Saturday, September 09, 2017

gelado

Eu perambulava pelas ruas de um novo pais, nua de memorias por estar num lugar novo, o meu peito gelado estava cravado  dum passado que permanecia escondido, semi esquecido.


Tudo fora de mim era dia mas tudo dentro de mim era noite. Aos conhecidos que passavam eu dizia, que nada mais haveria em mim, que tudo o que amava estava enterrado em meu peito, que nada haveria mais aconteceria de novo.


Sentia me velha, embora nova num pais novo.
Ate que a tua luz refletiu em mim pela primeira vez, num encontro circunstancial, estavas apressado e atarefado,
tudo em ti era diferente, e eras apenas um rapaz, talvez por isso


Falamos como amigos pela primeira vez, num dia de tempo indefinido, de chuva e de sol. Tinhas tando de dor carregada, como de dores contidas tambem. Estavas triste, agitado, cansado num pais de estranhos..


Quanto mais te conhecia mais o meu peito silenciado acordava novamente,
como se saisse da escuridao o me peito comecou a ansiar pelo teu,
vi o teu sofrimento de nao seres de lado nenhum quase um pouco como eu mas de uma forma diferente.
Nao sabias se ias ou se ficavas, se calavas ou falavas, vivias nos rios de emocoes que habitam os nossos corpos. E o meu corpo era recipiente da tua dor.


Eu tentava manter o silencio, tentava deixar te seguir o teu caminho livre, mas no fundo tudo o que queria era agarrar te em meu colo, deixar te perder te em meu ventre, deixar que as tuas magoas encontrassem em mim o seu fim.


Por nao suportar ver te sofrer, sentia te como um menino meigo, nao queria ver te partir, queria confortar te, e ao teu sofrer.


Your skin was so pale, pale as your thoughts about the world. So incredule, you looked at me once.
A tua Pele era palida Como as tuas ideas acerca deste mundo. Olhavas me com os teus olhos incredulos e EU via rastos perdidos em teu olhar, caminhos esgotados.

Duvidavas de tudo e acreditavas em qualquer um, Como se tivesses morada mas nao soubesses onde seria. Eu apoiava os teus passos ao mesmo tempo que perdia me dos meus.
Eu amava te, mas tu, nunca acreditarias e duvidarias ate ao fim.
E eu ia percebendo que duvidar seria sempre a tua unica forma de acreditar.
 Deixei me levar pelo fluir das tuas ideias como se eu fosse um rio.
Eu seria o teu rio, o rio pelo qual a tua alma se fazia atravessar.

So many things are bigger than us, so many things bigger than our love, so mu j superficiality and I am here drawing in this routless paradise, in your heart.



Sunday, August 21, 2016

Crianca

Em toda a crianca existe a beleza do infinito no brilho de um olhar
Em toda a crianca habita o melhor do que existe no mundo, a semente do que ha de ser
As criancas sao a confianca no momento presente, sao a existencia em si, que apenas nelas existe.
As criancas estao vestidas com as flores da primavera,
porque as criancas refletem nos outros o que existe de mais bonito no mundo


A minha vida estava carregada com nuvens cinzentas de memorias que passaram e que nao quiseram deixar-se ir


Eu estava chorando o rosto de varias ausencias que foram inevitaveis, estava com saudade do que havia sido, sem aceitar que os dias passam depois das noites.
E tu, crianca, me perguntaste- o que era saudade. E com esta pergunta acordaste em mim, meu ser dormente. Acordasde em mim o meu ser que estava ancorado no mar.
E eu, naquele momento, esqueci o que era saudade. Ao olhar para ti, apenas vi.


Contigo posso aprender a contar outra vez, enquanto eu esqueco que ja tinha contado
.
Podemos cantar ao vento, lembrando que existe a chuva e que as lagrimas tambem sao passageiras
Eu queria ajudar-te a conhecer o mundo pela primeira vez, mas em vez disso tu me fazes ver a beleza do mundo, tal como ele e, finalmente contigo eu volto a ver o mundo do qual eu me tinha escondido.




Em todos existe essa crianca, que nos guia, o amor dedicado a transformacao
Crianca, eu como tu, nao sei quem sou.
Nao aprendas tudo comigo, nao aprendas comigo a contar tanto, e a querer tanto
Podemos aprender juntos a desaprender, brincando com as folhas, com as arvores e com os passaros dos jardins.

Friday, May 13, 2016

Tuesday, December 08, 2015

deixar ir

O nosso amor fez me acreditar que dar me em dadiva para ti era tudo
mas uma vez despedacei me em ilusao sem dar por isso, entreguei me ao passado como pomba
E tu es insaciavel, es incapaz de parar, queres antes que de magoe, que te explore, que te traia do que olhar para mim
por seres completo sozinho, por seres tao de ti, e nada de mim,
nao cuidavas de mim, quando tudo o que eu queria era cuidar de ti, e era ser curada


Vi que o nosso amor, seria sempre ilusorio,
como restos ao vento, corpos despedacados, o nosso amor estava predestinado para desfazer se em restos mortais
E eu apertava em meu peito o teu corpo nu, e via a minha desolacao, o retorno da minha inspiracao,
via que lentamente havia me perdido de mim, dessas vezes que ia e retornava da tua casa,
em que me mandavas embora, sem eu querer, eu via me nua, despida da minha integridade em querer fazer me tua e tu sem abdicares de ti proprio por mim.
Em cada folego comecava a ganhar o gosto do grito, o gosto do grito por libertar me


O porque dessa ilusao de fazer me tua eu nao sei, o porque da tua ilusao de saberes sempre para onde ir, sempre conseguires seguir a tua propria direcao e nunca olhar para tras.


Fizeste me voltar a escrever, e eu senti me presa e libertei me de ti num choro, num gesto deixei me partir, da mesma forma que cheguei, num desespero ofegante.


Eu nao estava mais completa sem ti, e por isso fugi, quando vi que a minha presenca a ti nao te fazia diferenca, vi que ias ganhando gosto em me morder, em magoar meus sentimentos fortes, fazendo ser maior a tua forca pessoal.


Numa luta de dominacao o nosso amor acabou, mas nao o meu amor por ti, do meu amor por ti, restou a tristeza do melhor que queria que tivesse sido.
Fica me esta lembranca que me resta de um homem, o abandono, e a unica coisa que realmente conheco da natureza masculina e  o que consigo trazer para a minha vida.


Antes preferiria ser de mim, do que entregar me para o abismo, antes as lagrimas agora, do que deixar me ir depois.
Queria sucumbir me de mim, ou ser minha e de mais ninguem, do que um meio termo, indefinido, essa massa ignia que me transborda o interior e me conduz sem eu saber para onde, nao ha o que controlar, nao ha o que perder quando tudo esta perdido