Saturday, January 03, 2015

Perder-se


Amanheceu, e no ar a ausência
A vida se faz e desfaz-se a cada segundo
Tanto de tão pouco que nos fazemos,
Fazermo-nos parece-me calarmo-nos para o mundo
sempre que ele nada de útil tenha a dizer

Tao pouco de real existe nas palavras ditas correntemente
Que tanto mais valor tem ouvir o que o Sol silencioso tem a dizer
Tanto mais valor tem as palavras soltas de uma criança que mal sabe falar
Tanto mais valor tem só o mar sozinho, só o respirar, de se estar só

Amanheceu, e o corpo ainda está desabitado
Acordado, no seu próprio vazio, manchado de si, longe, de estar conectado
Tanto de mente, necessária na luta do que será sobreviver
Que custa viver, viver que seria o mais fácil e anterior a tudo!
Resta-nos acordar já acordados, ficar atentos, olhar para todo o lado com os mesmos olhos
com que se observa folhas, gafanhotos e se lê letras de canções.
Fugir da ditadura dos números, viver com pouco contar, cantar sim isso é viver!

Cansei, de fugir, de fugir de mim, essa essência flutuante e penetrante
Mas volto, dou voltas, e volto a encontra-la sempre num outro, que a mim me lembra quem sou.
Sina, de ter de tentar ser terra, que não sou... sou tanto de brisa quanto uma folha ao vento.
Sou tanto de tanto que posso querer ser tudo ao mesmo tempo

Amanheceu, e eu ainda sou ígnea, indecisa de para onde vou, sem teto seguro ao que agarrar
sendo ainda mar, para tudo olhar e largar-me ao mundo apenas docemente e carente

Teu sal, despiu-me,  fez-me eu parte de tudo
Teu olhar, fez-me mãe, criança, criada da tuas gargalhadas
Teu corpo, é o rosto da ausência, porque foste embora e nunca mais voltarás
Tua voz, minha voz, as mesmas vozes do mar infinito a cantar
Só a mim, o que resta é viver, cada segundo, que todo o mar poderá ser ainda nosso mundo
que tao perdido hás de estar, quanto eu.




Friday, December 26, 2014

Saturday, September 20, 2014

Raphaël - Caravane

Barbara Bonney: "Aurore" by Gabriel Fauré

Barbara Bonney: "Le Secret" by Gabriel Fauré

Silencio-Madredeus

terras soltas

Terra de quem vai e não volta
Terra de quem vem e nunca mais volta
Sentir-se a miragem de paisagem
Num caminho sempre de passagem

Terra desconhecida para alguém
Vazio tempestuoso para mim mesma
Pranto desconsolado num breu familiar

Plantas de corpos de vidas vivas em constelações
Os dedos de teclas soltas num mar de canções
E a escrita é o sangue dum átomo de chão
Enquanto isso tudo é tão calmo, mesmo enquanto se ri e se chora

São místicas as fontes onde encontro o teu ser no meu
Escrito despido sujo e puro em criança, nisto  tu
Esta coisa antiga, infantil, dona de si de tão perdida na perdição de mim
De nós, nos fazemos já nascidos, antigos do que antes já havia sido

Tão pequenos de tanto que existe no peito
Soltamos o que há, o passado e o futuro num só
Iniciados naquilo que já sabiamos ser passageiro
Amarmo-nos num baloiço de emoções, desfeitas em trocadilhos

Sonhados dos sonhos contados em infantis cançoes
Cada um na sua versão classificada de antigo e novo portugues
Ver que da vida o que há é um troco do que foi pensado
E cairmos para levantarmos o chão e sermos novamente multidão

Mas o passado não cura, e o futuro cai da janela
Leões, tigres e cães são donos dos ossos dos nossos nobres ofícios
E as almas são maiores, são licores, são flores, são crianças que sonham maiores mundos

Ser tua nesta terra, que à ela me faço dedicar
Crescendo de aviões de terras que vão e que ficam,
dor do que passa e se esquece sem parar
Ser de quem nunca soube de onde vem senão por uma canção
Ser que se faz tocar

Monday, August 25, 2014

Trilho tempestuoso

O trilho é tempestuoso
Tempestade a partir da tua tempestade interna
Minha tempestade externa de prantos femininos e sangue

Qual deus pensava eu seres tu, Zeus?
Estares nos momentos de sombra e de luz
Para podermos viver, sonhar e pensar juntos

Foi o infinito que sonhei de ti
E tao pequeno foi o meu papel nisto tudo
Que trilho sinistro, escolhi e agora me encontro
a contemplar, de cara a cara com o breu

Não há paixão, só há palavras
Não há futuro, só o passado da tua história,
a história de Portugal

Não há memórias nossas, às quais eu me possa claramente entregar
Tudo o que há é teu, e tudo teu tem pouco de nosso, tudo é tua cultura.
De meu só há vida.

