A tua revelação
Revelado que nesta imensidão, neste querer tão grande
a beleza do ser existe, na rendição
Tanto querer, de querer entregar, de querer dar
que chego ao exagero de não respirar
Quero não respirar no toque,
quero não respirar feliz de tão próxima do teu peito estar
Se algo mais houver para dar
Se algo maior houver a dar a vida
Quero é dar-me a mim
E nada querer em troca, nada mais,
que nada seria suficiente e o nada é que é tudo
tua distância, o meu encontro comigo,
e as trocas de espelhos, trocas sociais tão vazias
de serem minhas, tão carentes de serem sempre diferentes
Estou tão fria de mim, tudo é tua nostalgia
Tudo é a cor que deste-me a este mundo
Tudo é teu canto, tudo feito da pele da tua canção
Tempo infinito, desconsolado, até não viver faz sentido
E o sentido perdeu-se, o sentido desfez-se em memórias
Quando o sentido nasceu dentro de mim.
Monday, August 18, 2014
Saturday, August 16, 2014
Wednesday, August 13, 2014
Águas paradas
Não queria ver-te
Mas ver-te quer a minha pele
tão irresistível a essência de um pássaro a voar
sobre o mar, sobre o mar da ausência, tanto de chama,de fogo, de morte
Não, eu não queria gostar
Se algo houvesse longe de ti
Nem és tu, é a fantasia que te cria, são os fantoches da tecnologia
Tanto passado, tantas árvores, e tu aí parado
Ventos sopram
Ventos tão cheios de nada
E eu tão vazia de mulher, vazia de sonhos
tão feita de chama, tão quieta, tão cansada desse nada que nos fazem
Não, eu não queria ser quem tenho de ser
E tu, tu pareces ter tudo a teus pés
E por isso, eu queria era ter-me a mim
Sendo tu, tão irresistível a minha pobre visão, e eu tão simples
Das coisas que se pisam, das coisas que se desmancham no chão,
O fogo que me queima, o fogo da razão, resto meu, és mar neste mar de tuas sensações
As flores, as paisagens, um gesto, o desfolhar
E eu tão parva, tão ignorante e parva,
que nem precisava mais nada de ti saber
Sim, sentir apenas, sentir tudo ao mesmo tempo
como as estrelas ao longe, como os olhares infantis,
Esquecer das lágrimas passadas, dos desejos coloridos por duras visões
Para os outros, para mim
A vida eras tu
Eu era vazia
Mas ver-te quer a minha pele
tão irresistível a essência de um pássaro a voar
sobre o mar, sobre o mar da ausência, tanto de chama,de fogo, de morte
Não, eu não queria gostar
Se algo houvesse longe de ti
Nem és tu, é a fantasia que te cria, são os fantoches da tecnologia
Tanto passado, tantas árvores, e tu aí parado
Ventos sopram
Ventos tão cheios de nada
E eu tão vazia de mulher, vazia de sonhos
tão feita de chama, tão quieta, tão cansada desse nada que nos fazem
Não, eu não queria ser quem tenho de ser
E tu, tu pareces ter tudo a teus pés
E por isso, eu queria era ter-me a mim
Sendo tu, tão irresistível a minha pobre visão, e eu tão simples
Das coisas que se pisam, das coisas que se desmancham no chão,
O fogo que me queima, o fogo da razão, resto meu, és mar neste mar de tuas sensações
As flores, as paisagens, um gesto, o desfolhar
E eu tão parva, tão ignorante e parva,
que nem precisava mais nada de ti saber
Sim, sentir apenas, sentir tudo ao mesmo tempo
como as estrelas ao longe, como os olhares infantis,
Esquecer das lágrimas passadas, dos desejos coloridos por duras visões
Para os outros, para mim
A vida eras tu
Eu era vazia
Tuesday, August 05, 2014
Só
Só,
a paixão constrói e inventa uma multidão chorosa.
Rostos pálidos e secos de falta de sentir
Só, é a vida quando se nasce, tão só daquilo que lhe criou
a saudade do ventre...
De sentimentos que desolam, e do amor que não corresponde
Foi toda a vida que se criou, pois toda a vida foi criada de uma separaçao
O nado macho e femea juntos nunca poderiam ter criado o mundo
Mesmo assim, ele é feito de mim e codificado em mim,
Tão confiado, por estar escrito na minha pele
O seu nome tão junto ao meu íntimo,
e do que ele pensa
nada
Só,
a mente sempre nos separa
A mente através da qual, o homem criou o mundo
Haja inspiração,
haja inspiração para parir mais um segundo de um gesto teu
Haja fôlego que nos faça voar,
ofegantes
Que o fôlego nos faça fugir dessas lágrimas
Só,
a tua voz fazia calar o meu íntimo nu.
E eu lembro...
a paixão constrói e inventa uma multidão chorosa.
Rostos pálidos e secos de falta de sentir
Só, é a vida quando se nasce, tão só daquilo que lhe criou
a saudade do ventre...
De sentimentos que desolam, e do amor que não corresponde
Foi toda a vida que se criou, pois toda a vida foi criada de uma separaçao
O nado macho e femea juntos nunca poderiam ter criado o mundo
Mesmo assim, ele é feito de mim e codificado em mim,
Tão confiado, por estar escrito na minha pele
O seu nome tão junto ao meu íntimo,
e do que ele pensa
nada
Só,
a mente sempre nos separa
A mente através da qual, o homem criou o mundo
Haja inspiração,
haja inspiração para parir mais um segundo de um gesto teu
Haja fôlego que nos faça voar,
ofegantes
Que o fôlego nos faça fugir dessas lágrimas
Só,
a tua voz fazia calar o meu íntimo nu.
E eu lembro...
Sunday, August 03, 2014
Saturday, August 02, 2014
http://almamater.uc.pt/wrapper.asp?t=Colloquies+on+the+simples+%26+drugs+of+India&d=http%3A%2F%2Fbibdigital.bot.uc.pt%2Fobras%2FUCFCTBt-B-84-1-3%2FglobalItems.html
http://almamater.uc.pt/wrapper.asp?t=Colloquies+on+the+simples+%26+drugs+of+India&d=http%3A%2F%2Fbibdigital.bot.uc.pt%2Fobras%2FUCFCTBt-B-84-1-3%2FglobalItems.html
http://almamater.uc.pt/wrapper.asp?t=Colloquies+on+the+simples+%26+drugs+of+India&d=http%3A%2F%2Fbibdigital.bot.uc.pt%2Fobras%2FUCFCTBt-B-84-1-3%2FglobalItems.html
Ser
Segue a vida que passa, segue a vida a questionar-se a si própria
Se é pó, se é maresia, poderá algum dia ser alguém?
Segue a vida que é caminho, que não volta atrás e não perdoa
Segue a vida que é Sol, que é Lua, que é Mercúrio, poderá algum dia não ser de ninguém?
Segue a vida, porque vibra, porque dorme, porque ama e porque sente
E quando haverá mais espaço? quando haverá uma sinfonia que não prenda?
Quando haverá um sítio que não segure e que seja como praia, como um jardim
Onde haverá um sítio, um espaço para quem a vida seja sempre sem direção?
Que vida é constancia? que vida é fascinio?
Que vida pode trazer respostas, quando só a pergunta trás verdades?
Qual a natureza da vida num suspiro?
Que vida haverá num eco que retorna, que prende.
que vida haverá num lugar em que se retorna vezes sem conta a cada acordar?
Que dia foi igual ao outro?
Que lua foi igual a de outro dia?
Que resposta fez alguem deixar de perguntar?
Haverá vida sem Sol, sem Lua e sem estrelas?
Haverá vida na constancia de uma só consciencia?
Será possível parar?
Será possível criar um espaço que não nos prenda num lugar?
Um espaço de vida não física e não temporal... haverá tempo sem espaço e
espaço sem início e sem fim?
E se o mar permanece, ele nunca é igual.
Se é pó, se é maresia, poderá algum dia ser alguém?
Segue a vida que é caminho, que não volta atrás e não perdoa
Segue a vida que é Sol, que é Lua, que é Mercúrio, poderá algum dia não ser de ninguém?
Segue a vida, porque vibra, porque dorme, porque ama e porque sente
E quando haverá mais espaço? quando haverá uma sinfonia que não prenda?
Quando haverá um sítio que não segure e que seja como praia, como um jardim
Onde haverá um sítio, um espaço para quem a vida seja sempre sem direção?
Que vida é constancia? que vida é fascinio?
Que vida pode trazer respostas, quando só a pergunta trás verdades?
Qual a natureza da vida num suspiro?
Que vida haverá num eco que retorna, que prende.
que vida haverá num lugar em que se retorna vezes sem conta a cada acordar?
Que dia foi igual ao outro?
Que lua foi igual a de outro dia?
Que resposta fez alguem deixar de perguntar?
Haverá vida sem Sol, sem Lua e sem estrelas?
Haverá vida na constancia de uma só consciencia?
Será possível parar?
Será possível criar um espaço que não nos prenda num lugar?
Um espaço de vida não física e não temporal... haverá tempo sem espaço e
espaço sem início e sem fim?
E se o mar permanece, ele nunca é igual.
Wednesday, July 30, 2014
Amigo do coraçao
Eu
confio em ti, és minha amiga por alguma razão e acredito que é porque
tal como eu tu observas o mundo e és sensível em relação ao que percebes
e consegues ver que todos nós estamos ligados de alguma forma.
Que sejas feliz e a vida te traga oportunidades para que possas brilhar mais.
Deixo-te um pequeno texto do poeta e mestre Zen budista japonês Ryokan:
Before listening to the way, do not fail to wash
your ears.
Otherwise it will be impossible to listen clearly.
What is washing your ears?
Do not hold onto your view.
If you cling to it even a little bit,
you will lose your way.
What is similar to you but wrong, you regard
as right.
What is different from you but right, you regard
as wrong.
You begin with ideas of right and wrong.
But the way is not so.
Seeking answers with closed ears is
like trying to touch the ocean bottom with a pole.
your ears.
Otherwise it will be impossible to listen clearly.
What is washing your ears?
Do not hold onto your view.
If you cling to it even a little bit,
you will lose your way.
What is similar to you but wrong, you regard
as right.
What is different from you but right, you regard
as wrong.
You begin with ideas of right and wrong.
But the way is not so.
Seeking answers with closed ears is
like trying to touch the ocean bottom with a pole.
Abraços e saudades
| ||||
Que lindo meu querido...!
Esse texto expressa bem o que tenho sentido ultimamente... com a passagem de plutao pela minha casa IX entre outras influencias, tenho sentido de facto como andei confusa.
Vejo como a realidade é bem mais complexa do que eu inicialmente pensava e como eu tenho necessidade de transcendê-la.Esse texto expressa bem o que tenho sentido ultimamente... com a passagem de plutao pela minha casa IX entre outras influencias, tenho sentido de facto como andei confusa.
Mesmo assim é impossível transcender algo que não se conhece e que não se escuta.
| ||||
Como
eu agora ando um bocado cinófila... deixo-te por agora com um filme que
marcou a minha infancia. Um filme brasileiro, um bocado hippie dos anos
70.
:Phttp://www.youtube.com/watch?
Thanks Luna!
O meu youtube anda com problemas mas vou ver o filme logo que possa. Talvez hoje.
Muito fixe teres curtido do texto. Os poemas de Ryokan são mesmo bastante sinceros e profundos.
