não só dos antigos como de mim mesma,
descobri essa verdade, pois ao caminhar
Caminho sempre sozinha e no fim
o mais dificil da vida é sempre lidar comigo mesma
e com minha própria voz.
Há alguma harmonia na vida que me faz ressoar,
e faço dessa descoberta a minha busca mais funda,
e do mundo lá fora escolho manter-me escondida
procurando caminhar, passar despercebida
e ainda assim, permitir o recriar da vida que por mim puder passar
Deixar meu caule absorver a magia que houver para absorver do ar
Deixar minhas folhas se abrirem no seu espanto de confronto a luz
permitir-me lentamente secar, deixar-me molhar quando tiver de ser
e abrigar-me lentamente durante o escurecer
No teu colo tudo faz sentido
e não há mais o que fazer apenas o que guardar
Só nos teus braços cristalizo o sentir-me abençoada
Enquanto num beijo cristalizo a gratidão por viver
E só na partilha existe o sentimento do que é existir
E do amor retira-se a razão que a vida tem
E ser amor e ser flor não permite que haja tempo para criticar
para por em causa um sonho que em si se concretizou
Vou escrever, escrever até cansar
Descrever o sentimento mais fundo que houver e souber cantar
por mim o seu pranto,
Fechar-me a este mundo inconstante de si, ver o que de dentro está ainda presente
e o que precisa sair do que cá dentro está a mais
E estou cansada de quem sabe de tudo e não sabe de si porque não sabe nada
E estou cansada e ver e esquecer o que faz sentido e que realmente é preciso
E estou cansada deestar cansada e gastar energia onde não precisava,
num lamento que não e viver
Sonho ser como flor, ser como mar, permanecer
no sonho humano de morrer para si mesmo
Não deixar o sonho matar-se a si mesmo por não saber
calar a sua boca.
Por não deixar o silencio da ausência penetrar nas células vivas
da esperança
E parecer louca faz-me sentir tão profundamente certa que não me interessa a razão.
Saturday, January 26, 2013
Investigar a íntima razão
Fui investigadora de minha razão,
Porque em todo o lado procurei uma razão para estar viva e nenhuma razão, lá fora, encontrei.
E em todo o lado procurei,
Procurei nas ondas do mar que ecoam um som que toca na alma e retorna
Procurei nas montras intermitentes de lojas que piscam o seu reflexo sem parar
Procurei entre as pessoas mais perdidas de si que assumem-se desencontradas do mundo
Procurei entre pessoas conhecedoras de todas as morais do viver.
Até procurei ao longo de dias, em livros que se afirmavam e se desmentiam e que no fim contavam que não precisavam mais de sequer existir.
E no fim fiquei pior que no início…
Fiquei cansada, cheia, confusa, repleta de excedentes do que não era eu mas poderia ser
Repleta de coisas em minha cabeça, que eram apenas pontas soltas a espera de que eu as desmanchasse de uma vez.
Voltei a querer ser pequena, a sussurrar aos anjos e a pedi-los que pudesse ver novamente cores na vida para poder observar novamente de longe o céu, vendo a magia de não saber o que ele realmente é.
Voltei a querer diminuir e esquecer dos nomes que fazem multiplicar as dúvidas em minha cabeça ao torná-las maiores do que as estrelas que já existem, as mesmas estrelas que eu tanto queria poder alcançar.
Retornei a um pequeno abrigo, procurei apenas um simples aconchego,
procurei deixar as lágrimas simplesmente caírem e nunca mais olhar para trás.
Quis poder deixar a angústia de querer alguma coisa e desejar poder um dia novamente conformar-me em nada saber e nada ter com o que me preocupar, mas sem poder deixar o coração para traz, levei-o a mesma comigo.
Porque não existe moral mais funda que a própria vida, que é mais certa e incerta que qualquer lei que se possa criar… e só isso faz dela também, a mais importante.
E no fim descobri, que durante todo esse tempo que passei a procurar, podia simplesmente ter apreciado.
Que tudo o que passei, nunca fará de mim nem mais nem menos do que sempre houvera sido.
Foi assim, que consegui acordar e saber o que de mim estava até agora adormecido.
Porque em todo o lado procurei uma razão para estar viva e nenhuma razão, lá fora, encontrei.
E em todo o lado procurei,
Procurei nas ondas do mar que ecoam um som que toca na alma e retorna
Procurei nas montras intermitentes de lojas que piscam o seu reflexo sem parar
Procurei entre as pessoas mais perdidas de si que assumem-se desencontradas do mundo
Procurei entre pessoas conhecedoras de todas as morais do viver.
Até procurei ao longo de dias, em livros que se afirmavam e se desmentiam e que no fim contavam que não precisavam mais de sequer existir.
E no fim fiquei pior que no início…
Fiquei cansada, cheia, confusa, repleta de excedentes do que não era eu mas poderia ser
Repleta de coisas em minha cabeça, que eram apenas pontas soltas a espera de que eu as desmanchasse de uma vez.
Voltei a querer ser pequena, a sussurrar aos anjos e a pedi-los que pudesse ver novamente cores na vida para poder observar novamente de longe o céu, vendo a magia de não saber o que ele realmente é.
Voltei a querer diminuir e esquecer dos nomes que fazem multiplicar as dúvidas em minha cabeça ao torná-las maiores do que as estrelas que já existem, as mesmas estrelas que eu tanto queria poder alcançar.
Retornei a um pequeno abrigo, procurei apenas um simples aconchego,
procurei deixar as lágrimas simplesmente caírem e nunca mais olhar para trás.