 Até meus sentimentos, cada vez mais intelectualizados como tu
onde estarei eu, onde fiquei eu neste caminho?
Algures a questionar a existencia de deus...?!
Abandonaste-me  e eu deixei minhas duvidas serem respondidas por ti
e de mim mesma não nada há.
 
Nuances entre sentimentos e pensamentos,
e filosofias que não sei viver
tudo agora são retalhos e restos de frágeis momentos de tão curta duração
Quem te criou fui eu, tu estavas noutro lado,
algures a fantasiar tuas metas pessoais
Na casa de outra mulher qualquer
amaste-me com ideias, mudaste-te para dentro da minha mente
e dentro dela copulamos

Sou vazo de mentes ausentes de si
Receptáculo ofegante, tenho lágrimas reactivas para sentir
E agora, onde vou encontrar melhor luz
se sei que não voltas mais?
Se encontraste outro livro para ler..
outro livro, outra fábula outra história de mulher...

Tão tenho passado,
Tão emigrante, carente, de mim mesma ausente
sou poço sem fundo, não durmo, não como
Sou mais ausência que presença, sem pai
Depósito de sensações com corpo de mulher

Correr....

Cquote1.svg Deixa, Apolo, o correr tão apressado,
Não sigas essa Ninfa tão ufano,
Não te leva o Amor, leva-te o engano
Com sombras de algum bem a mal dobrado.

E quando seja Amor será forçado,
E se forçado for, será teu dano:
Um parecer não queiras mais que humano,
Em um Silvestre adorno ver tornado.

Não percas por um vão contentamento
A vista que te faz viver contente:
Modera em teu favor o pensamento.

Porque menos mal é tendo-a presente,
Sofrer sua crueza, e teu tormento,
Que sentir sua ausência eternamente.
Cquote2.svg
Camões, Soneto XXXXIX, centúria III

Monday, August 18, 2014

At-Tambur - D. Fernando

revelaçao

A tua revelação
Revelado que nesta imensidão, neste querer tão grande
a beleza do ser existe, na rendição

Tanto querer, de querer entregar, de querer dar
que chego ao exagero de não respirar

Quero não respirar no toque,
quero não respirar feliz de tão próxima do teu peito estar

Se algo mais houver para dar
Se algo maior houver a dar a vida
Quero é dar-me a mim

E nada querer em troca, nada mais,
que nada seria suficiente e o nada é que é tudo


tua distância, o meu encontro comigo,
e as trocas de espelhos, trocas sociais tão vazias
de serem minhas, tão carentes de serem sempre diferentes

Estou tão fria de mim, tudo é tua nostalgia
Tudo é a cor que deste-me a este mundo
Tudo é teu canto, tudo feito da pele da tua canção

Tempo infinito, desconsolado, até não viver faz sentido
E o sentido perdeu-se, o sentido desfez-se em memórias
Quando o sentido nasceu dentro de mim.


Rodrigo Leão & Cinema Ensemble - Casino Estoril ( A Mãe)

Rodrigo Leão & Cinema Ensemble - Casino Estoril ( A Mãe)

Pásion: Rodrigo Leão-Cinema Ensemble-Celina da Piedade

Wednesday, August 13, 2014

Muddy Waters - I Just Want to Make Love to You - JazzAndBluesExperience

Águas paradas

Não queria ver-te
Mas ver-te quer a minha pele

tão irresistível a essência de um pássaro a voar
sobre o mar, sobre o mar da ausência, tanto de chama,de  fogo, de morte

 Não, eu não queria gostar
Se algo houvesse longe de ti
Nem és tu, é a fantasia que te cria, são os fantoches da tecnologia
Tanto passado, tantas árvores, e tu aí parado

Ventos sopram
Ventos tão cheios de nada
E eu tão vazia de mulher, vazia de sonhos
tão feita de chama, tão quieta, tão cansada desse nada que nos fazem

Não, eu não queria ser quem tenho de ser
E tu, tu pareces ter tudo a teus pés
E por isso, eu queria era ter-me a mim
Sendo tu, tão irresistível a minha pobre visão, e eu tão simples