Como dizia o Krishnamurti, quando a gente tem consciência da prisão já se pode considerar que estamos fora dela :D
Muitos beijos e 1grande abraço minha alma gémeniana ;)
Darsy
Palhaços
Tenho a vida repleta de distrações
Distraçoes que encerram a chegada e a partida,
que evitam que eu expresse o que eu quero dizer
Criei um mundo de fantoches em prol de um sonho
Sonho que só dentro de mim existe, estrutural a todo esse conteúdo tão seco
Tenho a vida vazia, a vida por dentro está recheada de palhaços
Palhaços na rua, nas estradas, nos vidros das lojas, palhaços ricos e palhaços pobres.
Palhaços que andam sempre disfaçados.
Criei um mundo, a partir do mundo que já estava criado antes de eu nascer.
Mundo de espelhos, que refletem fardas, almas desamparadas em bares, almas acessas em manifestações que manifestam fisicamente, nada.
Vivi no mundo que vivo, manifestação de leis escritas, escritos que definem as realidades das pessoas, grandes cartazes que dizem o que deves fazer.
Casas cheias de ninguem, e ruas cheias de gente faminta de fazer alguma coisa com os seus corações.
Eu não vivo num mundo, eu sobrevivo num mundo.
Porque a única luta que tras frutos neste mundo é sobreviver.
E quando luto por viver, podem me mandar calar a boca ou podem me chamar de utópica.
Se posso cantar em alguns segundos, se posso dançar por algum tempo, poderei pedir menos comparação?
Vivo a vida como todos os outros, e procuro essa mesma vida como todos os outros,
uns procuram na carteira, outros procuram no trabalho, eu agora procuro na imaginação.
Distraçoes que encerram a chegada e a partida,
que evitam que eu expresse o que eu quero dizer
Criei um mundo de fantoches em prol de um sonho
Sonho que só dentro de mim existe, estrutural a todo esse conteúdo tão seco
Tenho a vida vazia, a vida por dentro está recheada de palhaços
Palhaços na rua, nas estradas, nos vidros das lojas, palhaços ricos e palhaços pobres.
Palhaços que andam sempre disfaçados.
Criei um mundo, a partir do mundo que já estava criado antes de eu nascer.
Mundo de espelhos, que refletem fardas, almas desamparadas em bares, almas acessas em manifestações que manifestam fisicamente, nada.
Vivi no mundo que vivo, manifestação de leis escritas, escritos que definem as realidades das pessoas, grandes cartazes que dizem o que deves fazer.
Casas cheias de ninguem, e ruas cheias de gente faminta de fazer alguma coisa com os seus corações.
Eu não vivo num mundo, eu sobrevivo num mundo.
Porque a única luta que tras frutos neste mundo é sobreviver.
E quando luto por viver, podem me mandar calar a boca ou podem me chamar de utópica.
Se posso cantar em alguns segundos, se posso dançar por algum tempo, poderei pedir menos comparação?
Vivo a vida como todos os outros, e procuro essa mesma vida como todos os outros,
uns procuram na carteira, outros procuram no trabalho, eu agora procuro na imaginação.
Passado
Se eu não soubesse do que sempre soube
De ouvir o bater o coração quando se aperta a mão da nossa mãe em criança
Se eu não seguisse o caminho que eu própria defini
Como quando se esquece do medo e de seguir o que os outros dizem
Se eu não tivesse registado o que sonhava em criança
Escrever, cantar, pular, saltar e cair
A vida é por nós definida de dentro
A vida é tingida sempre no mesmo timbre como o timbre da voz
Mudam as paisagens, mudam algumas vontades, mudam algumas pessoas
Mas de dentro existe um abrigo, uma âncora que segura, como raíz de árvore
uma essencia serena.
Se eu não soubesse que o mundo seria frio e que os invernos viriam
Se eu não soubesse que a infancia sempre seria doce e o tempo entre vidas desafiante
Como mudam as estações, como mudam os namorados, as vidas são inconstantes, mas a verdade incorruptivel
Tempos de numeros, tão falíveis com os jogos de loteria
Tempos em que se diz ter tudo, quando não sentimos nada
A vida é anestesiada, a vida é camuflada, a vida fica do que já passou, a infância!
Como agora sonho com os tempos em que era completa dentro de mim, completa de humana, completa de paixão por ver com olhos sensíveis a minha própria vida de criança.
Agora, sou vestigio desse passado, como um ser que ainda hoje amo. Esse é e será o meu novo e eterno amor.
Esse passado que desespera esse futuro que sem modos, nunca tem medo de ver.
De ouvir o bater o coração quando se aperta a mão da nossa mãe em criança
Se eu não seguisse o caminho que eu própria defini
Como quando se esquece do medo e de seguir o que os outros dizem
Se eu não tivesse registado o que sonhava em criança
Escrever, cantar, pular, saltar e cair
A vida é por nós definida de dentro
A vida é tingida sempre no mesmo timbre como o timbre da voz
Mudam as paisagens, mudam algumas vontades, mudam algumas pessoas
Mas de dentro existe um abrigo, uma âncora que segura, como raíz de árvore
uma essencia serena.
Se eu não soubesse que o mundo seria frio e que os invernos viriam
Se eu não soubesse que a infancia sempre seria doce e o tempo entre vidas desafiante
Como mudam as estações, como mudam os namorados, as vidas são inconstantes, mas a verdade incorruptivel
Tempos de numeros, tão falíveis com os jogos de loteria
Tempos em que se diz ter tudo, quando não sentimos nada
A vida é anestesiada, a vida é camuflada, a vida fica do que já passou, a infância!
Como agora sonho com os tempos em que era completa dentro de mim, completa de humana, completa de paixão por ver com olhos sensíveis a minha própria vida de criança.
Agora, sou vestigio desse passado, como um ser que ainda hoje amo. Esse é e será o meu novo e eterno amor.
Esse passado que desespera esse futuro que sem modos, nunca tem medo de ver.
Thursday, July 24, 2014
Monday, July 21, 2014
Wednesday, May 21, 2014
Saturday, May 17, 2014
Thursday, May 15, 2014
Vão
Não há sentimento que cure
Não há lágrima que em mim se deixe afogar
Nem pranto que se deixe navegar neste mar,
à beira-mar
Não há o que saborear neste vento tão seco
do momento
Nem brisa que pare, para que eu a possa observar
Não há mais luzes que possam alegrar pupilas de olhos ingénuos
Nem canto para saciar a fome e a vontade de chorar
Nada há do tempo que espere, que faça um coração voltar a bater
Nem restos que sobrem dum deserto,
de momentos que ficaram por viver
Ouço muito do pouco que vejo
E esqueço pouco do muito que me permitiria viver
Neste além que são pouco mais do que lamentos
Ganho das asas, o voo.
A espera de abrir asas e desfazer-me em paisagens
para nada ser mais do que chão
Poderei, ainda, ser da natureza dos sonhos para não sentir nada em vão?
Não há lágrima que em mim se deixe afogar
Nem pranto que se deixe navegar neste mar,
à beira-mar
Não há o que saborear neste vento tão seco
do momento
Nem brisa que pare, para que eu a possa observar
Não há mais luzes que possam alegrar pupilas de olhos ingénuos
Nem canto para saciar a fome e a vontade de chorar
Nada há do tempo que espere, que faça um coração voltar a bater
Nem restos que sobrem dum deserto,
de momentos que ficaram por viver
Ouço muito do pouco que vejo
E esqueço pouco do muito que me permitiria viver
Neste além que são pouco mais do que lamentos
Ganho das asas, o voo.
A espera de abrir asas e desfazer-me em paisagens
para nada ser mais do que chão
Poderei, ainda, ser da natureza dos sonhos para não sentir nada em vão?
Saturday, May 10, 2014
Como viver no silêncio?
no ventre da claustrofobia?
No eco do intransigente?
No beco da cobardia?
Para quê não ter direcção?
Para quê ter vida e morada?
Quando passarás, para segundo plano?
meus sonhos, minha vida e minhas palavras?
Para quê sonhar se posso comprar
Tuas coisas, tuas roupas e tuas pisadas
Porquê esquecer de contar?
o tempo, o pão, a luz e a água
E se quizer ser fumo, ser lareira e ser terra do chão?
Onde vou esconder minha farda?
Como cantar uma canção, se vivo desencantada?
no ventre da claustrofobia?
No eco do intransigente?
No beco da cobardia?
Para quê não ter direcção?
Para quê ter vida e morada?
Quando passarás, para segundo plano?
meus sonhos, minha vida e minhas palavras?
Para quê sonhar se posso comprar
Tuas coisas, tuas roupas e tuas pisadas
Porquê esquecer de contar?
o tempo, o pão, a luz e a água
E se quizer ser fumo, ser lareira e ser terra do chão?
Onde vou esconder minha farda?
Como cantar uma canção, se vivo desencantada?
Para Dizer-te
Queria dizer-te que o mar sempre esteve
no teu olhar
Que o abrigo que procurei foste tu
E que o Sol que procuras já estava em
ti
Queria mostrar-te que aqueles que
deviam saber afinal
nunca souberam nada
E eu sei porque quando estava na lama, olhei para cima e vi
Queria mostrar-te que tu és grande
Embora te acredites pequeno
Por dentro tens o mundo inteiro
Mostraste-me sem querer um dia, em que me
abraçaste
e ninguem me disse nem tu, mas por
fazeres-te pequeno, eu vi
Queria-te aqui, por não quereres tanto
aqui estar
Por seres tu, e mais ninguém, por
estares bem sem nada de mim
Por seres fraco, seres tu, mesmo sozinho,
por deixares-te ser quem és
mesmo sabendo que não terás ninguém
ao teu lado
Eu fui no tempo, eu sou das memórias
Como água argilosa que reflecte, o
tempo que já passou
Agua que se pisa e se esquece, brisa
que paira sem teto
Eu vi, vi o mundo numa inspiração,
Vi o mundo, vi os mundos que variam no
íntimo de cada lugar
E numa poça te vi, tão tonto de não
seres de lado nenhum
Como eu, que estava tão bem vestida de
nada
E eu em mim, me acredito tola, também
Tão zonza de poucas certezas
Com a cabeça fugindo do tempo
Com os pés perdida entre espelhos
Tão parada, por ser dentro, um ser de
mar agitado
Tão ansiosa, por ver tão pouca gente
a viver
E sabendo que o futuro é isto,
esse sangue pisado sobre a sensação
sabendo que o futuro é suposto ser rocha,
em vez de ser esse amor
do futuro não ver sentimentos, mas
planos
E da vida, ver mais papéis do que sonhos
De tão poucos sonhos que tinha, vi que
sonhavas tão bem...
Sonhavas calado enquanto eu cansada
suspirava,
e tu calavas, e eu era, o teu silencio
que escutava,
no meu peito eu escutava a tua voz calada mesmo enquanto eu
dormia.
E eu queria dizer-te, o que só poderia
dizer calada
queria partilhar contigo o mundo que
me tem habitado ultimamente
Mas quando olho o céu a noite,
lembro que o meu mundo interno há de
estar ali também
e que se te dissesse a ti eu já não seria mais
novidade nenhuma
Só te posso dizer,
que devemos estar sempre no lugar certo,
mesmo por nunca estarmos bem em lado
nenhum.