Quis poder deixar a angústia de querer alguma coisa e desejar poder um dia novamente conformar-me em nada saber e nada ter com o que me preocupar, mas sem poder deixar o coração para traz, levei-o a mesma comigo.
Porque não existe moral mais funda que a própria vida, que é mais certa e incerta que qualquer lei que se possa criar… e só isso faz dela também, a mais importante.
E no fim descobri, que durante todo esse tempo que passei a procurar, podia simplesmente ter apreciado.
Que tudo o que passei, nunca fará de mim nem mais nem menos do que sempre houvera sido.
Foi assim, que consegui acordar e saber o que de mim estava até agora adormecido.
Dança da vida
De volta a escrita...
Vida, tu és uma dança,
És uma dança de vultos, dança de corpos
E como dançam os corpos a beleza e feiura do mundo!
Vida, és como uma sombra que passa, e pode reconhecer seu nome ou não
E as sombras quando pensam que se reconhecem é porque não sabem quem são
Pois só quando não sabem de si, podem saber que estão realmente a viver
E por isso, só sabem de si a dançar
E ainda assim,
As vezes, dá-se uma chance apenas ao que está a venda
Dá-se uma chance ao que há do passado de amargurado e que não se pode esquecer
Dá-se uma chance ao simples passar do tempo
Dá-se uma chance a tudo o que possa camuflar, e aprende-se a fingir que não existe nada que realmente possa alterar alguma coisa.
Porque tanto temos a proteger, porque o pouco que tínhamos foi vendido em saldos.
E no fim, muito pouco possuímos de nós.
Quando não se dá uma chance aos velhos sonhos de criança
Quando não se dá uma chance ao que trazemos de nós mesmos,
não se dá chance a quem errou em seguir o seu instinto e agora se sente incapaz
Não se dá chance a outros que tentam e embora o façam pareçam tão iguais aos demais.
Porque dar essa chance seria abdicar da certeza, dá fé em nunca haver nada de novo que possa alterar alguma coisa.
Seria abdicar da certeza de que somos diferentes dos outros, não erramos, porque se errarmos confirmamos que nada de nós temos sido.
E a conveniência da rotina, é tão fácil de seguir…
E a ilusão continua tão barata, tão fácil de se engolir
E como é fácil entrar nesse jogo, e só assim, passar despercebido
Porque aparentemente justificar minhas escolhas, seria estragar a minha maquilhagem de vítima.
Mas como dançam esses loucos das ruas
São desgraçados, tem roupas estranhas, será que não percebem isso?
Quando não se dá uma chance a ausência,
Quando não se dá uma chance ao ouvir do porque do coração bater
Não se pára, porque isso nos tornaria atrasados em relação as restantes pessoas que se comparavam a si mesmas.
Não se dá uma chance a mudança de cores do céu, e ainda assim os humores tentam estragar a grande imagem de mim que tento manter
Não se dá uma chance a um sonho porque não traria beneficio nenhum, e o caminho que sigo já está mais bem trilhado, permitindo manter os demónios em seus respectivos lugares marcados.
E não há mais tempo para danças!
Vida, tu és uma dança,
És uma dança de vultos, dança de corpos
E como dançam os corpos a beleza e feiura do mundo!
Vida, és como uma sombra que passa, e pode reconhecer seu nome ou não
E as sombras quando pensam que se reconhecem é porque não sabem quem são
Pois só quando não sabem de si, podem saber que estão realmente a viver
E por isso, só sabem de si a dançar
E ainda assim,
As vezes, dá-se uma chance apenas ao que está a venda
Dá-se uma chance ao que há do passado de amargurado e que não se pode esquecer
Dá-se uma chance ao simples passar do tempo
Dá-se uma chance a tudo o que possa camuflar, e aprende-se a fingir que não existe nada que realmente possa alterar alguma coisa.
Porque tanto temos a proteger, porque o pouco que tínhamos foi vendido em saldos.
E no fim, muito pouco possuímos de nós.
Quando não se dá uma chance aos velhos sonhos de criança
Quando não se dá uma chance ao que trazemos de nós mesmos,
não se dá chance a quem errou em seguir o seu instinto e agora se sente incapaz
Não se dá chance a outros que tentam e embora o façam pareçam tão iguais aos demais.
Porque dar essa chance seria abdicar da certeza, dá fé em nunca haver nada de novo que possa alterar alguma coisa.
Seria abdicar da certeza de que somos diferentes dos outros, não erramos, porque se errarmos confirmamos que nada de nós temos sido.
E a conveniência da rotina, é tão fácil de seguir…
E a ilusão continua tão barata, tão fácil de se engolir
E como é fácil entrar nesse jogo, e só assim, passar despercebido
Porque aparentemente justificar minhas escolhas, seria estragar a minha maquilhagem de vítima.
Mas como dançam esses loucos das ruas
São desgraçados, tem roupas estranhas, será que não percebem isso?
Quando não se dá uma chance a ausência,
Quando não se dá uma chance ao ouvir do porque do coração bater
Não se pára, porque isso nos tornaria atrasados em relação as restantes pessoas que se comparavam a si mesmas.
Não se dá uma chance a mudança de cores do céu, e ainda assim os humores tentam estragar a grande imagem de mim que tento manter
Não se dá uma chance a um sonho porque não traria beneficio nenhum, e o caminho que sigo já está mais bem trilhado, permitindo manter os demónios em seus respectivos lugares marcados.
E não há mais tempo para danças!
Subscribe to:
Posts (Atom)