Das coisas que se pisam, das coisas que se desmancham no chão,
O fogo que me queima, o fogo da razão, resto meu, és mar neste mar de tuas sensações

As flores, as paisagens, um gesto, o desfolhar
E eu tão parva, tão ignorante e parva,
que nem precisava mais nada de ti saber

Sim, sentir apenas, sentir tudo ao mesmo tempo
como as estrelas ao longe, como os olhares infantis,
Esquecer das lágrimas passadas, dos desejos coloridos por duras visões

Para os outros, para mim
A vida eras tu
Eu era vazia

Tuesday, August 05, 2014

Só,
a paixão constrói e inventa uma multidão chorosa.
Rostos pálidos e secos de falta de sentir
Só, é a vida quando se nasce, tão só daquilo que lhe criou
 a saudade do ventre...

De sentimentos que desolam, e do amor que não corresponde
Foi toda a vida que se criou, pois toda a vida foi criada de uma separaçao

O nado macho e femea juntos nunca poderiam ter criado o mundo

Mesmo assim, ele é feito de mim e codificado em mim,
Tão confiado, por estar escrito na minha pele
O seu nome tão junto ao meu íntimo,
e do que ele pensa
nada

Só,
 a mente sempre nos separa
A mente através da qual, o homem criou o mundo

Haja inspiração,
haja inspiração para parir mais um segundo de um gesto teu
 Haja fôlego que nos faça voar,
ofegantes
Que o fôlego nos faça fugir dessas lágrimas

Só,
 a tua voz fazia calar o meu íntimo nu.
E eu lembro...

BONNIE RAITT - Love Me Like A Man (1976 O.G.W.T. UK TV Appearance) ~ HI...

Bonnie Raitt & Norah Jones~Tennessee Waltz

Saturday, August 02, 2014

http://almamater.uc.pt/wrapper.asp?t=Colloquies+on+the+simples+%26+drugs+of+India&d=http%3A%2F%2Fbibdigital.bot.uc.pt%2Fobras%2FUCFCTBt-B-84-1-3%2FglobalItems.html

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Ser

Segue a vida que passa, segue a vida a questionar-se a si própria
Se é pó, se é maresia, poderá algum dia ser alguém?

Segue a vida que é caminho, que não volta atrás e não perdoa
Segue a vida que é Sol, que é Lua, que é Mercúrio, poderá algum dia não ser de ninguém?

Segue a vida, porque vibra, porque dorme, porque ama e porque sente
E quando haverá mais espaço? quando haverá uma sinfonia que não prenda?
Quando haverá um sítio que não segure e que seja como praia, como um jardim
Onde haverá um sítio, um espaço para quem a vida seja sempre sem direção?

Que vida é constancia? que vida é fascinio?
Que vida pode trazer respostas, quando só a pergunta trás verdades?
Qual a natureza da vida num suspiro?
Que vida haverá num eco que retorna, que prende.

que vida haverá num lugar em que se retorna vezes sem conta a cada acordar?
Que dia foi igual ao outro?
Que lua foi igual a de outro dia?
Que resposta fez alguem deixar de perguntar?
Haverá vida sem Sol, sem Lua e sem estrelas?
Haverá vida na constancia de uma só consciencia?
Será possível parar?

Será possível criar um espaço que não nos prenda num lugar?
Um espaço de vida não física e não temporal... haverá tempo sem espaço e
espaço sem início e sem fim?
E se o mar permanece,  ele nunca é igual.

Marijuana Cures Cancer? + My past as a Pothead

Lisbon Story - Wim Wenders - Pessoa - E se non ho avuto amore ...? (Ital...

Madredeus - O Tejo - Wenders

Céu da Mouraria - MADREDEUS / Wim Wenders

José Saramago-La alternativa al neoliberalismo se llama conciencia.flv

Reflexión de Saramago

Entrevista com Wim Wenders

Wednesday, July 30, 2014

Bjork - Aurora

Amigo do coraçao


Eu confio em ti, és minha amiga por alguma razão e acredito que é porque tal como eu tu observas o mundo e és sensível em relação ao que percebes e consegues ver que todos nós estamos ligados de alguma forma.

Que sejas feliz e a vida te traga oportunidades para que possas brilhar mais.

Deixo-te um pequeno texto do poeta e mestre Zen budista japonês Ryokan:

Before listening to the way, do not fail to wash 
your ears.
Otherwise it will be impossible to listen clearly.
What is washing your ears?
Do not hold onto your view.
If you cling to it even a little bit,
you will lose your way.
What is similar to you but wrong, you regard
as right.
What is different from you but right, you regard
as wrong.
You begin with ideas of right and wrong.
But the way is not so.
Seeking answers with closed ears is
like trying to touch the ocean bottom with a pole. 