Friday, April 11, 2014
Thursday, April 10, 2014
Saturday, April 05, 2014
Wednesday, April 02, 2014
Friday, March 21, 2014
Monday, March 17, 2014
Thursday, March 13, 2014
Saturday, March 01, 2014
Saturday, February 22, 2014
Thursday, February 20, 2014
Friday, February 14, 2014
Wednesday, February 05, 2014
No teu olhar vi o mundo completo, o querer do ser intacto e inalterado. Em minhal alma viste toda a terra num lar e num corpo dum embalo de amantes a sonhar.
e o teu gesto, desfolhou-me o meu instante dos prantos dos quais eu me fazia andar e fizeste-me surgir de mim mulher, nutrida do teu sonho de árvores e pássaros a voar.
Juntos fomos 1 em primavera, em chva, e em cheiro a terra. Vimos o mundo no cheiro a chuva, e no toque que o amor musicava. Como 2 patos felizes, 2 felinos selvagens, fomos 2 desta terra, do barro e do suor.
E separamos as metades, com a compaixao da alma que continua o seu labor. Tu és um anjo e eu sempre soube que os teus sonhos seriam maiores do que eu.
Já és da terra que piso, e o que serei do que fui, e tudo isto já há de ser o bastante.»
Saturday, January 25, 2014
Sunday, January 19, 2014
Terra molhada
Encontro pessoas dispostas a ouvir, poucas dispostas a escutar
Pessoas dispostas a ditar, pouco dispostas a questionar
Encontro ventos de norte, poucos ventos desnorteados.
Quero ventos desnorteados em fascínios.
Quero montanhas que possam dar vós a ventania.
Quero liberdade ressuscitada no primeiro gole do dia.
Facetas descobertas a tudo o que prende.
Quero ressuscitar-me nesta chuva em mim.
Quero partir para nunca mais chegar
E sorrir para ser mais que o retrato, ser vida
Quero cantar, como se vivesse no canto
ser de todos os pássaros que escolhem essa vida
Dançar no espanto das saias e no espanto do corpo
Viver na ilusão da vida sem morte e do amor sem desamor
Criar para dar sem pedir e para ter sem comprar
Quero cuidar porque gosto e ver crianças porque respiro
E ser árvore para aprender do toque o teu toque íntimo
Quero correr de braços abertos e deixar o calor alastrar-se num dia de Sol
Quero vidas e dias e meses soltos e dados aos ventos
Quero roupas rasgadas e coisas largadas,
quero um mergulho no mar
Quero pessoas confusas com palavras
que possam querer dizer qualquer coisa
Quero tanto que até me bastava o mar,
quero tanto que até me contenta a terra.
Pessoas dispostas a ditar, pouco dispostas a questionar
Encontro ventos de norte, poucos ventos desnorteados.
Quero ventos desnorteados em fascínios.
Quero montanhas que possam dar vós a ventania.
Quero liberdade ressuscitada no primeiro gole do dia.
Facetas descobertas a tudo o que prende.
Quero ressuscitar-me nesta chuva em mim.
Quero partir para nunca mais chegar
E sorrir para ser mais que o retrato, ser vida
Quero cantar, como se vivesse no canto
ser de todos os pássaros que escolhem essa vida
Dançar no espanto das saias e no espanto do corpo
Viver na ilusão da vida sem morte e do amor sem desamor
Criar para dar sem pedir e para ter sem comprar
Quero cuidar porque gosto e ver crianças porque respiro
E ser árvore para aprender do toque o teu toque íntimo
Quero correr de braços abertos e deixar o calor alastrar-se num dia de Sol
Quero vidas e dias e meses soltos e dados aos ventos
Quero roupas rasgadas e coisas largadas,
quero um mergulho no mar
Quero pessoas confusas com palavras
que possam querer dizer qualquer coisa
Quero tanto que até me bastava o mar,
quero tanto que até me contenta a terra.
Thursday, January 16, 2014
Ficção
Gostava de libertar-me da sensação de estar a ser observada
mesmo quando não estou.
Sinto a vida como se estivesse num filme e eu fosse personagem exterior a minha própria história.
Não me sinto parte do que acontece diariamente em minha própria vida.
Não sou parte do meu trabalho, não sou parte do que estudo, não sou parte do que penso, e nem sinto relação com as pessoas a minha volta.
Essa sensação é mais autêntica com as pessoas, no geral com estas não sinto relação alguma.
Por momentos posso sentir-me parte de uma lembrança que partilhei com alguma pessoa que considerei especial. No entanto, essa experiência de pertença, é muito rara. A maior parte do tempo, sou passiva em vida. Se algo houver em que me torne activa, é na escrita, nos meus sonhos, na natureza, em pequenos segundos onde não penso e reajo simplesmente.
Mas… esses momentos vivos são cada vez mais escassos. Frequentemente, ajo depois de pensar e assim.. mais uma vez, me torno personagem passiva no filme da minha própria mente.
Um dia, gostava de acordar, e decidir viver. Pelo menos um dia inteiro! Mas para isso, teria de me sentir segura onde estivesse para ser quem sou sem pensar. E esse lugar ilimitado, nem sequer sei se existe. A liberdade completa, dificilmente existe por mais do que alguns segundos, ou minutos por sorte, até que o pensamento nos atormente. Nos atormente a consciência do outro, que não somos nós, mas que deveria ser. E então, volto outra vez ao turbilhão do ser e não ser e assim já não estou a viver!
Não me sinto parte do que acontece diariamente em minha própria vida.
Não sou parte do meu trabalho, não sou parte do que estudo, não sou parte do que penso, e nem sinto relação com as pessoas a minha volta.
Essa sensação é mais autêntica com as pessoas, no geral com estas não sinto relação alguma.
Por momentos posso sentir-me parte de uma lembrança que partilhei com alguma pessoa que considerei especial. No entanto, essa experiência de pertença, é muito rara. A maior parte do tempo, sou passiva em vida. Se algo houver em que me torne activa, é na escrita, nos meus sonhos, na natureza, em pequenos segundos onde não penso e reajo simplesmente.
Mas… esses momentos vivos são cada vez mais escassos. Frequentemente, ajo depois de pensar e assim.. mais uma vez, me torno personagem passiva no filme da minha própria mente.
Um dia, gostava de acordar, e decidir viver. Pelo menos um dia inteiro! Mas para isso, teria de me sentir segura onde estivesse para ser quem sou sem pensar. E esse lugar ilimitado, nem sequer sei se existe. A liberdade completa, dificilmente existe por mais do que alguns segundos, ou minutos por sorte, até que o pensamento nos atormente. Nos atormente a consciência do outro, que não somos nós, mas que deveria ser. E então, volto outra vez ao turbilhão do ser e não ser e assim já não estou a viver!
Descrevi como acontece esse processo consciente, que me
permite viver de mim mesma em filme. O que haverá entre um nome e a
inexistência. Será exigência minha, esse querer viver assim intensamente? O que resta entre o que existe e o que não existe. O que há entre
o sentimento e um processo mental qualquer? É daí que creio numa realidade
qualquer da qual faça parte. Mas na verdade, sinto uma certa satisfação em não
querer-me sequer definir. Algo definido parece-me também algo preso a um conceito, e por isso também limitado.
É o mesmo quando penso que encontrei a pessoa que realmente amo e subitamente, quando essa pessoa afasta-se por algum tempo, sinto-me muito mais presente em mim, do que quando essa pessoa que amo estava comigo. Como será isto possível? É como se eu fosse capaz de amar uma
pessoa, de forma mais completa na sua ausência e não na sua presença. Porque só nessa ausência, essa pessoa
permite que eu a mim mesma encontre.
Aí nessa distância, deambulo, espreguiço-me, escrevo, aprecio a paisagem, aí quando me ausento do amor, encontro amor em mim, o amor que antes nem recordava que existia. Quando quero alguém ao meu lado com demasiada força, esqueço até que eu própria existo. O mistério consiste em saber, qual prazer possuo em esquecer quem sou. Porque por vezes esqueço desse prazer de fazer e ser o que me apetece? Escrevo deste sentimento, para criar um distanciamento, do único sentimento próprio, ao qual facilmente não sou personagem própria de mim. Esse sentimento, é o único sentimento que me faz desempenhar um papel activo dentro do meu próprio corpo. De todos os outros sentimentos, sou retrato e sou ficção.
Aí nessa distância, deambulo, espreguiço-me, escrevo, aprecio a paisagem, aí quando me ausento do amor, encontro amor em mim, o amor que antes nem recordava que existia. Quando quero alguém ao meu lado com demasiada força, esqueço até que eu própria existo. O mistério consiste em saber, qual prazer possuo em esquecer quem sou. Porque por vezes esqueço desse prazer de fazer e ser o que me apetece? Escrevo deste sentimento, para criar um distanciamento, do único sentimento próprio, ao qual facilmente não sou personagem própria de mim. Esse sentimento, é o único sentimento que me faz desempenhar um papel activo dentro do meu próprio corpo. De todos os outros sentimentos, sou retrato e sou ficção.
Amar a distância
Adoro amar-te a distância.
Como adoro buscar inspiração na
minha ausência de mim.
Adoro flutuar em presença.
Como adoro buscar refúgio num
silêncio das palavras que não digo.
Adoro o contraste da diferença que tenho de outros,
para
exaltar-me em algum objecto de paisagem.
Adoro a vida, vivida num fôlego.
Como adoro a vida do
passado que já morreu.
Adoro acariciar-te até em minha própria mente.
E observar
pessoas mentirem a si mesmas,
ao exaltarem as suas próprias existências medíocres.
ao exaltarem as suas próprias existências medíocres.
Adoro escrever, porque me permite existir,
quando doutras
coisas prefiro abdicar por serem tão existentes, que se tornam triviais.
Embora seja nas coisas triviais, que busco conforto e não
nas pessoas.
Cedo senti que pessoas significativas fugiam de mim,
então aprendi que possuo pessoas na ausência.
então aprendi que possuo pessoas na ausência.
Adoro não significar nada de ninguém,
como adoro significar tudo para alguém num segundo apenas.
como adoro significar tudo para alguém num segundo apenas.
Como adoro não ser nada, para poder ser
tudo ao mesmo tempo.
Adoro-te mais ao longe, e só a distância concordo contigo.
Por eu ser insustentável ao meu próprio corpo,
tu tornas a minha vida real.
tu tornas a minha vida real.
Enquanto em meu próprio corpo, eu seria insustentável a minha imaginação.
Só na imaginação, permito-me amar ao longe.
Saturday, January 11, 2014
Cinzas
Amor, ser é amor
Qual esqueleto saltitante, qual luta pela vida
qual segurança fingida que é a vida do trabalhador
O amor é que é a vida
Quais laços escritos em papéis de casamento
Quais notícias de jornal a definirem o vencedor e o perdedor
Do amor, morrerei, do amor nascerei
Quais objectos materiais, quais corpos
A vida é dos espíritos viajantes pelo mundo,
E dos nus ressuscitando o universo em suas planetárias respirações
Sou dessa individualidade desconstruída, desse fogo que apagado volta a queimar
Qual obra construída, qual acontecimento que marcou
quando aparece amor, tudo se curva e tudo se desvanece
Quais reis, e quais encontros mediáticos
Qual sobrevivencia, qual rotina diária
Por amor, até me desfaço em cinzas e sou feliz
Qual esqueleto saltitante, qual luta pela vida
qual segurança fingida que é a vida do trabalhador
O amor é que é a vida
Quais laços escritos em papéis de casamento
Quais notícias de jornal a definirem o vencedor e o perdedor
Do amor, morrerei, do amor nascerei
Quais objectos materiais, quais corpos
A vida é dos espíritos viajantes pelo mundo,
E dos nus ressuscitando o universo em suas planetárias respirações
Sou dessa individualidade desconstruída, desse fogo que apagado volta a queimar
Qual obra construída, qual acontecimento que marcou
quando aparece amor, tudo se curva e tudo se desvanece
Quais reis, e quais encontros mediáticos
Qual sobrevivencia, qual rotina diária
Por amor, até me desfaço em cinzas e sou feliz
Friday, January 10, 2014
Homeostase
Tudo tem uma música própria, com a qual, pode livremente ressoar. Não há obrigações com a vida, quando ela pode se criar naturalmente a partir de dentro.
