Monday, July 23, 2018

ele

Ele era a minha nuvem, a minha cruz e a minha existencia
Dele eu nao era nada, ainda assim eu era a unica ancora que o prendia ao mundo
Porque ele era artista, crianca, pintor
Nao tinha corpo, nem dinheiro, nao tinha coragem nem amor.

Ele era sonho, imaginacao e contemplacao
Eu era corpo, fantasia e ilusao
Porque eu era dada, escolhida, eu era o dia e a noite dele
Eu era as tarefas diarias de comer e dormir
Ele era a expresao do amor, a beleza que existe dentro e fora do mundo
E que nao tem forma onde se expressar, senao pela arte em grito de revelacao

Quando eu era solidao, apego e carencia
Ele era liberdade, paixao e sonho

Ele falava e eu seguia
Ele sonhava e eu concretizava
Ele desenhava, eu cultivava
Eu era terra, ele era agua
Ele era ceu, eu era arvore

Todos os dias eu fazia comida, e ele nao comia
Todos os dias ele lamentava o sofrimento e eu ouvia em silencio
Todos os dias eu seguia e ele fazia por nao ser seguido
Todos os dias dormiamos juntos, mas ele apenas sonhava
Todos os dias eu cantava mas ele nunca estava la para ouvir
Todos os dias estavamos juntos, mas ele era livre como o sol e eu deixava me solta como flor
Todos os dias ele me inspirava, e todos os dias eu nao era nada para ele, no entanto eu era o folego que  o fazia sobreviver, e o corpo que o mantinha vivo

Friday, July 13, 2018

flores

As lagrimas sao pequenas comparadas com a curta vida das rosas
Eu queria te ao meu lado, queria dar te colo, afastar te da dor
Segurava a tua mao debaixo dos lencois enquanto procurava encontrar o teu coracao.

Eu queria ver te livre do passado, com o meu amor libertei te, atraves do meu suor
Dei o meu corpo, dei a minha alma mas afaguei te em meu peito e libertei, fiz te livre outra vez

Dei te o meu corpo, o que querias a liberdade mas fiquei presa na tua antiga dor
O momento foi o certo, para ti e para mim, por que eu tinha o meu peito que esperava e ansiava por ti ha muito tempo
E tu tinhas muito peso para carregar e precisavas alivar a dor que trazias

Carregavas a tua pesada carga todos os dias e eu via-te a voltar do trabalho e a sofrer as dores e um trabalho forcado.
Via te e amava-te em silencio, em silencio esperava por ti, por meses que pareceram anos.

Quando me chamaste eu fui, resisti muitas vezes, no entanto, ate a um certo ponto, num dia nao resisti em ter-te em meus bracos.
Queria abracar-te sentir o teu calor de menino, mas nesse dia tu quiseste me como mulher. Amaste me e quiseste mais, amaste me e esqueceste

Por poucas noites, senti o teu suor e respirei a tua presenca, embrulhei me nas tuas labrimas e deixei o teu corpo ocupar o meu. Deixei o teu suor, sufocar-se em mim.
Mas o nosso amor tinha a duracao das flores do campo, o nosso amor cheirava as petalas das flores dos jardins.

Nos amavamos a noite, mas de dia eramos desconhecidos, amavamos em segredo e de dia seguiamos com os nossos fardos.

Tudo o que eu queria era libertar-te do passado, queria trazer felicidade a tua alma, trazer alguma luz as tuas lamentacoes.
Todos os dias contavas me tudo o que sofrias. Gritavas por liberdade. E eu deixava-me tingir das cores tristes que trazia a tua alma, eu deixava me tatuar de ti, mas em segredo, queria tambem o teu corpo, a tua presenca em mim.
Queria todos os dias relembrar o teu corpo palido e nu a meu lado.

Tudo o que querias era ser livre, querias soltar o teu traco leve no vento, querias levantar as brumas que se cobriam sobre a tua vida, e vias na minha alma uma tela onde te podias soltar.

Eu enquanto deixava me ir em ti, abandonava-me a mim mesma, amava-te e fazia me por esquecer de que sabia que me abandonarias, sabia que me abandonarias quando eu nao te servisse mais.
O sol nao aparece todo o dia no ceu e as flores nao vivem para sempre.

Tu disseste que querias ser livre eu fiz te livre, mas deixei me desvanescer, deixei me morrer em teus bracos, o meu amor.





Monday, July 02, 2018

a

Ele carregava um grande peso, sozinho no seu quarto abrigado, preso, megulhado sem ninguem o tirar de la. Em seu quarto mergulhado em memorias ele desaparecia-se do mundo.
Eu entrei como amiga, sai como desconhecida, entrei novamente como irma e sai como amante.

Aquele quarto era o que cobria os seus dias, enquanto ele tatuava tudo o que houvesse em cinzento, a sua vida era apenas vida no passado.
Ele deixava-se desabafar apenas comigo enquanto eu secretamente amava o vazio do seu olhar.

O seu espaco especial, era tudo o que ele tinha, tudo o que permanecia de tudo o que havia perdido,
famila, filho, pais.. Ele era apenas a tatuagem, a pintura que fazia, a arte e a ausencia.

E eu deixava me adormecer em seu peito, megulhada no seu abraco gelado. Mergulhada no suor do seu corpo branco, tatuado e nu.
Aceitei o seu passado que o carregava e o preenchia, aceitei todos os copos de cerveja, todas as vezes que ele deitava se a meu lado sem alma e sem cor.

A sua alma sussurrava por mim sem forcas suficientes para se fazerem ouvir, o silencio engolia toda a forca humana que existia em seu corpo e ele sucumbia em repetidas memorias que me ia contando,de como a vida o tinha retirado tudo, de como tudo o que importava fosse apenas passado. As musicas que ouvia, as fotos que tinha em seu quarto tudo  pertencia ao passado, como se ele vivesse em um mundo proprio das memorias que guardava.

Como amigo, ele me alertou, que nao sabia quem era quanto mais quem eu seria, se ficariamos juntos ou nao nada disso importava, nada disso realmente existia. E com palavras frias ele cortava o meu peito em farrapos, enquanto o seu corpo seco me abracava e a sua alma silenciosamente clamava pelo meu peito, para que este o retirasse do sofrimento. Como crianca assustada a sua alma tentava existir em mim, talvez atraves do eco da sua propria voz, mesmo a sua alma sendo como uma estrela que brilha mas que ja nao existe mais.

E por cada copo de cerveja que bebia, mais a sua alma desaparecia na escuridao. Por cada historia do passado que me contava mais a vontade de viver lhe abandonava o corpo. Como se toda a vida se quisesse esvair de seu corpo, como se o seu corpo fragil nao tivesse espaco para mais o que viver e mais o que sentir.

Eu tentava contar novas historias, tentava ouvi-lo, amei-o com tudo o que eu tinha mesmo assim, a vida nao retornava a seus olhos. De olhos vazios, disse me que nao encontrava espaco para mim em sua vida, enquando os seus olhos vazios se tornavam apenas indiferentes.

Da indiferenca, os seus olhos tonaram-se tristes mais uma vez, e eu sem resposta, deixei me ir sozinha. Ele repetiu que nao me conhecia, que eu nao faria parte de sua vida.

E assim finalmente, quando o frio atingiu o meu corpo, fiquei sem resposta, tornei me apenas o vacuo, por que tudo o que sentia por ele era amor, fiquei sem odio, apenas ausente de mim mesma.
Deixei o quarto que continha a sua alma  e as suas memorias a sos. Deixei o seu corpo nu, palido e vazio da propria vida  estar por si mesmo sozinho e carente.