Abraços e saudades





para Darsy
Que lindo meu querido...!

Esse texto expressa bem o que tenho sentido ultimamente... com a passagem de plutao pela minha casa IX entre outras influencias, tenho sentido de facto como andei confusa.
Vejo como a realidade é bem mais complexa do que eu inicialmente pensava e como eu tenho necessidade de transcendê-la.
Mesmo assim é impossível transcender algo que não se conhece e que não se escuta.
É preciso escutar, perseverar, lutar... é preciso tanta coisa para preparar a nossa viagem individual!
ainda assim, é preciso ser-se suave!

É bom escrever! E com certeza vou escrever-te mais vezes querido amigo do coração!
Beijos


2014-07-28 15:26 GMT+01:00 Darsy Fernandes <darsyman@gmail.com>:





para Darsy
Como eu agora ando um bocado cinófila... deixo-te por agora com um filme que marcou a minha infancia. Um filme brasileiro, um bocado hippie dos anos 70.
:P
http://www.youtube.com/watch?v=Opc_gDLf0V8

Thanks Luna!

O meu youtube anda com problemas mas vou ver o filme logo que possa. Talvez hoje.
Muito fixe teres curtido do texto. Os poemas de Ryokan são mesmo bastante sinceros e profundos.
Como dizia o Krishnamurti, quando a gente tem consciência da prisão já se pode considerar que estamos fora dela :D

Muitos beijos e 1grande abraço minha alma gémeniana ;)
Darsy

Palhaços

Tenho a vida repleta de distrações
Distraçoes que encerram a chegada e a partida,
que evitam que eu expresse o que eu quero dizer

Criei um mundo de fantoches em prol de um sonho
Sonho que só dentro de mim existe, estrutural a todo esse conteúdo tão seco

Tenho a vida vazia, a vida por dentro está recheada de palhaços
Palhaços na rua, nas estradas, nos vidros das lojas, palhaços ricos e palhaços pobres.
Palhaços que andam sempre disfaçados.

Criei um mundo, a partir do mundo que já estava criado antes de eu nascer.
Mundo de espelhos, que refletem fardas, almas desamparadas em bares, almas acessas em manifestações que manifestam fisicamente, nada.

Vivi no mundo que vivo, manifestação de leis escritas, escritos que definem as realidades das pessoas, grandes cartazes que dizem o que deves fazer.
Casas cheias de ninguem, e ruas cheias de gente faminta de fazer alguma coisa com os seus corações.

Eu não vivo num mundo, eu sobrevivo num mundo.
Porque a única luta que tras frutos neste mundo é sobreviver.
E quando luto por viver, podem  me mandar calar a boca ou podem me chamar de utópica.
Se posso cantar em alguns segundos, se posso dançar por algum tempo, poderei pedir menos comparação?

Vivo a vida como todos os outros, e procuro essa mesma vida como todos os outros,
uns procuram na carteira, outros procuram no trabalho, eu agora procuro na imaginação.



 

Passado

Se eu não soubesse do que sempre soube
De ouvir o bater o coração quando se aperta a mão da nossa mãe em criança

Se eu não seguisse o caminho que eu própria defini
Como quando se esquece do medo e de seguir o que os outros dizem

Se eu não tivesse registado o que sonhava em criança
Escrever, cantar, pular, saltar e cair

A vida é por nós definida de dentro
A vida é tingida sempre no mesmo timbre como o timbre da voz
Mudam as paisagens, mudam algumas vontades, mudam algumas pessoas
Mas de dentro existe um abrigo, uma âncora que segura, como raíz de árvore
uma essencia serena.

Se eu não soubesse que o mundo seria frio e que os invernos viriam
Se eu não soubesse que a infancia sempre seria doce e o tempo entre vidas desafiante
Como mudam as estações, como mudam os namorados, as vidas são inconstantes, mas a verdade incorruptivel

Tempos de numeros, tão falíveis com os jogos de loteria
Tempos em que se diz ter tudo, quando não sentimos nada
A vida é anestesiada, a vida é camuflada, a vida fica do que já passou, a infância!

Como agora sonho com os tempos em que era completa dentro de mim, completa de humana, completa de paixão por ver com olhos sensíveis a minha própria vida de criança.