O verdadeiro trabalho consiste, em permitir a abertura para à vida na sua própria expressão.
Nós sentimos e somos verdadeiramente, em mútuas relações. No entanto, enquanto elas surgem, em momentos de solidão há algo que interrelaciona tudo, como uma vibração, uma canção onde as almas se permitem existir em dança e em extensas divagações. Apesar de existirmos em relação, parece-me que existe nisso algo para além disso mesmo, para além de relações sociais.
Um senso de existir maior, uma construção aparentemente desconstruída, um equilíbrio em homeostase interna e externa- um tom, uma harmonia natural com a qual ressoamos.
Como se tudo tivesse a sua própria música e o seu próprio pranto, tudo tem o seu ponto íntimo que o faz ressoar. Não é necessário força, e sim liberdade, nem complexidade e sim simplicidade.
Tudo tem o seu auge invisível, uma essência que se permitirmos, pode criar quem somos.
E não é necessário nome algum, e sim permitir. Abrir para a música a nossa volta. Esse lado sensível que há em tudo. Nas pessoas que passam por nós, nos animais, nas coisas, todas essas coisas tem uma canção. Algo intrínseco a si próprios. Algo único e distinto que espera ansiosamente libertar-se de si próprio, libertar-se da própria vida, sendo a vida em si. Todos temos um anseio de morte, que trás o anseio de vida, que trás, as revoluções. Mas que apesar de gerar uma aparente turbulência exterior, é o que trás movimento a própria vida.
O verdadeiro trabalho consiste, em permitir a abertura para à vida na sua própria expressão.
Nós sentimos e somos verdadeiramente, em mútuas relações. No entanto, enquanto elas surgem, em momentos de solidão há algo que interrelaciona tudo, como uma vibração, uma canção onde as almas se permitem existir em dança e em extensas divagações. Apesar de existirmos em relação, parece-me que existe nisso algo para além disso mesmo, para além de relações sociais.
Um senso de existir maior, uma construção aparentemente desconstruída, um equilíbrio em homeostase interna e externa- um tom, uma harmonia natural com a qual ressoamos.
Como se tudo tivesse a sua própria música e o seu próprio pranto, tudo tem o seu ponto íntimo que o faz ressoar. Não é necessário força, e sim liberdade, nem complexidade e sim simplicidade.
Tudo tem o seu auge invisível, uma essência que se permitirmos, pode criar quem somos.
E não é necessário nome algum, e sim permitir. Abrir para a música a nossa volta. Esse lado sensível que há em tudo. Nas pessoas que passam por nós, nos animais, nas coisas, todas essas coisas tem uma canção. Algo intrínseco a si próprios. Algo único e distinto que espera ansiosamente libertar-se de si próprio, libertar-se da própria vida, sendo a vida em si. Todos temos um anseio de morte, que trás o anseio de vida, que trás, as revoluções. Mas que apesar de gerar uma aparente turbulência exterior, é o que trás movimento a própria vida.
Tuesday, December 31, 2013
Monday, December 30, 2013
Saturday, December 28, 2013
interior
Quero fazer um desenho
Um desenho da minha própria vida
Quero pintar com as letras quem sou
e delinear da vida o que quero com guaches coloridos
Quero criar canções que me lembrem na música que me fez nascer
E recitar poemas que me digam de mim
Para quem eu vou ser não ser nada além disso mesmo.
Quero criar fantoches dos bonecos que vejo na estrada
E criar comédias de todas as estruturas criadas
Quero fazer um esquema do que existe
E desfaze-lo num puzzle para encontrar-me comigo
Não vou ser de nada nem de ninguem
Não vou ter profissão nem morada
Hei de encontrar morada com os peixes
Ei de chegar as tocas dos coelhos
Para dentro dela ser alguém
Que dos outros nem quero levar nada
E de mim nem quero que seja de ninguém
Que só dentro de mim haverá meu descanso
Que de fora ninguem saiba quem sou
Neste mundo de pessoas convencionadas
baralhadas, desnorteadas e dissimuladas
que possa estar completa numa vida interior.
Um desenho da minha própria vida
Quero pintar com as letras quem sou
e delinear da vida o que quero com guaches coloridos
Quero criar canções que me lembrem na música que me fez nascer
E recitar poemas que me digam de mim
Para quem eu vou ser não ser nada além disso mesmo.
Quero criar fantoches dos bonecos que vejo na estrada
E criar comédias de todas as estruturas criadas
Quero fazer um esquema do que existe
E desfaze-lo num puzzle para encontrar-me comigo
Não vou ser de nada nem de ninguem
Não vou ter profissão nem morada
Hei de encontrar morada com os peixes
Ei de chegar as tocas dos coelhos
Para dentro dela ser alguém
Que dos outros nem quero levar nada
E de mim nem quero que seja de ninguém
Que só dentro de mim haverá meu descanso
Que de fora ninguem saiba quem sou
Neste mundo de pessoas convencionadas
baralhadas, desnorteadas e dissimuladas
que possa estar completa numa vida interior.
No peito
A caixa abriu-se e as lágrimas correram
Os arrepios escorreram pelos braços
Da dor da realidade que não chegava
Da verdade que não nos entrava pela porta
Os sentimentos eram partidos, nunca eram chegados
e poucos eram os que eram partilhados
quando o peito de si mesmo não conseguia dizer,
sua dor
Porque as palavras não chegavam
Ficavam coisas por exprimir
Porque as pessoas eram cegas
porque era cego quem não falava
Enquanto a flor do peito murchava
E as vozes deixavam de soar
E a música da vida parava de tocar
E os pássaros voavam apenas no céu
E a vida parecia parada no tempo
no passado que passou
A caixa abriu-se
quando alguém amigo finalmente viu
Aquilo que ninguem mais ousou tentar descobrir
Quando alguém olhou nos olhos
Quando passou-se a mão pelo rosto
Quando as emoções voltavam a ser tingidas,
com cores de novas sensações, o coração voltava a bater
Haverá algo no mundo que valha a pena?
Algo de mais sagrado do que a flor murcha no peito?
Haverá coisa que nos faça sair de nós?
Os arrepios escorreram pelos braços
Da dor da realidade que não chegava
Da verdade que não nos entrava pela porta
Os sentimentos eram partidos, nunca eram chegados
e poucos eram os que eram partilhados
quando o peito de si mesmo não conseguia dizer,
sua dor
Porque as palavras não chegavam
Ficavam coisas por exprimir
Porque as pessoas eram cegas
porque era cego quem não falava
Enquanto a flor do peito murchava
E as vozes deixavam de soar
E a música da vida parava de tocar
E os pássaros voavam apenas no céu
E a vida parecia parada no tempo
no passado que passou
A caixa abriu-se
quando alguém amigo finalmente viu
Aquilo que ninguem mais ousou tentar descobrir
Quando alguém olhou nos olhos
Quando passou-se a mão pelo rosto
Quando as emoções voltavam a ser tingidas,
com cores de novas sensações, o coração voltava a bater
Haverá algo no mundo que valha a pena?
Algo de mais sagrado do que a flor murcha no peito?
Haverá coisa que nos faça sair de nós?
Friday, December 27, 2013
Intimidade
Intimidade é a capacidade de relacionarmo-nos com a alma de todas as coisas, com a alma do mundo. Normalmente, pensamos nas nossas necessidades pessoais como apenas nossas e de mais ninguém. Necessidades de afecto, de atenção, de partilha, de conforto, etc.
Na verdade, o facto das nossas necessidades nos parecerem únicas na sua complexidade, não as torna transversais a nós mesmos. Se fossemos capazes de nos abrir, à grandeza do universo. E isto é algo que nos pode acontecer facilmente num sonho, numa visão ou numa intuição. Mas se fossemos capazes de nos manter nessa relação com o universo, nessa verdadeira relação de intimidade em pura proximidade, estaríamos talvez completos ou felizes, ou simplesmente estaríamos sem precisar pensar.
Talvez isto seja o verdadeiro significado de religião (re-ligar), mas para mim, não há religião que não seja uma extensão da nossa própria experiência enquanto seres humanos. Essa nossa capacidade de expansão, de nos estendermos perante séculos e encontrarmos lá um sentimento em comum (através de lendas, por exemplo), essa capacidade de percorrermos distâncias sem fim longe de nós mesmos ou dentro de nós mesmos, e ainda assim estarmos conectados em intimidade, reconhecermos algo de nós nisso tudo, isto pode ser mais do que uma religião qualquer. É algo único e comum a cada um de nós e em todos nós que está totalmente vivo em sua única complexidade.
Não podemos deixar que esta intimidade nos seja julgada, pondo nela um rótulo, nem podemos acreditar num redentor externo às nossas horas menos boas. A nossa intimidade com as coisas simples do dia a dia, com as pessoas que amamos, são a porta aberta para a luz que reflectimos da própria vida, e é algo vivo, disponível a todos nós, todos os dias. Todos os dias temos um potencial infinito, na infinitez da nossa própria natureza em relação com tudo o resto. O nosso poder reside apenas em deixar as barreiras que criamos com a nossa própria mente.
Na verdade, o facto das nossas necessidades nos parecerem únicas na sua complexidade, não as torna transversais a nós mesmos. Se fossemos capazes de nos abrir, à grandeza do universo. E isto é algo que nos pode acontecer facilmente num sonho, numa visão ou numa intuição. Mas se fossemos capazes de nos manter nessa relação com o universo, nessa verdadeira relação de intimidade em pura proximidade, estaríamos talvez completos ou felizes, ou simplesmente estaríamos sem precisar pensar.
Talvez isto seja o verdadeiro significado de religião (re-ligar), mas para mim, não há religião que não seja uma extensão da nossa própria experiência enquanto seres humanos. Essa nossa capacidade de expansão, de nos estendermos perante séculos e encontrarmos lá um sentimento em comum (através de lendas, por exemplo), essa capacidade de percorrermos distâncias sem fim longe de nós mesmos ou dentro de nós mesmos, e ainda assim estarmos conectados em intimidade, reconhecermos algo de nós nisso tudo, isto pode ser mais do que uma religião qualquer. É algo único e comum a cada um de nós e em todos nós que está totalmente vivo em sua única complexidade.
Não podemos deixar que esta intimidade nos seja julgada, pondo nela um rótulo, nem podemos acreditar num redentor externo às nossas horas menos boas. A nossa intimidade com as coisas simples do dia a dia, com as pessoas que amamos, são a porta aberta para a luz que reflectimos da própria vida, e é algo vivo, disponível a todos nós, todos os dias. Todos os dias temos um potencial infinito, na infinitez da nossa própria natureza em relação com tudo o resto. O nosso poder reside apenas em deixar as barreiras que criamos com a nossa própria mente.
