Wednesday, July 30, 2014

Bjork - Aurora

Amigo do coraçao


Eu confio em ti, és minha amiga por alguma razão e acredito que é porque tal como eu tu observas o mundo e és sensível em relação ao que percebes e consegues ver que todos nós estamos ligados de alguma forma.

Que sejas feliz e a vida te traga oportunidades para que possas brilhar mais.

Deixo-te um pequeno texto do poeta e mestre Zen budista japonês Ryokan:

Before listening to the way, do not fail to wash 
your ears.
Otherwise it will be impossible to listen clearly.
What is washing your ears?
Do not hold onto your view.
If you cling to it even a little bit,
you will lose your way.
What is similar to you but wrong, you regard
as right.
What is different from you but right, you regard
as wrong.
You begin with ideas of right and wrong.
But the way is not so.
Seeking answers with closed ears is
like trying to touch the ocean bottom with a pole. 

Abraços e saudades





para Darsy
Que lindo meu querido...!

Esse texto expressa bem o que tenho sentido ultimamente... com a passagem de plutao pela minha casa IX entre outras influencias, tenho sentido de facto como andei confusa.
Vejo como a realidade é bem mais complexa do que eu inicialmente pensava e como eu tenho necessidade de transcendê-la.
Mesmo assim é impossível transcender algo que não se conhece e que não se escuta.
É preciso escutar, perseverar, lutar... é preciso tanta coisa para preparar a nossa viagem individual!
ainda assim, é preciso ser-se suave!

É bom escrever! E com certeza vou escrever-te mais vezes querido amigo do coração!
Beijos


2014-07-28 15:26 GMT+01:00 Darsy Fernandes <darsyman@gmail.com>:





para Darsy
Como eu agora ando um bocado cinófila... deixo-te por agora com um filme que marcou a minha infancia. Um filme brasileiro, um bocado hippie dos anos 70.
:P
http://www.youtube.com/watch?v=Opc_gDLf0V8

Thanks Luna!

O meu youtube anda com problemas mas vou ver o filme logo que possa. Talvez hoje.
Muito fixe teres curtido do texto. Os poemas de Ryokan são mesmo bastante sinceros e profundos.
Como dizia o Krishnamurti, quando a gente tem consciência da prisão já se pode considerar que estamos fora dela :D

Muitos beijos e 1grande abraço minha alma gémeniana ;)
Darsy

Palhaços

Tenho a vida repleta de distrações
Distraçoes que encerram a chegada e a partida,
que evitam que eu expresse o que eu quero dizer

Criei um mundo de fantoches em prol de um sonho
Sonho que só dentro de mim existe, estrutural a todo esse conteúdo tão seco

Tenho a vida vazia, a vida por dentro está recheada de palhaços
Palhaços na rua, nas estradas, nos vidros das lojas, palhaços ricos e palhaços pobres.
Palhaços que andam sempre disfaçados.

Criei um mundo, a partir do mundo que já estava criado antes de eu nascer.
Mundo de espelhos, que refletem fardas, almas desamparadas em bares, almas acessas em manifestações que manifestam fisicamente, nada.

Vivi no mundo que vivo, manifestação de leis escritas, escritos que definem as realidades das pessoas, grandes cartazes que dizem o que deves fazer.
Casas cheias de ninguem, e ruas cheias de gente faminta de fazer alguma coisa com os seus corações.

Eu não vivo num mundo, eu sobrevivo num mundo.
Porque a única luta que tras frutos neste mundo é sobreviver.
E quando luto por viver, podem  me mandar calar a boca ou podem me chamar de utópica.
Se posso cantar em alguns segundos, se posso dançar por algum tempo, poderei pedir menos comparação?

Vivo a vida como todos os outros, e procuro essa mesma vida como todos os outros,
uns procuram na carteira, outros procuram no trabalho, eu agora procuro na imaginação.



 

Passado

Se eu não soubesse do que sempre soube
De ouvir o bater o coração quando se aperta a mão da nossa mãe em criança

Se eu não seguisse o caminho que eu própria defini
Como quando se esquece do medo e de seguir o que os outros dizem

Se eu não tivesse registado o que sonhava em criança
Escrever, cantar, pular, saltar e cair

A vida é por nós definida de dentro
A vida é tingida sempre no mesmo timbre como o timbre da voz
Mudam as paisagens, mudam algumas vontades, mudam algumas pessoas
Mas de dentro existe um abrigo, uma âncora que segura, como raíz de árvore
uma essencia serena.

Se eu não soubesse que o mundo seria frio e que os invernos viriam
Se eu não soubesse que a infancia sempre seria doce e o tempo entre vidas desafiante
Como mudam as estações, como mudam os namorados, as vidas são inconstantes, mas a verdade incorruptivel

Tempos de numeros, tão falíveis com os jogos de loteria
Tempos em que se diz ter tudo, quando não sentimos nada
A vida é anestesiada, a vida é camuflada, a vida fica do que já passou, a infância!