Agora, sou vestigio desse passado, como um ser que ainda hoje amo. Esse é e será o meu novo e eterno amor.
Esse passado que desespera esse futuro que sem modos, nunca tem medo de ver.

Wednesday, May 21, 2014

The Mae Trio

https://www.youtube.com/watch?v=EmvmceZ0Eys

Wild is the wind...

https://www.youtube.com/watch?v=CiVDzTT4CbE

Saturday, May 17, 2014

https://www.youtube.com/watch?v=PLhWkWe9P4c

Thursday, May 15, 2014

Vão

Não há sentimento que cure
Não há lágrima que em mim se deixe afogar
Nem pranto que se deixe navegar neste mar,
à beira-mar

Não há o que saborear neste vento tão seco
do momento
Nem brisa que pare, para que eu a possa observar
Não há mais luzes que possam alegrar pupilas de olhos ingénuos
Nem canto para saciar a fome e a vontade de chorar

Nada há do tempo que espere, que faça um coração voltar a bater
Nem restos que sobrem dum deserto,
de momentos que ficaram por viver

Ouço muito do pouco que vejo
E esqueço pouco do muito que me permitiria viver
Neste além que são pouco mais do que lamentos
Ganho das asas, o voo.

A espera de abrir asas e desfazer-me em paisagens
para nada ser mais do que chão
Poderei, ainda, ser da natureza dos sonhos para não sentir nada em vão?

Saturday, May 10, 2014

Como viver no silêncio?
no ventre da claustrofobia?
No eco do intransigente?
No beco da cobardia?

Para quê não ter direcção?
 Para quê ter vida e morada?
Quando passarás, para segundo plano?
meus sonhos, minha vida e minhas palavras?

Para quê sonhar se posso comprar
Tuas coisas, tuas roupas e tuas pisadas

Porquê esquecer de contar?
o tempo, o pão, a luz e a água
E se quizer ser fumo, ser lareira e ser terra do chão?
Onde vou esconder minha farda?

Como cantar uma canção, se vivo desencantada?





Para Dizer-te

Queria dizer-te que o mar sempre esteve no teu olhar
Que o abrigo que procurei foste tu
E que o Sol que procuras já estava em ti

Queria mostrar-te que aqueles que deviam saber afinal
nunca souberam nada
E eu sei porque quando estava na lama, olhei para cima e vi

Queria mostrar-te que tu és grande
Embora te acredites pequeno
Por dentro tens o mundo inteiro
Mostraste-me sem querer um dia, em que me abraçaste
e ninguem me disse nem tu,  mas por fazeres-te pequeno, eu vi

Queria-te aqui, por não quereres tanto aqui estar
Por seres tu, e mais ninguém, por estares bem sem nada de mim
Por seres fraco, seres tu, mesmo sozinho, por deixares-te ser quem és
mesmo sabendo que não terás ninguém ao teu lado

Eu fui no tempo, eu sou das memórias
Como água argilosa que reflecte, o tempo que já passou
Agua que se pisa e se esquece, brisa que paira sem teto
Eu vi, vi o mundo numa inspiração,
Vi o mundo, vi os mundos que variam no íntimo de cada lugar
E numa poça te vi, tão tonto de não seres de lado nenhum
Como eu, que estava tão bem vestida de nada

E eu em mim, me acredito tola, também
Tão zonza de poucas certezas
Com a cabeça fugindo do tempo
Com os pés perdida entre espelhos
Tão parada, por ser dentro, um ser de mar agitado
Tão ansiosa, por ver tão pouca gente a viver

E sabendo que o futuro é isto,
esse sangue pisado sobre a sensação
sabendo que o futuro é suposto ser rocha, em vez de ser esse amor
do futuro não ver sentimentos, mas planos
E da vida, ver mais papéis do que sonhos

De tão poucos sonhos que tinha, vi que sonhavas tão bem...
Sonhavas calado enquanto eu cansada suspirava,
e tu calavas, e eu era, o teu silencio que escutava,
no meu peito eu escutava a tua voz calada mesmo enquanto eu dormia.

E eu queria dizer-te, o que só poderia dizer calada
queria partilhar contigo o mundo que me tem habitado ultimamente
Mas quando olho o céu a noite,
lembro que o meu mundo interno há de estar ali também
e que se te dissesse a ti eu já não seria mais novidade nenhuma
Só te posso dizer,
que devemos estar sempre no lugar certo,
mesmo por nunca estarmos bem em lado nenhum.

Friday, April 11, 2014

ler:
http://www.egov.ufsc.br/portal/sites/default/files/anexos/24881-24883-1-PB.pdf