Wednesday, December 25, 2013
Necessidade
Existe a necessidade de intimidade
Necessidade de agarrar com a emoção
E desabotoar o botão do gesto
Existe a necessidade de bochechar as águas dos humores
Existe a vontade de agarrar com as mãos, migalhas de momentos passados
E a vontade de cravar os dentes em bolhas de sabão aos corações
Existe aquele texto escrito que define 6 meses de uma vida
E existe aquele espaço que se vai deixando isolado sem razão nenhuma
Há aquele polvilhar no bolo que sempre esteve comido
Há questões que faço para nunca serem respondidas
E retratos partidos porque já nos corromperam a vida de vez
E assim, passa-me a vida cada vez que respiro
Em pontos brilhantes que se casam comigo
Passam-me instantes em que falaria, montanhas se assim pudesse
Há vícios de retratos dum interior e sonos guardados em caixas de solidão
Soltos fragmentos, tingidos do tempo que ainda ousam pisar este chão
Em que deixas-me e eu ainda te sinto mais,
em minha própria canção
Necessidade de agarrar com a emoção
E desabotoar o botão do gesto
Existe a necessidade de bochechar as águas dos humores
Existe a vontade de agarrar com as mãos, migalhas de momentos passados
E a vontade de cravar os dentes em bolhas de sabão aos corações
Existe aquele texto escrito que define 6 meses de uma vida
E existe aquele espaço que se vai deixando isolado sem razão nenhuma
Há aquele polvilhar no bolo que sempre esteve comido
Há questões que faço para nunca serem respondidas
E retratos partidos porque já nos corromperam a vida de vez
E assim, passa-me a vida cada vez que respiro
Em pontos brilhantes que se casam comigo
Passam-me instantes em que falaria, montanhas se assim pudesse
Há vícios de retratos dum interior e sonos guardados em caixas de solidão
Soltos fragmentos, tingidos do tempo que ainda ousam pisar este chão
Em que deixas-me e eu ainda te sinto mais,
em minha própria canção
Almoço
Lamber os beiços a isso tudo
Dar-me delicadamente assim num copo de vinho
Açoitar de vez a consciência
Apurar o gosto para um auto golpe profundo
Recitar versos aos fantasmas do tempo
E drogar-me em alucinações terrestres
Sair-me docemente em galhofa
Soltar-me toda num ego morto e falante
E vangloriar em mim toda a miséria
Sendo a rainha de todos os famintos
E vomitar o ouro que outros nos devem
Lambuzando as tripas nas lamúrias do que não fui
E aproveitar os restos do que me foi dado
Embriagar-me nos convívios das luxurias inventadas
Deitar-me no chão e derrotar-me de vez aos outros
Sendo homem para não ter o papel normal passivo e feminino
Engolir o sangue da inútil introspecção
E gritar aos outros as únicas palavras usuais a serem ditas
Lambuzar-me mostrando a merda que me criou
Arrotando nos sonhos, só para dar a luz,
a tudo o que é gasto quando se é adulto.
Dar-me delicadamente assim num copo de vinho
Açoitar de vez a consciência
Apurar o gosto para um auto golpe profundo
Recitar versos aos fantasmas do tempo
E drogar-me em alucinações terrestres
Sair-me docemente em galhofa
Soltar-me toda num ego morto e falante
E vangloriar em mim toda a miséria
Sendo a rainha de todos os famintos
E vomitar o ouro que outros nos devem
Lambuzando as tripas nas lamúrias do que não fui
E aproveitar os restos do que me foi dado
Embriagar-me nos convívios das luxurias inventadas
Deitar-me no chão e derrotar-me de vez aos outros
Sendo homem para não ter o papel normal passivo e feminino
Engolir o sangue da inútil introspecção
E gritar aos outros as únicas palavras usuais a serem ditas
Lambuzar-me mostrando a merda que me criou
Arrotando nos sonhos, só para dar a luz,
a tudo o que é gasto quando se é adulto.
Monday, December 23, 2013
Romance
Queria escrever sobre o olhar do peixe, o voo dos pássaros, a presença das árvores
só para mostrar como as sinto. Queria dizer aos pássaros que a sua presença não me
passa despercebida só porque outras pessoas não reparam na beleza de suas asas.
Queria escrever para concretizar o que venho sentindo, a falta no coração, os braços que tenho
com falta de dar, mas que deveriam servir essencialmente para abraços.
E a falta da minha própria vida que deveria, servir para eu própria através dela poder sonhar.
E as pessoas que vão embora, queria escrever para as tornar eternas, nem que fosse, nos poemas que deixei escritos, por cada momento vivo, e que vivemos. No fundo escrevo, para alimentar um vazio, que se sucumbe e nesse pó, nessa cinza, se torna libertação e se torna gratidão.
Mas a gratidão eterna, acabaria toda a história, que eu teria para contar. Esse estado de "iluminação" tão falada, não daria espaço para eu concretizar os meus sonhos, então existe uma espécie de pranto, uma sensação de fim de romance, quando esse romance na verdade dos factos talvez nem tivesse começado de verdade, senão na minha imaginação.
Começo a romancear, com a própria vida, insatisfeita com a escassez que ela própria de si, parece só ser capaz de representar, começo a escrever para manter a chama acesa do que ainda é capaz de manter-me feliz. Receio as horas que passo num ecrã, receio a verdade, de que as vezes estou no meio de uma multidão e sinto-me completamente sem relação, receio chegar a um ponto em que não consiga manter
uma relação estando alguém ao meu lado.
Sinto os primeiros sinais, de uma desintegração, em momentos de "claustrofobia" no comboio ou num centro comercial. E nem sei o que será de mim, o que será de mim em meio a essas pessoas bem vestidas, quando eu procuro nem ter respostas que vistam quem sou? Antes eu preferia estudar os sinais de um peixe. Antes eu preferia, buscar as perguntas ao fundo do mar do que encontrar respostas à superfície.
só para mostrar como as sinto. Queria dizer aos pássaros que a sua presença não me
passa despercebida só porque outras pessoas não reparam na beleza de suas asas.
Queria escrever para concretizar o que venho sentindo, a falta no coração, os braços que tenho
com falta de dar, mas que deveriam servir essencialmente para abraços.
E a falta da minha própria vida que deveria, servir para eu própria através dela poder sonhar.
E as pessoas que vão embora, queria escrever para as tornar eternas, nem que fosse, nos poemas que deixei escritos, por cada momento vivo, e que vivemos. No fundo escrevo, para alimentar um vazio, que se sucumbe e nesse pó, nessa cinza, se torna libertação e se torna gratidão.
Mas a gratidão eterna, acabaria toda a história, que eu teria para contar. Esse estado de "iluminação" tão falada, não daria espaço para eu concretizar os meus sonhos, então existe uma espécie de pranto, uma sensação de fim de romance, quando esse romance na verdade dos factos talvez nem tivesse começado de verdade, senão na minha imaginação.
Começo a romancear, com a própria vida, insatisfeita com a escassez que ela própria de si, parece só ser capaz de representar, começo a escrever para manter a chama acesa do que ainda é capaz de manter-me feliz. Receio as horas que passo num ecrã, receio a verdade, de que as vezes estou no meio de uma multidão e sinto-me completamente sem relação, receio chegar a um ponto em que não consiga manter
uma relação estando alguém ao meu lado.
Sinto os primeiros sinais, de uma desintegração, em momentos de "claustrofobia" no comboio ou num centro comercial. E nem sei o que será de mim, o que será de mim em meio a essas pessoas bem vestidas, quando eu procuro nem ter respostas que vistam quem sou? Antes eu preferia estudar os sinais de um peixe. Antes eu preferia, buscar as perguntas ao fundo do mar do que encontrar respostas à superfície.
Solstício
As notícias que eu escuto são relatórios incompletos. São
como vidas divididas.
Essas notícias são como histórias sem o texto que
definiria o seu enquadramento.
Palavras vivas sem o texto que as descreve.
Eu sinto nas pessoas
isso. Que usam palavras que pouco ou nada significam.
Que vivem como se a vida
fossem factos, como se os factos não estivessem agregados a sentimentos, a
momentos, a intuições, a outras pessoas e a tantas outras coisas.
Sinto na vida, algo de incompleto, um vazio na existência
proposta, no ambiente de trabalho. Sinto uma impossibilidade de integração.
Como se a vida fosse mais do que o dia, como se eu não aceitasse o dia sem a
noite, e o consciente sem o inconsciente.
Todos dizem, feliz natal, como todos os anos, e eu,
preferiria não dizer nada. Ou dizer, Feliz Solstício, para não dizer que estou
cansada do que é suposto se dizer. Se eu procurasse, preencher esse vazio, não
diria nada.
Ao mesmo tempo, sei que o mundo interior mesmo que não seja
dito, aparece transpirado em todas as pessoas. Em piores ou melhores dias,
espelhados em alguns sentimentos que surpreendidos aparecem. Pergunto-me o
porquê de não ser assumido, na pureza da sua própria natureza, em todas as
pessoas.
Por vezes quando
assumo o que sinto, passo ainda assim por algo que não sou. Tão poucos revelam
o que sentem, tão poucos revelam quem são, que sou mal interpretada.
Em tantos eu sinto capas, apenas. Gostava de viver com pessoas
dispostas a darem mais do seu íntimo.
No sentido, de poder sentir a sua
verdadeira expressão. Parecem estar desconfiadas.
Mas então, será esse o segredo da globalização? O resultado
das vidas estarem a ser vividas de modo mais acelerado? Já não haverá tempo
para se sentir e expressar-se o que se sente?
Eu não sei de que valeria uma vida ganha, sem a cor que eu
poderia dar aos dias.
Logo, não percebo tanta correria, ao trabalho, ao carro,
aos filhos, aos casamentos e às contas para pagar.
Sunday, December 22, 2013
Vento
Entre lençóis sonhados,
eu conto a minha canção
Vida de pés que andam em peregrinação
vidas que não sentem o chão
Entre vidas sem tecto,
eu escondo algum coração
Ao querer eternizar-te em mim,
de mim mesma desfaço num não
Entre versos inacabados,
entre pais separados na mente infantil
Secreto um delicado fio,
que passa na agulha de algum destino frio
Dos sonhos que cantei faço asas,
nesses pássaros da manhã
Tão calma, tão aparentemente pacata
Tão assustada em meu próprio suspiro
Dum salto, sinto o calafrio de que vens do meu vazio
Obra construída de minha mente ausente,
precipício de minha necessidade,
Canto aberto, a fuga de uma realidade
És passatempo em horas nuas de vento
Entre noites, faço a minha estrada,
e entre dias engano a própria vida
Que do dia, nem vejo retorno nem chegada,
e da própria vida em mim
é só de mim mesma que faço
Jogo de dados inconsequente,
mudança de temperatura ora fria ora quente
Faço-me presente em ti, na tua ausencia,
que do meu corpo sem o teu
sou algo desconhecido
tão fria que é a vida,
se não cavada dum poço profundo,
tão doce que foi o teu o beijo,
que és distante como estrelas que eu mesma vejo.
eu conto a minha canção
Vida de pés que andam em peregrinação
vidas que não sentem o chão
Entre vidas sem tecto,
eu escondo algum coração
Ao querer eternizar-te em mim,
de mim mesma desfaço num não
Entre versos inacabados,
entre pais separados na mente infantil
Secreto um delicado fio,
que passa na agulha de algum destino frio
Dos sonhos que cantei faço asas,
nesses pássaros da manhã
Tão calma, tão aparentemente pacata
Tão assustada em meu próprio suspiro
Dum salto, sinto o calafrio de que vens do meu vazio
Obra construída de minha mente ausente,
precipício de minha necessidade,
Canto aberto, a fuga de uma realidade
És passatempo em horas nuas de vento
Entre noites, faço a minha estrada,
e entre dias engano a própria vida
Que do dia, nem vejo retorno nem chegada,
e da própria vida em mim
é só de mim mesma que faço
Jogo de dados inconsequente,
mudança de temperatura ora fria ora quente
Faço-me presente em ti, na tua ausencia,
que do meu corpo sem o teu
sou algo desconhecido
tão fria que é a vida,
se não cavada dum poço profundo,
tão doce que foi o teu o beijo,
que és distante como estrelas que eu mesma vejo.