Como agora sonho com os tempos em que era completa dentro de mim, completa de humana, completa de paixão por ver com olhos sensíveis a minha própria vida de criança.

Agora, sou vestigio desse passado, como um ser que ainda hoje amo. Esse é e será o meu novo e eterno amor.
Esse passado que desespera esse futuro que sem modos, nunca tem medo de ver.

Wednesday, May 21, 2014

The Mae Trio

https://www.youtube.com/watch?v=EmvmceZ0Eys

Wild is the wind...

https://www.youtube.com/watch?v=CiVDzTT4CbE

Saturday, May 17, 2014

https://www.youtube.com/watch?v=PLhWkWe9P4c

Thursday, May 15, 2014

Vão

Não há sentimento que cure
Não há lágrima que em mim se deixe afogar
Nem pranto que se deixe navegar neste mar,
à beira-mar

Não há o que saborear neste vento tão seco
do momento
Nem brisa que pare, para que eu a possa observar
Não há mais luzes que possam alegrar pupilas de olhos ingénuos
Nem canto para saciar a fome e a vontade de chorar

Nada há do tempo que espere, que faça um coração voltar a bater
Nem restos que sobrem dum deserto,
de momentos que ficaram por viver

Ouço muito do pouco que vejo
E esqueço pouco do muito que me permitiria viver
Neste além que são pouco mais do que lamentos
Ganho das asas, o voo.

A espera de abrir asas e desfazer-me em paisagens
para nada ser mais do que chão
Poderei, ainda, ser da natureza dos sonhos para não sentir nada em vão?

Saturday, May 10, 2014

Como viver no silêncio?
no ventre da claustrofobia?
No eco do intransigente?
No beco da cobardia?

Para quê não ter direcção?
 Para quê ter vida e morada?
Quando passarás, para segundo plano?
meus sonhos, minha vida e minhas palavras?

Para quê sonhar se posso comprar
Tuas coisas, tuas roupas e tuas pisadas

Porquê esquecer de contar?
o tempo, o pão, a luz e a água
E se quizer ser fumo, ser lareira e ser terra do chão?
Onde vou esconder minha farda?

Como cantar uma canção, se vivo desencantada?





Para Dizer-te

Queria dizer-te que o mar sempre esteve no teu olhar
Que o abrigo que procurei foste tu
E que o Sol que procuras já estava em ti

Queria mostrar-te que aqueles que deviam saber afinal
nunca souberam nada
E eu sei porque quando estava na lama, olhei para cima e vi

Queria mostrar-te que tu és grande
Embora te acredites pequeno
Por dentro tens o mundo inteiro
Mostraste-me sem querer um dia, em que me abraçaste
e ninguem me disse nem tu,  mas por fazeres-te pequeno, eu vi

Queria-te aqui, por não quereres tanto aqui estar
Por seres tu, e mais ninguém, por estares bem sem nada de mim
Por seres fraco, seres tu, mesmo sozinho, por deixares-te ser quem és
mesmo sabendo que não terás ninguém ao teu lado

Eu fui no tempo, eu sou das memórias
Como água argilosa que reflecte, o tempo que já passou
Agua que se pisa e se esquece, brisa que paira sem teto
Eu vi, vi o mundo numa inspiração,
Vi o mundo, vi os mundos que variam no íntimo de cada lugar
E numa poça te vi, tão tonto de não seres de lado nenhum
Como eu, que estava tão bem vestida de nada

E eu em mim, me acredito tola, também
Tão zonza de poucas certezas
Com a cabeça fugindo do tempo
Com os pés perdida entre espelhos
Tão parada, por ser dentro, um ser de mar agitado
Tão ansiosa, por ver tão pouca gente a viver

E sabendo que o futuro é isto,
esse sangue pisado sobre a sensação
sabendo que o futuro é suposto ser rocha, em vez de ser esse amor
do futuro não ver sentimentos, mas planos
E da vida, ver mais papéis do que sonhos

De tão poucos sonhos que tinha, vi que sonhavas tão bem...
Sonhavas calado enquanto eu cansada suspirava,
e tu calavas, e eu era, o teu silencio que escutava,
no meu peito eu escutava a tua voz calada mesmo enquanto eu dormia.

E eu queria dizer-te, o que só poderia dizer calada
queria partilhar contigo o mundo que me tem habitado ultimamente
Mas quando olho o céu a noite,
lembro que o meu mundo interno há de estar ali também
e que se te dissesse a ti eu já não seria mais novidade nenhuma
Só te posso dizer,
que devemos estar sempre no lugar certo,
mesmo por nunca estarmos bem em lado nenhum.

Friday, April 11, 2014

ler:
http://www.egov.ufsc.br/portal/sites/default/files/anexos/24881-24883-1-PB.pdf