Monday, December 16, 2013
Força
Hoje fez-se-me a alma
Fez-se me o coração
Fez-se me o afecto
Derreteu-me a compaixão
Foi-se me a ternura
para o exterior
Isto duma amargura,
Isto dum sentimento de desilusão
Isto dum amor não cumprido
Tanta foi a dor,
que o meu coração fez-se me num sorriso
Meu peito, derreteu-se a quem errou
Minhas lágrimas, de tanta culpa,
transformaram-se do chão
Meu gesto, mostrou-se
na surpresa do meu próprio espanto
Meu rosto humanizou-se
A minha proximidade ao mundo
me surpreendeu
Meu peito calado, e sonhador, falou
E em eco o meu amor, sobre mim caiu,
quando vi, quem nem eu própria via., era eu.
E o amor, refez-se me em força e brotou
Fez-se me o coração
Fez-se me o afecto
Derreteu-me a compaixão
Foi-se me a ternura
para o exterior
Isto duma amargura,
Isto dum sentimento de desilusão
Isto dum amor não cumprido
Tanta foi a dor,
que o meu coração fez-se me num sorriso
Meu peito, derreteu-se a quem errou
Minhas lágrimas, de tanta culpa,
transformaram-se do chão
Meu gesto, mostrou-se
na surpresa do meu próprio espanto
Meu rosto humanizou-se
A minha proximidade ao mundo
me surpreendeu
Meu peito calado, e sonhador, falou
E em eco o meu amor, sobre mim caiu,
quando vi, quem nem eu própria via., era eu.
E o amor, refez-se me em força e brotou
Saturday, December 14, 2013
O fundo
Qual será a voz de um lugar distante?
Qual será a voz dos que não tem voz?
Qual será o tempo dos que perderam o tempo?
E o chão dos que não sentem lugar algum?
Qual será a sensação dum longínguo entardecer?
Qual será o sabor de um amor ausente?
Quais serão os ventos do passado que permanecerão?
E de onde surgirá o próximo dia, quando vier a próxima noite?
Quais serão os sinais, que pisei e quais os que ignorei?
Qual será a próxima busca guiada pelo interior?
Onde estarão as pétalas esquecidas desvanecidas com a tradição?
Onde ficarão os sofridos com a escuridão?
Onde ficará o fundo dos que não sabem quem são?
Qual será a voz dos que não tem voz?
Qual será o tempo dos que perderam o tempo?
E o chão dos que não sentem lugar algum?
Qual será a sensação dum longínguo entardecer?
Qual será o sabor de um amor ausente?
Quais serão os ventos do passado que permanecerão?
E de onde surgirá o próximo dia, quando vier a próxima noite?
Quais serão os sinais, que pisei e quais os que ignorei?
Qual será a próxima busca guiada pelo interior?
Onde estarão as pétalas esquecidas desvanecidas com a tradição?
Onde ficarão os sofridos com a escuridão?
Onde ficará o fundo dos que não sabem quem são?
Tuesday, December 10, 2013
Esquecida de mim
Miragem do defundo
voz dum surdo mudo
Som do calafrio num segundo
Foz que renasce em mulher
Dor de uma agonia
Petala de um mal me quer
Gosto do desgosto aromático
Suor dum gosto amargo
Rosto da ausência em sinfonia
A tua presença num dia nublado
Som de esferas que cobrem o fim do mundo
Sina dum coração perdido num balanço infantil
Toque duma corneta que se desfaz num não
Abdicação duma dor inevitável de sentir
Canção dum vagalume na escuridão
Tudo o que sentia por ti
Razão desfeita em pétalas de sentimentos
Doce na calmaria de saltar o infinito
Voz do coração de encontro a um abismo
Em que peço libertação
Toque das palavras sonoras dum dom
Tua mão teu toque numa ausência
Vontade na fuga amargurada por um clarão
Dia sem chão
Noite sem ti
Sensação perdida num turbilhão
Esquecida de mim
voz dum surdo mudo
Som do calafrio num segundo
Foz que renasce em mulher
Dor de uma agonia
Petala de um mal me quer
Gosto do desgosto aromático
Suor dum gosto amargo
Rosto da ausência em sinfonia
A tua presença num dia nublado
Som de esferas que cobrem o fim do mundo
Sina dum coração perdido num balanço infantil
Toque duma corneta que se desfaz num não
Abdicação duma dor inevitável de sentir
Canção dum vagalume na escuridão
Tudo o que sentia por ti
Razão desfeita em pétalas de sentimentos
Doce na calmaria de saltar o infinito
Voz do coração de encontro a um abismo
Em que peço libertação
Toque das palavras sonoras dum dom
Tua mão teu toque numa ausência
Vontade na fuga amargurada por um clarão
Dia sem chão
Noite sem ti
Sensação perdida num turbilhão
Esquecida de mim
Monday, December 09, 2013
pele
És na minha pele
todo o meu lado masculino
Minhas asas na emoção
Minhas mãos sobre o peito
És na minha canção de nascença
Meu tiro no escuro da sensação
Meu fôlego perdido num salto
Meu assalto a um coração
És a viagem quando eu fui
e deixei um local isolado
És a minha carne num sinal
da seta que o cupido fez
És no meu umbigo e no centro da terra
Quando algo me faz uma visita a noite
Sou tua desde a herança dos céus
Desde os rituais de libertação
Sou tua ao ser de todos os homens
por ter sido filha na própria criação
Sou tua ao ser solitária
e a cheirar a terra
Sou tua quando me invento em canção
Sou tua no ar da maresia
Sou tua nos ventos
dum voo na inspiração
Dum lado qualquer,
estamos separados e juntos
todo o meu lado masculino
Minhas asas na emoção
Minhas mãos sobre o peito
És na minha canção de nascença
Meu tiro no escuro da sensação
Meu fôlego perdido num salto
Meu assalto a um coração
És a viagem quando eu fui
e deixei um local isolado
És a minha carne num sinal
da seta que o cupido fez
És no meu umbigo e no centro da terra
Quando algo me faz uma visita a noite
Sou tua desde a herança dos céus
Desde os rituais de libertação
Sou tua ao ser de todos os homens
por ter sido filha na própria criação
Sou tua ao ser solitária
e a cheirar a terra
Sou tua quando me invento em canção
Sou tua no ar da maresia
Sou tua nos ventos
dum voo na inspiração
Dum lado qualquer,
estamos separados e juntos
Sunday, December 08, 2013
Entrega
Sinto tudo intensamente
Como se viajasse num rio
E como se não quisesse fazer uma travessia
Não consigo seguir o curso profundo dos sentimentos
Nem sei se me deixo afogar ou se procuro
terreno seguro onde me apoiar
Porque tudo parece sem pontas e circular
Tudo me faz ondular ou molha
E nessa distância da terra é que vejo realmente
Que tão pouco do que se vive é sentido
Tão pouco realmente toca, tão pouco se sente
Tão pouco do que se sente, é vida.
E assim, uma folha que sobre mim cai é abrigo
Nem abrigo mais são as pessoas conhecidas
Se abrigo houver é o abrigo de um raio de Sol que toca
docemente, a alma neste dia de Inverno
E a árvore cujas folhas eu vejo cair.
Porque não sinto tempo, e nem há tempo na verdade do momento
E à distância tudo o que as pessoas fazem parecem coisas triviais.
Se algo peço a vida,
é que me jogue, que me entregue
Sempre que eu esquecer,
de a mim mesma entregar
Como se viajasse num rio
E como se não quisesse fazer uma travessia
Não consigo seguir o curso profundo dos sentimentos
Nem sei se me deixo afogar ou se procuro
terreno seguro onde me apoiar
Porque tudo parece sem pontas e circular
Tudo me faz ondular ou molha
E nessa distância da terra é que vejo realmente
Que tão pouco do que se vive é sentido
Tão pouco realmente toca, tão pouco se sente
Tão pouco do que se sente, é vida.
E assim, uma folha que sobre mim cai é abrigo
Nem abrigo mais são as pessoas conhecidas
Se abrigo houver é o abrigo de um raio de Sol que toca
docemente, a alma neste dia de Inverno
E a árvore cujas folhas eu vejo cair.
Porque não sinto tempo, e nem há tempo na verdade do momento
E à distância tudo o que as pessoas fazem parecem coisas triviais.
Se algo peço a vida,
é que me jogue, que me entregue
Sempre que eu esquecer,
de a mim mesma entregar
Fugidio
A inspiração é ténue
Uma suave linha que cobre a vibrante realidade
Que cobre as linhas cinzentas da mente
Que colore a vontade
Como doce é o teu toque, o teu olhar perdido
Que fez perder-se a minha alma, fez fugir os meus pensamentos
vejo-os, enquanto viajo, a fugirem tolos perplexos com o sentimento da alma
Vou por tua distância,
na dura sina, no que me faz ver a verdade do que sou
A verdade de que sou tua, sou tua parte,
como somos de outros e nunca nossos vamos ser
O amor foge quando o tentamos prender e multiplica-se quando se dá sem querer
não podemos nunca saber de que forma o amor a nós voltará
Porque somos além da vontade, além do tempo, além do espaço
Existimos muito além do que pensamos precisar aqui.
Tu estás em mim enquanto estás longe, e eu só te sinto em minhas veias
e nas lágrimas que possam estar prontas a cair,
como chuva num dia quente
És do meu peito, mesma substância, a cor que vi no amanhecer.
Fuga da vida, vida vivida, dádiva ao infinito, salto maior ao mar.
Tudo o que vale a pena é fugidio
e tudo o que fica não existe.
Uma suave linha que cobre a vibrante realidade
Que cobre as linhas cinzentas da mente
Que colore a vontade
Como doce é o teu toque, o teu olhar perdido
Que fez perder-se a minha alma, fez fugir os meus pensamentos
vejo-os, enquanto viajo, a fugirem tolos perplexos com o sentimento da alma
Vou por tua distância,
na dura sina, no que me faz ver a verdade do que sou
A verdade de que sou tua, sou tua parte,
como somos de outros e nunca nossos vamos ser
O amor foge quando o tentamos prender e multiplica-se quando se dá sem querer
não podemos nunca saber de que forma o amor a nós voltará
Porque somos além da vontade, além do tempo, além do espaço
Existimos muito além do que pensamos precisar aqui.
Tu estás em mim enquanto estás longe, e eu só te sinto em minhas veias
e nas lágrimas que possam estar prontas a cair,
como chuva num dia quente
És do meu peito, mesma substância, a cor que vi no amanhecer.
Fuga da vida, vida vivida, dádiva ao infinito, salto maior ao mar.
Tudo o que vale a pena é fugidio
e tudo o que fica não existe.
Tuesday, November 26, 2013
Nada para dizer
«Não há o que comunicar.
Se já sou do esquecimento.
Dos cafés vazios. Das árvores nuas.
Do arrependimento.
Não há o que dizer.
Se sou como quem vê a juventude e não tem voz.
Se algo sinto é algo que não é meu.
Se algo digo é algo que não sai de mim.
Sinto, esse ser desconexo, eterno em ser fora do contexto.
Sou o movimento que é reflexo de qualquer coisa a mais.
Sinto o que sinto, e não há nada que o faça dizer
Dou e está dado, nada retorna a mim sem querer.
Escorre-me um frio interno que nada de fora me faz exprimir
Palpita-me um peito que chora, que cava fundo de mais e assusta o que de fora,
estivesse para vir.
Sou na vida do emigrado, do refugiado
Refugiada que sou em minha própria vida que prende
Sou de quem sofre e não pode, justificar a si próprio a sua própria dor
Fui enviada para o lugar errado, de uma forma impossível de explicar
E eu fui enviada para guiar, tudo aquilo que eu não sou.
E quem eu sou fica por dizer, engolida e sacrificada.
Parada, sem mais o que fazer do que existir
Vivo num tempo que nem é futuro nem passado nem presente,
é o tempo do viajante parado numa cidade isolada.
E há quem diga que eu devia pedir ajuda
Mas se eu fosse não teria o que dizer
Ou no mínimo não seria compreendida.
Porque sinto o vento e nele ao mesmo tempo estou.
Porque sinto ao contrário do exterior
Sinto para dentro e para fora sou só miragem
Quem me ve como sou não me vê em nada
Eu nem eu própria sou, senao qualquer coisa que paira.
E de mim nunca tenho nada a dizer.»
Luna Marques
Friday, November 15, 2013
O que era suposto.
A noite que é dia para corpos mortos.
O frio que é o calor da dor de tantos porcos.
A ausência que é presença para os que se identificam com a cobertura.
Fui eu quem reneguei tudo isso, quem renegou o musgo do vento, a prata do tempo?
A vida é morte para os que cavam fundo.
A fruta é amarga para os que escondem o que sofrem
A sina que é sorte para quem se mexe nas migalhas da comida que outros deixaram apodrecer.
Fui eu quem construiu nisso tudo, quem construiu na desconstrução, fui a comunicação do defunto?
A Luz que é a oscilação de maresia,
A Magia do coração que não sabe o porquê do seu toque
O Silêncio que é a voz dos que não tem voz, o idealismo esquecido em nosso pobre viver
Haverá o que desfazer no que já foi feito, haverá cintilar na escuridão, será possivel dizer o que não foi dito, e aparecer sem corpo e sem direcção?
O que foi da distância que vai entre o que existe e o que não existe?
qual foi a aparição da vítima que era a causa da violação?
Será o sistema que cega quem pode provocando a falsa necessidade?
Será o ferir da vontade, o medo de ser alguém mais?
E se falhar for o que houver para fazer.. ?
O frio que é o calor da dor de tantos porcos.
A ausência que é presença para os que se identificam com a cobertura.
Fui eu quem reneguei tudo isso, quem renegou o musgo do vento, a prata do tempo?
A vida é morte para os que cavam fundo.
A fruta é amarga para os que escondem o que sofrem
A sina que é sorte para quem se mexe nas migalhas da comida que outros deixaram apodrecer.
Fui eu quem construiu nisso tudo, quem construiu na desconstrução, fui a comunicação do defunto?
A Luz que é a oscilação de maresia,
A Magia do coração que não sabe o porquê do seu toque
O Silêncio que é a voz dos que não tem voz, o idealismo esquecido em nosso pobre viver
Haverá o que desfazer no que já foi feito, haverá cintilar na escuridão, será possivel dizer o que não foi dito, e aparecer sem corpo e sem direcção?
O que foi da distância que vai entre o que existe e o que não existe?
qual foi a aparição da vítima que era a causa da violação?
Será o sistema que cega quem pode provocando a falsa necessidade?
Será o ferir da vontade, o medo de ser alguém mais?
E se falhar for o que houver para fazer.. ?
Thursday, November 14, 2013
Ausência
«Uma vez a mão do vento assim ergueu, uma mão que sobre mim altera todo um curso de
vida
Vi-me, de repente, não mais sozinha, e sim, entrelaçada a tua
Num instante, acordei e vi-me sozinha outra vez
Acordei, sem chão, sem teto, sem alma, sem lembrar de
repente que sabor poderia ter tido a vida antes de ti
Agora vivo apenas dias e mais dias, dias seguidos de dormir e sem querer acordar, ou de acordar
para ir dormir com pouco de significância e significado entre isso.
São longos dias em que parte de mim continua cegamente a ansiar-te perdidamente, um anseio que
aquela brisa calorosa volte e te traga de novo para junto de mim
Outra parte anseia apenas esquecer, porque concluiu
abertamente que na realidade deve deixar-se viver, e andar outra vez ao sabor de
outras brisas com novas sensações
E o tempo vai passando, e eu vivendo nesse angustioso ata
desata, nesse desato que não sabe se quer desatar ou se prefere continuar atado
No fundo sei que só resta continuar o trilho e deixar te
para trás mas não resisto a saborear-te vezes sem conta
Tas ainda na minha mente e só me vejo a esperar, esperar pela
brisa que te trouxe de repente da mesma forma que de repente escolheu
expulsar-me de ti
Procuro, e vejo uma busca sem fim, vou a volta de tudo e um
pouco mais de nada encontro, tudo o que vejo são miragens, reflexos aparentes
de tudo o que tu não és
Mesmo quando imagino acabo, concluo e avesso memórias que
nunca aconteceram , tudo o que eu queria era que estivesses para as fazer
contigo
Tudo o que eu posso fazer é pôr-te na parte de uma vida a
dois que eu criei, um bocado de algo que nunca foi nem será, um passado que não
se deixa esquecer e se recusa a deixar de ser repetido
Toda a minha alma esteve completa naqueles segundos de
fôlego naqueles segundos de doce fantasia que não volta mais
Foste mesmo aquela pequena brisa apenas, que agora não deixa
de ser minha identidade, minha pátria, um retiro, uma verdade e lembranças exageradas
por romanescas sensações
“A chama que a vida em nós
criou …a mão do vento pode erquê-la ainda…”
E por isso, assim espero…»
Ausência
Cada nascer do Sol é único, o Sol teu regente num dia
ensolarado
fez tua miragem que minha alma acarinhou.
Cada lua, é bênção de amantes, que mesmo distantes um do
outro tem sua presença , nua
A lua é nua como o amor é cego a distância próxima de um
outro corpo.
E flores, são da doçura, o reflexo da amargura que se sente
de um passado
Que é o espelho partido do estado, da alma despedaçada pela
flor que murchou.
Nado vivo ou morto, o que eu sou, desses retalhos, pedaços
que conto e desconto na minha própria consciência que cegou.
Sou da partida e da chegada, da canoa e do caminho que nem
percorrido se torna descrito, que se quer escrever e agarrar o que estragou,
Quer ser nuvem, que dá para ser a ressurreição na verdade da
infância que se sonhou.
Que cores tenho na mão, da sina que me contaram para eu não
revelar quem sou?
Que tempo guardo ainda no peito, se tanto passado fez gastar
a pouca vida que restou?
Que tinta existe ainda para usar, se sou como cinza, a cinza
viva duma chama caída,
Pedra que pensa ter sido mais num passado distante. Pétala
que não sabe da própria flor.
Dor que vive no silêncio da fala que faz o coração bater,
Sombra do que criou, destruiu, nasceu, e é cego na própria
pureza.
Fui cega, nunca a mim fiz nascida, de repente foi a
minha pele quem mentiu. O lar foi fantasma para o sangue.
Perdi.
Perdi.
Friday, November 08, 2013
Escolhas...
«Continuo a espera do dia da escolha
do dia em que haverá algo a escolher
porque no dia que olhei o céu vi o mar
e no dia que vi o mar nesse dia eu vi
um poço que era mais que eu porque me tinha
Continuo a espera do dia da escolha
porque quando eu vi uma árvore
eu vi minhas próprias veias
e quando eu senti essas veias
eu vi que eu era como o acto de respirar
e foi só daí que me despi para um outro
E me fiz planta, que dá cura para ser feliz
Continuo a espera dum momento em que possa escolher
porque foi desse querer o que faz falta, que cresci
porque enquanto outros sorriam eu vivia para esperar sozinha
E o que todos ignoravam eu procurava para sofrer
E entender, para me fazer refém, de olhos que secretam vida
E sonhei, em vão, que escolhia
porque pensei que enquanto aprendia, acreditava
enquanto dentro de mim era minha mente quem mentia
E cansei de esperar e tentei em vão fugir
enquanto a vida me escolhia e me arrastava
para o lugar da onde até eu própria vim
E os lugares que devo estar me escolhem
e eu não escolho ninguem nem lugar nenhum
e quando o Sol bate em mim só reflete
a única borboleta que minha mente soube desfolhar
E quando a vida se dá eu não sei fazer mais nada
E quando a dor se vai não há mais nada que me faça crescer
Do que ser terra, ser dança, ser curandeira e ser amor
Sendo isso, que é só isso que dou.»
Thursday, November 07, 2013
folha em branco
Quero reescrever a minha história
Reescrever tudo, sendo só história
Reescrever sendo planta, ser puro
Que se nutre, sendo singelo
Quero reescrever esses tons que existem a minha volta
Recolorindo o que perdeu cor
Quero no amor divagar sendo estrela
Estando lá longe numa espera, apenas iluminando
Quero reescrever o acto de sacrificar
Que não seja só causa de dor, que seja para compreenção
Que a ferida possa finalmente secar
E tratada, escolher uma história de amor
Quero voltar a cantar como cantava
Usar a minha capacidade de dentro de mim viajar
Quero não encontrar mais as amarras
Para que a felicidade tua seja tudo o que existe
Quero voltar a ser vida, voltar a dar-me sendo canal
Voltar a aceitar ouvir as vozes que ouço secretamente
Sem criticar o que escuto por dentro
Quando nada da vida restar em mim
Quero que exista algo de mim ligado profundamente a ela.
Não tendo sítio ou pessoa a quem me possa ligar, escrevo-me, e encontro-me comigo em texto,
com o fim de mim a mim desapegar.
E ser gosto do desgosto de ter gosto e prazer em tudo o querer desligar.
Sou só de nada, o desfazer de cada folha de papel, despida nesse ser que quer retornar a ingenuidade - essa metade despida de tudo - estravassar da vida que é tão pura, que nem sou eu nem ninguém.
Reescrever tudo, sendo só história
Reescrever sendo planta, ser puro
Que se nutre, sendo singelo
Quero reescrever esses tons que existem a minha volta
Recolorindo o que perdeu cor
Quero no amor divagar sendo estrela
Estando lá longe numa espera, apenas iluminando
Quero reescrever o acto de sacrificar
Que não seja só causa de dor, que seja para compreenção
Que a ferida possa finalmente secar
E tratada, escolher uma história de amor
Quero voltar a cantar como cantava
Usar a minha capacidade de dentro de mim viajar
Quero não encontrar mais as amarras
Para que a felicidade tua seja tudo o que existe
Quero voltar a ser vida, voltar a dar-me sendo canal
Voltar a aceitar ouvir as vozes que ouço secretamente
Sem criticar o que escuto por dentro
Quando nada da vida restar em mim
Quero que exista algo de mim ligado profundamente a ela.
Não tendo sítio ou pessoa a quem me possa ligar, escrevo-me, e encontro-me comigo em texto,
com o fim de mim a mim desapegar.
E ser gosto do desgosto de ter gosto e prazer em tudo o querer desligar.
Sou só de nada, o desfazer de cada folha de papel, despida nesse ser que quer retornar a ingenuidade - essa metade despida de tudo - estravassar da vida que é tão pura, que nem sou eu nem ninguém.
Wednesday, October 23, 2013
insaciar
Não sei se gosto de ti..
mas gosto do gosto do teu tipo. da tua imagem..
do teu jeito descrito
Não sei se te conheço a alma..
não sei sei te entendo ou se é a mim que vejo..
mas observo e é o teu tipo que gosto.
É do teu gosto que gosto é do teu sabor..
é da tua visão do mundo.
Uns vêem o mundo azul.
Outros vêem o mundo roxo.
Outros alternam como eu indecisos de suas adequadas capas..
mas tu.. gosto da tua sina que é só tua e de poucos mais..
do teu verde natural em tudo integral..
tão transparente de seres fraco por fora e branco por dentro, autêntico
e se eu te visse?
que desilusão, melhor seria se nunca te visse.
E se eu visse quem tu realmente és?
E se eu te visse e descobrisse que tu és tão colorido quanto eu?
E se eu visse que tu até és quase desumano ou até humano demais?
Acho melhor que não te veja
Melhor não ver como és na totalidade
Para manter essa pureza de sonhar sem ter saciedade e poder manter-me na beleza da espera
Porque se analiso, se vou ao âmago.. na verdade é o âmago de tudo que amo..
e não há realmente um objecto a amar.. só existe o desespero
o desespero insaciado de amar tudo
mas gosto do gosto do teu tipo. da tua imagem..
do teu jeito descrito
Não sei se te conheço a alma..
não sei sei te entendo ou se é a mim que vejo..
mas observo e é o teu tipo que gosto.
É do teu gosto que gosto é do teu sabor..
é da tua visão do mundo.
Uns vêem o mundo azul.
Outros vêem o mundo roxo.
Outros alternam como eu indecisos de suas adequadas capas..
mas tu.. gosto da tua sina que é só tua e de poucos mais..
do teu verde natural em tudo integral..
tão transparente de seres fraco por fora e branco por dentro, autêntico
e se eu te visse?
que desilusão, melhor seria se nunca te visse.
E se eu visse quem tu realmente és?
E se eu te visse e descobrisse que tu és tão colorido quanto eu?
E se eu visse que tu até és quase desumano ou até humano demais?
Acho melhor que não te veja
Melhor não ver como és na totalidade
Para manter essa pureza de sonhar sem ter saciedade e poder manter-me na beleza da espera
Porque se analiso, se vou ao âmago.. na verdade é o âmago de tudo que amo..
e não há realmente um objecto a amar.. só existe o desespero
o desespero insaciado de amar tudo
Thursday, October 17, 2013
homem com medo
oh homem tu tens medo de mim
por que me faço forte sem ser
por que eu me faço fraca quando tenho força
porque eu me desfaço quando me podia fazer
porque eu descalço-me quando tu calças um belo sapato
porque eu solto-me quando tu segurarias
porque eu durmo profundamente no que te faz sonhar
porque eu esqueço daquilo que me poderias contar
porque eu faço segredo daquilo que dirias a qualquer um
porque eu digo a qualquer um aquilo que tu farias segredo
porque o meu corpo aquece quando o teu consegue estar frio
porque tu gostas de por coisas a funcionar e eu agarro nisso e simplesmente misturo tudo
porque o meu peito é doce e o teu é amargo para ninguém o poder tocar
porque eu danço em segredo o que tu em segredo procuras desvendar
porque eu escrevo em papel o que tu nem ousas imaginar
porque eu sonho em deixar quem sou e tu sonhas em seres tu em tudo
porque eu vivo para deixar de viver e tu vives para pensares que vives
porque nós somos diferentes para nunca sermos iguais
porque nos desencontramos para podermos sonhar ainda mais
porque tu tens medo de mim e eu que nunca vi razões para isso...
por que me faço forte sem ser
por que eu me faço fraca quando tenho força
porque eu me desfaço quando me podia fazer
porque eu descalço-me quando tu calças um belo sapato
porque eu solto-me quando tu segurarias
porque eu durmo profundamente no que te faz sonhar
porque eu esqueço daquilo que me poderias contar
porque eu faço segredo daquilo que dirias a qualquer um
porque eu digo a qualquer um aquilo que tu farias segredo
porque o meu corpo aquece quando o teu consegue estar frio
porque tu gostas de por coisas a funcionar e eu agarro nisso e simplesmente misturo tudo
porque o meu peito é doce e o teu é amargo para ninguém o poder tocar
porque eu danço em segredo o que tu em segredo procuras desvendar
porque eu escrevo em papel o que tu nem ousas imaginar
porque eu sonho em deixar quem sou e tu sonhas em seres tu em tudo
porque eu vivo para deixar de viver e tu vives para pensares que vives
porque nós somos diferentes para nunca sermos iguais
porque nos desencontramos para podermos sonhar ainda mais
porque tu tens medo de mim e eu que nunca vi razões para isso...
amanhecer
Amanheceu e eu corro,
ingulo o grito, fujo a luz na correria
o grito escorre-me nas entranhas e eu seco o sentimento do outro que observo
porque é dia
E o dia prossegue, e eu guardada, mantida, preservo
como planta ingénua, aos olhos outros tão sacrificada
em silêncio mentido desminto calada
Se quero é a busca do ser íntimo preservado,
se algo é escapado de mim sem querer..
é só por breves momentos,
que foram dos doirados raios de sol quentes do entardecer
banhados em azul e roxo e não de mim
Sou a noite, é da noite que eu sou
das verdades esquecidas, sou do ser despido,
sou desse ser desengolido, sou do mistério
sou do velho desclassificado, da alma velha vidente, do sofrido
e porque a noite revela as pessoas, as noites revelam quem sou
daquela violeta esquecida, daquela menina caída no chão
da desilusão da vida que tão diluída se passa dum jardim florido
para uma incompreensivel multidão,
multidão dos passeios sociais inconscientes
Refaço-me nesse ser fluido, procurando respirar, o ar...
faço refluxo do que vi para ver
só no entardecer eu vejo o que a água diz
E eu me entregaria, me renderia de bom grado a essa noite tão chegada
só para esquecer que quase me cegava há instantes atrás
se houvessem braços a um homem bom,
se houvessem folhas numa árvore despida
se houvessem lágrimas num qualquer mar que fosse suficiente
se a vida que a ainda me restasse fosse essa
e se eu finalmente a visse
já ficaria feliz de ser eterna em sentimento
se houvesse esse gosto de terra,
que eu pudesse comer
se houvesse no que eu me apaixonar
eu engoliria o chão
engoliria o chão e floria não só em roxo,
mas em todas as cores possíveis para sonhar
lavando-me em aguas de não precisar pensar
.
ingulo o grito, fujo a luz na correria
o grito escorre-me nas entranhas e eu seco o sentimento do outro que observo
porque é dia
E o dia prossegue, e eu guardada, mantida, preservo
como planta ingénua, aos olhos outros tão sacrificada
em silêncio mentido desminto calada
Se quero é a busca do ser íntimo preservado,
se algo é escapado de mim sem querer..
é só por breves momentos,
que foram dos doirados raios de sol quentes do entardecer
banhados em azul e roxo e não de mim
Sou a noite, é da noite que eu sou
das verdades esquecidas, sou do ser despido,
sou desse ser desengolido, sou do mistério
sou do velho desclassificado, da alma velha vidente, do sofrido
e porque a noite revela as pessoas, as noites revelam quem sou
daquela violeta esquecida, daquela menina caída no chão
da desilusão da vida que tão diluída se passa dum jardim florido
para uma incompreensivel multidão,
multidão dos passeios sociais inconscientes
Refaço-me nesse ser fluido, procurando respirar, o ar...
faço refluxo do que vi para ver
só no entardecer eu vejo o que a água diz
E eu me entregaria, me renderia de bom grado a essa noite tão chegada
só para esquecer que quase me cegava há instantes atrás
se houvessem braços a um homem bom,
se houvessem folhas numa árvore despida
se houvessem lágrimas num qualquer mar que fosse suficiente
se a vida que a ainda me restasse fosse essa
e se eu finalmente a visse
já ficaria feliz de ser eterna em sentimento
se houvesse esse gosto de terra,
que eu pudesse comer
se houvesse no que eu me apaixonar
eu engoliria o chão
engoliria o chão e floria não só em roxo,
mas em todas as cores possíveis para sonhar
lavando-me em aguas de não precisar pensar
.
Monday, October 14, 2013
respiração
Olho a volta e o
respirar custa…
Tenho em mim essa
vontade de fugir, de correr nao sei bem para onde
E corro e esqueço
o caminho, num silencio profundo, esquecendo de mim
E mesmo assim,
persiste em horas vagas, essa vontade de ficar, de olhar a volta, de respirar
as entranhas de cada um, em sangue sendo tudo
Tenho a vontade
de entender…
Há aquela vontade
de criar, de reinventar o momento, de reconhecer o futuro
Sob uma nova luz,
de sonhar
E permanece no
peito, a triste flor, aquela tristeza pelo que se deixou, pelo desamor, pelo
desapontamento,
Há uma reprovação
própria com cheiro a arrependimento
E a vida é para
mim assim em turbilhão, tão sentida de se querer sentir
Tão pouca de se
querer sempre mais, dela querer-se tanta em tantos sítios ser mais
Ah… e mesmo assim,
não sei como, tenho tempo de ter a eterna ânsia do outro.
Vontade do que se
não conhece ainda… vontade do que se quer por estar coberto
Vontade de querer
o que não se viu.. nem se ouviu falar..
Ah como eu quero
a vida depois da morte..
A vida depois da
minha morte em ti..
E é por isso que dou
por mim que até me esqueço de viver
De apreciar as
pessoas. as pessoas que tanto aprecio ver..
As vezes nem as
comunico finjo que nem as vejo.. só para apaixonar-me mais por elas
Apaixono-me até nos
sonhos..mas elas nem querem saber o que penso..
Eu por outro lado
deixo de pensar por elas e ao mesmo tempo..
Nelas vejo quem
eu própria sou e não sou.
E o que o agir
faz na vida afinal?
Se se faz tão
pouco se pensa..se o pensar pode matar a própria vida que age..
Melhor seria
desapegar-me de tudo.. sendo um super ser introspecto em tudo.. ser mero
reflexo eu me entenderia a mim mesma assim..
Não ter vida,
sendo a vida, vivendo só esse apreciar.. matando a própria alma.. fazendo-a
calar em dor
Ou viver e
esquecer tanto pensamento.. tanto papaguear interno papagueando o que a boca
diz para disfarçar a dor do interior esquecido…
Ninguém me disse
que viver seria isso, oh corda bamba da ilusão, viver mais parece um
ilusionismo entre deixar ir e ao mesmo tempo querer.
Saturday, October 05, 2013
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